Arquivo mensais:janeiro 2010

Crítica – O Fada do Dente

27 janeiro, 2010 às 02:04  |  por wikerson

É curiosa a maneira como algumas coisas se estabelecem na indústria cinematográfica. Dwayne Johnson, conhecido também como The Rock, definitivamente não é um bom ator. O ex-lutador do circuito World Wrestling Entertainment, no entanto é dono de um carisma invejável, em especial junto ao público norte-americano, que fez com que desde a sua participação no filme O Retorno da Múmia sua carreira como ator deslanchasse.

Saindo das produções de ação e caminho rumo às comédias, Johnson encontrou em si próprio uma maneira de propor um contra-senso ao estereótipo do comediante. Por seu porte avantajado, vê-lo em situações cômicas ou caricatas por si só já soa como algo diferente. Aproveitando-se desse nicho de mercado, explorado anteriormente por Arnold Schwarzenegger e até por Vin Diesel, Dwayne criou um “tipo” e, agarrado a ele, segue fazendo boas bilheterias com seus filmes.

Infelizmente, boas bilheterias não são sinônimo de bons filmes e no caso de O Fada do Dente, culpar Dwayne Johnson pela má qualidade da produção seria um exagero, uma vez que sua atuação – fraquíssima – é o menor dos problemas do filme. Com o roteiro apresentado, a trama conduzida pelo diretor Michael Lembeck (Meu Papai é Noel 2) sem dúvida se transformaria em uma bomba nas mãos de qualquer outro ator.

No filme acompanhamos a história de Dereck Thompson (Dwayne Johnson), um jogador de hóquei no gelo conhecido pela sua força física e que tem o apelido de “fada do dente” por quebrar os dentes dos seus adversários em jogadas truculentas. Totalmente cético com relação a contos de fadas e outras fantasias, Thompson não hesita em destruir os sonhos de quem quer que seja. É quando ele recebe um chamado, do mundo das fadas, seguido de um castigo: terá que passar uma semana agindo como fada do dente até que passe a acreditar que a fantasia realmente existe.

Embora a moral da história já fique clara nos primeiros trinta minutos de filme, e seja extremamente previsível que tudo irá se desenvolver até que de fato ele acredite que as fadas existem e que, manter vivo na memória alguns sonhos não faz mal a ninguém, a maneira como a trama se desenvolve é uma verdadeira decepção.

Embora nitidamente a história tenha um foco no público infantil, é desprezível perceber o quão rasteiros são os diálogos da produção. Toda conversa tende a terminar em uma piada ou um trocadilho infame. Não passa mais que um minuto sem que surja uma piada – ou tentativa de piada, na maioria das vezes – ainda que ela não seja cabível na cena.

Nesse quesito abro um parêntese: a versão que assisti foi a dublada e, nela, muitas das piadas foram claramente adaptadas para a realidade brasileira. Assim você ouvirá termos como “sambarilove” – surgido nos programas de Chico Anysio – e “brilhantes” trocadilhos como “fadarwin” – uma versão de Charles Darwin das fadas para explicar a evolução delas. Embora adaptado, o texto não foge – assim espero – da essência proposta pelo roteiro original, o que transfere o problema inteiramente para a equipe de roteiristas.

Dentre todas as atuações de Dwayne Johnson, talvez aqui seja a pior delas. Se com diálogos um pouco melhores seu desempenho já ficava abaixo do esperado, com um roteiro pobre em mãos o resultado é um desastre completo. Assim Dwayne se limita a fazer caras e bocas e, mesmo quando sua única missão é dar um grito de espanto, a impressão que se tem é que ele está rindo, tamanha é a descaracterização nesse sentido.

Sem acrescentar nada à carreira de nenhum dos envolvidos e, menos ainda, para o espectador, a produção não chega a ser ofensiva em nenhum momento, fugindo de piadas sexistas ou de humor duvidoso e apostando mais na ingenuidade e em situações tolas do que em qualquer outro artifício. Se por um lado enquanto cinema O Fada do Dente é ruim, por outro, enquanto mero entretenimento familiar, o filme consegue provocar alguns risos – ainda que sejam de indignação por trocadilhos tão infames e “divertidos” quanto uma piada contada pela décima vez.

Confira o trailer de O Fada do Dente

Nota 5.

Crítica – Amor Sem Escalas

26 janeiro, 2010 às 02:22  |  por wikerson

Não importa o quão repetitiva uma ideia possa ser, sempre haverá uma possibilidade de executá-la de uma maneira diferente. E, o que é mais interessante, sempre haverá a possibilidade de encantar e conquistar o espectador ao colocá-lo frente a frente com situações limite, conquistá-lo e depois subverter suas expectativas.

Amor Sem Escalas não se enquadra apenas na categoria drama. É também comédia. É também romance. E nem por isso se perde, ou ainda pior, apela para a mesmice e a repetição característica de histórias do gênero. A ordem aqui é quebrar as expectativas. E isso é conseguido às custas de dois elementos-chave: um roteiro inteligente e atores carismáticos interpretando personagens tão verossímeis quanto eu ou você.

Escrito e dirigido por Jason Reitman (Juno) – assina ainda o roteiro Sheldon Turner (Big Stan – Arrebentando na Prisão), numa adaptação do livro de Walter Kirn – Amor Sem Escalas prenuncia algo de bom já em sua premissa e confirma a suspeita logo na apresentação dos seus personagens.

Na trama acompanhamos o dia a dia de Ryan Bingham (George Clooney), um alto executivo de uma empresa cuja missão não é das mais nobres: ele é o encarregado de demitir pessoas por todo os Estados Unidos, assumindo o papel em empresas que não tem coragem de dispensar seus próprios empregados. Sua vida é no ar. Dos 365 dias do ano, Ryan passa mais de 300 longe de casa. E se orgulha disso.

Consultor motivacional, suas palestras versam sobre o tema da liberdade como ponto de partida para a ousadia. Sem coisas, lugares e pessoas a se prendem, podemos voar mais alto e apostar sem medo de perder. Da mesma forma, Ryan não envolve em relacionamentos sérios – ou compromissos. Tudo se resume a parceiras de encontros casuais e pequenas aventuras.

Sua vida muda por completo quando a jovem psicóloga Natalie Keener (Anna Kendrick) é contratada pela empresa e, de imediato apresenta uma nova proposta: substituir as dispendiosas viagens aéreas para demissões presenciais por demissões online via videoconferência. E é nesse ponto que temos algo especial e diferente.

Embora Ryan, pelo seu perfil frio, metódico e calculista pareça insensível ou egoísta ele é o primeiro a se levantar contra a ideia “insensível” das demissões virtuais. Por outro lado Natalie, de quem poderia se esperar um pouco mais de compaixão mostra-se dura e decidida a seguir adiante com sua ideia. A proposta é colocada à prova em uma viagem sugerida pelo chefe de ambos, para que Ryan, mais velho, possa ensinar a ela os caminhos tortuosos da profissão.

É justamente a viagem que inicia uma jornada de transformação em ambos. Se Ryan por um lado é obrigado a suportar a convivência com outra pessoa, por outro Natalie conhece na prática como seus pré-conceitos e ideias podem soar como meros rótulos sem muito significado. Acostumada a um estilo de vida onde para que tudo fizesse sentido era preciso estar em busca de um ideal, a jovem é apresentada a um outro lado, mais despojado e realista.

Já Ryan, pela primeira vez, alimenta uma relação com uma recém-conhecida. Não Natalie, como seria óbvio numa comédia romântica, mas Alex Goran (Vera Farmiga), uma executiva da sua faixa etária e com um perfil muito similar: muitas viagens a negócios e satisfação por encontros casuais e nada mais.

A afinidade entre o trio impressiona. George Clooney e Vera Farmiga parecem formar um par perfeito. Clooney personifica o estereótipo do homem de negócios elegante, inteligente e irônico, do tipo que espera conquistar qualquer mulher apenas com um sorriso e um drink. Já Vera Farmiga conduz o papel de uma mulher que consegue se impor quando quer, fazendo às coisas à sua maneira, sem deixar de ser feminina ou perder sua sutiliza. Ambos, porém, são mais experientes e, com o currículo que têm não é nenhum espanto o bom desempenho.

A agradável surpresa fica por conta de Anna Kendrick (Lua Nova). Diferente de papéis inexpressivos de produções anteriores, em Amor Sem Escalas sua desenvoltura contribui muito a ponto de ela servir como um contraponto perfeito para o papel de George Clooney. Mais do que isso, sua personagem sofre profundas transformações ao longo da trama e, com muita naturalidade, a atriz conduz essa mudança sem soar forçada em nenhum momento, sendo responsável até mesmo por alguns bons momentos bem humorados.

Com personagens não agindo da maneira como o público espera, teimando em surpreender não de maneira proposital, mas com muita sutileza, o belo trabalho de roteiro ainda apresenta diálogos convincentes e espelha, com muita propriedade, o pensamento cotidiano de grandes corporações bem como a maneira persuasiva que alguns dos seus funcionários desenvolvem para sobreviver no mercado.

O excelente roteiro e as boas atuações são complementados por bons trabalhos de edição e fotografia. O primeiro é utilizado com muita propriedade para ressaltar a “batalha em curso”. A sequencia inicial, com Ryan montando e desmontando sua mala enquanto passa por um aeroporto, se assemelha a um soldado preparando sua arma para o campo de combate. A alusão, nesse caso, é perfeita e a maneira como é ilustrada também. Alguns cortes secos entre sequência de sentidos distintos também contribuem para que o clima denso seja mantido.

Já o trabalho de fotografia – dirigido por Eric Stellberg (500 Dias Com Ela) – da mesma forma é extremamente feliz ao enquadrar momentos de solidão – há uma sequência quase no final do filme, em que Ryan e Nicole são mostrados de costas e apenas a silhueta de ambos se destaca diante de uma parede de vidro que é belíssima; em outro momento, uma Natalie sozinha em uma sala com cadeiras espalhadas por todos os lados indica que ele não pertence àquele lugar – ou ainda de revelação – outra cena com Ryan em um aeroporto diante do painel de destinos de embarque é composta de maneira exemplar, ressaltando a expectativa do personagem. Algumas tomadas aéreas, mostrando as cidades por onde o executivo passa de uma maneira nada convencional servem também para ilustrar o modo com que o personagem vê o mundo.

Em termos de cinema e desenvolvimento de roteiro Amor Sem Escalas é perfeito a ponto de conseguir causar uma quebra na expectativa do espectador tenha ele se colocado no lugar de qualquer um dos três personagens principais. As revelações finais são surpreendentes e acentuam ainda mais a transformação pela qual cada um deles passa.

Sozinho em meio à multidão Ryan Bingham se sente completo e feliz, carregando sobre os ombros uma mala vazia de esperanças. Sua transformação, ao final, se mostra realista e muito mais intimista do que explícita, num desfecho corajoso e, mais uma vez, longe do convencional do cinema hollywoodiano. Nem mesmo a infeliz tradução brasileira do título para Amor Sem Escalas – numa clara tentativa de vendê-lo ao público como comédia romântica – soará como propaganda enganosa. Afinal, se a ideia é surpreender e subverter as expectativas quem for ao cinema esperando uma boa dose de risadas com açúcar terá a oportunidade de saborear uma boa dose de realidade.

Confira o trailer de Amor Sem Escalas

Nota 9.

TVA Sul comercializa canais da Rede Telecine

19 janeiro, 2010 às 22:11  |  por wikerson

Os canais Telecine Premium, Telecine Action, Telecine Light, Telecine Pipoca e Telecine Cult passam a partir do mês de janeiro a ser uma nova opção para os clientes da TVA na Região Sul. Os cincos Telecines tiveram o sinal aberto em caráter de experimentação para os assinantes da operadora no mês de dezembro, graças à grande aceitação do público e procura pelo pacote, passam a ser vendidos na região.

“A TVA vem investindo para oferecer o que há de melhor aos clientes, com pacotes de programação flexíveis”, destaca o gerente da TVA Sul, Wellington Ramalho. Há 18 anos no ar, a Rede Telecine conta com cinco importantes estúdios de filmes de Hollywood: Universal Pictures, Paramount, 20th Century Fox, Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) e DreamWorks SKG, além dos principais produtores independentes.

O grupo de canais Telecine pode ser adquirido pelos assinantes do pacote HBO ou Max Digital com o valor mensal de R$ 38,00. Mais informações no site da TVA ou pelo telefone 0800 600 8383

Globo de Ouro 2010 – Vencedores

18 janeiro, 2010 às 02:29  |  por wikerson

O mundo do cinema está cada vez mais azul. Avatar, de James Cameron, foi o grande vencedor da noite na 67ª edição do Globo de Ouro com dois prêmios. Os filmes Coração Louco e Up – Altas Aventuras também foram destaque. Confira a lista completa de vencedores:

Melhor Filme – Drama – Avatar
Melhor Filme – Comédia ou Musical – Se Beber, Não Case
Melhor Diretor – James Cameron, Avatar
Melhor Ator – Drama – Jeff Bridges, Coração Louco
Melhor Ator – Comédia ou Musical – Robert Downey Jr., Sherlock Holmes
Melhor Atriz – Drama – Sandra Bullock, O Lado Cego
Melhor Atriz – Comédia ou Musical – Meryl Streep, Julie & Julia
Melhor Ator Coadjuvante – Christoph Waltz, Bastardos Inglórios
Melhor Atriz Coadjuvante – Mo’Nique, Preciosa
Melhor Roteiro – Amor Sem Escalas
Melhor Filme Estrangeiro – A Fita Branca
Melhor Filme de Animação – Up – Altas Aventuras
Melhor Trilha Sonora – Up – Altas Aventuras
Melhor Canção Original – The Weary Kind, Coração Louco

Bilheteria EUA: Avatar

17 janeiro, 2010 às 18:51  |  por wikerson

Pela quinta semana consecutiva Avatar se manteve na liderança das bilheterias norte-americanas. O filme já soma impressionantes  US$ 1,6 bilhões nas bilheterias mundiais e caminha a passos largos para se tornara a maior bilheteria de todos os tempos na história do cinema.

O Livro de Eli, estrelado por Denzel Washington e principal estreia do final de semana, ficou com a segunda posição, faturando US$ 10 milhões a menos que a produção dirigida por James Cameron. Confira o Top 10 EUA da semana:

1 - Avatar US$ 41.300
2O Livro de Eli US$ 31.600
3 - Um Olhar do Paraíso US$ 17.100
4Alvin e os Esquilos 2 US$ 11.500
5Sherlock Holmes US$ 9.820
6Missão Quase Impossível US$ 9.700
7Simplesmente Complicado US$ 7.670
8 – Leap Year US$ 5.880
9O Lado Cego US$ 5.570
10Amor Sem Escalas US$ 5.460

Avatar: roteiro e dicionário

12 janeiro, 2010 às 23:36  |  por wikerson

A Fox liberou nessa semana o roteiro do filme Avatar para download. Você pode conferir o arquivo original em PDF (em inglês), baixando direto neste link. O roteiro é o original escrito e, em relação ao filme, algumas cenas foram levemente modificadas ou suprimidas na versão final.

Outra dica bacana é baixar um e-book completo sobre a linguagem dos Na’vi. O livro de 34 páginas traz um dicionário inglês-na’vi, além da gramática, fonética, sintaxe e muito mais. A publicação está em inglês e pode ser baixada neste link.

Avatar: diretor confirma a sequência

11 janeiro, 2010 às 20:40  |  por wikerson

Os fãs de Avatar podem ficar tranquilos. Segundo informações do site americano Worst Previews, o diretor James Cameron confirmou que o blockbuster terá uma sequencia nas telonas.

“Sim, haverá outro (filme)”, afirmou o diretor, respondendo uma pergunta da plateia, após uma apresentação de Avatar em Hollywood. A expectativa é que a história acabe por se transformar em uma trilogia. Lançado em 18 de dezembro, Avatar já é a segunda maior bilheteria da história do cinema, com arrecadações superiores a US$ 1,13 bilhão. O topo do ranking é ocupado por outra obra de Cameron: Titanic, que ultrapassou ou US$ 1,8 bi.

Com informações do site Meio & Mensagem.

Besouro é selecionado para o Festival de Berlim

10 janeiro, 2010 às 20:52  |  por wikerson

O filme brasileiro Besouro será exibido no Festival de Berlim, que acontece entre 11 e 21 de fevereiro, na capital alemã. A obra foi selecionada pelo júri do festival para ser apresentada durante a mostra Panorama Especial, voltada para os chamados filmes de autor.

Besouro é o primeiro longa-metragem do diretor João Daniel Tikhomiroff, presidente da holding Etc… Participações, da qual faz parte a produtora Mixer. Para ele, “começar a trajetória internacional de Besouro por Berlim é sensacional”. Visto por mais de 500 mil pessoas no Brasil, o filme conta a lenda do capoeirista Besouro.

Com informações do site Meio & Mensagem.

Crítica de Sherlock Holmes

8 janeiro, 2010 às 10:52  |  por wikerson

Esqueça tudo que você sabe sobre o detetive Sherlock Holmes. Essa é a melhor maneira de encarar a representação do clássico personagem nascido nos romances de Sir Arthur Conan Doyle ainda no final do século XIX. Com mais de um século de existência falar sobre “livre adaptação” de suas obras já é quase uma redundância, uma vez que pelas mãos do escritor o personagem apareceu apenas em quatro romances e outros cinco livros com uma série de contos.

A versão que chega às telas não é inspirada em nenhum deles. Do perfil literário, o Sherlock do cinema herda a brilhante lógica dedutiva, o método científico utilizado em suas investigações e a paixão pelo violino. É pouca coisa, mas o suficiente para manter em linhas gerais as características que tornaram o personagem uma referência cultural.

Como já é de praxe em trabalhos dirigidos pelo cineasta Guy Ritchie (Snatch – Porcos & Diamantes) três aspectos se sobressaem e tornam sua obra de fácil identificação: o ritmo acelerado com que a história se desenvolve, o uso desmedido de sequências em slow motion para ressaltar algum momento de clímax e o visual underground de histórias que se passam em meio ao submundo.

Sherlock Holmes apresenta um pouco de tudo isso, mas sem ser repetitivo ou abusar de nenhum dos elementos, o que é um ótimo sinal. A construção do roteiro, da mesma forma, parte de uma premissa inteligente. Na trama, o detetive precisa enfrentar o vilão Lord Blackwood (Mark Strong) que planeja um grande golpe que lhe dará poderes ilimitados no Reino Unido para coordenar uma invasão aos Estados Unidos.

Seus planos, no entanto, incluem uma série de ações que se assemelham muito à utilização de magia negra, misticismo e seitas secretas. O fato acaba se revelando um desafio intrigante para a mente lógica e racional de Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.). E é justamente na contraposição de ciência e magia que reside boa parte do sucesso do roteiro, uma vez que temos uma antítese real e plausível em pleno final de século XIX. Aliás, a época da revolução industrial é ilustrada em diversos momentos, seja pelas construções que fervilham nas ruas de Londres ou mesmo pelos comentários do detetive sobre a transformação pela qual a cidade está passando.

Diferente do estigma de nobreza que o detetive britânico carrega, o Sherlock Holmes de Robert Downey Jr. É praticamente um anti-herói. Holmes vive entocado em sua casa em meio a experiências nada convencionais, evita o quanto pode encontros sociais e comporta-se como uma verdadeira criança quando o assunto é levar alguma coisa, que não sejam as suas investigações, a sério. Esse perfil combina muito com as atuações de Robert Downey Jr., o que faz com que o ator se destaque e conquiste o espectador com o seu carisma.

Sua relação com o Dr. Watson (Jude Law) é peculiar. Embora em entrevista o ator tenha dado a entender que Holmes poderia ser um personagem homossexual, não há nenhuma referência direta nesse sentido. O que existe é o fato de ele evitar a todo custo que o amigo se case e deixe de formar a parceria com ele nas investigações. Se existe alguma relação entre ambos que vá além da amizade isso não fica claro e a discussão acerca disso nem de longe faz parte da proposta do filme. Pelo contrário.

Na produção Holmes e Watson se vêem envolvidos em diversas sequências de ação e luta onde podem mostrar toda a sua virilidade. Ambos parecem ter saído de uma academia de artes marciais e, quando preciso, encaram no braço qualquer tipo de adversário. Com um perfil mais desleixado e tendo em vista as situações em que se mete acabam sendo cabíveis as cenas do gênero, sendo um ponto positivo a fuga proposital do estilo mais “politicamente correto” da versão literária do detetive.

Vale ressaltar ainda a boa participação de Rachel McAdams, no papel de Irene Adler, confessa apaixonada pelo detetive e única a conseguir enganá-lo com facilidade. É sua paixão por Holmes que torna possível o desenrolar da trama e, embora o detetive fuja do relacionamento como o diabo foge da cruz, Irene é a única pessoa por quem ele se deixa levar e até mesmo ser manipulado.

Com um roteiro conciso e que flerta com a ação e o humor a todo instante, a maneira como o desfecho acontece deixa um pouco a desejar. Embora a história esteja bem amarrada e não deixe nenhuma pista ou fato sem explicação, a sutileza de algumas revelações é deixada completamente de lado. Não há tempo para o espectador deduzir algo ou montar os quebra-cabeças. Tudo é explicitado de maneira mastigada e didática, deixando claro que a proposta do filme é agradar a maior fatia de público possível.

Sem cerimônias, Sherlock Holmes não é uma releitura ou um resgate de um personagem clássico. É entretenimento pelo entretenimento, com direito a romance, tiradas bem-humoradas, bons efeitos especiais e, é claro, muita ação. O resultado, no final das contas, é agradável e é bem provável que o Sherlock do cinema seja o início de mais uma nova franquia. Vale a pena conferir a primeira boa opção a estrear no Brasil em 2010.

Nota 8.

Confira o trailer de Sherlock Holmes

Bilheterias EUA: Avatar

3 janeiro, 2010 às 16:37  |  por wikerson

O ano de 2010 começou da mesma maneira que terminou 2009 nos cinemas americanos: com Avatar em primeiro e faturando alto nas bilheterias. Pela terceira semana consecutiva o filme lidera o faturamento e sem perspectiva de queda. Desta vez foram mais US$ 68 milhões. O filme já soma US$ 320 milhões só nos EUA e mais de US$ 800 milhões ao redor do mundo. Confira o Top 10 da semana. Os números estão em milhões.

1Avatar US$ 68.300

2Sherlock Holmes US$ 38.400

3Alvin e os Esquilos 2 US$ 36.600

4Simplesmente Complicado US$ 18.700

5O Lado Cego US$ 12.700

6Amor Sem Escalas US$ 11.300

7A Princesa e o Sapo US$ 10.000

8Cadê os Morgans? US$ 5.000

9Nine US$ 4.250

10Invictus US$ 4.130