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Utah, Arizona e Nevada – o paraíso mora ao lado, na terra dos índios navajos – PARTE I

17 setembro, 2013 às 21:03  |  por Candice Bittencourt

É tão interessante pois o texto mais acessado no blog (hoje em dia) é o de Las Vegas. Eu entendo que Vegas seduz pelo seu colorido vibrante, com hotéis magníficos por preços razoavéis e seus caça-níqueis e outlets tentadores mirando o seu bolso. O mundo inteiro quer ver as águas dançantes do Bellagio. Nada contra, mas eu quero te levar além desse paraíso artificial.

É uma grata surpresa quando arrumamos a mala sem muitas expectativas para uma viagem e de repente pelo caminho começam a surgir lugares lindos, mágicos, nunca imaginados e a viagem vai se transformando em uma das mais lindas da sua vida.  E esse foi o sentimento nessa road trip de seis dias divididos em 1800 quilômetros mergulhando na maior reserva indígena dos Estados Unidos, passando pelos estados de Nevada, Arizona e Utah. E parece até ironia porque toda essa maravilha da natureza tem seu ponto de partida e chegada na transloucada e plastificada Vegas.

É meus amigos, o paraíso está bem ao lado mas é ofuscado pelos neons da grande Strip. Sorte a nossa. E eu posso te garantir: essa viagem ao coração da terra dos índios navajos é muito, mas muito mais bonita, emocionante e benéfica para o coração e para alma do que qualquer jogatina de casino.

Se você realmente gosta de pegar estrada, ver e sentir de perto a natureza, passar por desertos, parques nacionais, se perder por cidades fantasmas, ouvir o silêncio e admirar o pôr do sol, você precisa conhecer essa imensidão de terra, que em grande parte pertence a tribos indígenas.

Aluguel de carro

Não é difícil programar essa viagem. A primeira coisa a se fazer é alugar um carro em Vegas. Eu aconselho programar essa viagem entre cinco a sete dias. Quando você aluga um carro por uma semana a diária fica mais barata. É uma regra bem comum nas locadoras. Segue alguns sites que tem boas cotações:

Expedia

Fox

Thrifty

Budget

Dollar

Normalmente os preços variam entre 190 a 250 dólares (de uma locadora para outra) para uma semana de carro econômico. Minha sugestão é reservar sempre o mais barato e na hora negociar um upgrade. Por exemplo, um mustang (quase) zero bala saí por 420 dólares a semana, o que significa 60 dólares por dia. Se você gosta de pegar estrada, invista em um conversível porque é a combinação perfeita para esse tipo de viagem. Não esqueça do GPS (ou mesmo um mapa nas mãos) e prepare um setlist das suas músicas preferidas. Tudo isso faz a diferença.

Separe entre 200 a 250 dólares para a gasolina. Só para se ter uma idéia o trecho completo (1.800 km) da viagem (sem parar para dormir) dá aproximadamente umas 20 horas de estrada, ou seja, dividindo entre cinco a sete dias teremos uma média de três a quatro horas por dia no volante. Claro que alguns dias você deve dirigir menos e outros precisará compensar e isso é o que veremos mais a frente.

Só relembrando que o grande barato dessa trip é o caminho a ser percorrido, os “achados” que quero dividir aqui e que até então não sabia de suas existências.

O Itinerário 

http://roadtrippers.com/trips/51b64b977f3d77641800658a

 

Primeiro dia – 402 quilômetros ( Vegas até Flagstaff )

Como saímos meio tarde de Vegas (perto das 5pm) seguimos pela US 93 sentido Flagstaff até cruzarmos a Interstate 40 (antiga rota 66) passando pelo incrível Lake Mead onde aproveitamos a luz do final do dia. Nesse primeiro dia rodamos perto de 400 quilômetros até chegar em Flagstaff onde decidimos descansar para o dia seguinte. Dormimos no Travelodge na legendária rota 66.

preparando os equipos para as filmagens…


Segundo dia –  294 quilômetros ( Flagstaff até Page )

Acordamos cedo em Flagstaff e seguimos pela US 89. No caminho, fizemos uma parada para conhecer o Sunset Crater Volcano National Monument e o Wupatki National Monument. Você precisa pagar 10 dólares para explorar essa região lindíssima que inclui além do vulcão, o monumento de Wupatki e o Walnut Canyon.

Nessa área, cerca de 900 anos atrás um vulcão entrou em erupção e hoje percorrendo suas trilhas dá para tocar e sentir as lavas petrificadas que mudaram para sempre a paisagem do local. É incrível ouvir o som da fragilidade que as lavas emitem enquanto você caminha sobre elas.

No mesmo parque, outra atração é o Wupatki Monument, as ruínas do maior povoado dos nativos americanos e que foi exterminado depois da erupção do vulcão no século XI. Ali você pode ver o que restou da estrutura e saber um pouco mais da história dos índios navajos.

Seguindo pela estrada 89, cruzamos e prosseguimos pela antiga US 160 sentido Tuba City. Cada vez mais imergidos na terra dos índios navajos e bem perto da fronteira do Arizona e de Utah, surge no caminho uma placa apontando para “Dinosaur Track“. Aqui é um dos lugares no mundo onde geólogos e caçadores de dinossauros de plantão comprovam a existência da espécie. Não fomos atrás das pegadas, até porque já estava tarde, mas reza a lenda que elas existem.

Como estavámos próximos do fim do dia paramos para ver o pôr do sol. Nada mais restava ali do que um silêncio absoluto, uma imensidão de natureza com o céu alaranjado e o sol se escondendo por de trás de uma montanha bem vermelha. Depois que o sol desapareceu no horizonte, o céu rosa e lilás deu o ar da graça. Para mim, foi um dos lugares mais lindos de toda a viagem. Na segunda noite da viagem dormimos em Page, no Arizona no hotel Travelodge com a diária por U$ 62.

Terceiro dia –  202 quilômetros ( Page até Monument Valley)

Um dos dias mais esperados da viagem por estarmos indo de encontro com dois gigantes da natureza e que nos inspirou nessa trip: o Antelope Canyon e o Monument Valley. Acordamos cedo na simpática cidade de Page, tomamos um café da manhã daqueles típicos americanos, no estilo bagel, ovo e bacon e seguimos por uns 25 km até o primeiro parque que nos fez acreditar que essa viagem não seria em vão: o Antelope Canyon.

centro de Page
arredores do Antelope
arredores do Antelope

Na minha imaginação, chegaríamos de carro bem próximo ao local (como qualquer outro parque nacional), pagaríamos um valor simbólico e aí sim estaríamos liberados para ver a natureza atuando nas suas mais diferentes formas e cores. Ledo engano. Acontece que a visita ao Antelope Canyon é totalmente comercializada pelos índios navajos e isso querendo ou não, tira um pouco a magia do lugar porque você é obrigado a fazer a visita com um guia, com horário marcado e muitos turistas pela volta.

O tour começa em um estacionamento ao ar livre onde você deixa seu carro. Lá mesmo você compra seu ingresso para visitar o Antelope que na verdade são dois e você precisa escolher qual quer ir: o Upper (superior) ou Lower (inferior). O mais famoso e que faz fama ao lugar é o Upper. E foi esse o escolhido da vez.

Com o ingresso nas mãos, saímos em excursão (oito em cada grupo) em um 4×4 safado de desconfortável por uns 10 minutos até chegarmos na entrada dessa formação rochosa bem estreita, onde a brincadeira é entrar por esses paredões coloridíssimos e observar luzes espetaculares entrando por suas frestas. E tudo é realmente incrível e único.

O passeio dura uma hora e meia e o grande desafio é driblar o ser humano (que não pára de matracar) para poder apreciar o local, ou mesmo fotografar. Nem sempre é fácil ser turista…

Não quero desanimar ninguém e pode ter certeza: vale muito a pena conhecer essa maravilha, porém eu faria diferente na segunda vez. Eu escolheria fazer o tour dos fotógrafos que começa às 11 da manhã com duração de duas horas. A promessa dos índios é que dá para se movimentar melhor, o número de pessoas circulando é bem menor, além da luz que é a ideal para apreciar a magia do canyon. O preço é bem mais salgado: pula de 40 para 80 dólares. Escolhemos o tour da uma da tarde e estava abarrotado de gente. Espero que você tenha mais sorte que nós.

Do Antelope, em Page, seguimos mais 188 km (começando pela AZ 98 e depois seguindo pela US 160 e depois US 163) até cruzar a fronteira do Arizona para Utah e dar de cara com a imponência do Monument Valley.

Conto no próximo post. Até lá.

Para se ter idéia dos lugares por onde passamos, você pode conferir nessas imagens que captamos durante a viagem:
65809502

1000 miles from daniel azulai bittencourt on Vimeo.