Paris: quando ir, onde ficar, o que fazer e muito mais – Parte I

5 dezembro, 2013 às 07:49  |  por Candice Bittencourt

E lá estava eu em casa preparando o itinerário da nossa viagem de 40 dias de verão pela Europa e já tínhamos um consenso: conhecer novos lugares. A Grécia foi a primeira escolhida e logo em seguida veio a decisão de explorar um pouco o leste europeu começando pela Hungria e depois Eslováquia.

A primeira peça do quebra-cabeça estava difícil de encaixar no orçamento: passagens em pleno verão é para chocar qualquer viajante: nada por menos de 1800 dólares para pisar em qualquer ponto da Europa.  Um belo dia de tanto pesquisar eis que surge por 1.000 dólares um vôo direto San Francisco para o Charles de Gaulle com a low fare francesa XL . Hora de agir. Só para constar: essa companhia só faz vôos dos Estados Unidos para França. Se procurar você encontra vôos a partir de 800 dólares.

Faça o cálculo comigo: duas passagens onde você já estava conformada em gastar 3.600 dólares, de repente fica por 2.000! Pensei: com esses 1.600 que sobra, alugamos um apartamento pelo Airbnb lá nas colinas de Beleville e ficamos duas semanas curtindo o verão em Paris. Fechado.

Eu já sabia que escrever sobre Paris seria chover no molhado. Até um amigo blogeiro me alertou: “escrever sobre Paris deve ser difícil, imagina, falar sobre mais o quê da cidade luz”.  E sabe que por um tempo fiquei mesmo pensando: mas já não tem informação suficiente sobre onde passear, o que ver, onde ficar, o que comer em Paris?

Pois bem, então já que todos sabem que Paris é magnífica, uma das cidades mais lindas do mundo, que caminhar próximo às margens do rio Sena é um deleite para os olhos, que conhecer a catedral de Notre Dame é fantástico, que o museu do Louvre é imponente, que ver a cidade toda iluminada lá do alto da torre Eiffel é inesquecível, que a avenida Champs Èlysées é o paraíso das compras e que ainda tem o Arco do Triunfo como cenário para suas fotos, o que queremos afinal com esse texto?

Descobrir com calma a Paris do parisiense! Onde eles tomam seu vinho rosê no final de tarde? Que praça eles sentam no horário do almoço para degustar uma baguete? Como o parisiense se locomove? Qual é a livraria que eles frequentam? Onde ficam as feiras livres?

Bem, para desbravarmos uma cidade (não ficando apenas na área turística) precisamos estudar e no mínimo conhecer o seu tamanho e como ela está distribuída no mapa.

Entendendo o mapa de Paris 

 

Observe os números em cada pedaço colorido do mapa e brinque de “ligue os pontos” começando do 1 até o 20. Que desenho saiu desse traçado? Não faz lembrar um rocambole ou uma cobra enrolada? Pois é assim que é feita a divisão administrativa de Paris, pelos seus 20 arrondissements (distritos) que compõem a cidade e onde vivem aproximadamente dois milhões e duzentos mil sortudos.

O ponto central da cidade, ou seja a arrondissement 1 começa no Louvre (bem perto do rio Sena) e é distribuído em uma espiral que se desenvolve no sentido dos ponteiros do relógio. Assim os números mais baixos correspondem aos “distritos” mais centrais e quanto mais alto o número, mais longe ele vai ficando do centro. E os preços em Paris também seguem essa lógica: ou seja, quanto mais próximo do centro histórico da cidade, mais caro você vai pagar por um quarto de hotel.

Qual é a melhor época para conhecer Paris

Semanas antes de viajar para a Europa conheci um parisiense aqui em San Francisco e comentei que estava indo passar o verão na terra dele. Ele me disse: você está indo na melhor época. Por quê? perguntei. E ele: é o período onde os parisienses saem da cidade para fugir do verão. Ironia é pouco monsieur…”fugir do verão” pensei com os meus botões, mal sabia o que vinha pela frente.

Se a idéia é passar o verão em Paris é bom saber que você pode dar de cara com o tal canicule que é um fenômeno climático que vem do norte da África e que castiga algumas regiões da Europa. Imagine uma onda de calor excessivo durante o dia (e a noite) combinada com um bloqueio da circulação de ar. Eu senti um pouco dessa sensação por três dias eu digo que é desumana.

Quando o canicule dá o ar da graça em Paris, os jornais ficam em polvorosa, oferecendo dicas de como se proteger e alertando sobre o perigo de pegar uma forte insolação e desidratação, principalmente nos idosos e nas crianças.

Por isso eu não aconselho o verão em Paris. E o inverno também deve ser aterrorizante. Acredito que os meses no final da primavera (maio e junho) e no começo do outono (setembro e outubro) sejam os mais interessantes.

Tem uma piada que diz que o melhor mês para visitar a cidade é em setembro porque você ainda pega o parisiense feliz por ter acabado de voltar das férias. Uh la la!

Onde ficar em Paris

Isso vai depender de quanto você está afim de gastar com uma diária de hotel. Quanto mais próximo do centro histórico, do rio Sena e do Louvre, mais caro será. É nessa região onde os turistas ficam amontoados. Ou seja, era tudo o que eu não queria: pagar caro em um hotel para ficar entre os turistas.

Então comecei minha pesquisa pedindo ajuda para alguns amigos que já moraram (outros que ainda moram) na cidade: “qual é o bairro bacana, charmosinho, onde se concentram os parisienses”?

E aí vieram algumas respostas:

- qualquer cantinho no 11 arrondissement. 

- outro lugar bom de ficar é no 20º arrondissement no bairro de Ménilmontant, perto do canal St Martin.  

Marais – outro bairro bacana. É bem central, contruções medievais, conhecido por ser o bairro judeu e também o bairro gay. Ou seja, as lojinhas mais lindas, os bares descolados e o melhor sandwiche de falafel do mundo. O Marais é para quem gosta de borburinho e fica perto do museu George Pompidou.

Alto de Belleville – La Banane – fica no 20º arrondissement. Um pouco mais afastado mas bem servido de transporte ( esse é um problema que você não terá em Paris: transporte). Fica perto do cemitério Père- Lachaise e de uma concentração enorme de bares e restaurantes ( rue Oberkampf e rue Menilmontant). Tem uma bar chamado Le Bellevilloise que é bem legal. 

Montmartre - é super turístico, mas maravilhoso. Na ‘La butte (colina) Montmartre você encontra as casas onde moraram Picasso, Toulouse-Lautrec, Van Gogh e por aí vai. Tem jeito de cidade do interior, bares e restaurantes deliciosos. E onde fica a linda basílica de Sacré-Coeur. E lá em baixo fica o Pigalle, onde o rock rola!

Quartier Latin – um dos bairros mais charmosos e que fica na5º arrondissement, perto do Panthéon e do Jardim de Luxemburgo. Caminhar pela Rue Moufftard no final de tarde é uma delícia.

Como nossa idéia era acordar, ir na padoca, passar na feira, visitar lojas locais, escolhemos um bairro bem residencial na 20º arrondissement junto às colinas de Belleville. Pagamos por 16 noites, 1015 dólares, ou seja, 63 dólares por noite. Precinho bacana não?

Se quiser conhecer o apartamento é só clicar AQUI.

Nossa estadia foi ótima, o apartamento super confortável, o bairro cheio de parisienses na volta, restaurantes, livrarias, feiras livres às tercas, mercado do lado. Recomendo se você pensa em passar um tempo em Paris e não tem como gastar muito em hotel. Se quiser ver outros apartamentos é só entrar no site do Airbnb.

Se você não pode ficar tanto tempo na cidade e prefere ficar em hotel em uma boa localização eu indico o site da Trivago. Eles conseguem bater o preço de qualquer grande site de busca de hotéis. Vale muito a pena dar uma olhada no preço que eles oferecem antes de fechar diretamente com o hotel. Uma sugestão de ouro!

No próximo capítulo:

Como se locomover em Paris, passeios imperdíveis, o melhor sorvete da cidade (dica do amigo Odilon) e os segredinhos da amiga Lu, uma brasileira que vive e estuda em Paris e que me levou para comer a melhor french soup do planeta. Porque eu vou onde os locais me levam!

Mais links sobre Paris:

Impressões sobre um verão em Paris

 

 

 

 

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