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Punk is Dead

12 abril, 2017 às 11:42  |  por Gabriel Vasques

Nas últimas semanas uma notícia abalou o mundo cervejeiro, deixando punks e revolucionários sem chão. A compra da Brew Dog pela TSG Consumers Partners, mesma dona da Pabst Blue Ribbon (uma merda de cerveja de baixa qualidade), mostra que o mundo revolucionário da cerveja não é tão revolucionário assim. Mesmo depois dos punks cervejeiros terem impressionado o mundo liberando o download gratuito do DIY Dog, um almanaque de 286 páginas com mais de 200 receitas e histórias das suas cervejas, mostrando que eles estão acima das indústrias convencionais e seus segredos industriais.

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Fundadores da BrewDog: Martin Dickie (esq.) e James Watt (dir.)

Segundo o Sunday Times, a TSG investiu £213 milhões na compra, sendo £100 milhões para investimentos na fábrica e £113 milhões para os sócios. Os fundadores James Watt e Martin Dickie vão ter suas partes diminuídas de 35% para 25% e de 30% para 22% respectivamente.  Não está claro (para mim, de qualquer maneira) se essa diluição é porque os dois estão vendendo 18 % das suas partes da empresa para a TSG, ou parte da queda na sua participação percentual vem de novas ações sendo emitidas: o Sunday Times diz que uma das moções aprovadas no mês passado BrewDog AGMEGM em Aberdeen viu a criação de uma nova classe de ações preferenciais, o que garantiria à TSG um retorno anual composto de no mínimo 18%. Mas mesmo assim, da pra dizer que James está recebendo algo em torno de £50 milhões e Martin mais de £40 milhões. Nada mal para quem ficou por mais de 10 anos sendo rude sobre o resto da indústria de cerveja.

O que nos resta é torcer para que isso não vire moda por aqui, afinal de contas nenhum punk revolucionário resiste um gordo e suculento cheque assinado.

Que moda é essa?

14 março, 2017 às 21:36  |  por Gabriel Vasques
Foto emprestada do site: https://gotbeer.com/hop-chatter/the-rise-of-the-new-england-ipa

Foto emprestada do site: https://gotbeer.com/hop-chatter/the-rise-of-the-new-england-ipa

A cerveja artesanal está ganhando um espaço muito interessante na mesa do Brasileiro. Movimento este que está em fase embrionária, pois o Brasil ainda não tem o que chamamos de escola cervejeira própria e acaba produzindo na maioria das vezes repetições de estilos clássicos e cervejas que estão na moda.

Um exemplo disso é a onda de Americans IPAS e New England IPAS que apareceram nos últimos tempos muito fortemente nos tap list dos bares especializados.

Eu não acho que isso seja ruim,  muito pelo contrário, acho ótimo, pois sou um apreciador destes estilos e fico feliz de ver que cada vez mais as cervejas artesanais estão ganhando público.

Porém faço uma crítica aos produtores e principalmente aos estabelecimentos que comercializam cerveja artesanal. Cadê a variedade, as opções, as cores das cervejas? O que está acontecendo com o mercado?

Entendo perfeitamente que existe uma preocupação com a demanda, o que o consumidor quer consumir e que um bar precisa vender produtos de giro. Mas este caminho nos levará ao empobrecimento da cerveja artesanal, nos reduzindo a cervejas claras, de baixo corpo e amargor intenso (muitas vezes cervejas com amargor excessivo e defeitos como grama e gás de cozinha, provenientes do uso incorreto dos lúpulos e matérias primas fora da validade).

Fotos: Stefanie Stocchero
Fotos: Stefanie Stocchero

 Há muito tempo não vejo cervejas com uma carga de malte interessante, com toda a complexidade que o só malte pode trazer. Ok, como cervejeiro artesanal gosto muito do lúpulo, mas a alma da cerveja está no malte, não podemos nos esquecer disso.

Poucos cervejeiros no Brasil trabalham para a verdadeira revolução, para o desenvolvimento de uma escola cervejeira com características próprias e estilos originais. Precisamos de cervejeiros que desafiem o mercado, que independentemente dos estilos em voga, façam da cerveja a sua arte.

O mercado de cervejas artesanais está se acomodando com o fato do lúpulo americano ter caído no gosto do consumidor, mas as revoluções não são feitas por acomodados. Precisamos daqueles cervejeiros que desafiam o mercado e anseiam por desafiar o paladar de seu público, procurando criar novos estilos e novas tendências.

Enfim, felizmente a moda de hoje são as IPAs! Ufa…

Assim começamos!

24 fevereiro, 2017 às 09:39  |  por Gabriel Vasques

Quando me convidaram para escrever um blog sobre cerveja, a primeira coisa que me veio à cabeça foi “depois de 10 anos formado vou finalmente exercer algo que se aproxima do jornalismo”. Sim, sou jornalista por formação, mas nunca exerci profissionalmente essa função.

Fiquei pensado sobre o que escrever, não queria ser mais um blog desses que parece uma ilha deserta nesse mar que é a internet. No meu dia a dia eu converso com muita gente, principalmente sobre cerveja, mas no geral eu converso muito sobre o mundo da gastronomia. Numa dessas conversas me veio uma ideia. Ao invés de falar somente sobre cerveja, posso falar sobre o mundo dos “Brews”, afinal de contas sou um brewmaster. Além da cerveja, o café e o chá também são brews. Dai surgiu o nome Brew to Brew, ou seja, irei falar sobre tudo que envolve esta categoria tão ampla e interessante.

Mas o que é brew?

A tradução seria fermentar, misturar, remexer, porém conversando com algum nativo de língua inglesa, seria basicamente fazer uma bebida por infusão. Processo utilizado na produção das cervejas, cafés e chás.

Por ser cervejeiro, trabalhar com cerveja e beber muito, o conteúdo deste blog será destinado principalmente a cerveja. No entanto, irei trazer novidades sobre o também complexo e cativante universo dos cafés e dos chás.

Então se você é dos meus e não abre mão de uma boa cerveja à noite, na manhã seguinte levanta com um bom café e no fim da tarde procura tomar um chá, você irá se divertir aqui.

Pra finalizar, um vídeo (bem básico) de como é produzida a cerveja.

 

Dúvidas, fique a vontade para perguntar nos comentário ou enviar um e-mail para brewtobrewcwb@gmail.com.