As melhores dicas de Paris – por quem vive lá

31 dezembro, 2013 às 09:02  |  por Candice Bittencourt

Como é bom ter amigos morando em uma cidade que você está indo visitar.

Melhor é quando esses amigos dedicam dias para te levar para passear e te mostrar lugares que você não conheceria se não fosse por eles.

Melhor ainda é depois de toda essa gentileza, você pede dicas e impressões da cidade para dividir com os leitores do blog e eles abrem o coração e revelam até segredos que só quem vive no local tem moral para contar. Salve a generosidade!

Sim, melhor impossível:  essa cidade é Paris!

Apresento meus amigos sortudos: (porque viver em Paris requer uma dose de sorte na vida!) 


Luciane Bonatto - minha amiga há 25 anos, daquelas de viajar juntas e de encontrar pelo mundo afora. A Lu vive em Paris desde setembro de 2012 (um ano e meio) e lá estuda direito empresarial em uma das mais conceituadas universidades da Europa, a Panthéon-Assas. 

O que mais te impressiona em Paris? 

Sem sombra de dúvidas a eclética arquitetura da cidade. Seus prédios “Haussmanniens” e em ”Pierre de Taille” e também as luzes naturais da cidade. Nos finais de tarde ensolaradas, a luz ao refletir nos prédios é um presente aos olhos dos curiosos e observadores que costumam andar olhando para o alto. Um verdadeiro show de tons que compõem uma rica palheta de cores que variam desde o amarelo pálido a um encorpado tom de mostarda, este que por sua vez, delicadamente transmuta-se em dourado, transformando inusitadamente a cidade, quase que num processo de Alquimia.  Os reflexos, luzes e sombras, traduzem-se em momentos mágicos, de tirar o fôlego. Paris que vista do alto é branca, ao entardecer veste-se de ouro.

Quais são os três restaurantes daqueles bons e baratos que você ama na cidade? 

Tarefa complicada selecionar apenas três, mas voilá: 

La Formi Alée - lá você degusta pratos descomplicados da culinária francesa, rodeado de livros antigos. Super indico para quem é aficcionado por bibliotecas como eu. 

Café Cassette -  para toda e qualquer ocasião, desde um brunch aos domingos, até um reforçado café da manhã. As “potages”, apelido francês para a tradicional sopa, de lá são deliciosas, sonho até hoje com uma sopa do dia que degustei lá, creme de batata perfumado por trufas negras. O tempero de lá é especial. 

Ribouldingue -  um bistro de instalações modestas em contraste com uma comida extremamente saborosa, os entendidos em gastronomia se refugiam de tempos em tempos por lá, isto é, semanalmente.

Qual é o melhor jeito de se locomover?

A pé, para sorver os detalhes da cidade, principalmente nos dias de temperaturas amenas. Bicicleta é uma forma divertida, bastante ágil e que te permite uma interação interessante com o meio. O metrô também é muito eficaz pela sua rapidez, porém te restringe dos encantos dos inúmeros detalhes e da beleza da superfície. O ônibus é bastante eficiente, mas aconselho para quem tem um tempo para estudar as linhas e tem um conhecimento mediano da cidade.

Imagine um dia dedicado para apreciar arte. Por onde você passaria? 

Começaria o dia dando uma volta de bicicleta (vélo), pela região de Belleville e Menillmontant, para apreciar a Quarta Dimensão da arte urbana , a verdadeira e inusitada Street Art, marcas e reflexos de uma Paris mais underground, mas atenção, olhos atentos, tá tudo lá ao deleite dos bons observadores. 

Após iria à Place du Tertre, um charmoso e imperdível clichê, no alto de Montmartre. Ah, melhor sem bicicleta!  Passaria o início da tarde no Jardin de Tuileries, indo da Concorde ao Louvre, um verdadeiro museu ao céu aberto.

Terminaria o dia na Place des Vosges, apreciando as tantas galerias ao seu redor, instaladas sob arcos. Importante: a casa em que Victor Hugo viveu é lá.

Qual é lugar mais inspirador em Paris?

La Fointaine Médices, no Jardin de Luxembourg.

E a vista mais bonita da cidade? 

Do alto da Tour Montparnasse, você pode compreender Paris, sentir Paris. Chegar pela primeira vez diante à Tour Eiffel pelo Trocadero é com certeza inesquecível também.

Em que ruas em Paris você gosta de passear? 

Aos sábados gosto de flanar pela Rue Montorgeuil, perto de Châtelet. Ver a vida passar, comidinhas variadas, brexós, gente sorridente e de bem com a vida.

A qualquer hora adoro a Passage du Chantier, no Faubourg Saint-Antoine. Você sente o perfume da madeira trabalhada pelos diversos artesãos que vivem por lá, em seus ateliers. Volta no tempo garantida!

Rue des Thermopyles, no 14 arrondissement. Lá eu tenho a impressão de ultrapassar um portal mágico, que em apenas dois passos me remete ao interior da França. Ruela de casas com jardins, bem estilo campanha. 

De tantos museus pela cidade, qual é seu preferido?

O Musee D’Orsay.

Que comidinhas em Paris que só de pensar te deixam com água na boca? 

Com certeza o crepe do Le Grec na Rue Mouffetard, a única coisa que pode ser indigesta é a fila que se forma na hora do almoço ou fim da tarde. Imagine um crepe delicioso, com muito emental, jambon (presunto), alface, tomate, ovo, champignons e mais tudo aquilo que você achar que tem direito. O crepe de banana com Nutella merece ser apreciado, nem que dividido.

As tartelettes aux framboises, e os éclairs au chocolat da Arnaud Delmontel, no 39 Rue de Martyrs. Por sinal essa rua é um paraíso na terra para os Gourmands.

Para quem quer dançar até tarde da noite, que lugar/região você aconselha?

Silencio Club, na região de Grands Boulevards. E mais que evidente, o aclamado Club Rex, eletrônico da melhor qualidade. 

Um lugar emocionante em Paris. 

Pontinha extrema da Ile de La cité, sob o enorme chorão que lá habita, na beirinha do Sena, com vista para a Pont des Arts. Pôr do sol de tirar o fôlego.

Se você pudesse consertar algo em Paris, o que seria?

Não seria bem Paris, mas os parisienses de um modo geral. Admitem eles um certo peso, uma falta de paciência e de otimismo, principalmente com os turistas. Prova disso é quando você pergunta:

- Comment vas tu? 
   Resposta:
- Pas mal.
 (Nem precisa traduzir)

P.S – fora as tantas bufadas que eles vivem dando.



Odilon Merlin - Formado em Artes Cênicas pela PUC/PR, esse amigo é figura conhecida entre os artistas de Curitiba. Odilon foi dono da lendária Temptation Discos nos anos 90 e depois pilotou de 2000 a 2011 um dos bares mais irados de Curitiba: o Era Só O Que Faltava, que por mais de uma década lavou a alma de muitos carentes por música boa na cidade! Algumas bandas que tocaram por lá: Karnak, Los Hermanos, Beijo AA Força, Cat Power, Black Maria, entre outros. 

O que mais te impressiona em Paris? 

O que mais me impressiona é a capacidade dela se reinventar através dos tempos. Paris tem mais de dois mil anos. Era uma aldeia gaulesa, tornou-se uma cidade romana e depois o principal centro urbano da Europa medieval. Foi berço do Renascimento, do Humanismo e precursora do Socialismo. Sobreviveu às maiores guerras da humanidade. É referência na indústria do luxo, da moda, gastronomia, arquitetura, urbanismo, design, artes plásticas e fotografia. Acolheu os maiores compositores da história. Possui os principais museus do planeta. 

E nada disso é suficiente para acomodá-la. Ela continua se transformando, se recriando, construindo seu futuro. Isto é fascinante e muito estimulante para quem vive nela.

Quais são os três restaurantes dos “bons e baratos” que você ama na cidade? 

Muito cuidado nessa hora porque 80% dos restaurantes da cidade servem comida pronta (congelada). Aquela deliciosa entrada de salmão defumado com folhas verdes ,você compra igualzinho em qualquer supermercado da cidade por 1/5 do preço do restaurante! Mas em termos de ambientação, os restaurantes são realmente imbatíveis. Portanto, se você sabe que é assim que funciona, relaxe e aproveite esses deliciosos lugares sem se deslumbrar com o cardápio que, na real, é uma farsa.

Eu posso indicar o restaurante português Pedra Alta, no Boulevard de Bercy com carnes e lagostas de cinema a um preço espetacular para os padrões parisienses. Chegue cedo porque as filas também são de cinema!

O restaurante típico de Paris é a brasserie. É um restaurante de tamanho grande com serviço contínuo (abre cedo e fecha tarde), sempre com decoração elegante, e que serve pratos não muito complicados. Em geral especialidades francesas são frutos do mar. Existem muitas brasseries por toda Paris e para todos os bolsos. Eu gosto particularmente da Le Européen em frente à Gare de Lyon e da Lipp, bem pertinho da Igreja de Saint Germain-des-Prés, mas essa é mais salgada.

Outro restaurante que eu gosto bastante é o Les Fabricants ( 61 rue Jean Pierre Timbaud), com ambiente descolado, frequência jovem e bonita e preço camarada. Fica na região da rua Oberkampf, cheio de restaurantes, bares e casas noturnas.

Mas é importante ressaltar, não existem milagres em Paris. Grandes chefs e excelentes restaurantes custam pequenas fortunas, mas valem quanto pesam (ou custam)

Para orçamentos apertados, eu sinceramente deixaria os restaurantes de lado, me divertiria um monte nos mercados e nas lojas da rede de congelados Picard ( a 8ª maravilha do mundo moderno) e faria excelentes refeições improvisadas no hotel ou no apartamento alugado.

Qual é o melhor jeito de se locomover?

Não só o melhor mas o único razoável é o transporte público. Seja trem, metrô, ônibus, bonde ou bicicleta. É com certeza o melhor sistema integrado de transporte do mundo. Em climas agradáveis e com alguma familiaridade com a cidade, a bicicleta é perfeita. Vale também estudar um pouco os mapas e itinerários dos ônibus. Perde-se muita coisa bacana viajando só de metrô.

Imagine um dia dedicado para apreciar arte. Por onde você passaria? 

Pelas galerias de arte da rue de Seine, da rue des Beaux Arts e da Place des Vosges.

Qual é o lugar mais inspirador em Paris? 

Meu canto preferido é a Place Louis Aragon, no bico da Île de Saint Louis. E se perder pelas ladeiras de Montmartre  é outra experiência espetacular.

E a vista mais bonita da cidade? 

Nas duas vistas mais conhecidas: as escadarias de Sacre Coeur  e a Torre Eiffel, você não consegue ver a Torre, que é o ícone máximo da cidade. Então eu voto no restaurante panorâmico da Tour Montparnasse, o Ciel de Paris.

Onde seus filhos mais se divertem em Paris?

Na Cité des Sciences et de l’Industrie, sem dúvida. Programa de dia inteiro para toda a família. No Parc de La Villette. O Jardin d’Acclimatation também é um programa sensacional que mistura zoológico e parque e diversões ‘old school’.

De tantos museus pela cidade, qual é seu preferido?

Que comidinhas em Paris que só de pensar te deixam com água na boca? 

Sandwiche de falafel na rue des Rosiers no Marais. Macarrons do Ladurée. Sorvete da Bertillon, na Île de St. Louis.

Para quem quer dançar até tarde da noite, que lugar/região você aconselha?

Os bares e clubes de Belleville, de Ménilmontant e de Saint Germain-des-Prés são super concorridos.

Um lugar emocionante em Paris. 

Para mim não existe nenhuma construção erguida pelo homem mais apaixonante que a Torre Eiffel. De qualquer ângulo, de perto, de longe em cima ou embaixo, ela é enorme, linda , perfeita e emocionante. Do Champs de Mars ao Trocadero.

Quais são as lojas/lugares para apreciadores de música e bolachões como você?

Tem muitas. Inclusive eles tem todo ano o Dia da Loja de Discos, o Disquaire Day. Tem shows pela cidade toda, promoções, muito legal. Este é o site da última edição com os principais endereços: http://disquaireday.fr/disquaires/

A loja da Cité de la Musique também é ótima. Muitos LPs, CDs , camisetas e livros. E qualquer Fnac é uma festa para os olhos e uma perdição para o bolso.

Se você pudesse consertar algo em Paris, o que seria?

Um pouco mais de sol não ia ser nada mal. 

No próximo post, venha mergulhar um pouco mais em Paris.

 

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