De Cusco a Machu Picchu – uma viagem ao passado da América – Parte II

15 novembro, 2012 às 00:01  |  por Candice Bittencourt

Hoje é dia de dormir no pé de Machu Picchu…veio meu primeiro pensamento quando abri os olhos pela manhã. E lá vamos nós para a aventura mais esperada da viagem. Antes do café reforçado, separamos duas mudas de roupa, câmera fotográfica, protetor solar, óculos de sol, um casaco de chuva (a previsão avisava que ia chover) e socamos na mochila. A outra mala deixamos no guarda volume do hotel e com um quarto já reservadopara última noite em Cusco.

Depois de pesquisar pela internet e ler alguns relatos de viajantes, escolhemos dormir em Águas Calientes para poder subir bem cedinho para Machu Picchu no dia seguinte, 20 de janeiro de 2012, uma sexta-feira.

 Para ir para Machu Picchu pela Perurail existem algumas opções.

Para entender melhor, segue abaixo o mapa do trajeto de trem e suas estações.

Primeira opção: fazer um bate volta de trem (sem pernoite em Águas Calientes) – Precisa reservar o trem que sai bem cedinho de Cusco ( na verdade, a estação fica em Poroy, 30 minutos de carro de Cusco) e o último trem do dia que normalmente retorna perto das quatro da tarde. Dica: seja rápido para adquirir seu ticket se você decidir por essa opção porque é a mais popular, mais em conta e o que lota mais rápido. A viagem dura 4 horas.

Segunda opção: fazer Cusco ida e volta com pernoite em Águas Calientes. Nessa opção você só precisa decidir que dia você irá até Machu Picchu (no mesmo dia da subida do trem ou no dia seguinte bem cedinho). Não esqueça de reservar hotel em Águas Calientes!

Terceira opção: Partir da estação Ollantaytambo e depois voltar por Cusco. Escolhemos esse trajeto por dois motivos: como tínhamos pouco tempo e queríamos explorar um pouco mais o lindíssimo Valle Sagrado, escolhemos dar mais uma banda pela região e no final da tarde (já de noite mesmo) subir de trem até Águas Calientes. Outro bom motivo é que por Ollantaytambo a viagem reduz para duas horas e meia (contra 4 horas via Cusco).

Existem outras opções para se chegar à Velha Montanha, como por exemplo fazer a trilha Inca mas precisa pesquisar mais sobre esse trajeto que desconheço. O que posso adiantar é que dura entre 3 a 4 dias de caminhada.

Nosso dia começou cedo, em busca de um novo taxista para nos levar de novo para o Valle Sagrado: dessa vez escolhemos conhecer Pisac, Uruabamba e por último, antes de embarcar para Águas Calientes, apreciar as ruínas de Ollantaytambo.

Por 100 soles (38 dólares) conseguimos fazer o passeio (que durou 6 horas) mas que faltou tempo pra ver tudo. A estrada que liga Cusco a Pisac é lindíssima e digna de parar o carro para fotografar algumas vezes durante o trajeto. As montanhas gigantes recortando todo o céu é um espetáculo da natureza.

 Pisac é uma das cidades mais importantes do Valle Sagrado por preservar belos resquícios da cultura Inca . Esse vale banhado pelo rio Urubamba, a 35 quilômetros de Cusco é o fino do interior, aquele bem puro, intocável  mesmo.  


Lá você ouve as pessoas conversando em Quechua na rua e pode passear pela famosa feira de artesanato local que fica na praça central da cidade. Nessa feirinha você pode experimentar o milho cozido maravilhoso das nativas, comer uma empanada bem quentinha recém tirada do forno a lenha ou mesmo ver o artesão trabalhando em um tear. Minha dica: deixe para comprar artesanato por aqui. Além de ser mais bonito e barato comparado com Cusco, você ainda ajuda a comunidade local.




De Pisac seguimos pelo vale contornando o rio Urubamba até chegar na cidade que leva o mesmo nome do rio e que fica no coração do Valle Sagrado dos Incas. Urubamba é conhecido por abrigar sítios arqueológicos da época pré-hispânica e por ser um dos vales mais produtivos no setor agropecuário do país. A boa pedida em Urubamba é almoçar nos restaurantes típicos incas na beira do rio.

 O que aconteceu com o nosso passeio nesse dia é que ficamos tão fascinados com tudo que víamos que esquecemos do relógio e quando fomos ver estava mais do que na hora de correr para a estação de Ollantaytambo para seguir até Águas Calientes.

Na hora de embarcar começou uma chuva fina constante, eu e o Daniel nos olhamos e resumimos: Machu Picchu debaixo de chuva? Que pena. Acho que teremos mesmo que voltar para o Perú!

Entramos no vagão do Expedition (nome do trem) e parece que todo mundo já se conhecia. Uma alegria pairava no ar…é como se fossemos todos cúmplices da maravilha que veríamos pela frente!

A viagem foi tranquila e animada. Eu fiquei trocando idéia com a Tati, uma mineirinha simpática que sabia tudo e mais um pouco sobre o Perú.

Chegamos em Águas Calientes 9h30 da noite e fomos caminhando debaixo de chuva para encontrar o nosso hotel que ficava bem pertinho da praça central da cidade. Bem melhor do que o hotel em Cusco, o Gringo Bill’s (diária 50 dólares)  foi uma grata surpresa desde o atendimento, passando pelo conforto do quarto, cama boa, chuveiro bacana, sacadinha linda para as montanhas e um café da manhã caprichado!


Fomos dormir com o barulho da chuva que não deu trégua…

 Próximo post: Machu Picchu e último dia em Cusco – de volta à Lima












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