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Utah, Arizona e Nevada – o paraíso mora ao lado, na terra dos índios navajos – PARTE I

17 setembro, 2013 às 21:03  |  por Candice Bittencourt

É tão interessante pois o texto mais acessado no blog (hoje em dia) é o de Las Vegas. Eu entendo que Vegas seduz pelo seu colorido vibrante, com hotéis magníficos por preços razoavéis e seus caça-níqueis e outlets tentadores mirando o seu bolso. O mundo inteiro quer ver as águas dançantes do Bellagio. Nada contra, mas eu quero te levar além desse paraíso artificial.

É uma grata surpresa quando arrumamos a mala sem muitas expectativas para uma viagem e de repente pelo caminho começam a surgir lugares lindos, mágicos, nunca imaginados e a viagem vai se transformando em uma das mais lindas da sua vida.  E esse foi o sentimento nessa road trip de seis dias divididos em 1800 quilômetros mergulhando na maior reserva indígena dos Estados Unidos, passando pelos estados de Nevada, Arizona e Utah. E parece até ironia porque toda essa maravilha da natureza tem seu ponto de partida e chegada na transloucada e plastificada Vegas.

É meus amigos, o paraíso está bem ao lado mas é ofuscado pelos neons da grande Strip. Sorte a nossa. E eu posso te garantir: essa viagem ao coração da terra dos índios navajos é muito, mas muito mais bonita, emocionante e benéfica para o coração e para alma do que qualquer jogatina de casino.

Se você realmente gosta de pegar estrada, ver e sentir de perto a natureza, passar por desertos, parques nacionais, se perder por cidades fantasmas, ouvir o silêncio e admirar o pôr do sol, você precisa conhecer essa imensidão de terra, que em grande parte pertence a tribos indígenas.

Aluguel de carro

Não é difícil programar essa viagem. A primeira coisa a se fazer é alugar um carro em Vegas. Eu aconselho programar essa viagem entre cinco a sete dias. Quando você aluga um carro por uma semana a diária fica mais barata. É uma regra bem comum nas locadoras. Segue alguns sites que tem boas cotações:

Expedia

Fox

Thrifty

Budget

Dollar

Normalmente os preços variam entre 190 a 250 dólares (de uma locadora para outra) para uma semana de carro econômico. Minha sugestão é reservar sempre o mais barato e na hora negociar um upgrade. Por exemplo, um mustang (quase) zero bala saí por 420 dólares a semana, o que significa 60 dólares por dia. Se você gosta de pegar estrada, invista em um conversível porque é a combinação perfeita para esse tipo de viagem. Não esqueça do GPS (ou mesmo um mapa nas mãos) e prepare um setlist das suas músicas preferidas. Tudo isso faz a diferença.

Separe entre 200 a 250 dólares para a gasolina. Só para se ter uma idéia o trecho completo (1.800 km) da viagem (sem parar para dormir) dá aproximadamente umas 20 horas de estrada, ou seja, dividindo entre cinco a sete dias teremos uma média de três a quatro horas por dia no volante. Claro que alguns dias você deve dirigir menos e outros precisará compensar e isso é o que veremos mais a frente.

Só relembrando que o grande barato dessa trip é o caminho a ser percorrido, os “achados” que quero dividir aqui e que até então não sabia de suas existências.

O Itinerário 

http://roadtrippers.com/trips/51b64b977f3d77641800658a

 

Primeiro dia – 402 quilômetros ( Vegas até Flagstaff )

Como saímos meio tarde de Vegas (perto das 5pm) seguimos pela US 93 sentido Flagstaff até cruzarmos a Interstate 40 (antiga rota 66) passando pelo incrível Lake Mead onde aproveitamos a luz do final do dia. Nesse primeiro dia rodamos perto de 400 quilômetros até chegar em Flagstaff onde decidimos descansar para o dia seguinte. Dormimos no Travelodge na legendária rota 66.

preparando os equipos para as filmagens…


Segundo dia –  294 quilômetros ( Flagstaff até Page )

Acordamos cedo em Flagstaff e seguimos pela US 89. No caminho, fizemos uma parada para conhecer o Sunset Crater Volcano National Monument e o Wupatki National Monument. Você precisa pagar 10 dólares para explorar essa região lindíssima que inclui além do vulcão, o monumento de Wupatki e o Walnut Canyon.

Nessa área, cerca de 900 anos atrás um vulcão entrou em erupção e hoje percorrendo suas trilhas dá para tocar e sentir as lavas petrificadas que mudaram para sempre a paisagem do local. É incrível ouvir o som da fragilidade que as lavas emitem enquanto você caminha sobre elas.

No mesmo parque, outra atração é o Wupatki Monument, as ruínas do maior povoado dos nativos americanos e que foi exterminado depois da erupção do vulcão no século XI. Ali você pode ver o que restou da estrutura e saber um pouco mais da história dos índios navajos.

Seguindo pela estrada 89, cruzamos e prosseguimos pela antiga US 160 sentido Tuba City. Cada vez mais imergidos na terra dos índios navajos e bem perto da fronteira do Arizona e de Utah, surge no caminho uma placa apontando para “Dinosaur Track“. Aqui é um dos lugares no mundo onde geólogos e caçadores de dinossauros de plantão comprovam a existência da espécie. Não fomos atrás das pegadas, até porque já estava tarde, mas reza a lenda que elas existem.

Como estavámos próximos do fim do dia paramos para ver o pôr do sol. Nada mais restava ali do que um silêncio absoluto, uma imensidão de natureza com o céu alaranjado e o sol se escondendo por de trás de uma montanha bem vermelha. Depois que o sol desapareceu no horizonte, o céu rosa e lilás deu o ar da graça. Para mim, foi um dos lugares mais lindos de toda a viagem. Na segunda noite da viagem dormimos em Page, no Arizona no hotel Travelodge com a diária por U$ 62.

Terceiro dia –  202 quilômetros ( Page até Monument Valley)

Um dos dias mais esperados da viagem por estarmos indo de encontro com dois gigantes da natureza e que nos inspirou nessa trip: o Antelope Canyon e o Monument Valley. Acordamos cedo na simpática cidade de Page, tomamos um café da manhã daqueles típicos americanos, no estilo bagel, ovo e bacon e seguimos por uns 25 km até o primeiro parque que nos fez acreditar que essa viagem não seria em vão: o Antelope Canyon.

centro de Page
arredores do Antelope
arredores do Antelope

Na minha imaginação, chegaríamos de carro bem próximo ao local (como qualquer outro parque nacional), pagaríamos um valor simbólico e aí sim estaríamos liberados para ver a natureza atuando nas suas mais diferentes formas e cores. Ledo engano. Acontece que a visita ao Antelope Canyon é totalmente comercializada pelos índios navajos e isso querendo ou não, tira um pouco a magia do lugar porque você é obrigado a fazer a visita com um guia, com horário marcado e muitos turistas pela volta.

O tour começa em um estacionamento ao ar livre onde você deixa seu carro. Lá mesmo você compra seu ingresso para visitar o Antelope que na verdade são dois e você precisa escolher qual quer ir: o Upper (superior) ou Lower (inferior). O mais famoso e que faz fama ao lugar é o Upper. E foi esse o escolhido da vez.

Com o ingresso nas mãos, saímos em excursão (oito em cada grupo) em um 4×4 safado de desconfortável por uns 10 minutos até chegarmos na entrada dessa formação rochosa bem estreita, onde a brincadeira é entrar por esses paredões coloridíssimos e observar luzes espetaculares entrando por suas frestas. E tudo é realmente incrível e único.

O passeio dura uma hora e meia e o grande desafio é driblar o ser humano (que não pára de matracar) para poder apreciar o local, ou mesmo fotografar. Nem sempre é fácil ser turista…

Não quero desanimar ninguém e pode ter certeza: vale muito a pena conhecer essa maravilha, porém eu faria diferente na segunda vez. Eu escolheria fazer o tour dos fotógrafos que começa às 11 da manhã com duração de duas horas. A promessa dos índios é que dá para se movimentar melhor, o número de pessoas circulando é bem menor, além da luz que é a ideal para apreciar a magia do canyon. O preço é bem mais salgado: pula de 40 para 80 dólares. Escolhemos o tour da uma da tarde e estava abarrotado de gente. Espero que você tenha mais sorte que nós.

Do Antelope, em Page, seguimos mais 188 km (começando pela AZ 98 e depois seguindo pela US 160 e depois US 163) até cruzar a fronteira do Arizona para Utah e dar de cara com a imponência do Monument Valley.

Conto no próximo post. Até lá.

Para se ter idéia dos lugares por onde passamos, você pode conferir nessas imagens que captamos durante a viagem:
65809502

1000 miles from daniel azulai bittencourt on Vimeo.

A força do Rockabilly curitibano atravessando fronteiras

11 março, 2013 às 05:53  |  por Candice Bittencourt

Você pode até convencer alguém que Curitiba tem potencial para fazer festa de carnaval daqueles trabalhados na lantejoula e no boá e que brincar na avenida ou nos blocos animados do Largo da Ordem seja um direito do cidadão. Sem preconceitos, se a ordem é brincar que seja feita a sua fantasia.

Agora experimente dar uma “googada” usando as palavras “Carnaval Curitiba” e veja o resultado. Perceba que a óbvia turma sobe e desce dos dedos indicadores animados não está sozinha. Vá mais além. Tente explicar para um gringo que carnaval é esse que acontece em Curitiba.

Ele provavelmente vai te perguntar: “Parece que tem algo errado porque essa turma usa quase os mesmos instrumentos para fazer um rock n’ roll. E as meninas gostam de vestidos rodados e os meninos usam cabelo pompadour. Parece que eu já vi essa imagem antes”. – Sim, seu gringo, essa imagem e esse som vem lá na época que seu avô dançava “Rock Around the Clock”.

E Curitiba gosta disso, tem raízes fortes no Rockabilly e um notável reconhecimento internacional que avança muito além do perímetro curitibano atingindo terras longínquas. E o bom exemplo dessa notoriedade mundial é que vira e mexe a cidade está encabeçando os lineups de grandes festivais de Rockabilly pelo mundo.

E esse ano a apimentada banda curitibana Annie & The Malagueta Boys estará representando o Brasil e dividindo o palco com nada menos que o “Tutti Frutti” Little Richard, o rei do surf music, Dick Dale, e os novaiorquinos do Cleftones, no maior festival de Rockabilly do mundo, no Viva Las Vegas Rockabilly Weekend que acontece de 28 a 31 de março em Las Vegas.

E sei que vocês vão concordar: já estava bom demais só de ver essas lendas vivas em ação, afinal, Little Richard está com 80 anos e Dick Tale com 75 anos, mas o festival quer mesmo é provocar uma overdose de prazer para os mais de 20 mil amantes do gênero que por ali se divertem.

O festival que acontece no grande hotel casino The Orleans (que fica fora do eixo turístico onde 99% dos turistas se instalam) está na sua 16 edicão, é audacioso e faz você ter a sensação que um teletransporte te levou para os anos 50.

Com quatro dias de festival, as atrações são das mais variadas: shows de burlesque, reunião de carros antigos com os Hot Rods mais irados do mundo pra causar inveja a qualquer museu do automóvel, estandes de tatuagens, competição da pin up mais original da festa, dezenas de bandas tocando o dia todo pelas piscinas e palcos espalhados pelo evento e muito mais que vou descobrir por lá e contar depois aqui no blog.

E conta na boca pequena que eu vou poder praticar meu curitibanês por lá já que uma turma 35 amigos esperam ansiosos e preparadíssimos para festival desde o ano passado. A raiz é forte mesmo.

Sobre Annie & The Malaguetas Boys

Formada em 2009, o quinteto Malaguetas é apimentado pela poderosa vocal pin up Annie Lee, junto com os violões e guitarras de Rick Pacheco e o sax tenor de Victor Rodder. A cozinha fica por conta do baixo acústico de Jonny Mormelo e as baquetas de Jeffo Moreira. O clima é total pré-rockabilly dos anos 40 misturada com uma brasilidade à flor da pele. Abaixo no vídeo, a divertida “Up &Down” que brinca com aquele clichêzão da imagem do Brasil aos olhos dos “gringos”.

 

A importância do Psychobilly na cena curitibana

Não tem como falar do movimento Rockabilly em Curitiba sem citar o força do movimento Psychobilly  na cidade quando a banda dos anos 90  Os Catalépticos criou em 2000 a primeira edicão do Psycho Carnival.

O festival começou pequeno com o objetivo de reunir bandas que misturavam o rockabilly com o punk rock, sempre brincando com referências do que é tabu na sociedade (horror, sangue, ficção científica, sexo).

Hoje, Psycho Carnival está na sua 14 edição e é o maior festival de Psychobilly  do Brasil, reconhecido no exterior e que sempre tem nos headlines bandas lendárias como The Caravans e o Demented Are Go. Além das dezenas de bandas, um bazar e uma “zombie walk”  já fazem parte da confraternização que dura seis dias e está cada vez mais popular na cidade.

Na verdade, o Psycho Carnival acabou virando um grande intercâmbio musical e que faz Curitiba ser reconhecida como o maior reduto Rockabilly e do Psychobilly no Brasil.

Para você que não sabia e nunca imaginou que tivesse um movimento desse na capital, fica a dica para o carnaval de 2014.

 

 

 

 

 

 

Planejando sua viagem para esquiar na Califórnia

25 fevereiro, 2013 às 07:44  |  por Candice Bittencourt

Se você ama esquiar na neve mas que já está cansado de sempre ir para as mesmas estações de esqui, na Agentina ou no Chile ou se você é tão  fissurado pelo esporte que não se contenta em esquiar só uma vez por ano, esse texto vai te fazer sonhar com novas possibilidades!

Pensando nos apaixonados pelo esporte que resolvi preparar um guia de Tahoe, um dos melhores picos de estações de esqui nos Estados Unidos localizado no norte da Califórnia.

Nesse guia com cinco matérias, você vai encontrar um pouco da história do lugar, a partir de que época é bom planejar sua trip pra Tahoe, como chegaronde ficaropções de restaurantesas melhores estações que existem em volta do lago, alternativas de hospedagem bem bacanas e as melhores lojas de aluguéis de equipamento de neve.

Como vocês devem saber, enquanto o verão no Brasil bomba (hemisfério sul) com temperaturas acima dos 30 graus, nos Estados Unidos (hemisfério norte)  entre dezembro e fevereiro quase tudo fica branquinho com temperaturas abaixo de zero e neve caindo por várias semanas durante o mesmo período.

O que tem para fazer além de ficar dentro de casa tomando vinho, vendo a lareira queimar uns pedacinhos de madeira ou mesmo se deliciar na jacuzzi quente para relaxar e se esquentar?

Que tal esquiar!?

Dossiê San Francisco – “Os clássicos da cidade”

3 agosto, 2012 às 00:44  |  por Candice Bittencourt

Já com os pés em San Francisco, você pensa: o que fazer nessa cidade?

Primeira dica: se você não tiver muitos dias, olhe para o céu. Se você vê um dia lindo de sol priorize os passeios “outdoors” ou seja, aqueles relacionados com a natureza. E aqui tem muito o que fazer com um céu de brigadeiro de presente!

Segue a lista dos passeios que considero muito bacanas na cidade:

“Cruzei de bike a Golden Gate, parei em Sausalito, voltei de ferry…será que foi um sonho?

Na região de North Beach, onde fica o bairro da italianada (já próximo da Marina e da Golden Gate) tem algumas empresas que oferecem um bike tour fantástico! Você aluga a magrela que já vem com um mapa acoplado (bem profissional) que  é só pedalar e ser feliz!

O trajeto começa contornando todo o calçadão da Marina com um visual incrível da baía onde a Golden Gate é a protagonista do cenário. É pra lá que seguimos o percurso, atravessando de ponta a ponta a imponente musa superior! ( isso realmente é emocionante e muito mais bacana que de carro).

Depois descemos uma estradinha simpática até Sausalito, uma das cidades mais charmosas da região. O bacana é dar um tempo pelo centro, tomar um sorvete, ou petiscar algo e no final de tarde retornar para San Francisco no ferry boat (ticket incluso no pacote com a bike) que alias é outro momento fantástico do passeio!

Essa volta dura 30 minutos navegando pela baía. Depois de aportar no píer 1 da cidade é só pegar a orla do Embarcadero, passando pelo Fishermann’s Wharf para mais um pit stop. Depois de todo o passeio é só devolver a bike e pronto.

Serviço

O percurso – 13 km (nada de subidonas)

Tempo do percurso – entre 1 a 2 horas (mas pode estender dependendo dos pit stops)

Empresas – A mais famosa é a Blazing Saddles, mas tem outras como a Bay City Bike ou a Dylan’s Tour.

Valor – entre 20 a 50 dólares (depende da escolha da bike)

Quer conhecer a cultura local? Dolores Park é o que há!

Nesse parque você vai ter uma noção de como vive a comunidade artística de San Francisco. E o grande movimento rola aos sábados e domingos. São jovens, famílias com bebês, amigos com cachorros, todos esparramados na grama verde, fazendo piquenique, praticando yoga, músicos tocando tambores, rodas de violão, artistas fazendo trabalhos manuais, enfim, amigos reunidos pra admirar a cidade do alto.

Nas noites de verão, a prefeitura coloca um telão enorme e passam clássicos dos filmes antigos. Na redondeza, tem restaurantes, pubs, sorveterias onde o comunidade se abastece de delícias! O movimento do povo começa 10 da manhã e vai até o pôr do sol.  O clima é de total descontração.

Quer um postal de verdade de San Francisco? Álamo Square!

Se você já viu a imagem dessas famosas donzelas por , coladinhas uma na outra, conhecidas também por “painted ladies” (casas vitorianas ou eduardianas pintadas com três ou mais cores que destacam seus detalhes arquitetônicos) e gostaria de comprovar ao vivo, o lugar clássico e único é a Álamo Square.

Além do visual deslumbrante é um ponto da cidade calmo, bom pra relaxar, tomar um café, ler um livro ou mesmo pra esticar uma canga e ficar admirando a paisagem. Se você gosta de arquitetura, segue abaixo mais um endereço bacana aqui em San Francisco:

Grace Catedral – fica no bairro nobre de Nob Hill, num dos pontos mais altos da cidade. O mosaico gigante do artista Jan Henryk De Rosen já vale a visita, mas se você olhar a impressionante porta de entrada da catedral vai ver que o local tem muito mais para se admirar.

Quer ver San Francisco lá do alto mesmo? Twin Peaks!

A vista é uma das mais lindas da cidade e a uma das mais altas com certeza! Com uma altitude de quase mil metros de altura, nesse pico você consegue admirar a Bay Área toda numa paisagem de 360 graus. Não se esqueça de levar um casacão porque o vento que bate por lá é medonho! Vale muito mesmo e o por do sol é fantástico!

Haight Ashbury  - As esquinas

Vir até San Francisco e não conhecer as esquinas da Haight e Ashbury, berço do movimento hippie e da contracultura é quase um sacrilégio!

Toda a fama do bairro começou na década de 60 quando um grupo de jovens se uniu com o mesmo ideal: modificar a sociedade que eles viviam (eles carregavam o enorme peso do pós-guerra) buscando fugir do  estilo de vida medíocre e superficial de seus pais. Eles acreditavam que apenas o amor e a arte seria o suficiente para se viver. E a semente do movimento hippie foi plantada exatamente nessas esquinas e se alastrou por toda a cidade.

Eram milhares de jovens, chegando de vários lugares do mundo para se unir ao grupo para fazer música, dançar e amar, isso tudo com pitadas de LSD e maconha, substâncias que faziam parte de todo o contexto, não podemos negar.

O movimento ganhou muitos adeptos e acabou virando uma comunidade. Por ali, as pessoas dormiam mesmo nas ruas, o governo alimentava os desabrigados e eles seguiam fazendo música.

Em 1967 (só pra se ter uma idéia da força da comunidade hippie) eles conseguiram reunir no Golden Gate Park o chamado “World’s First Human Be-In“, que teve a presença de cerca de 20 mil jovens cantando e dançando e cobertos de flores. No parque eles tiravam a roupa e corriam todos pelados pedindo amor entre as pessoas.

Até o fim de 69, eram mais de 100 mil hippies morando na cidade.

Os músicos da época, como Janis Joplin, (Hendrix veio de Seattle pra se juntar ao movimento), Scott MacKenzie, Jefferson Airplane, Mamas and Papas pediam paz e amor nas suas canções.

Hoje, caminhando pela Haight street e’ possível ver o clima envolto no ar.

É claro que a maioria dos hippies foi morar em comunidades rurais como Sonoma County, mas ainda existem vários deles pelas ruas e sempre, sempre acompanhados de um cachorro, muito bem cuidado por sinal.

A Haight é uma rua pra andar devagar, observar sua arquitetura, entrar nas suas incríveis lojas. É aqui que fica a Amoeba, a maior loja independente de música do mundo. Uma loucura o tamanho e a diversidade! Pode-se passar horas e horas lá dentro se você é um aficionado por esse tipo de arte.

Castro Street

San Francisco é uma cidade muito generosa porque além de ser palco do nascimento do movimento hippie e da contracultura, ela também é o berço do movimento dos direitos gays e famosa por abrigar carinhosamente e politicamente um cenário aberto de amor entre pessoas do mesmo sexo. E foi graças a Harvey Milk, o primeiro homem abertamente gay a ser eleito a um cargo público na Califórnia que a Castro se tornou o primeiro bairro gay do mundo. O filme Milk protagonizado por Sean Penn conta a história do politico ativista.

O que tem de atraente por lá? 

Bem, se você não tiver nenhuma curiosidade sobre o assunto, simples: é só seguir adiante. Se você quer ver como é a vida cotidiana de um gay em um ambiente de muito respeito, aqui é o lugar! Eles caminham numa boa de mãos dadas, se abraçam e beijam como qualquer outro ser humano. E por quê seria diferente não é mesmo? As lojas são mais voltadas pra comunidade gay e em todo bairro você vê hasteada a bandeira do arco íris!

Andar de bondinho

Símbolo ícone da cidade, o “Cable Car” além de ser  uma experiência única é uma boa alternativa pra conhecer a cidade!

Os primeiros bondinhos começaram a funcionar em 1892, atendendo quase toda a cidade, mas depois do maior terremoto da história de San Francisco, em 1906, sobraram apenas oito linhas. Hoje apenas três estão em funcionamento, mas muito bem localizadas.  Eu recomendo! É um charme entrar nesses bondinhos bem antigos…

Golden Gate Park

Esse parque é um presente para os moradores e visitantes da cidade e vale a pena passear e conhecer as atrações por dentro desses quase três quilômetros de extensão do grande pulmão de San Francisco.

Vamos as atrações:

-       Japonese Tea Gardenréplica perfeita de um jardim japonês, todo cheio de detalhe, é um lugar sereno pra tomar um chá e ficar admirando os detalhes da jardinagem oriental.

-       Califórnia Academy of Science – recém inaugurado, é um fantástico museu de ciência com um enorme aquário, uma floresta tropical e um planetário. Programa perfeito para fazer em família!

-       De Young  Museu – com uma fachada toda de cobre e com uma design bem inovador e coleções bem instigantes o De Young é um museu conceitual que exibe fotografias, vídeos, quadros, instalações, objetos, esculturas e até roupas.

Segue abaixo um mapa detalhando tudo o que você pode encontrar no parque!

 Os clássicos clichês

Mas como assim? Você está falando dos clássicos de San Francisco e não vai citar a Union Square, o píer 39 no Fishermann’s Wharf , nem Chinatown ou o próprio Alcatraz?

Eu sei, tem muito mais atrações nessa cidade tão linda, mas como não sou muito freqüentadora desses pedacinhos da cidade (apesar de terem o seu valor) deixo as opiniões para quem conhece e aprecia.

Mas posso adiantar uma preciosidade bem no meio daquela loucura do Fishermann’s Wharf: o Musée Mécanique, um espaço com mais de 200 máquinas de fliperama bem antigas que funcionam perfeitamente com moedas de 25 centavos.

Outra dica: experimentar o famoso “Clam Chowder”, uma sopa de mariscos famosa na região. Se você gosta de caranguejo, é aqui  no Fishermann’s Wharf que você vai ser feliz!

São Francisco – música por tudo que eu vejo

24 julho, 2012 às 18:00  |  por Candice Bittencourt

Texto pensado e escrito pela minha filha Bruna Palmeiro – atriz e apaixonada por música!

 

Você é uma daquelas pessoas que ao programar uma nova viagem, coloca na lista de prioridades assistir algum show? 

Pula de alegria quando acha uma apresentação de alguma banda que sempre esteve dentro do seu coração no primeiro dia da viagem e vai mesmo se estiver cansado do Jet Leg?

Fica triste quando só encontra Duran Duran ou Barbra Streisand durante a sua estadia? 

Ou então faz de tudo para achar um bar underground e ouvir o som das bandas nascidas ou desenvolvidas localmente? 

Se você respondeu sim para a maioria dessas perguntas “San Francisco” deveria estar escrito no seu ticket aéreo como destino.

A cidade da neblina é considerada um dos lugares mais vivos culturalmente, principalmente se falarmos de música. San Francisco é uma grande nota musical, completa de shows, bandas, casas de entretenimento, festivais de verão e muito mais que você pode encontrar para ter uma overdose sonora, se te apetece.

Além do leque de opções que a cidade oferece musicalmente, também é considerada palco de ouro para os artistas que vem se apresentar. Muitas bandas dizem que San Francisco é uma das cidades mais pacifistas, tranquilas e bem energizadas quando o tema “show” é posto em cima da mesa. É sempre um orgulho tocar em um lugar tão calmo e com boas vibrações como San Francisco.

Os espectadores assistem aos shows apenas como audiência, sem muitos gritos desesperados de fãs, realmente deixando os artistas fazerem sua arte e escutando o que eles tem para dizer em suas letras e ritmos. San Francisco é palco para aqueles que são íntimos da música, aqueles que vêem os artistas como pessoas comuns com grandes idéias.


A melhor época para visitar San Francisco, se você realmente se interessa pela cena musical da cidade é no verão. O verão nórdico, entre julho e agosto, oferece muitos festivais musicais e até mesmo shows fechados, em casas de entretenimento famosas. Porém, como agosto é conhecido por ser um mês com muita neblina na cidade, os shows são estendidos até outubro, quando a cidade fica mais exposta ao sol. Logo depois, quando novembro começa, o frio e o vento tomam conta da cidade e os moradores voltam-se mais para suas casas quentinhas. Isso porém não significa que os shows param de acontecer, apenas não são tão frequentes.

Mas voltando para o verão, quero começar citando alguns festivais famosos que San Francisco tem a oferecer nesses meses onde todos saem de casa para tomar sorvete e andar de bicicleta.


O famoso Outside Lands é um festival nomeado pelo que costumavam chamar a parte da cidade que o festival é executado. No meio do Golden Gate Park (o parque mais famoso de San Francisco) o festival começou sua história há poucos anos atrás. Muitos acreditam que se tornará cada vez melhor  porque com pouco tempo de história, ele já é bem reconhecido. As bandas que formam o line up geralmente são sensacionais. Nesse ano, o festival começa na sexta, dia 10 de agosto e vai ate’ o domingo dia 12 e tem no lineup alguns nomes como: Neil Young, Foo Fighters, Beck, Norah Jones, Stevie Wonder, Jack White, entre tantos outros nomes…

Se você estiver por aqui vale a pena estudar melhor o lineup no website oficial do Outside Lands: http://www.sfoutsidelands.com/

Em San Francisco, você também encontra festivais parecidos com o Outside Lands, como o Treasure Island Festival, localizado na Treasure Island, saindo pela Bay Bridge. Este festival é classificado como um dos festivais mais indies da região. E além do mais, você pode assistir as bandas com um background lindo da cidade de San Francisco.




Um outro festival não tão reconhecido é o Noise Pop. Esse é para aqueles que já conhecem a cidade melhor, pois os shows são em bares underground mais escondidos, com bandas novas e experimentais. Vale muito a pena. 



Os shows são realizados em lugares que me encantam, como:

-Cafe Du Nord, um café escuro, com uma pitada de estilo Beatnik misturada com amantes de taxidermia e sons estranhos.


-Rickshaw Stop, um salão grande com um palco razoável, sala de fumar em cima e pessoas geralmente interessantes, dependendo da banda que toca.


-Bottom of The Hill, um bar bem bonito com uma área aberta atrás. Eles servem comida(uma delícia, por sinal), chop e música boa. Considerado um bar mais estilo rock clássico misturado com hard punk e um pouco de surf music.


-Revolution Café, um bar e coffee shop onde as pessoas sentam do lado de fora, tipo estilo brasileiro(não só o estilo, mas a música também). Muita bossa nova, samba de raíz, jazz, rock indie, blues e world music.


-Slim’s, um bar/balcão onde acontecem aulas de dança e shows de bandas de rock alternativo. O pessoal do Slim’s geralmente é mais novo, pois muitas das noites são admitíveis para menores de 21 anos. Aqui nos Estados Unidos a idade de bebida é 21, então muitos jovens de 18 anos tem que achar seus próprios bares para aproveitar a música San Franciscana.


As bandas do Noise Pop variam entre Surf Rock no estilo Beach Boys e The Drifters até punk rock estilo Joan Jett e Sex Pistols. De indie rock suave tipo Radiohead e Geographer até hard country tipo Johnny Cash e Cake. Todas essas são algumas das influências que você pode notar nas bandas locais.


Festivais como Power To The Peaceful também reúnem um grande número de pessoas de todos os tamanhos e idades. Esse é um dos festivais grátis, onde você pode curtir um som legal sem precisar se preocupar com dinheiro. 




Entre eles, também está o Hardly Strictly, um festival estilo Bluegrass e Country Rock, com influências de Jazz, Blues e Soft Rock.  Outro grande festival é o Stern Grove Music Fest, que é localizado no Stern Grove Park. Bandas dos estilos world music, hip hop, jazz e country se apresentam quase todos os fins de semana do verão. Também pode-se achar a feira de Jazz de San Francisco, geralmente entre setembro e dezembro. A feira é um complemento do Festival de Jazz da cidade, onde shows são apresentados(desta vez com uma taxa) em casas de Jazz como Bimbo’s e Yoshi’s.


Agora, falando sobre casas de show tradicionais de San Francisco, temos que respirar, porque só de lembrar das estruturas dentro desses galpões, o fôlego falta. O maravilhoso Warfield, o fantástico e legendário Fillmore, o magnífico Independent, o esplendoroso Fox Theatre (localizado em Oakland), o magistral Great American Music Hall, o caprichoso Shoreline Ampitheatre (localizado em Mountain View), o grandioso Regency Ballroom e a tremenda Oracle Arena (localizada em Oakland). Ufa!


Regency Ballroom

Warfield

Todos esses lugares são especiais, por terem sido palco para shows relembrados por anos e anos. Alguns deles tiveram apresentações como The Ramones, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Grateful Dead, The Rolling Stones, James Brown e outros grandes nomes da música. Até hoje, esses lugares fazem o entretenimento de San Francisco, deixando turistas e locais felizes.

San Francisco, local de nascimento de bandas como Faith No More, Metallica, Hot Tuna, Rupa And The April Fishes, Santana, The Dodos, Dead Kennedys, Grateful Dead, Jefferson Airplane, AFI, The Donnas, Journey, Credence Clearwater Revival, Joanna Newsom, Green Day, Primus, Rancid e Sly and The Family Stone é, claramente, de acordo com a inúmera lista de influências, shows e festivais, uma cidade com uma cena musical fantástica. Um dos maiores motivos que muitas pessoas se mudam para San Francisco é a sua diversificação cultural. É extremamente conveniente viver em um lugar onde a arte explode em cada esquina. E se você pensou que Nova York era o lugar mais quente para escutar música boa, acertou, mas esqueceu-se que além da Big Apple, tem Frisco esperando por você.

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A tresloucada San Francisco

12 julho, 2012 às 00:04  |  por Candice Bittencourt

Agora que já estamos mais situados em San Francisco, sabemos onde ficam os bairros e o que tem de bacana pra conhecer, podemos ir um pouco além de pontes, piers e lojinhas do Fisherman’s Wharf, certo?

Insisto no assunto porque nessa cidade habita um povo muito, mas muito interessante mesmo. Se eu pudesse traduzir em uma palavra San Francisco eu usaria “expressividade”.

É como que se em cada pessoa subindo e descendo, de bike ou a  pelas ladeiras da cidade, você vislumbrasse um personagem saindo de um filme ou de um livro qualquer de infância.

San Francisco é uma cidade que mexe com o imaginário, com a bagagem de memórias bem guardadas dentro de nós. As pessoas aqui se expressam pura e simplesmente por prazer e fica perceptível a enorme dedicação que eles tem em se divertir…e toda essa expressão que é o grande barato da cidade.

E para ver e apreciar esse movimento é preciso acertar o lugar, procede? Ainda mais se você está de passagem e tem pouco tempo. Minha dica é ficar ligado nas festas e paradas de rua. Dá pra garantir uma experiência divertida, única e além do mais é de graça!

Vou listar aqui as principais festas e o que você pode esperar de cada uma delas:

FEVEREIRO 

Ano Novo Chinês - quando vim morar em San Francisco, ouvia direto: “Você ainda não foi ver a parada do Ano Novo Chinês? conhecida como a top 10 de Paradas do Mundo, lá fui eu em fevereiro de 2008 assistir o tal evento. Para quem já assistiu carnaval na Marquês de Sapucaí chega a dar sono. Nada de mais mesmo, mas como estava chuviscando no dia e por  não estar convencida do porquê da fama da festa,voltei em 2009. Minha opinião não mudou em nada, mas se você estiver passeando por San Francisco em meados de fevereiro e quiser dar um conferes, quem sabe você tem mais sorte que eu!

ABRIL

Cherry Blossom Festival - festa animada de rua na versão japonesa. O festival acontece em abril e dura dois finais de semana. Em 2009 fomos de bike conhecer pela primeira vez o festival que fica no centro do bairro japonês chamado Japantown. Pra quem aprecia artes japonesas tradicionais e nunca viu uma cerimônia do chá ou artes marciais do país do sol nascente, é uma boa pedida.
Lá você pode ver o taiko (percussão japonesa), as danças tradicionais em um palco ao ar livre com direito a provar as delícias da culinária oriental. E não perca as lindíssimas árvores de Cherry Blossom pelas ruas.

MAIO 

Bay to Breakers- imagine uma das maiores maratonas do mundo (já atingiu a marca de 110 mil participantes) mas com um detalhe a mais: os atletas ao invés de estarem trajados com as roupas usuais de corredores, eles investem tempo, dinheiro e dedicação para preparar uma fantasia exclusiva para a tal maratona.

Outros preferem só mesmo um tênis no pé. Isso mesmo, a turma do naturalismo é forte por aqui. Outra curiosidade da maratona é que grande parte são participantes “não inscritos” e carinhosamente chamados de “ladrões”.

O circuito corta a cidade inteira (começando no Embarcadero e terminando na Ocean Beach) e os fantasiados vão se unindo a multidão!

 

How Weird Street Fair - mais uma festa de rua e bem com a cara de San Francisco: leve, colorida, com flores e abraços para todos os lados. A festa traduz bem a letra do “Imagine” de Lennon, onde “todos somos um” e assim podemos dançar e celebrar a vida mesmo com todas as diferenças. A How Weird pode se dizer que é quase uma festa a fantasia, inocente, bem tranqüila e familiar! Eu curto e me divirto bastante.

JUNHO

Parada Gay – essa é poderosa. Conhecida como “San Francisco Pride” é a maior festa do setor nos Estados Unidos e uma das maiores do mundo. Nesse ano de 2012 a parada comemora 42 anos. A primeira começou bem tímida em 1970 no Golden Gate Park e era chamada de Gay-in.

O festival começa sempre na sexta à noite na Castro (bairro gay famoso da cidade) e segue até domingo com a grande Parada começando na Market street pela manhã e seguindo até a frente da Prefeitura onde os trios elétricos aquecem os corações coloridos! Eu já prestigiei e posso dizer que é bem divertido, muito seguro e no mínimo curioso.

Feira de rua da Haight/ Ashbury- Inspirado no clima do Summer of Love de 67 é uma das feiras de verão mais coloridas da cidade, com uma mistureba de tribos hippies, dreadlocks, punks, grunges, yuppies todos juntos dançando e fazendo festa por toda a extensão da Haight street. Um laboratório humano fantástico. Tenho um casal de amigos que nos visitou exatamente no fim de semana da feira e no final de tudo aquilo que viram, comentaram: “Nunca vi tanto maluco junto em toda a minha vida”. Eu recomendo!

JULHO

Feira de Jazz na Fillmore – Esse é um deleite para os amantes do jazz. Imagine uma longa extensão da Fillmore, uma das ruas mais jazzistas do mundo com dez quadras fechadas e dezenas de músicos incríveis todos espalhados pelas ruas performando assim bem na sua cara! A feira é bem charmosa, com bebidinhas, comidinhas e artesãos vendendo de tudo um pouco.

 

AGOSTO

Burning Man – Este festival é um capítulo à parte e merece um post inteirinho só pra explicar o que é essa festa de 11 dias (sempre no final de agosto) no meio de um deserto em Nevada. O Burning Man é uma filosofia de vida e bem diferente de tudo o que tem por aí. Se você estiver pela cidade bem no finais de semana onde rolam as festas de aquecimento para o Burning Man chamada precompression e a festa de confraternização do Burning Man (depois da ida pro deserto) chamada decompression (ainda mais legal) sinta-se um sortudo.

Você vai fazer uma viagem só de caminhar pelas ruas dessas festas e ter uma pequena idéia do que é esse povo do planeta Black Rock City. Não me atrevo mais, as fotos do amigo Sidney Erthal ajudam a ter uma idéia do parque de diversão…

 

 

 

 

 

SETEMBRO

Folsom Street Fair- Qual é o significado da palavra bizarro pra você? Estranho? Esquisito? Desconhecido? Pois sem dúvida essa foi a feira de rua mais bizarra que eu já fui em toda a minha vida. Imagine uma feira pensada e freqüentada na maioria por homens ( mas as mulheres também prestigiam) que amam e buscam ter prazer de uma maneira bem diferente.

Sadomasoquismo, bondage, fetichismo, voyerismo, urofilia, dupla penetração e é melhor pararmos por aqui… A Folsom Street Fair é a maior feira de sadomasoquismo do mundo. São cinco quadras fechadas que ficam tomadas de pessoas que dão show de chicotinho enquanto o outro morre de prazer. Assim mesmo, no meio da rua.

Mais adiante, um outro magrinho, sentadinho no meio fio com uma placa pendurada no pescoço pede: ”Pee on me”. Eu estive lá uma vez e digo que é bem, bem diferente de tudo que eu já vi. Mas como já dizia minha vó: minha filha, é desse mundo mesmo! Segue abaixo umas fotos “publicáveis” pelo amigo Sidney Erthal!

 

 

Love Parade – O nome mudou mas a bagunça é a mesma! Se você gosta de música eletrônica, tá afim de ficar doidão, beijar muito e sair dançando por um fim de semana inteiro, aqui é o seu lugar! O público se resume a uma patotinha de 15 a 25 anos cheio de amor pra dar! A última edição foi há 2 anos em frente do prédio do Civic Hall e eu estava lá e realmente foi uma das poucas vezes que eu fiquei assustada com o número de adolescentes completamente drogados, derretendo um no colo de outro sem saber o que estavam fazendo nem para onde estavam indo…bem assustador.

A repercussão sobre o assunto droga X molecada ganhou capa dos jornais locais na época e a prefeitura decidiu vetar a Love Parade do ano passado, mas esse ano a edição volta as ruas mas não mais em San Francisco e sim cruzando a Bay Brigde, em Oakland. Festa perfeita para quem investe em ser periguete e para os meninos que gostam de ouvir Bonde da Stronda! I’m out!

 

 

NOVEMBRO

Day of the Dead- Dia 2 de novembro. O feriado é mundial, mas comparando bem na hora de comemorar, quanta diferença! Finados pra mim no Brasil resumia a colocar flores no túmulo dos antepassados e lembro que eu não gostava nada do passeio. Ano passado, pela primeira vez acompanhei o Dia dos Mortos aqui em San Francisco e foi de arrepiar. A festa começa com uma procissão linda, emocionante na Mission District, o bairro dos mexicanos. São milhares de pessoas fantasiadas, sempre segurando uma vela ou algum objeto de alguém que já se foi e com os rostos pintados de caveiras eles vão seguindo até o Garfield Park.

Nesse parque várias famílias preparam altares nos troncos das árvores ou improvisam varais e ali vao pendurando seus pensamentos em papéis coloridos. Outros constroem figurinos lindos ou criam um ambiente como por exemplo uma sala de jantar com foto de entes queridos que já se foram, tudo de uma maneira sempre bonita e a emoção fica envolta no ar, mesmo que você não acredite em nada disso. As maquiagens no rosto das pessoas  impressiona. Se você tiver por aqui no dia de finados, não perca o passeio.

San Francisco tem muito mais festas e festivais, por isso, quando estiver por aqui, aproveite pra conhecer esse lado da cidade, muita vezes desconhecidas pelos visitantes.

No próximo capitulo do Dossiê: Música por tudo que eu vejo – os melhores lugares para ouvir um bom som!

Comer bem e barato em San Francisco

4 julho, 2012 às 00:02  |  por Candice Bittencourt

Já adianto de antemão que se você é daqueles que gostam de restaurantes da última moda, com arquitetura moderna, estilo contemporâneo, cheios de requinte e luxo talvez não vá achar nada de interessante nas minhas dicas gastronômicas! Para tal, indico o travel+leisure, a chiquetérrima revista/blog especializada nos melhores restaurantes/hotéis e afins do mundo todo.

Afinal pagar caro para comer bem não é tão difícil assim, não é mesmo?

O que quero dividir aqui com vocês são aqueles restaurantes frequentados pelos moradores locais, mais escondidinhos, estilo familiares, sem grandes gastos com a aparência mas sim limpo, honesto e o que mais interessa: uma experiência gastronômica inesquecível.

San Francisco é uma festa para quem aprecia diversos tipos de culinária. Imagine uma cidade mega cosmopolita, onde andando pela rua você esbarra com chineses, italianos, japoneses, indianos, árabes, tailandeses, coreanos, mexicanos, franceses, entre outros. Já imaginou a fartura de possibilidades gastronômicas que pode surgir por aqui?

Bem então, vamos ao que interessa! Achei mais fácil classificar os restaurantes por suas origens étnicas, mas antes queria dividir algumas dicas e “situações” que acredito ser relevantes e que só com o tempo e morando aqui é que percebemos…tudo dica cultural!

Primeira delas: aqui 80% dos pratos são apresentados em porções generosas! Por isso, pondere a possibilidade de dividir um prato com seu amigo! Vocês não vão se arrepender.


Segunda dica: é cultural a prática de dar gorjetas por aqui (na conta não vem embutido o tal 10% do garçom, como no Brasil) e normalmente o tip (gorjeta) gira em torno de 10 a 20% do valor total da conta. Fica chato não colaborar apesar de não ser obrigatório. 


Terceira dica: não se ofenda se de repente bem do seu lado aparecer a conta na mesa mesmo sem você pedir. É outra prática bem comum por aqui. E fique à vontade para pedir o que quiser depois desse gesto. Eles irão refazer sua conta 10 vezes se for preciso. 

Os clássicos de San Francisco

Um ano antes da Califórnia virar um Estado, ou seja, em 1849 a família francesa Boudin já estava na ativa criando (sem saber) um dos ícones da cidade: o famoso pão Sourdough. Por isso, se você estiver passeando por perto do Fishermans Wharf, é quase obrigatória uma visita. Eles sabem como agradar os turistas como ninguém! E se puder experimente o clássico da padaria: o famoso Clam Chowder no pão sourdough. Uma experiência!

Outro clássico e ícone cultural de San Francisco são os Dungeness Crabs, encontrados no litoral que vai desde o Alasca até Santa Cruz e famosos pela sua carne bem firme e levemente adocicada. O melhor lugar pra provar as patolas é no Fishermans Wharf. Ali mesmo tem várias barracas nas ruas ou nos restaurantes na região.

Vamos agora falar de alguns restaurantes e suas especialidades:

AMERICANA – se você quer reviver um pouquinho os tempos da brilhantina, onde os rapazes usavam gel no cabelo e meninas se produziam com aqueles vestidos bem acinturados, num cenário tipicamente americano, o Mels Drive-In e’ o lugar! Aqui o forte é o sandubão.

O restaurante nasceu em San Francisco em 1947 e já serviu de cenário para filmes como o American Graffitti (1972) do “Yoda” George Lucas e do seriado Melrose Place (1996). O local continua lá firme e forte abastecendo as famílias americanas e turistas de todo o mundo. O local é bem bacana, praticamente com uma juke box para cada mesa e o cardápio bem variado. Os sanduíches especiais são bem suculentos e faz a alegria dos famintos! Afinal, uma junkie food de vez em quando não faz mal a ninguém.

ÁRABE – Uma das minhas cozinhas prediletas! Classificadas aqui por culinária “Middle Eastern” indico dois restaurantes dos “brimos” que são de chorar de bom! O primeiro deles chama-se Ali Baba’s Cave e fica na Mission District.

É uma portinha de esquina, bem despretensiosa e com decoração simples. Você entra, escolhe o prato, paga, senta em uma das mesinhas e dali a pouco chega a preciosidade! Eu sou devota do Lamb Shewarma que vem com arroz temperado maravilhoso, fatiazinhas de carneirinho suculento por cima, hummus, salada (fatuche ou tabule), azeitona verde espalhada pelo prato e pão árabe para acompanhar! Um prato desse custa 9 dólares (pasmem!) e dá pra compartir tranquilamente.
Outro árabe que é uma tentação, é o Fattoush que fica na Church street. Bem decorado e charmoso (e mais caro também) esse restaurante tem duas especialidades da casa que é uma loucura: Mansaf – a nomadic dish e o Beriani. Pratos inesquecíveis, eu diria! Vá lá e depois me conte!

BRASILEIRA - você tem certeza que quer gastar uma dinheirama pra comer uma picanha suculenta? pois bem, se você não consegue se segurar até voltar ao Brasil, eu indico a churrascaria Espetus. Você vai ter um churrasco honesto, mas não espere nada fora do normal, além da conta exorbitante. No almoço, você vai desembolsar uns 50 dólares (taxa inclusa + uma cerveja) e no jantar sobe para uns $80 fácil, fácil!

Eu quando quero matar a fome de carne boa, vou até o Pikanha’s, um churrascaria simples em Richmond (atravessando a Bay Bridge), mas que sem dúvida, é a melhor carne da região. Lá você deve gastar uns $30 com uma cervejinha incluída na conta.

CUBANA/ CARIBENHA – O Cha Cha Cha é um charme de restaurante e que tem uma paella maravilhosa e uma sangria que tem segredos que até hoje não descobri. Sempre saio de lá feliz e com vontade de dançar. Deve ser o clima do local que propicia tal animação, além da seleção musical que é demais! Preço aprazível.

INDIANA – outra culinária que eu amo! Meu preferido é o Dosa na Mission District. É um lugar mais requintado e com pratos bem elaborados.

Um outro indiano, simples e delicioso é o Alhamra que por 25 dólares, duas pessoas saem bem felizes e satisfeitas de lá! Agora se você realmente ama comida indiana e não gosta de limites, acabei de descobrir perto do Golden Gate Park um “All You Can Eat” indiano chamado  Curry Village. A variedade de pratos é fantástica, com direito a Mango Lassi e sobremesa no final da brincadeira (se você aguentar!). No almoço custa 10 dólares e no jantar $15. Vale muito a pena!

ITALIANA – Na Columbus Avenue em North Beach, onde fica o bairro da italianada é onde concentra a maioria dos restaurantes da nonna! Gosto das pastas do Calzones, mas esse é um dos poucos lugares que o prato é individual mesmo e custam em média uns 15 dólares. O meu preferido italiano fica na Mission e chama-se Delfina , que é conhecido como um dos melhores restaurantes italianos da Califórnia.

JAPONESA – comida japonesa fresquinha, boa e barata? aqui tem! O Ebisu é bem saboroso e tem uma variedade boa de sushis que são especialidades da casa. Outro que sou fã é o Mikado que une bem o bom + barato. Por 30 dólares, duas pessoas saem de lá bem satisfeitas, com “umas” cervejinhas e taxas jé inclusas na conta. Se você for no Happy Hour que rola das 4 as 6 da tarde,  a conta vem quase de graça! Uma delícia!

Outro restaurante japonês que é uma aventura é o famoso Benihana. Se você tem criança (ou se mora uma dentro de você) e quer diversão na hora do jantar ou almoço, esse é o lugar! Em uma chapa enorme o chef vai cozinhando tudo na hora, na sua frente e fazendo varias gracinhas com os alimentos ( como por exemplo, transformar uma simples cebola em um vulcão em erupção). Um restaurante “clima de festa”, não para namorar ou conversar no tête-à-tête. O que eles preparam é delicioso! Uma dos meus restaurantes preferidos de toda a vida! Prepare uns 40 dólares no mínimo para a brincadeira, mas vale cada centavo!

MEXICANA – são eles que dominam a cozinha em quase todo o país, por isso não é difícil achar uma comida mexicana boa por aqui, mas indico o Puerto Alegre que tem a melhor quesadilla da cidade e um frozen margarita de morango que é de deixar qualquer um alegre de tão boa! O preço é bem honesto (gasta-se em média $20 por pessoa) como quase todo o restaurante mexicano.

TAILANDESA – Uma das minhas culinárias preferidas também, indico dois restaurantes bem legais com precinhos camaradas! O primeiro é o King of Thai Noodle House, que fica no coração de North Beach. Tem pratos deliciosos e super baratinhos. A maioria dos pratos individuais custa 5 dólares! Eu adoro o Pad Thai e o Red Curry! Um muito bom também e que fica na Haight street é o Siam Lotus Thai Cuisine. Prove o Thai Iced Tea deles! É maravilhoso!

Outra ótima dica é acessar o www.yelp.com e dar uma olhada no que tem de novo na cidade. E você ainda pode colaborar com suas próprias experiências pelos novos restaurantes de San Francisco!

O Yelp funciona como um site de opiniões/revisões de qualquer tipo de empresa ou comércio. É muito interessante porque são os próprios consumidores que classificam os restaurantes, inclusive dando dicas de pratos, sobremesas e também muitas vezes alertando o que pode ser uma “roubada” no local.

Vale a pena conferir se você estiver aqui pela cidade!

Próxima parada do dossiê: A Tresloucada São Francisco!

Dossiê San Francisco – melhor época para vir e onde ficar!

22 junho, 2012 às 22:03  |  por Candice Bittencourt

Antigamente quando íamos visitar um amigo em uma cidade desconhecida era normal ligar pra fazer a famosa pergunta:  “Como está o tempo por aí? O que eu levo na mala?” Hoje em dia, a ligação quase não faz mais sentido com os inúmeros websites fazendo boletim diário da previsão do tempo, certo?! Hum…sim…depende…

O escritor Mark Twain que viveu em San Francisco no inicio do século XX escreveu a célebre e eternizada frase:

The coldest winter I ever saw was the summer I spent in San Francisco”. 

(“O inverno mais frio que passei na minha vida, foi um verão em San Francisco!”) 

Se ele estava exagerando? Uns argumentam, outros concordam e aqui vai a minha sugestão: não importa a época do ano, traga seu casaco “quebra vento” quando vier para cá. Você não vai se arrepender!

Mas vamos a pergunta que todos querem saber: Qual é a melhor época pra vir para San Francisco? Eu diria fácil: entre meados de abril até meados de novembro. Nos outros meses você corre o risco de fazer suas fotos da bela cidade de dentro da janela embaçada do carro. Mas vamos detalhar melhor esse clima, porque não é assim tão simples!

Como as quatro estações por aqui são bem definidas (apesar que este ano parece que está tudo atrasado) por quê não usá-la?

Primavera ( 21 de marco ate’ 21 de junho)

Nessa época tudo está brotando mesmo: plantas nativas, árvores de magnólia (minha preferida) e as cerejeiras. Os passeios pelo Golden Gate Park são perfeitos, porem você ainda sente aquele vento frio vindo direto do Pacifico. Por isso se aconchegar na praia ainda não é o caso. Um certo calor começa a chegar no começo de junho, mas não pense que é aquele “calor bafo” do Rio ou de NYC. Não mesmo.

árvore da magnolia

Verão ( 21 de junho até 23 de setembro)

É a única estação do ano que você consegue pegar um dia de praia, mas o verão em San Francisco é um pouco cruel e isso se deve a sua geografia. Pois veja: pela cidade ser cercado por água, o clima acaba sendo influenciado pelas correntes geladas do oceano Pacífico. O que acontece? A combinação do calor do solo californiano com o frio do oceano provoca névoa e neblina por dias e dias e a cidade fica debaixo de nuvem em pleno verão! Mas isso tem um lado bem interessante: a formação de um fenômeno natural forte e único! Imagina você ver aquela massa gigante branca vindo do oceano e entrando na cidade? muitos artistas se inspiram nessa estação do ano e pincelam San Francisco bem nublada, charmosa e misteriosa.

Fog chegando na cidade
San Francisco recebendo o neblina do Pacifico

Outono ( 23 de setembro até 21 de dezembro ) 

Pra mim, que vim do hemisfério sul é de ficar com o queixo caído tamanha beleza do outono por aqui! As árvores ganham cores e tonalidades tão bonitas que você simplesmente pára pra ficar admirando…

São vários tons de vermelhos e amarelos contrastando com o verde que resta dos parques. O clima e’ uma delicia, o céu fica fantástico. Na minha opinião, setembro e outubro são os melhores meses pra passear na cidade e vou explicar o porquê em um outro momento.

Inverno ( 21 de dezembro até 21 de março) 

Chuva, chuva chuva! O que não chove o ano todo, chove no inverno, principalmente no final de dezembro até meados de fevereiro. Se você já esteve aqui nessa época e pegou céu de brigadeiro, sinta-se um sortudo.

Onde ficar em San Francisco

A única vez que fiquei num hotel em San Francisco foi na Lombard Street em 1995. Ou seja, não sou uma expert no assunto, porém posso indicar uma outra maneira de se hospedar que pra mim é a ideal: sublocar um studio, um ap ou mesmo um quarto! Você com certeza estará mais conectado com a vida rotineira dos próprios moradores porque precisará ir ao supermercado e (e isto é uma aventura bem legal por aqui), ficará mais íntimo do mapa da cidade e ainda tem a possibilidade de sair do do eixo dos hotéis em San Francisco que concentra quase todos no Fishermann’s Wharf ou no centrão, perto do Tenderloin, bairro dos moradores de rua da cidade.

E tem duas pérolas na internet que podem te ajudar e muito. São os sites:

www.craigslist.com

http://www.airbnb.com/

Nesses sites você encontra lugares bem legais, com fotos, preços e todas as informações necessárias e o melhor direto com o proprietário!

Meus queridos amigos Paulo, Michelle e Rafa viveram a experiência de sublocar um ap lindo na Fell street, outubro do ano passado. Eles foram bem felizes!

Mas se você quer ficar apenas uns dias? Vale a pena?

Minha sugestão é procurar no expedia ou no booking as ofertas de hotéis de bandeiras famosas ( Sofitel, Hilton ). Quanto antes você procurar, melhor o preço. Apesar que as vezes rolam as promoções de última hora com preços bem cômodos. É uma questão de pesquisar.

Agora se você é abonado, ganhou uma herança, está de lua de mel ou quer mesmo fazer uma excentricidade, eu tenho dois hotéis pra indicar, ambos em Sausalito, a primeira cidade em North Bay passando a Golden Gate. São hotéis absurdamente incríveis e com uma vista pra cidade de perder o fôlego! Você não vai se arrepender…

http://www.cavallopoint.com/

http://www.innabovetide.com/home.html

Outra dica e que fica na cidade é um hotelzinho chamado Red Victorian Bed, Breakfast & Art que é cheio de história , no coração da Haight Strret, onde nasceu o movimento hippie nos Estados Unidos. O hotel na época (final dos anos 60) era luxo total! Hoje, a mesma proprietária, com seus respeitados quase 90 é quem cuida da casa vitoriana. É uma experiência  para os curiosos e amantes de história. Praticante um museu vivo, um hotel que parou no tempo.

Bairros bacanas em San Francisco  

Para quem tem espírito jovem, gosta de noitada, é gay ou gay friendly, quer ver onde e como vivem os artistas da cidade, chegado numa cerveja, curte shows alternativos, ama comer bem e barato (não se importando se o lugar é  “pé sujo”), esses são os bairros:

  • Mission District
  • Castro
  • Upper Market
  • Haight/Ashbury

Se você gosta de correr ou andar de bike numa orla bonita, com uma vista incrível pra San Francisco, aprecia um bom vinho, lugares mais requintados, pessoas bem vestidas, jazz, você vai gostar mais desses bairros:

  • Fillmore ( uma rua que comeca na Marina e vai ate’ a Upper Market)
  • Marina
  • Pacific Heights

Se você quer ficar mesmo com os turistas e adora fazer compras e precisa levar uns moletons da Gap pra criançada e umas maquiagens da MAC pra arrasar onde você mora, você vai gostar dos bairros:

  • Union Square (fica ao lado de Chinatown) 
  • Fishermann Wharf ( fica no embarcadero, entre North Beach e Financial District)
No próximo capitulo, vamos falar dos passeios clássicos por San Francisco!

Dossiê São Francisco – tudo o que você precisa saber e muito mais! Mas vamos por partes!

15 junho, 2012 às 19:56  |  por Candice Bittencourt

Sabe o carioca que mora há anos na cidade mas que nunca visitou o Corcovado? E o curitibano que nunca entrou no museu do olho? Conhece algum catalão que nunca pôs os pés na Sagrada Família? Ou o nova-iorquino que nem sequer pegou o ferry pra conhecer a Miss Liberty?

Não quero fazer esse tipo de heresia aqui neste blog, por isso resolvi escrever sobre San Francisco, a cidade que vivo há quase cinco anos.

Como tem muito assunto pra desenvolver, resolvi criar em capítulos o “Dossiê San Francisco” para deixar aqui registrado o que é realmente interessante de conhecer nesse pedaço da Califórnia que eu sou completamente apaixonada. Bem, antes de tudo vamos nos localizar?

Entendendo a Bay Área

A Bay Area é uma região com mais de 7 mil km quadrados composta por nove municípios e que engloba mais de 100 cidades. Nesse pedaço de terra no norte da California (dentro das “subdivisões” da Bay Area) é que estão ancoradas cidades importantíssimas dos Estados Unidos. São elas:

mapa Bay Area

San José  - Sul da Baía (South bay)

Você já ouviu falar do Vale do Silício? Então, esse foi o nome dado a região onde se concentra o maior pólo de tecnologia do mundo. Empresas como a Apple, Google, Facebook, Yahoo, Microsoft, Intel entre outras, estão localizadas aqui no sul da Bay Area.

QG da Google em Palo Alto (foto divulgacao)

O Vale do Silício fica ao redor de San José (40 min de San Francisco) que é a maior em extensão territorial da região e também a mais importante economicamente para o país. É  por aqui também que fica a famosa Stanford University.

Standford University (foto divulgacao)

Oakland e Berkeley –  Leste da  Baía  (East Bay)

Oakland é uma cidade portuária de grande movimento e famosa pelo transportes de containeres, além  de contar com um terminal ferroviário e o segundo mais importante aeroporto da Bay Area, perdendo apenas para o de San Francisco. Outro destaque da East Bay (e que fica ao lado de Oakland) é a cidade universitária de Berkeley, onde vários presidentes desse país se graduaram no famoso curso de oratória (speech) da universidade. Ambas as cidades ficam a 30 minutos de San Francisco.

Sausalito e Napa Valley - North Bay 

Apenas 20 minutos de carro passando a Golden Gate, para o norte da Baía, Marin County  foi o condado de maior renda per capita dos Estados Unidos por muitos anos. É onde mora os bacanas. Nos anos 50/60 os milionários de São Francisco compravam casas nessa região para passar o fim de semana e o verão. Sausalito (a primeira cidade passando a Golden Gate) é uma das mais charmosas que meus olhos já avistaram, com suas casas flutuantes e uma das vistas mais lindas para San Francisco…

Sausalito  (foto de  Davidyuweb)

Aqui o que prevalece é a natureza, suas praias, montanhas (onde nasceu o mountain bike e onde morava Gary Fisher) a região de Napa Valley e suas dezenas de vinícolas (a uma hora de San Francisco) e onde é forte a onda da permacultura. Se você pegar a estrada para o norte da Baía por mais de uma hora, encontrará am clima bem rural.

Napa Valley (foto divulgacao)

Agora que você já entendeu um pouco melhor a região (já que não é assim tão simples), vamos para o próximo capitulo? Que tal adentrar intimamente pelas ruas, restaurantes, parques, museus, lojinhas desse encanto de cidade que é São Francisco?

 

Tenho dicas de uma moradora na ativa…

E no próximo capitulo do Dossiê: onde comer bem e baratinho em São Francisco!


Onde mora a utopia

8 junho, 2012 às 20:49  |  por Candice Bittencourt

E lá estava eu na estrada de novo, dessa vez em direção ao sul da Califórnia, mais precisamente em Silverado Canyon, a uma hora e meia de Los Angeles em busca do celebradíssimo festival “Lightning in a Bottle“. Minha curiosidade era como de uma criança na hora de abrir um presente: mas o que será que tem de tão diferente nesse festival?

Bem, até chegar ao local (sete horas de estrada) a única informação que tinha da assessoria é que o evento foi premiado pela segunda vez consecutiva (2010/2011) como um dos festivais mais “greens” do mundo. Mas que diabos de requisitos precisa para ganhar o tão desejado prêmio? E aí, com tempo e conversando com alguns dos realizadores fui mergulhando devagar na ideologia do festival. E te adianto: É algo incrivelmente bonito.

O “Lightning in a Bottle” (relâmpago em um frasco de luz) existe há mais de 10 anos e nasceu através da idéia de três irmãos de adquirir um pedaço de terra para reunir uns amigos e criar digamos assim, um mundo paralelo, bem diferente desse em que vivemos hoje em dia, diga-se de passagem, bem individualista.

Nesse mundo, que dura quatro dias e reúne mais de 10 mil pessoas em um grande acampamento é fácil perceber o clima e a forte intenção dessa comunidade: a mudança por um mundo melhor. E você deve estar pensando: esse papo está mais pra grupo de jogral da escola. Pois é meus amigos, eu já aqui na maturidade achando que isso existia apenas no coração de uma criança. Ledo engano. Pois vamos à prática.

Com o lema “Leave No Trace” ou seja, não deixe rastro por onde passar, a missão do LIB é fazer com que os participantes entendam que o mundo já carrega uma enorme degradação ambiental e que juntos trocando idéias ou mesmo mudando pequenas atitudes no dia a dia podemos fazer uma grande diferença para o futuro do nosso planeta. É uma verdadeira comunidade colaborativa.

A ideologia do festival pode ser percebida de várias maneiras: nos templos de meditação, nas práticas de yoga ou mesmo verbalizada nas suas dezenas de palestras com temas singulares como por exemplo o incrível sistema de permacultura (criado por dois australianos no final dos anos 60).

Palestrantes apresentam suas invenções e ensinam como fazer por exemplo o seu próprio fogão solar ou cultivar espirulinas (micro algas marinhas ricas em proteínas e antioxidantes) dentro de casa.

 “O processo de atender às necessidades das pessoas de maneiras mais sustentáveis requer uma revolução cultural”  David Holmgren (criador do termo “permacultura”)

O conceito “sustentabilidade” está por tudo é fácil notar pois praticamente 100%  da parte estrutural do evento é feito a partir de materiais renováveis ou reutilizáveis como por exemplo, bambu ou vime.

Os painéis de energia solar servem para aquecer a água do banho e também recarregam o aparelho celular. As lixeiras mostram como fazer a triagem dos resíduos. Por todo o festival você encontra estações de água à vontade. Toda essa ideologia na prática fez do “Lightining in a Bottle” o único festival no continente americano merecedor do prêmio “A Greener Festival“.

O clima do festival é de total vibração positiva e algumas vezes até dá uma sensação momentânea de utopia.

Além de todo esse ideal sobre como cuidar melhor do planeta, os participantes também têm um enorme prazer em se divertir. De verdade. Por todo lado reina a expressividade.

São pessoas oferecendo gongoterapia, reike, brincando com poi, bambolê, fazendo acrobacias, dançando com enormes pernas de pau, pintando quadros na beira do lago, grupos que se juntam para fazer uma roda de tambor ou mesmo para admirar um lindo pôr do sol.

As pessoas se vestem e se expressam como bem entendem. Não existe julgamento. Nem tão pouco expectativas. É a prática de viver o presente.

Toda a programação é em busca de um aperfeiçoamento da mente e do corpo em comunhão com lugar onde vivemos. Eu experimentei de tudo um pouco: fiz aula de yoga com música ao vivo, assisti palestras, vi performances diversas, cheguei pertinho do templo da meditação e posso dizer que foi uma experiência única e que levo comigo o aprendizado.

É uma grande celebração da criatividade, em todas as suas formas, com instalações de arte deslumbrantes. É um grande mergulho bem para dentro de nós mesmos.

Brasil bem representado no cenário musical do LIB

Outra parte essencial do festival é a cena musical. Com um lineup com mais de 80 atrações musicais, onde a música eletrônica reina quase que absoluta, a grande pegada do festival esse ano foi o dubstep, uma mistura de hip hop com timbres de trance e linhas de baixos ridicularmente potentes. Nomes consagrados do estilo porradão como Bassnectar e The Glitch Mob foram as atrações principais do festival. Não entendi muito bem qual é da barulheira mas têm agradado muito a ala juvenil.

A variedade de estilo musicais no festival foi ampla e por vários momentos eu reconhecia um som ou uma batida brasileira. E por falar em Brasil, o produtor e DJ Rafael Araújo, que já rodou o mundo tocando por mais de 15 países foi o único brasileiro curitibano (diga-se de passagem) que representou o “borogodó” brasileiro e levou  para o palco Woogie sua mais nova invenção, o “Cupcake Project” que é uma mistura de disco, funk e house e que fez a platéia lotada dançar como se não houvesse amanhã.

 

Como foi tocar no LIB? 

RA – Foi muito bom, fazia tempo que eu não sentia aquela sensação de tocar e ver as pessoas curtindo ao máximo. Foi a combinação perfeita entre estrutura da festa, sistema de som e público que passou aquela energia indescritível. É muito satisfatório poder tocar o meu som e ver que as pessoas estavam realmente curtindo. A salva de palmas no fim do set foi de arrepiar, fazia tempo que eu não sentia uma energia parecida.

Voce sentiu alguma diferença entre os outros festivais que você já tocou mundo afora? 

RA – Fui residente durante alguns anos de um festival em Londres chamado Antiworld. O Lightning in a Bottle me lembrou muito a vibe da Antiworld, mas a diferença é que aqui nos Estados Unidos os eventos tendem a ser mais bem organizados e a produção super profissional. O contato com os artistas pré e pós-festival foi excelente e impecável.

Como foi a sua experiência como participante do evento? O que te marcou? 

RA – Tirando o fato de poder tocar neste evento magnifico, ficar lá acampado e poder ter a chance de participar do evento não só como artista, mas como público também foi uma experiência incrível. Voce fica imerso naquele mundo, aprende muito sobre comportamento, reflete sobre pessoas, maneiras de se expressar, livre arbítrio, a maneira de se alimentar (toda a praça de alimentação do evento era vegan) e isso me fez pensar muito sobre minha vida. Realmente uma experiência única e que no ano que vem certamente quero repetir. Se estiver tocando novamente, melhor ainda!!

Fotos por Daniel Azulai Bittencourt

 “A melhor maneira de começar o dia é imaginar como poderemos dar alegria a pelo menos uma pessoa”.
- Friedrich Nietzche