Como a cerveja mudou a humanidade

27 março, 2017 às 17:21  |  por Gabriel Vasques

Os seres humanos estão passeando pela terra há mais ou menos 140 mil anos, mas apenas há aproximadamente 10 mil anos o homem começou a viver em sociedade, deixando de ser apenas caçador e coletor para se tornar agricultor. Esta foi a primeira grande revolução que começou a estruturar a civilização como conhecemos hoje.

Mas por que o homem resolveu viver assim? A resposta é: CEVADA.

Por muito tempo assumiu-se que o homem iniciou o plantio da cevada para fazer pão, mas há alguns anos o Dr. Patrick Heyes (Universidade do Oregon) apresentou uma nova teoria – a revolução da agricultura teria ocorrido pela produção de cerveja. O arqueólogo Dr. Pat McGovern também defende esta teoria com base na descoberta de objetos utilizados para a produção de cerveja que datam de 3 mil anos antes de qualquer registro de produção de pães.

Quando estudamos a história da cerveja percebemos que isso faz muito sentido, pois na antiguidade a cerveja era reconhecida como um líquido sagrado (eu ainda acredito nisso), com suas propriedades atribuídas aos deuses. O homem ainda não entendia o processo de fermentação, nem sabia o que causava os efeitos inebriantes do álcool. Era óbvio, os Deuses estão felizes conosco e estão nos presenteando com cerveja. Séculos depois o próprio Benjamim Franklin reconheceu isso dizendo “A cerveja é a prova que Deus nos ama e nos quer ver felizes”.

O que pode ser mais forte do que a fé para criar uma revolução tão grande quanto a revolução agrícola? Bem, neste caso, CERVEJA!

Ao longo dos séculos a cerveja ajudou a mudar o rumo da história e acredita-se que, em algumas ocasiões, até salvou a humanidade. Para quem ficou curioso, documentário abaixo fala mais sobre o tema, assista:

Que moda é essa?

14 março, 2017 às 21:36  |  por Gabriel Vasques
Foto emprestada do site: https://gotbeer.com/hop-chatter/the-rise-of-the-new-england-ipa

Foto emprestada do site: https://gotbeer.com/hop-chatter/the-rise-of-the-new-england-ipa

A cerveja artesanal está ganhando um espaço muito interessante na mesa do Brasileiro. Movimento este que está em fase embrionária, pois o Brasil ainda não tem o que chamamos de escola cervejeira própria e acaba produzindo na maioria das vezes repetições de estilos clássicos e cervejas que estão na moda.

Um exemplo disso é a onda de Americans IPAS e New England IPAS que apareceram nos últimos tempos muito fortemente nos tap list dos bares especializados.

Eu não acho que isso seja ruim,  muito pelo contrário, acho ótimo, pois sou um apreciador destes estilos e fico feliz de ver que cada vez mais as cervejas artesanais estão ganhando público.

Porém faço uma crítica aos produtores e principalmente aos estabelecimentos que comercializam cerveja artesanal. Cadê a variedade, as opções, as cores das cervejas? O que está acontecendo com o mercado?

Entendo perfeitamente que existe uma preocupação com a demanda, o que o consumidor quer consumir e que um bar precisa vender produtos de giro. Mas este caminho nos levará ao empobrecimento da cerveja artesanal, nos reduzindo a cervejas claras, de baixo corpo e amargor intenso (muitas vezes cervejas com amargor excessivo e defeitos como grama e gás de cozinha, provenientes do uso incorreto dos lúpulos e matérias primas fora da validade).

Fotos: Stefanie Stocchero
Fotos: Stefanie Stocchero

 Há muito tempo não vejo cervejas com uma carga de malte interessante, com toda a complexidade que o só malte pode trazer. Ok, como cervejeiro artesanal gosto muito do lúpulo, mas a alma da cerveja está no malte, não podemos nos esquecer disso.

Poucos cervejeiros no Brasil trabalham para a verdadeira revolução, para o desenvolvimento de uma escola cervejeira com características próprias e estilos originais. Precisamos de cervejeiros que desafiem o mercado, que independentemente dos estilos em voga, façam da cerveja a sua arte.

O mercado de cervejas artesanais está se acomodando com o fato do lúpulo americano ter caído no gosto do consumidor, mas as revoluções não são feitas por acomodados. Precisamos daqueles cervejeiros que desafiam o mercado e anseiam por desafiar o paladar de seu público, procurando criar novos estilos e novas tendências.

Enfim, felizmente a moda de hoje são as IPAs! Ufa…

Bode on Tour Blumenau 2017

8 março, 2017 às 10:00  |  por Gabriel Vasques

Hoje começa o Festival Brasileiro da Cerveja, que acontece em Blumenau de 8 a 11 de março. Para a maioria dos cervejeiros, esse é o maior e melhor festival de cervejas da atualidade no Brasil, onde as cervejarias levam suas experiências, apresentando os principais estilos e tendências para o próximo ano cervejeiro.

 

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A Bodebrown esse ano levou 10 medalhas pra casa e algumas delas poderão ser degustado nesses próximos dias.

As clássicas e sempre esperadas Perigosa, Cacau IPA e algumas outras cervejas de linha estarão presentes, dessas a Blanche de Curitiba ficou com o ouro. O tap conta com algumas novidades que quem frequenta o Growler Day já pôde experimentar nos últimos meses. Obscena HoPin-Up, At_Noon e Cancun Mex-IPA são opções que os Ipeiros não poderão deixar passar. Destaque para a Burton Pale Ale, cerveja que foi brassada na Inglaterra em parceria com a Marston´s Brewery no mês passado, seguindo a receita original das english pale ale. Ainda dentro das clássicas, serão engatadas cervejas que já são conhecidas, mas nem sempre vemos nos tap de Curitiba, são elas: Black Rye IPA, Wee Heavy (apesar de ser mais comum na garrafa, no tap é uma raridade) e a fantástica 4 Blés Millésime 2016, uma prévia da nova leva que, após um longo descanso na garrafa, será lançada logo logo.

 

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Stand da Bodebrown em 2016 – lotado como sempre!

 

Além dessas lindezas, a Bode não pode deixar de levar as Wood Aged Series (agora sim, começamos a falar sério). Cervejas para quem já joga na liga dos profissionais adultos. Não me venha com essa história de que “eu gosto de cerveja e só tomo IPA”, que isso aqui não é cervejinha de corpo leve e amargor frutado. Agora estamos falando de malte, corpo, estrutura, complexidade, acidez. Características que talvez assustem quem está na onda do “ai moço, essa IPA tá muito maltada, ela está fora dos padrões e blá blá blá…”

Pra começar a brincadeira, as já famosas e conhecidas de outros festivais – Double Perigosa, uma pancada com 18% de álcool; e sua parceira Blend of Ales, uma mistura de 4 Blés, Tripel Chardonnay e Double Perigosa. Na sequência, uma seleção de respeito: Hair of the Bode Carménère, Tripel Montfort au Rum, Saison au Cabernet, Atomga au Cognac (ainda não tive a oportunidade de experimentar, mas essa deve estar escandalosa) e DeBora Extreme au Merlot (medalha de ouro).

Pra fechar esse time de peso, será engatada a linha Sour das Wood Aged Series. Novidades bem interessantes para quem curte fazer careta enquanto toma cerveja: Sour Punk (medalha de prata), Montfort Red Flanders (com certeza a cerveja que mais vou beber no festival) e Montfort Golden Mirtillo Sour (medalha de prata).

Confira o tap list completo abaixo:

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Como se não bastassem tudo isso, a Bodebrown vai apresentar o projeto da fábrica nova, que deve inaugurar na segunda metade deste ano. Na nova estrutura começarão a ser envasados rótulos como Double Perigosa e Blend of Ales. Enfim, 2017 já vem cheio de coisas boas para a cervejaria Curitibana e, é claro, ótimas notícias para quem não perde a chance de levar uma Bode pra casa.

Então, amigos cervejeiros, preparem seus fígados e nos encontramos em Blumenau!

Assim começamos!

24 fevereiro, 2017 às 09:39  |  por Gabriel Vasques

Quando me convidaram para escrever um blog sobre cerveja, a primeira coisa que me veio à cabeça foi “depois de 10 anos formado vou finalmente exercer algo que se aproxima do jornalismo”. Sim, sou jornalista por formação, mas nunca exerci profissionalmente essa função.

Fiquei pensado sobre o que escrever, não queria ser mais um blog desses que parece uma ilha deserta nesse mar que é a internet. No meu dia a dia eu converso com muita gente, principalmente sobre cerveja, mas no geral eu converso muito sobre o mundo da gastronomia. Numa dessas conversas me veio uma ideia. Ao invés de falar somente sobre cerveja, posso falar sobre o mundo dos “Brews”, afinal de contas sou um brewmaster. Além da cerveja, o café e o chá também são brews. Dai surgiu o nome Brew to Brew, ou seja, irei falar sobre tudo que envolve esta categoria tão ampla e interessante.

Mas o que é brew?

A tradução seria fermentar, misturar, remexer, porém conversando com algum nativo de língua inglesa, seria basicamente fazer uma bebida por infusão. Processo utilizado na produção das cervejas, cafés e chás.

Por ser cervejeiro, trabalhar com cerveja e beber muito, o conteúdo deste blog será destinado principalmente a cerveja. No entanto, irei trazer novidades sobre o também complexo e cativante universo dos cafés e dos chás.

Então se você é dos meus e não abre mão de uma boa cerveja à noite, na manhã seguinte levanta com um bom café e no fim da tarde procura tomar um chá, você irá se divertir aqui.

Pra finalizar, um vídeo (bem básico) de como é produzida a cerveja.

 

Dúvidas, fique a vontade para perguntar nos comentário ou enviar um e-mail para brewtobrewcwb@gmail.com.