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O Bottle Rock Napa Valley veio para ficar

23 maio, 2013 às 18:52  |  por Candice Bittencourt

A primeira edição do Bottle Rock Napa Valley já nasceu com o desejo de ser um dos maiores festivais de música da América da Norte, porém não deve ter sido fácil convencer a populacão dos 76 mil habitantes da charmosa e pacata Napa Valley que um festival do porte do Bottle Rock pudesse trazer benefícios para uma das mais consagradas regiões de vinículas do mundo.

Sem nenhuma experiência anterior na produção de festivais de música, além da incerteza de como os moradores de Napa Valley iriam aceitar a novidade para a cidade, os idealizadores e fundadores do Bottle Rock, Bob Voigt e Gabe Meyers foram verdadeiros guerreiros. “É um enorme compromisso ter que provar em cinco dias a competência de um  trabalho de equipe durante meses a fio para agradar os locais e o público de mais de 120 mil pessoas que vieram para o festival”, conta Voigt.

Mas o Bottle Rock nasceu em boas mãos, superou as dificuldades de um primeiro ano de festival e a maior prova do sucesso é a confirmação da sua segunda edição para 2014. Quer notícia melhor?

 Dave Grohl e seu primeiro filme como diretor, o Sound City

Napa Valley virou a cidade do rock já na segunda-feira, dia 6 de maio no teatro Uptown onde Dave Grohl, ex baterista do Nirvana e líder do Foo Fighters veio mostrar o filme que conta a história do estúdio de som, o Sound City, onde foram produzidos e gravados discos antológicos que marcaram  gerações como o Nervermind, do Nirvana, Rumours, do Fleetwood Mac, fora vários outros álbuns de nomes consagrados como o Red Hot Chili Peppers, Slayer, Rage Against the Machine, Greatful Dead, Elton John, Carlos Santana, Tom Petty, entre tantos outros. Na verdade, a história do filme gira em torno da mesa de som “Neve” que para os músicos era como se fosse uma “nave espacial da Enterprise” melhorada. Tudo que passava naquela mesa fazia sucesso , te levava para o impossível”, conta Neil Young.


 

Depois do filme, o simpático Dave conversou com a platéia e falou sobre como surgiu a idéia de fazer o filme. ” Se você quer mesmo fazer algo, junte todas suas forças, uns bons amigos, um bocado de tempo e se dedique, que você verá o resultado”. Para seu primeiro trabalho como diretor em um filme, Dave foi impecável e ainda prometeu com uma platéia como testemunha que iria tocar no próximo ano se a primeira edição do Bottle Rock desse certo. Pelo jeito o Dave Grohl e sua trupe devem tomar uns bons drinques em Napa ano que vem.

O festival

Pelas ruas tranquilas de Napa, caminhando por entre jardins de flores até chegar no portão de entrada do festival, dava para sentir o olhar curioso dos moradores. Eles abriam um sorriso bonito e elogiavam o vestido: “Obrigada por vocês virem até a nossa cidade, estamos adorando essa festa, conta a animada Meg, acompanhada de seu marido Bob que vivem há 42 anos na cidade.

Perguntei o que ela achava sobre essa “invasão” na sua cidade e ela toda sorridente respondia: “a gente adora fazer novos amigos e ver todo esse movimento. Obrigada por terem vindo”.  Se não fosse pelo show do Bad Religion prestes a começar eu até acompanhava ela em uma taça de vinho na jardim de sua casa.

“Vim trazer meu filho pela primeira vez em um festival de rock, já que está acontecendo praticamente no quintal da minha casa”, disse Greg Duke um morador de longa data da região.

Com um espaço de 30 mil metros quadrados de grama e terra batida no centro da pacata Napa, o Bottle Rock ganhou vida e foi acomodando em média 25 mil pessoas que diariamente se entretiam entre os três palcos principais ( Willpower, o maior; City, o médio e o Miner, o mais intimista), barracas fantásticas de comida, um palco destinado para stand up comedy e muitas tendas oferecendo o que Napa tem de melhor: vinho.

O impressionante lineup trazendo mais de 60 bandas, entre elas as consagradas The Black Keys, Alabama Shakes, Jane’s Addiction, The Black Crowes, Kings of Leon e The Flaming Lips foi o grande chamariz para o festival. “Não sei se o vento está batendo para o lado errado, mas até agora não senti nenhum cheiro de verde no ar. Só para avisar que nós adoramos fazer o show quando o público e nós estamos chapados”, acrescentou Wayne Coyne, o líder do Flaming Lips, que chegou com um tecido lindo fosforescente meio peixe, meio humano que refletia com as últimas réstias do sol batendo na sua indumentária. O show começou meio intimista, mas depois de meia hora o delírio dos lábios flamejantes veio à tona.

O criador do Lollapalooza e líder do Jane’s Addiction, Perry Farrel  era a própria empolgação em pessoa. “Eu adoro tomar uvas e essa aqui é muito boa”, bebericava na boca da garrafa mesmo entre um acorde e outro. Com uma alegria sem fim, durante uma música e outra ele dissertava sobre suas idéias de como podemos fazer um mundo melhor mas de um jeito nada convencional. Sua liberdade de pensamento impressiona. Ele só fala de amor e viaja muito longe quando canta.

Acompanhado de sua mulher, que não estava sentada assistindo ao show e sim dançando entre uma música e outra e trazendo uma feminilidade ultra sexy para os olhos da platéia, o show parecia um convite para fazer amor com eles. Dave Navajo continua detonando sua guitarra e fez o show do Jane’s Addiction ser um dos melhores do festival.

A dupla infalível do The Black Keys como sempre levando a multidão ao delírio. A competência de Dan Auerbach e Patrick Carney ultrapassa os limites dos acordes e batidas. Eles são puro feeling e para mim é isso que faz o Black Keys ser uma das bandas mais respeitadas no cenário musical atual.

A comida

Entre um banda e outra a aventura era se deliciar entre as dezenas de barracas de comida bem distribuídas pelo parque de exposição no centro de Napa. Já imaginou você se deliciar com um sushi califórnia no capricho ou uma pizza marguerita feita no forno à lenha em um pleno festival de rock ao invés da sempre batata frita gordurosa? A opção de comida era tanta que até  barraquinha vegan você encontrava no festival. E vamos combinar, quem anda por festivais afora sabe a raridade que é encontrar comida saudável e de qualidade mas em Napa Valley onde turistas do mundo inteiro vem passar um fim de semana só para provar da fama dos restaurantes gourmets pela área não foi de se estranhar a qualidade das deliciosas comidas servidas no festival. Outro ponto positivo para o Bottle Rock.

Deus Baco agradece o Bottle Rock

Para os enólogos de plantão, o Bottle Rock foi um mundo à parte. Parecia que todas as vinículas da região estavam alí reunidas proporcionando uma fartura de degustação de vinhos. Sabe que às vezes eu ficava meio confusa se o povo estava lá para tomar vinho ou assistir aos shows.

Independente do seu interesse pelo festival, a melhor notícia é que esse lindo pedaço de terra fértil no norte da Califórnia, renomada pela qualidade de seus vinhos e seus restaurantes maravilhosos está abraçando mais uma consagração, a de ser anfitriã de um dos maiores festivais de música do mundo.

E se você gosta de comer bem, degustar vinho e ouvir música de qualidade, garanta o quanto antes sua presença porque o Bottle Rock já tem data marcada para 2014.

Prepare-se para 2014

Se você tem interesse de participar do Bottle Rock Napa Valley, entre em contato no candicedeluxe@gmail.com que posso te ajudar na parte da logística.