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Lençóis Maranhenses – aventura por uma imensidão de paz

3 dezembro, 2012 às 03:57  |  por Candice Bittencourt

Sabe aquele lugar que você tem um sonho em conhecer e até já usou a tal imagem do paraíso como tela de descanso do computador?

A beleza natural dos Lençóis Maranhenses há tempos rondava meu pensamento…só de imaginar aquela imensidão de terra (tamanho de São Paulo em área territorial) cheia de dunas branquinhas entremeadas por infinitas lagoas azuis naturais me fazia sonhar um dia estar a dois passos do paraíso.

Como moro fora há cinco anos e estava de passeio pelo Brasil e programando uma viagem fora do eixo Curitiba – Rio de janeiro, combinamos eu e minha tia de conhecer um lugar inédito para ambas.

Eis que recebo sua ligação com a grata surpresa: passagem Rio – São Luis por R$ 169 cada perna pela Gol em plena estação seca (julho a dezembro – quando as chuvas cessam) e a mais recomendável para conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Hora de tirar a mala do armário e começar umas das partes que mais gosto na viagem: pesquisar sobre o local a ser visitado! E aí vai desde a cultura local, culinária, os diversos povoados, artesanato da região, os passeios e por aí vai…e nessa busca eis que me deparo com uma surpresa: o Maranhão é quase uma incógnita “interneticamente” falando: bem precário o acesso às informações sobre o turismo local e os sites dos hotéis ainda na época da manivela, no esquema “manda um email” para ver se tem vaga. As fotos parecem que nunca foram atualizadas e aí é melhor dançar conforme a música e entrar  no clima do “deixa rolar” (o que não é nada mal).

Escolhemos o seguinte itinerário:

  • São Luis – 1 noite
  • Santo Amaro – 2 noites
  • Barreirinhas/Atins – 2 noites
  • São Luis – 1 noite

Decolamos do Santos Dumond no dia 28 de junho pela manhã com apenas uma noite de reserva no hotel Portas da Amazônia que fica no meio do centro histórico de São Luis. O vôo fez uma escala em Brasilia e no início da tarde já estavámos aterrizando no aeroporto que está passando por obras de infraestrutura e o que se vê é uma grande bagunça.

De lá seguimos em uma corrida de 25 minutos de táxi (35 reais) até o hotel Portas da Amazônia para fazer o check in.

Primeira dica de ouro: (e espero que dure bastante): se abrace no Henrique, o concierge do hotel. Além do sorriso fácil no rosto, ele pode e muito te ajudar nas dicas valiosas sobre o Maranhão.

Sobre o hotel o que posso dizer é que é bem bonito, estilão rústico, com aquelas portas e janelas enormes e quase tudo de bom gosto. Com uma localização fantástica (bem no meio do centro histórico) o hotel surgiu da restauração de uma casa colonial de 1839. Eu super recomendo para começar sua aventura pelos Lencóis.

O café da manhã é bem servido, com vários tipos de suco de fruta da região, além de pão, queijo caseiro, café, geléias e etc. A cama é confortável e o banheiro funciona bem, apesar de feio, que também não é nada grave. O preço da diária foi R$ 200.

Como tínhamos apenas uma noite em São Luis, resolvemos pegar um taxista para fazer um city tour pela capital com uma parada no famoso restaurante Chapeú de Palha (pasmen,não tem site) que fica na orla da praia, na Ponta do Farol.

A comida é maravilhosa: carne de sol, baião de dois, macaxeira, manteiga de garrafa. Uma comida saborosa porém pesada.

Durante o percurso, conversando com o taxista, muito simpático por sinal, como quase todo o povo maranhense, descobrimos que mais de 90% das praias de São Luis são impróprias para banho porque o sistema de esgoto lá aplicado não dá conta do problema.

Claro que o assunto “política” veio à tona e conversando com o povo nas esquinas, nos bares e restaurantes você vai descobrindo os podres do mais grosseiro coronelismo da política brasileira.Eu não quero me estender a falar da barbaridade que é ver, ouvir e ler sobre a política que se faz no Maranhão, mas é triste meus amigos, triste mesmo de ver o grande percentual do povo maranhense na extrema pobreza, uma realidade que incomoda até o turista mais alienado.

O povo sem ter o direito nem a um banho de mar, que vem da natureza, imagine o resto…mas seguimos porque esse não é o objetivo do post.

Depois do farto jantar regado à suco de maracujá, cervejinha e sabores que só a comida nordestina tem, voltamos para o hotel caminhando boa parte do trajeto pela orla de São Luis.

Como chegamos um dia antes da comemoração de São João, festejada no dia 29 de junho em grande estilo pelo povo maranhense, a cidade estava num fervo só.

E esse fervor todo vinha de um aguardente artesanal feito de mandioca, bem forte e cor violeta chamado Tiquira, com teor álcoolico quase nos 50% girando na veia do cidadão.

Eu preciso abrir um parênteses aqui: como moro há pelo menos 5 anos em uma cidade que se você estiver muito bêbado na rua a polícia te leva pra dormir no xilindró, foi um tanto chocante ver a quantidade de pessoas caindo de bêbadas nas ruas. Uma tristeza na minha modesta opinião e viva São João que perdoa todos os pecados.

Como estávamos hospedadas no meio do centro histórico, adivinha o que tínhamos de presente?

Em frente ao nosso hotel um palco instalado cheio de atrações musicais e grupos folclóricos fez a festa do povo até às 3 da manhã. Claro que fomos dar uma banda na rua (nunca vi uma festa junina tão original) além de ver e ouvir o som do Maranhão. Esqueça o reggae. Eu não escutei nem uma nota parecida por lá.

O instrumento principal das festas juninas no Maranhão é a matraca que são dois paus que eles ficam batendo e fazendo ritmo. Vai misturando isso com a Tiquira e depois me conta o que você achou…

 

Dia seguinte – rumo a Santo Amaro, o lado mais aventureiro dos Lençóis Maranhenses

Depois de um café da manhã delicioso, seguimos em uma van que contratamos no dia anterior com indicação do Henrique para nos levar até Santo Amaro (28 reais por pessoa) que é a parte menos turística dos Lençóis Maranhenses. No caminho, fomos buscando outros turistas e conhecendo ainda mais São Luis e posso te dizer que é uma cidade que está abandonada e mal cuidada. Praticamente quase todo o centro histórico precisa ser restaurado e são poucos os casarões que já estão recebendo um carinho…

O Manuel, responsável pela empresa que fez esse trajeto também faz transfer para o aeroporto e seu telefone é o (98) 8114 – 1801 ou 8825-0425. Depois da van lotada seguimos por uma boa estrada de asfalto quase 200 km até chegar em Sangue, uma micro cidade que na verdade é conhecida porque é a partir dalí que saem o comboio de pick ups tração 4×4 por uma estrada de areia de 38 quilômetros até chegar em Santo Amaro.

rodoviária de Sangue, de onde saem as pick ups 4×4

Esse trecho leva em média 2 horas de viagem, mas a sensação é que nunca mais vai chegar…principalmente porque viajamos de noite e não deu pra curtir o visual que só descobrimos na volta que até que é bonito!

 

E quem disse que é fácil chegar ao paraíso?

Uma dica: não se esqueça quando for contratar a van pra te levar de São Luis até Sangue, pedir também o trajeto de Sangue até Santo Amaro. Normalmente eles já oferecem o segundo trajeto da viagem mas não custa nada ficar atento. Nem sempre as toyotas estão disponíveis em Sangue para te levar até Santo Amaro. Precisa combinar o horário certinho…

Se você fizer as contas é quase metade de um dia para chegar até Santo Amaro: a primeira parte do percusso de São Luis até Sangue – 200 km ( 3 horas de viagem) e depois a segunda parte do percurso de Sangue até Santo Amaro – 40 km ( 2 horas de viagem).

Nós chegamos à noite em Santo Amaro e nos hospedamos no Ciamat Camp que na verdade é uma grande área verde com árvores frutíferas de frente para um lindo rio, com poucos chalés espalhados dando privacidade total para os hóspedes.

Pra quem gosta de rede para ler um livro, tem várias amarradinhas nas árvores de Santo Amaro.

Os chalés são todos de madeira e muito charmosos.

A localização do Ciamat é incrível porque fica na parte silenciosa de Santo Amaro, ou seja do outro lado do rio longe da bagunça da turma trabalhada na tiquira. Se você procura por descanso e quer contato com a natureza para ouvir o cantar dos pássaros, aqui é o lugar.

Nem pense duas vezes. Além do quê a Fulvia, dona desse pedaço de terra é super atenciosa e faz você se sentir como se estivesse na sua casa. Uma grata experiência. O contato do Ciamat (98) 9604-5824.

Na manhã seguinte, acordamos, tomamos um belo café da manhã e uma pick up ( indicação da Fulvia) com dois nativos veio nos buscar para o passeio até uma parte dos Lençóis que vou contar no próximo post!

Até mais!