Minha primeira vez no maior festival Rockabilly do mundo

16 abril, 2013 às 04:55  |  por Candice Bittencourt

E lá estava eu voando de San Francisco para Las Vegas para o meu primeiro Viva Las Vegas Rockabilly Weekend. Preciso confessar que uma certa excitação quase infantil rolava dentro de mim, afinal novidade é uma das palavras que sustenta o meu jeito de viver. Já tinha lido alguns artigos e bisbilhotado em fotos e vídeos de anos anteriores, mas sentir o clima do festival se formando bem na sua cara é algo inédito mesmo.

Já no táxi, a pergunta: “O que está acontecendo no Orleans Hotel? Parece que estão fazendo um filme. É algum remake dos anos 50?”. E quase no mesmo instante em que eu explicava o evento, do nosso lado (parecia até combinado) três garotas numa hot rod pink conversível acenava para nós, tipo querendo dizer: sigam-me os bons.

A evocação do Viva Las Vegas Rockabilly Weekend é trazer o passado para o presente. É a sua chance de voltar para os anos 50  em uma festa com 100% de teor americano.

Tudo acontece no The Orleans Hotel. Seus quase dois mil quartos acomodam uma boa parte das quase vinte mil pessoas que passam pelos quatro dias do Viva.

Como se inteirar no festival?

Não me venha com nada que é moderno que aqui não cola. Se você acha que vai abafar com o seu novo carro híbrido mostrando sua consciência em sustentabilidade  saiba que nos quatro dias do Viva ninguém vai virar o pescoço pra olhar para o seu novo Prius. Aqui os hot dots beberrões é que arrasam. 

Conselho pra os meninos: layrite nos cabelos ou sinto muito, você não vai estar na crista da onda.

Meninas, vocês que não sejam loucas de usar training confortável e nike air. Podem tirar do armário: vestidos, flores grandes para o cabelo, cerejas nas estampas, saias rodadas, corsets, saltos, sandálias plataformas, colares e é bom que tenha algum colorido nesses acessórios. 

Na frasqueira de maquiagem não pode faltar delineador preto, rímel, curvex (cílio postiço? melhor ainda) e muito batom vermelho. E já se acostume a acordar pelo menos uma hora antes do planejado para ficar na frente do espelho porque a arte do cabelo é um capítulo à parte nesse evento! Acha que é fácil se transformar em uma versão feminina dos anos 50?  Ah, dá trabalho ser mulher nesse festival!

Não tem tatoo? nenhumazinha? vixi… 

Não sabe como se enturmar? vista um twinset, abra uma Pabst (que já é meio caminho andado) e vá caminhando pelo Orleans que a diversão é garantida. Se tiver com sorte, ainda pode dar de cara com a estrela burlesca Tempest Storm pelos corredores.

Lembre-se: com a pulseirinha seu acesso é irrestrito. Não se acanhe e entre mesmo nos teatros para ver as competições de burlesque e as jams com vários monstros do rockabilly guitar como Deke Dickerson, Joel Paterson e ganhe de presente uma surpresa: Marky Ramone na batera.

E o que tem mais pra ver no Viva Las Vegas? 

 

As bandas

O criador do Viva Las Vegas Rockabilly Weekend, o inglês Tom Ingram (que cruzei umas duas vezes pelos corredores do Orleans) me contou que a música é a grande responsável pelo sucesso do festival. “Foi onde tudo começou há 16 anos. E o sucesso é tanto que muitas bandas esperam o Viva para lançar seus discos porque é a reunião exata do público que eles querem atingir”, conta Ingram.

Esse ano foram 65 bandas divididas nos quatro dias de festival e Ingram faz questão de cuidar pessoalmente do lineup todo santo ano.

Para mim, o melhor jeito de entender o espírito do Viva é assistindo as bandas e nesse quesito o Brasil foi super bem representado com a banda curitibana Annie & The Malagueta Boys que tocou duas vezes no Bienville Ballroom levando a gringarada ao delírio.

 

Shows de burlesque

Com lugares limitados, o segredo é reservar o quanto antes sua cadeira do grande teatro Orleans para apreciar as três apresentações de Burlesque. A primeira noite acontece o show com as mais consagradas e profissionais da atualidade. Na segunda noite é o Bingo Burlesque, (a brincadeira é “ela tira, você ganha”) e no último dia, a mais esperada: a competição internacional sempre com uma celebridade bacana no júri, como exemplo desse ano: Marky Ramone e Tempest Storm, a rainha do burlesque e parceira de muitos anos de Betty Page.

 

Car show

Sábado é o grande dia e começa com a maior exposição de hot rods do mundo com mais de mil carros espalhados pelo grande estacionamento do The Orleans. No mesmo espaço, estandes de venda com tudo que você pode imaginar relacionado com o tema Vintage Rockabilly – Rod Hots – Pin Ups – Arte 50  além de um grande palco montado para os três headliners: Dick Dale, The Rockats e Little Richard.

E que memorável assistir ao vivo o som e a fúria de Dick Dale com sua Fender envenenada arrasando em Misirlou e Hava Nagila. Ver essa lenda viva aos 75 anos de volta aos palcos depois de toda a sua luta contra um câncer retal que quase o arruinou é de encher os olhos. ”Vocês são minha razão por eu estar aqui. Obrigada”, falou emocionado o guerreiro. O ápice do festival na minha opinião.

 

Competição de swing dance

Você não está entendendo…é uma seriedade infinita essa competição. Os casais treinam o ano todo para esse momento. Durante o festival, aulas de aprimoramento de swing dance lotam o Mardi Gras, o maior salão do Orleans. E a grande final rola no domingo onde o público escolhe o melhor casal do ano. No video abaixo um pouco da demonstração dos casais dançantes.

Isso te lembra algum filme? Hill Valley, DeLorean, 1955. Onde estará Dr. Brown?

 

 Pool Tiki Party

A pool party do Viva é imperdível. Uma nostalgia no ar das mais fortes. O “clima” mais próximo que me lembro ter visto foi nas fotos da minha mãe de férias no Rio de Janeiro nos anos 60. A indumentária na piscina é de tirar o fôlego, rola um romantismo no ar e a música faz a gente levitar de tão boa.

 

Eu já no segundo drink boot ( o famoso drinque servido numa bota vermelha por todo o casino)  só observando os casais lindos dançando na beira da piscina, sentindo aquele ventinho gostoso do deserto batendo no cabelo, me vem o pensamento: ”Ah, eu nasci na década errada. Vou aproveitar cada minuto dessa frugalidade porque o DeLorean deve partir em breve.

E o próximo Viva, só ano que vem. Ainda bem.

SERVIÇO

Passagem Brasil / Vegas – U$ 1.300 ( aproximadamente )

Diária de 4 noites no The Orleans – U$ 390 ( para até 4 pessoas no quarto)

Ticket para os 4 dias de festival – U$ 115 (fica sold out  meses antes da data do festival)

Se você tem vontade de viver esse aventura, saiba que existe um grupo do Brasil que viaja há anos para o Viva junto. E pode saber, é mais barato que ir pro Nordeste. E ainda dá para aproveitar para renovar eletrônicos, roupas e instrumentos musicais.

Entre em contato se tiver interesse!   HEY HO

Agradecimento especial  - Daniel Bittencourt, responsável pelas fotos e vídeos desta matéria.

1 Comentários

8 ideias sobre “Minha primeira vez no maior festival Rockabilly do mundo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>