“Baralho underground” no Acervo Circular apenas neste domingo

17 março, 2017 às 12:00  |  por Marianna Camargo
Cartas são inspiradas nos personagens do centro de São Paulo. Imagem: Paula Duarte

Cartas são inspiradas nos personagens do centro de São Paulo. Imagem: Paula Duarte

O Acervo Circular, um dos espaços mais bacanas da cidade, cravado no centro histórico de Curitiba, recebe apenas neste domingo, 19/03, uma mini exposição intitulada “Baralho Underground – mais outras séries”, de Paula Jardim, ilustradora e muralista carioca.

O material, produzido pela Copag,  tem 54 cartas ilustradas com tiragem limitada. O Baralho Underground faz parte dos projetos ilustrados que foram inspirados no Centro de São Paulo, uma associação dos personagens das cartas com habitantes da vida noturna.

Além da mostra, a artista realiza um workshop de estamparia corrida, dia 18/03, sábado, no espaço Album Fashion Think, da loja Album Hits. O público poderá aprender mais sobre estamparia, do tratamento de imagens à construção de estampas complexas.

Paula desenvolve projetos diversos para área de moda, murais, editorial e cenografia. Autora do E-book “Tudo sobre Estamparia” e atuante na indústria têxtil, com clientes como Santa Constância, Maria Filó, Editora Abril, Livraria Cultura entre outros. Para saber mais sobre a artista: paulajardim.com

Sobre o espaço – O Acervo Circular é um ateliê colaborativo urbano que envolve criação, desenvolvimento e produção em costura, artes e carpintaria. Fica no setor histórico de Curitiba, ao lado do Largo da Ordem na Rua Mateus Leme, em frente ao antigo Cine Bristol. A casa do ano de 1929 foi restaurada e repaginada de modo sustentável, contando com muitas lembranças do passado e materiais reutilizados. Artistas e criadores colaborativos têm espaço aberto para criar e expor seus trabalhos, valorizando raízes e identidades locais.

 

O Acervo Circular é um ateliê colaborativo urbano que envolve criação, desenvolvimento e produção em costura, artes e carpintaria. Foto Paolo Provenzano

O Acervo Circular é um ateliê colaborativo urbano que envolve criação, desenvolvimento e produção em costura, artes e carpintaria. Foto Paolo Provenzano

 

 

Serviço:

Oficina de Estamparia com Paula Jardim

Data: 18/03, sábado

Capacidade: 10 pessoas

Valor: R$250,00 (pode ser parcelado em duas vezes)

Contato: 3408- 0205

Horário: 10h às 14h

Local: Album Hits

Rua Brigadeiro Franco, 1193 loja 1.

 

“Baralho Underground – mais outras séries”, de Paula Jardim

Data: apenas neste domingo, dia 19/03

Horário: 11h às 18h

Local: Acervo Circular

Mateus Leme, 142

 

Últimos dias para ver Julio Le Parc, Christian Megert, Palatnik, Ianelli, Maria Bonomi no “Olho” do MON

14 março, 2017 às 10:59  |  por Marianna Camargo

 

Mostra fica em  cartaz até este domingo, 19/03

 

Obra do suíço Christian Megert (1936), integrante do grupo ZERO,  que criou um novo conceito de arte na Europa, que acabou se espalhando pelo mundo, inclusive pelo Brasil e América Latina

Obra do suíço Christian Megert (1936), integrante do grupo de vanguarda ZERO, criado no fim da década de 1950. Foto Marcello Kawase/MON

A união dos acervos do MAC ( Museu de Arte Contemporânea do Paraná) e do MON ( Museu Oscar Niemeyer) resultou em uma exposição que deve ser vista: “MAC-MON – um diálogo” fica em cartaz só até este domingo, dia 19 de março, no MON.

São mais de 50 obras de grandes dimensões, apropriadas para o local: o “Olho” do Museu Oscar Niemeyer, espaço com cerca de 1.800 metros quadrados. Adriana Tabalipa, Bernadete Amorim, Carina Weidle, Eliane Prolik, Daniel Senise, Dulce Osinski,  Dudi Maia Rosa, José Rufino, Orlando Azevedo, Siron Franco, Regina Silveira, Emanoel Araújo, Isidro Blasco, João Osorio Brzezinski, Nelson Leirner, José Antonio de Lima, José Balmes Parramon, Osmar Chromiec são alguns dos nomes que compõem a mostra.

 

São mais de 50 obras em um espaço de mais de 1.400 metros quadrados

São mais de 50 obras em um espaço de mais de 1.400 metros quadrados. Foto Marcello Kawase/MON

MAC-PR

O acervo do MAC-PR  incorporou parte do acervo artístico do antigo Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura, que reunia prêmios de aquisição do Salão Paranaense, aquisições por compra, doações de artistas e colecionadores. Outros eventos promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura contribuíram para ampliar o acervo, como o Salão de Arte Religiosa Brasileira (1965-1975), o Salão de Artes Plásticas para Novos (1957-2002), a Mostra do Desenho Brasileiro (1979-2004) e o Projeto Faxinal das Artes (2002).Atualmente o museu tem cerca de 1.700 obras dos mais representativos nomes das artes visuais do país, abrangendo pintura, desenho, gravura, escultura, fotografia, objeto, tapeçaria, colagem, instalação e vídeo.

 
MON
Inaugurado em 22 de novembro de 2002 com o nome de NovoMuseu, reuniu os acervos do Museu de Arte do Paraná (MAP) e do Banestado em um único lugar. Em 2003, ganhou o nome de Museu Oscar Niemeyer. O espaço proporcionou ao Estado sua inclusão no roteiro de exposições nacionais e internacionais, antes mais restrito ao eixo Rio-São Paulo. Hoje o MON possui um acervo com cerca de 4 mil obras de artistas expressivos no cenário nacional e internacional, com peças doadas e adquiridas.
 
A mostra apresenta pintura, instalação, tridimensional, entre outras técnicas. Foro Maíta Franco/MON

A mostra apresenta pintura, instalação, tridimensional, entre outras técnicas. O Olho tem cerca de 1800 metros quadrados, 30 metros de altura e 70 metros de largura. Foto Maíta Franco/MON

Exposição “MAC-MON: Um diálogo”

Local Museu Oscar Niemeyer

Período expositivo: 14 de abril a 19 de março de 2017
Local: Olho
Terça a domingo, das 10h às 18h
Ingressos: R$ 12 e R$ 6 (meia-entrada)
Rua Marechal Hermes, 999
41 3350 4400

 

“Atos” reúne 13 artistas na ZB Galeria

11 março, 2017 às 13:15  |  por Marianna Camargo
Sandra Hiromoto - Nem toda nudez quer ser vestida - acrílica sobre tela 2017

Sandra Hiromoto “Nem toda nudez quer ser vestida”, 2007. Foto Divulgação

Curitiba ganha uma nova exposição que pode ser vista de 11 de março a 5 de maio -  “Atos”, composta por 13  artistas: Alfi Vivern, André Coelho, Denise Ferioli, Diogo Duda, Eleutherio Netto, Elizabeth Titton, Helena Wong, Kazuo Wakabayashi, Manabu Mabe, Maria Cheung, Rodrigo Pereira, Sandra Hiromoto e Zuleika Bisacchi, que utilizam diferentes técnicas, como pintura, serigrafia e modelagem em argila.

Denise Ferioli, Nossa Senhora Do Caos. Foto Divulgação

Denise Ferioli. “Nossa Senhora Do Caos”. Foto Divulgação

Rodrigo Pereira - Frame 1

Rodrigo Pereira. “Frame 1″. Foto Divulgação

A mostra acontece na Zuleika Bisacchi Galeria de Arte (ou simplesmente ZB Galeria) e marca uma nova etapa do local, anteriormente chamado Diretriz Arte Contemporânea, em atividade há mais de um ano.

Maria Cheung. "Nui Toy", 2008. Foto Divulgação

Maria Cheung. “Nui Toy”, 2008. Foto Divulgação

De acordo com a proprietária, que imprime seu nome ao espaço, ” A Zuleika Bisacchi Galeria de Arte tem por princípio construir um trabalho de responsabilidade, critério, coerência, integridade e respeito para com os artistas e o público apreciador das artes em suas diversas linguagens e criações artísticas”.

A mostra tem entrada gratuita e pode ser vista de segunda a sábado, das 10h às 22h, e  domingo, das 14h às 20h.

Kazuo Wakabayashi, Pássaros, 2006, serigrafia - 28 de 120, 72x72cm

Kazuo Wakabayashi. “Pássaros”, 2006. Foto Divulgação

Serviço:

Mostra “Atos”

Período expositivo: 11 de março a 5 de maio de 2017

Local: Zuleika Bisacchi Galeria de Arte

Endereço: Av. Batel, 1868 (Shopping Pátio Batel, 3º piso / loja 329)
Horários de visitação: segunda a sábado das 10h às 22h, domingo das 14h às 20h.
Entrada gratuita
Informações: (41) 3020-3667

 

 

 

Eliane Prolik leva à Pinacoteca a instalação “Pra que”

4 março, 2017 às 12:02  |  por Marianna Camargo

 

A instalação “Pra que” (2007-2009), da artista curitibana Eliane Prolik, pode ser vista a partir do dia 4 de março, sábado, na Pinacoteca de São Paulo.  A obra possui 45 placas de veículo em alumínio e pintura eletroestática que ficam suspensas na parede e possuem palavras em relevo branco sobre branco. “Essa obra explora o potencial de confronto entre a palavra e a imagem. Será a oportunidade apresentá-la pela primeira vez na Pinacoteca e no Estado e de propor um diálogo com as demais obras expostas na Pinacoteca neste período”, explica a curadora Valeria Piccoli.

 

 

Sua obra traz o rumor incessante encontrado em nossa experiência urbana, efetiva a transposição de materiais e coisas cotidianas para a arte. Foto Eliane Prolik

A obra possui 45 placas de veículo em alumínio e pintura eletroestática que ficam suspensas na parede e possuem palavras em relevo branco sobre branco. Foto Eliane Prolik

 

Para a artista, “Pra que” trata da experiência urbana, dos fluxos do trânsito e do pensamento e formulação de linguagem. Além de questionar o sentido das coisas. “A apreensão da obra se dá para quem se situa diante dela, na possibilidade de formar conjuntos diversos, maiores ou menores de leituras. Cada placa é um objeto em si, porém aberto a conexões e associações com as demais. Onde estamos e como operamos essas escolhas é relevante para o processo de significação”, explica Prolik.

Desde 1986, a artista dedica-se à produção tridimensional, trata com precisão e leveza as qualidades da matéria, da forma e do espaço utilizando-se de operações conceituais e procedimentos de apropriação de elementos do nosso cotidiano, o que envolve a experiência corporal e perceptiva do público.

 

“A apreensão da obra se dá para quem se situa diante dela, na possibilidade de formar conjuntos diversos, maiores ou menores de leituras", analisa a artista. Foto Kraw Penas/SEEC

“A apreensão da obra se dá para quem se situa diante dela, na possibilidade de formar conjuntos diversos, maiores ou menores de leituras”, analisa a artista. Foto Kraw Penas/SEEC

 

Sua obra traz o rumor incessante encontrado em nossa experiência urbana, efetiva a transposição de materiais e coisas cotidianas para a arte. Lida com o paradoxo de um silêncio ruidoso, da leveza e equilíbrio instáveis e tensos, do movimento em trânsito frente à fixidez.

A artista transpõe por meio de sua obra reverberações do mundo, seja por meio da espacialidade, da cor, da palavra, do jogo ou de outras relações questionadoras e inventivas na construção do seu trabalho. Suas apropriações criam uma inversão e um contraponto para uma visão acostumada com cada coisa em seu lugar.

 

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“Cada placa é um objeto em si, porém aberto a conexões e associações com as demais. Onde estamos e como operamos essas escolhas é relevante para o processo de significação”, explica a artista. Foto Eliane Prolik

 

A instalação de Eliane Prolik já foi exposta em Londrina e Curitiba e faz parte da coleção da instituição desde 2012, quando foi adquirida pelos integrantes do Programa Patronos da Arte Contemporânea, projeto pioneiro fundado pela Pinacoteca neste mesmo ano.

 

A obra possui 45 placas de veículo em alumínio e pintura eletroestática que ficam suspensas na parede e possuem palavras em relevo branco sobre branco. Foto Eliane Prolik

A obra explora o potencial de confronto entre a palavra e a imagem, de acordo com a curadora Valeria Piccoli . Foto Eliane Prolik

 

A instalação permanece em cartaz até 22 de maio de 2017, no segundo andar da Pinacoteca – Praça da Luz, 2. A visitação é aberta de quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30 – com permanência até as 18h – e o ingresso custa R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Crianças com menos de 10 e adultos com mais de 60 anos não pagam. Aos sábados a entrada é gratuita para todos os visitantes.

Mais informações:  pinacoteca.org.br – (11) 3324-1000.

 

Foto Eliane Prolik

Foto Eliane Prolik

Foto Eliane Prolik

Foto Eliane Prolik

Foto Eliane Prolik

Foto Eliane Prolik

O coração do museu

21 fevereiro, 2017 às 14:35  |  por Marianna Camargo

Como funciona o Setor de Acervo e Conservação do maior museu de arte da América Latina – o Museu Oscar Niemeyer –  onde mais de 4 mil obras de arte são abrigadas.

 No subsolo do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, Paraná, existe um local de 1.400 metros quadrados, três metros de pé direito, com temperatura entre 19-23°C e umidade variável a 45-55%. Apenas técnicos e profissionais desta área podem entrar – com roupas e equipamentos adequados – e realizar todos os procedimentos necessários para uma  operação importante e delicada, de precisão cirúrgica: o manuseio, catalogação, higienização e preservação de obras de arte.

Este espaço é o Setor de Acervo e Conservação, local tão essencial em uma instituição museológica, que é equivalente ao coração de um museu, pois guarda o que ele tem de mais importante: seu acervo.

Mais de 4 mil obras estão armazenadas na chamada Reserva Técnica, em lugares apropriados de acordo com sua estrutura, que divide-se em  bidimensionais e  tridimensionais. O primeiro refere-se a pinturas e obra em papel, que ficam em trainéis e mapotecas. O segundo são esculturas, objetos, maquetes e materiais doados por artistas, como pincéis e cavaletes, que estão guardados em estantes chamadas módulos deslizantes.

“Temperatura e locais adequados são fundamentais para a preservação de uma coleção", comneta Humberto Imbrunísio, que trabalha no Setor de Acervo e Conservação do MON

“Temperatura e locais adequados são fundamentais para a preservação de uma coleção”, comenta Humberto Imbrunísio, que trabalha no Setor de Acervo e Conservação do MON. Foto Marcio Pimenta

Todos os procedimentos realizados estão de acordo com os padrões museológicos internacionais.  “Temperatura e locais adequados são fundamentais para a preservação de uma coleção. Até as luzes dentro da Reserva Técnica são desligadas para que não tenha nenhum tipo de interferência nas obras”, explica Humberto Imbrunisio, responsável pelo setor. O técnico explica também que tudo deve ser feito com muita atenção e cuidado. “As obras grandes e as esculturas dão mais trabalho pelo peso e pelo tamanho”, esclarece.

 

4 mil obras estão armazenadas na Reserva Técnica, em lugares apropriados de acordo com sua estrutura. Foto Marcio Pimenta

4 mil obras estão armazenadas na Reserva Técnica, em lugares apropriados de acordo com sua estrutura. Foto Marcio Pimenta

Porém, antes disso, as obras ficam na quarentena em um espaço isolado para não haver nenhum tipo de contaminação que possa passar às outras. Esse processo evita que as obras que possam conter fungos, mofo, cupim ou outros problemas, infectem as outras peças do acervo. Depois desse período, elas seguem para o Laboratório, onde são higienizadas. Após a limpeza, é feita a ficha catalográfica, que é a descrição da obra: nome do artista, nome da obra, ano, técnica e dimensão. Os profissionais podem também realizar estudos e pesquisas sobre os artistas e técnicas e fazer restauração nas obras, quando necessário.

As obras ficam na quarentena em um espaço isolado para não haver nenhuma contaminação. Depois, elas seguem para o Laboratório, onde são higienizadas. Foto Marcio Pimenta

As obras ficam na quarentena em um espaço isolado para não haver nenhuma contaminação. Depois, elas seguem para o Laboratório, onde são higienizadas. Foto Marcio Pimenta

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A higienização é feita também nas obras que estão nas salas expositivas. Foto Marcio Pimenta.

Alfredo Andersen, João Turin, Theodoro De Bona, Miguel Bakun, Guido Viaro, Helena Wong,  Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Ianelli, Caribé, Antanas Sutkus, Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Andy Warhol, Di Cavalcanti, Francisco Brennand são alguns nomes que estão no acervo.

 

Após a limpeza, é feita a ficha catalográfica, que é a descrição da obra: nome do artista, nome da obra, ano, técnica e dimensão. Foto Marcio Pimenta

Após a limpeza, é feita a ficha catalográfica, que é a descrição da obra: nome do artista, nome da obra, ano, técnica e dimensão. Foto Marcio Pimenta

 

Controle de segurança

Sempre que uma obra deixa a reserva técnica, mesmo para uma exposição interna, é preciso seguir um rígido controle de segurança que envolve, entre outros processos, a autorização de saída e um laudo técnico com as condições de conservação da obra.

No transporte, as obras são manuseadas por montadores especializados, em equipes formadas por pessoal interno do MON e funcionários terceirizados. São profissionais treinados para essa função, que usam máscaras e luvas para não danificar nenhuma peça.

O cuidado no transporte é o mesmo quando o MON recebe exposições vindas de outros museus. As obras vêm em transportadoras especiais, em compartimentos revestidos e climatizados. Os veículos que fazem esse transporte muitas vezes são acompanhados por batedores e possuem radar e sistemas de comunicação via satélite.

 MON

O Museu Oscar Niemeyer, que completa 15 anos em 2017, produziu cerca de 300 mostras neste período. Foto Marianna Camargo

O Museu Oscar Niemeyer, que completa 15 anos em 2017, produziu cerca de 300 mostras neste período. Foto Marianna Camargo

O Museu Oscar Niemeyer foi inaugurado em 22 de novembro de 2002. Possui 35 mil metros quadrados de área construída e 17 mil de área expositiva, que abrange 12 salas. A cada ano são realizadas cerca de 20 exposições, em um total de aproximadamente 300 mostras realizadas até este ano. A história do museu teve início em 1967 quando o arquiteto Oscar Niemeyer projetou o que é hoje o prédio principal, inaugurado somente em 1978 e então chamado de Edifício Presidente Humberto Castelo Branco. Em 2001, 23 anos depois de sua inauguração, as autoridades do Estado decidiram transformar a área em museu e, em 22 de novembro de 2002, o edifício deixou de ser sede de secretarias de Estado para se transformar no, inicialmente batizado, Novo Museu. O prédio passou por adaptações e ganhou um anexo, popularmente chamado de Olho, ambos de autoria do reconhecido arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer(1907-2012) e foi rebatizado de Museu Oscar Niemeyer .

 

O mapa da Arte Moderna brasileira

21 fevereiro, 2017 às 14:35  |  por Marianna Camargo
Lasar Segall já é um artista maduro quando chega ao Brasil em 1924, vindo de Vilna, capital da Lituânia

Lasar Segall já é um artista maduro quando chega ao Brasil em 1924, vindo de Vilna, capital da Lituânia. Obra “Duas Amigas” (1913)

 

Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Lasar Segall, Antonio Dias, Amilcar de Castro, Alfredo Volpi, Hélio Oiticica, Candido Portinari, Flavio de Carvalho, Franz Krajberg, Ivan Serpa, José Pancetti, Lygia Clark, Mira Schendel, Abraham Palatnik, Iberê Camargo, Maria Martins, Tomie Ohtake, Sérvulo Esmeraldo, Victor Brecheret, e mais, juntos em uma exposição? Sim, isso é possível.

Esse time de peso das artes visuais está reunido na belíssima mostra “Arte Moderna na Coleção da Fundação Edson Queiroz”, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até dia 05 de março. São cerca de 80 obras, com foco na produção de artistas modernos que atuaram no Brasil entre as décadas de 1920 e 1960.

Obras-chave como “Duas amigas”, de Lasar Segall (foto), que abre a exposição, reúne características para a compreensão de uma importante parcela da produção dos primeiros tempos do modernismo no Brasil; assim como os trabalhos de Flávio de Carvalho e Anita Malfatti.

Ali estão também “Anna Maria” foto), de Maria Martins – considerada uma das primeiras escultoras ligadas ao movimento surrealista – e “Bicho Linear” (foto), de Lygia Clark, que sintetiza o pensamento do manifesto neoconcreto.

Maria Martins participou de grandes mostras do surrealismo, como a organizada, em 1947, em Paris, pelo escritor francês André Breton, que escreveu sobre ela.

Maria Martins participou de grandes mostras do surrealismo, como a organizada, em 1947, em Paris, pelo escritor francês André Breton, que escreveu sobre ela. Obra “Anna Maria” (1942).

O Manifesto Neoconcreto foi assinado em 1959 por Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanudis.  A obra “Bicho Linear” sintetiza o pensamento deste grupo.

O Manifesto Neoconcreto foi assinado em 1959 por Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanudis. A obra “Bicho Linear” ( 1960) sintetiza o pensamento deste grupo.

Podem ser vistas ainda  “Fachada” e “Bandeiras” de Volpi (foto), as mulheres de Di Cavalcanti (foto), os mestres da arte cinética Abraham Palatnik (foto) e Sérvulo Esmeraldo; as formas tridimensionais de Amilcar de Castro, Franz Weismann, Bruno Giorgi, Brecheret, o cubismo de Antonio Gomide, Ismael Nery (foto) e Vicente do Rêgo Monteiro, além de muitos outros nomes e obras essenciais para compreender este período da história no Brasil, em que linguagens inovadoras foram criadas e levantam reflexões até os dias atuais.

No conjunto da obra de Alfredo Volpi que se assiste com maior clareza à passagem da figuração convencional para a abstração

No conjunto da obra de Alfredo Volpi que se assiste com maior clareza à passagem da figuração convencional para a abstração. “Bandeiras pretas e brancas” (1959)

Fundação Edson Queiroz

 A Fundação Edson Queiroz, sediada em Fortaleza, guarda um significativo acervo que conta a trajetória de 400 anos de história da Arte no Brasil. Um recorte desta coleção foi selecionado pela curadora Regina Teixeira de Barros com obras que pontuam este percurso da arte no Brasil.

“A abrangência temporal da Coleção da Fundação Edson Queiroz é ampla o suficiente para estimular muitas narrativas sobre a arte produzida no Brasil”, afirma a curadora. “Individualmente, cada peça que compõe a exposição tem um imenso valor artístico. Em conjunto, elas criam infinitas possibilidades de interpretação”, conclui.

Tanto os aparelhos cinecromáticos de Palatnik quanto os excitáveis de Sérvulo Esmeraldo são contribuições singulares para a arte cinética brasileira e internacional

Tanto os aparelhos cinecromáticos de Palatnik quanto os excitáveis de Sérvulo Esmeraldo são contribuições singulares para a arte cinética brasileira e internacional. “Cinético P4-PA” (1966-2005)

 

 

Di Cavalcanti divide com Portinari a predileção pela figura humana como representante da nação

Di Cavalcanti divide com Portinari a predileção pela figura humana como representante da nação. “Mulatas com flores” (1936)

 

 

 Nery afirmava que, depois de ver Tintoretto ao vivo, era inútil continuar a pintar. Entretanto, continuou a pintar e a escrever poesias.

Nery afirmava que, depois de ver Tintoretto ao vivo, era inútil continuar a pintar. Entretanto, continuou a pintar e a escrever poesias. “Figuras sobrepostas” (1934)

 

 

Serviço:

“Arte Moderna na Coleção da Fundação Edson Queiroz”

Museu Oscar Niemeyer

Rua Marechal Hermes, 999

Curitiba – Paraná

Até dia 5 de março de 2017

Visitação: terça a domingo, das 10h às 18h

Ingressos: R$12,00 e R$6,00 (meia-entrada)

 

Os percursos de Goto

19 fevereiro, 2017 às 17:31  |  por Marianna Camargo

Perfil: Newton Goto ( Curitiba)

Os percursos de Goto

Atua com diferentes linguagens artísticas e tem trabalhos realizados em espaços abertos da cidade, em circuitos artísticos autônomos e dentro de espaços museológicos e institucionais de arte (Brasil, desde 1991). Foto Kraw Penas/SEEC

Goto atua com diferentes linguagens artísticas e tem trabalhos realizados em espaços abertos da cidade, em circuitos artísticos autônomos e dentro de espaços museológicos e institucionais de arte. Foto Kraw Penas/SEEC

Artista, pesquisador, curador e produtor com ênfase em arte experimental, contextual, relacional, socioambiental, circuitos artísticos autônomos, ativismo cultural, espaço público, cartografia participativa.

Goto oferece inúmeras possibilidades de olhar. Para a arte, para os artistas, para o outro. No trajeto percorrido por ele há saídas, sinais abertos e fluxo contínuo. Mostra que não existe apenas um caminho, mas várias maneiras de construir um percurso.

O artista trabalha com a percepção, a subjetividade, a crítica cultural, o que está latente e o que está invisível na sociedade, com as várias camadas sobrepostas das sensações, do pensar, do que está na rua e do que está na esfera do sentir, de um coletivo palpável e ao mesmo tempo abstrato.

Trabalho que exige técnicas e táticas, dedicação e um constante exercício de repensar o estabelecido, revisar os códigos preexistentes e formar, dessa maneira, novos conteúdos, narrativas e rotas.

A relação com o outro, primordial na sua história, permite que esse envolvimento participativo seja oxigênio para transformar os lugares e as práticas – mesmo quando somente numa escala de micropolítica – e oportuniza também experiências de apagamento de fronteiras entre artista e público.

"As imagens nos luminosos inspiram-se nas pinturas de Mondrian, entretanto a plasticidade é resultado do mapeamamento de construções desocupadas, construções subutilizadas e lotes vagos no centro de Curitiba. Cada imagem é uma parte dessa região – o bairro Centro – cuja unidade cartográfica pode ser reconstituída mentalmente.", diz Goto. Instalação Cidade vazia, exposição Coisa pública, Museu da Gravura Cidade de Curitiba, 2011 (Foto: Marssares).

“As imagens nos luminosos inspiram-se nas pinturas de Mondrian, entretanto a plasticidade é resultado do mapeamento de construções desocupadas, construções subutilizadas e lotes vagos no centro de Curitiba. Cada imagem é uma parte dessa região – o bairro Centro – cuja unidade cartográfica pode ser reconstituída mentalmente.”, diz Goto. Instalação Cidade vazia, exposição Coisa pública, Museu da Gravura Cidade de Curitiba, 2011 (Foto: Marssares).

Entre algumas de suas proposições artísticas destaca-se a exposição “Coisa Pública” (2001) e as obras “Cidade Vazia” (2011), “Desligare” (2006-2007) e “Ocupação” (1999-2000). Idealizador e coordenador, desde 2001, da EPA! Expansão Pública do Artista, entidade autônoma voltada à reflexão histórica e crítica sobre o circuito artístico e ao estabelecimento de redes de trabalho colaborativo em arte e cultura. Idealizador, curador e coordenador dos projetos Circuitos compartilhados (Brasil, desde 2002), Livre-troca (2016-2017), Rotação de culturas (Brasil, 2014) e Galerias subterrâneas (Curitiba, 2008). Idealizador e cofundador do coletivo de artistas E/Ou (Curitiba, 2005-2013), que a partir de 2008 realiza a série de trabalhos Descartógrafos. De 2005 a 2009 e de 2010 a 2012 foi membro do Colegiado Setorial de Artes Visuais, entidade de representação da classe artística vinculada ao Conselho Nacional de Política Cultural.

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Vila de Superagui, 2001. Uma das 10 montagens gráficas com desenhos de 50 crianças da Vila, a partir de atividades de desenho orientadas na localidade desde 1995.

Projeto Território Linguagem. Heavy metal e punk rock sobre a Vila e o Rio Belém (2013)

Projeto Território Linguagem. Heavy metal e punk rock sobre a Vila e o Rio Belém (2013)

Oficina de serigrafia e montagem de ateliê serigráfico. Projeto Revelando Olhares dos Moradores da Ilha do Mel. Associação dos Moradores Nativos da Ilha do Mel. Conta Cultura, Compagás: Ilha do Mel, Paranaguá-PR (2004)

Oficina de serigrafia e montagem de ateliê serigráfico.
Projeto Revelando Olhares dos Moradores da Ilha do Mel. Associação dos Moradores Nativos da Ilha do Mel. Conta Cultura, Compagás: Ilha do Mel, Paranaguá-PR (2004)

Oficina de arte Linguagens da Arte Urbana: Arte contemporânea e suas linguagens de inserção no espaço público/Território Rio Ivo.

Oficina de arte Linguagens da Arte Urbana: Arte contemporânea e suas linguagens de inserção no espaço público/Território Rio Ivo (2013).

Doutorando em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS (desde 2016); Mestre em Linguagens Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRJ (2004); Especialista em História da Arte Moderna e Contemporânea pela EMBAP (2000). É artista visual desde 2001.

Coordenou em 2016 o projeto “Livre-Troca” (http://livretroca.redelivre.org.br), um intercâmbio entre artistas da Região Nordeste e da Região Centro-Oeste do Brasil, que agrega um artista de cada um dos 13 estados que compõem as duas regiões e uma representação dos Territórios Indígenas. A proposta, que teve várias etapas de realização e está em sua fase final,  funda-se na reflexão, debate e produção textual sobre a estruturação dos circuitos artísticos estaduais e na curadoria em vídeo sobre circuitos autônomos de artes visuais nessas localidades. Os conteúdos textuais e os registros fotográficos produzidos serão veiculados num website, e os títulos em filme e vídeo exibidos na mostra serão compilados em DVD e reproduzidos em tiragem restrita visando compartilhamento de acervo entre os participantes, instituições culturais, faculdades de arte e museus. Agora, Goto começa a preparar outro “Circuitos Compartilhados”, antecessor do “Livre-troca”.

Goto estabelece conexões e diálogos, fios condutores de toda a sua poética visual, documental e artística.

Para saber mais: http://newtongoto.wordpress.com