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Crítica de Alice no País das Maravilhas

27 abril, 2010 às 03:20  |  por wikerson

É interessante notar o desenvolvimento de uma história ao longo dos anos no imaginário popular. Conheço muito poucas pessoas que leram os livros Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) e Alice Através do Espelho (Through the Looking-Glass), lançados pelo escritor Lewis Carroll há mais de cento e quarenta anos. No entanto, graças a produção da Disney da década de 50, a obra – que já naquela época sofreu modificações – atravessou gerações e hoje é uma referência obrigatória, daquelas que mesmo sem ter visto o filme ou lido o livro já dá pra imaginar que tipo de história vem pela frente.

Aliado ao imaginário popular some-se dois nomes: Tim Burton e Johnny Depp. Responsáveis talvez por uma das maiores parcerias entre diretor-ator da história do cinema, são muitas as produções em que o visual gótico característico das obras do diretor em conjunto com o talento natural de Johhny Depp para interpretar personagens excêntricos extrapolaram os limites de um bom roteiro, deixando para o espectador não só fortes lembranças visuais como também personagens inesquecíveis – Edward Mãos de Tesoura (de Edward Mãos de Tesoura) e Willy Wonka (de A Fantástica Fabrica de Chocolates) só para citar alguns exemplos.

Sendo assim a expectativa criada em torno de Alice no País das Maravilhas – obviamente muito bem aproveitada pelo marketing da produção – foi imensa. Depois do sucesso de Avatar, praticamente criando uma nova linguagem para os efeitos em 3D, a expectativa recaiu toda sobre Tim Burton na esperança de que, de alguma forma, sua genialidade e ousadia fossem capazes de subverter o novo, trazendo o seu toque pessoal para a mais nova dimensão do cinema.

É inegável que o principal apelo ao espectador é o aspecto visual. Com cenários fabulosos construídos em computação gráfica, Burton cria um mundo onírico tão verossímil quanto possível, combinando um visual soturno de uma ameaça iminente com uma vegetação exuberante e multicolorida. Da mesma forma, os personagens que acompanham Alice durante a sua aventura pelo País das Maravilhas são construídos de maneira exemplar. Basta reparar na movimentação do Coelho Branco, por exemplo, e notar as texturas de pelagem para perceber o quanto o trabalho artístico foi desenvolvido com esmero.

Da mesma forma, os tons de vermelho do castelo da Rainha Vermelha em contraste com o branco quase absoluto dos domínios da Rainha Branca, não só transparecem a oposição de valores entre ambas – vaidade x pureza – como contam da forma visual mais didática possível parte importante da trama de Alice. Contudo, se nos aspectos de direção de arte e fotografia o filme não deixa em nada a desejar, infelizmente não se pode dizer o mesmo em outros quesitos.

Um dos aspectos onde menos se imaginavam problemas é onde reside talvez a maior das decepções de Alice no País das Maravilhas: as atuações. É bem verdade que usar a palavra “problema” é um termo forte demais. No entanto a sensação que se tem é que falta um pouco de vida a alguns dos personagens. E isso fica mais evidente quando olhamos para Alice (Mia Wasikowska). Sua atuação é apática e, nas cenas fora do País das Maravilhas, extremamente teatral. Seu rosto é inexpressivo na maioria dos momentos tanto que, quando há um ponto de virada e ela precisa renovar forças para ir à luta, a mudança é muito mais visível em seus companheiros do que nela mesma.

Já o Chapeleiro Maluco de Johnny Depp é discreto, mas eficiente. O ator fica longe de alguns exageros que já praticou na carreira e se mostra de maneira comedida na maior parte do tempo, se é que isso pode ser dito na interpretação de um personagem maluco, não comprometendo em nenhum momento. Assim, no papel da despótica Rainha Vermelha, Helena Bonham Carter acaba proporcionando alguns dos melhores momentos entre o elenco, compondo uma personagem vaidosa e ao mesmo tempo megera, sem perder a linha de atuação a que se propõe.

Como é natural, a empatia dos personagens mais “fofinhos” como o Coelho Branco, a Lebre de Março e o cão Bayard, apenas para citar alguns, é enorme e diante de atuações tão apagadas seu brilho parece ainda maior. Bayard, por exemplo, é responsável por um dos momentos mais comoventes da produção quando sai em busca ou reencontra a sua família.

A livre adaptação de Tim Burton, utilizando elementos de dois livros do escritor, em nada prejudica a essência da obra original. Com pouco menos de duas horas de duração, o roteiro não chega a ser um primor, mas é eficiente, apresentando e conduzindo a história de maneira satisfatória. Um ponto negativo, e bastante acentuado, é o desfecho que, além de ser extremamente teatral e soar forçado graças a atuação de Mia, é executado de uma maneira tão rápida que a impressão que fica é que houve um corte brusco ou que alguém queria se livrar de imediato do texto.

Para quem imaginava um verdadeiro show em imagens 3D o que se vê é um uso moderado do recurso, mas acertado e sempre em função da história. Isso é bastante perceptível na chegada de Alice ao País das Maravilhas. Repare na profundidade de campo da sequência e como de alguma forma o efeito parece colocar o espectador dentro daquele mundo, dando a impressão que Alice está vindo nos encontrar.

Talvez pela falsa expectativa criada em torno de Alice no País das Maravilhas, para muitos o filme possa não funcionar. Mas afirmar categoricamente que ele é ruim ou está entre os piores trabalhos de Tim Burton certamente é um exagero. Dentro da expectativa da maior parte do público, Alice deveria ser mais entretenimento e menos enigma. No entanto a proposta de Burton vai ao encontro da filosofia do autor, que também era matemático, e adorava essa linha de raciocínio.

Se por um lado Alice no País das Maravilhas de Tim Burton não consegue o perfeito equilíbrio entre reflexão e entretenimento, por outro revela no espectador uma curiosidade em conhecer um pouco mais daquele mundo. E o melhor de tudo é que para visitá-lo não é preciso comer nenhum tipo de cogumelo. Basta ir até a livraria mais próxima e conhecer uma das obras mais influentes e interessantes que a literatura já produziu.

Nota 7

Confira o trailer e a ficha técnica de Alice no País das Maravilhas

Pré-venda de ingressos para Alice no País das Maravilhas no UCI

21 abril, 2010 às 23:19  |  por wikerson

Os ingressos para o filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, em 2D e 3D Digital, começaram a ser vendidos antecipadamente na rede de cinemas UCI (UCI Estação e UCI Palladium). O filme estreia nas salas UCI no dia 23 de abril (sexta-feira) e terá uma sessão especial para os “Alicéfilos” às 0h01 (de quinta para sexta, no dia 23).

Para comprar antecipadamente o ingresso, basta ir até as bilheterias do cinema ou acessar o site www.ucicinemas.com.br. No endereço eletrônico, também é possível conferir a programação completa do UCI Estação e UCI Palladium.

Serviço:
UCI Cinemas Estação – Exibição em 2D e 3D (sala 5)
Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2775 – Shopping Estação

UCI Cinemas Palladium – Exibição em 2D e 3D (sala 4)
Endereço: Rua Presidente Kennedy, 4121, piso L3 – Palladium Shopping Center

SOS Cast 13: guerra no Pacífico e no cinema

20 abril, 2010 às 11:37  |  por wikerson

Qual a importância dos filmes de guerra para o cinema? Seria o gênero uma mera propaganda ideológica, um meio contundente de crítica ao sistema ou uma possibilidade de visualizar aspectos importantes da história mundial?

Esses e outros assuntos são apenas algumas das atrações do SOS Cast 13 – Guerra no Pacífico e no Cinema. Nesta edição, apresentada por Fabio Barreto e Wikerson Landim, comentamos o lançamento da minisserie The Pacific, orçada em US$ 230 milhões – a mais cara produção da história no gênero além de outros grandes clássicos que ajudaram a contar a história das guerras no cinema.

Para ouvir basta acessar o página do SOS Hollywood e utilizar o player. Se preferir pode fazer o download do programa, no formato MP3, para ouvir onde quiser.

Confira também:
- The Pacific: Episódio 03 – Melbourne
- The Pacific: Episódio 02 – Basilone
- The Pacific: Episódio 01 – Guadalcanal/Leckie
- Especial The Pacific no SOS Hollywood

Crítica de Caçador de Recompensas

19 abril, 2010 às 22:57  |  por wikerson

É impressionante como alguns atores e atrizes acabam se prendendo a tipos de personagens e, com as características deles, conseguem construir uma vasta filmografia, não necessariamente boa, mas eficiente e funcional em termos de bilheteria. Jennifer Aniston é um caso clássico que se encaixa neste perfil.

Pense nos últimos papéis que ela fez: O Amor Acontece, O Amor Pede Passagem, Separados Pelo Casamento e mesmo a série Friends. Em todos os casos a diferença entre os papéis é tão sutil e linha de condução dos filmes é tão similar que não é nem preciso assistir as produções para imaginar a atriz na história. Caçador de Recompensas não foge à regra e, de quebra traz outro estereótipo recente: o papel de galã de Gerard Butler.

O ator que ganhou notoriedade pela sua atuação em 300, já estrelou após essa produção outros dois filmes românticos – P.S. Eu Te Amo e A Verdade Nua e Crua, sempre abusando de olhares, do porte físico e de uma outra característica peculiar. O estilo ingênuo e romântico definitivamente não combina com o ator escocês então, como contraponto, em seus papéis Butler age como um “macho” desprezível, mas que no final das contas demonstra sensibilidade.

Caçador de Recompensas coloca ambos lado a lado e, além de utilizar esses artifícios já explorados em outras produções, reúne elementos de ação à la Sr. & Sra. Smith, num roteiro que contempla muitas locações, mas acaba recaindo num final óbvio e extremamente forçado.

Na trama Milo Boyd (Gerard Butler) é um ex-policial caçador de recompensas, atolado em dívidas. Seu trabalho é capturar foragidos e entregá-los à justiça para receber uma espécie de indenização. Até que, cai em suas mãos, a oportunidade de levar sua ex-mulher para a prisão. Nicole Hurley (Jennifer Aniston) está foragida depois de não comparecer a uma audiência para julgar um delito que cometeu.

Obviamente, para Milo localizá-la é apenas uma questão de tempo. Porém, Nicole está investigando um crime para o jornal que trabalha e os mafiosos envolvidos no caso, por coincidência, são os mesmos para quem Milo deve. É nesse ponto que as histórias se cruzam. Para aumentar o drama, ambos decidem relembrar o passado e as razões pelas quais o casamento não deu certo.

Embora haja alguns bons momentos, graças a situações divertidas em que os personagens são colocados, infelizmente na maior parte do tempo a produção soa clichê e se vale de uma fórmula repetida centenas de vezes no cinema norte-americano. Sim, funciona. Mas sim, em muitos momentos você terá a impressão de já ter visto um ou outro elemento em algum lugar.

Outro ponto que incomoda é a duração do filme, de quase duas horas. Muitas cenas, como a fuga de ambos para um chalé onde passaram a lua de mel ou mesmo a busca de Nicole por pistas de um de seus informantes, são desnecessariamente arrastadas e cansativas. Seria possível cortar ao menos uns vinte minutos de filme sem que ele perdesse suas características básicas. Ainda assim, muita coisa deixa de ser explicada e a opção final escolhida por Milo soa tão ridícula – ainda que uma outra surja evidente no mesmo momento – que chega a ser decepcionante.

Partindo para o básico ao invés de colocar algumas pitadas das características do seu olhar, o diretor Andy Tennant (do ótimo Hitch – Conselheiro Amoroso) opta por um trabalho meramente burocrático e comercial, que funciona até certo ponto graças ao carisma dos atores principais. No entanto, no final das contas, acrescenta muita pouco à cinematografia de todos os envolvidos e, menos ainda, para o espectador.

Nota 5

Confira o trailer e a ficha técnica de Caçador de Recompensas

Crítica de Chico Xavier – O Filme

18 abril, 2010 às 21:47  |  por wikerson

Cinebiografias ainda são um gênero relativamente pouco explorado no cinema nacional. Infelizmente, apesar dos avanços que a retomada do cinema brasileiro trouxe para a nossa cinematografia, apenas dois ou três títulos do gênero chegam, em forma ficcional, ao grande público a cada ano.

Até então, talvez o mais eficiente deles tenha sido 2 Filhos de Francisco, lançado em 2005, conseguindo aliar qualidade com sucesso de bilheteria. Lula – O Filho do Brasil tentou no início seguir pelo mesmo caminho, mas esbarrou na superficialidade e acabou não se transformando no sucesso que era previsto. Chico Xavier – O Filme traz novamente ao gênero uma certa dose de qualidade, aliando um personagem carismático a uma direção segura e muita mais sugestiva do que indutiva para o espectador.

Aliás, uma direção segura é a mais agradável surpresa que se pode constatar na produção conduzida por Daniel Filho. O diretor que, até então, limitou-se a trabalhos muito mais novelescos do que cinematográficos, usando e abusando de uma linguagem televisiva para apresentar comédias como A Partilha e Se Eu Fosse Você, aqui dispõe dos elementos televisivos para construir um honesto contraponto entre a figura do médium Chico Xavier e a aceitação por parte do público perante aos seus dons.

Ambientado em três momentos distintos de sua vida – entre 1918 e 1922; entre 1931 e 1959; e entre 1969 e 1975 – a trama apresenta como elemento de condução a célebre entrevista concebida pelo espírita ao programa de TV Pinga-Fogo (disponível na íntegra em DVD) e que foi uma das responsáveis pela consolidação do nome de Chico Xavier com um dos mais importantes guias espirituais brasileiros.

Em todos os momentos, as atuações dos intérpretes do personagem principal se destacam. Porém é de Ângelo Antonio a grande atuação do filme. Sua composição de personagem é precisa e transmite a simplicidade e a inocência pregadas por Chico Xavier. O tom de voz ameno, os gestos delicados e o olhar confuso questionando os seus próprios dons são marcas características que contribuem para a verossimilhança com o verdadeiro Chico.

O ponto destoante fica por conta de André Dias (Emmanuel). Sua interpretação do espírito guia Emmanuel é extremamente teatral e, em muitos momentos, inexpressiva. Seus gestos e sua postura intimidante em nada combinam com as palavras que profere, criando uma figura muito mais arrogante e presunçosa do que espiritual.

Outro elemento que acrescenta muito à trama é o núcleo conduzido por Orlando (Tony Ramos), um dos editores do programa Pinga-Fogo. Ateu, Orlando vivencia uma crise com sua mulher depois da morte do filho do casal, em um acidente envolvendo um amigo do garoto. Cético e amargurado, um elemento importante relacionado ao médium faz com que ao final ele se transforme e, de maneira convincente, apresente um dos momentos mais dramáticos e emocionantes da produção e que certamente terá identificação imediata por parte do espectador.

Outra decisão acertada do filme é o fato de retratar Chico Xavier não como alguém imaculado, mas passível de erros e defeitos. Isso contribui para que, ainda que suas virtudes sejam significativamente maiores que os defeitos, o tornem menos artificial e muito mais humano aos olhos do público. Assim, vemos o médium em momentos (poucos) de vaidade e incredulidade diante de seus próprios dons.

O trabalho de reconstrução de época, mostrando o Brasil rural do interior de Minas Gerais é da mesma forma acertado. É bem verdade que em alguns momentos o filme deixa de empolgar e se mostra cansativo e repetitivo. Os primeiros quarenta minutos, por exemplo, bem poderiam ser resumidos sem prejuízo da história e mesmo o fato de Chico sofrer maus tratos de sua madrasta na infância, repetidas vezes, pouco acrescenta à biografia em si do personagem e à versão cinematográfica.

O sucesso de Chico Xavier – O Filme nas bilheterias prova que o mercado brasileiro tem público – e diversos tipos de público – e responde positivamente quando uma produção reúne elementos com apelo popular, com a figura de Chico, e um roteiro de qualidade. Com diversidade de histórias e fuga de lugares comum como o tripé favela/nordeste/comédia temos tudo para um dia ter um ritmo mais industrial de produção. Nesse caso, acreditar não custa nada.

Nota 7

Confira o trailer e a ficha técnica de Chico Xavier – O Filme

Crítica de Zona Verde

17 abril, 2010 às 14:11  |  por wikerson

Poucos diretores em Hollywood têm o privilégio de ter em mãos um orçamento de US$ 100 milhões para conduzir um filme. As opções ficam ainda mais reduzidas quando se trata de um diretor com poucos trabalhos em seu currículo. Com uma carreira que se desenvolveu nos últimos dez anos, Paul Greengrass passa a fazer parte de um seleto grupo ao assinar o filme Zona Verde.

Diretor de produções como A Supremacia Bourne, Vôo United 93 e O Ultimato Bourne Greengrass, em especial depois do sucesso do último episódio da trilogia Bourne, teve em suas mãos uma oportunidade que poucos negariam: uma produção com alto orçamento, Matt Damon como ator principal e a possibilidade de abordar um tema atual e ainda pouco explorado no cinema.

Zona Verde é o resultado deste conjunto de fatores e, embora o filme não tenha sido bem recebido nas bilheterias – e provavelmente fechará o balanço final com prejuízo – há muito mais motivos para apontar a produção como oportuna ao invés de oportunista. Tocar em um tema ainda tão fresco na mídia sem um devido tempo para reflexão ou distanciamento dos fatos é andar sobre um terreno espinhoso. E é graças a essa dificuldade que a produção mostra seu lado conservador.

Em termos técnicos Zona Verde se aproveita – e muito – do ritmo acelerado de edição do último episódio da trilogia Bourne. A ação acontece do começo ao fim, sem dar muito espaço ao espectador para respirar. O foco dos primeiros quarenta minutos, por exemplo, é praticamente único e exclusivo nas cenas de ação. Nesse aspecto, o fato de o tema estar ainda tão presente no imaginário popular – a invasão americana no Iraque com o pressuposto de encontrar armas clandestinas de destruição em massa – faz com que o diretor dispense mais explicações, limitando-se a apontar apenas alguns elementos em meio a diálogos sempre permeados por algum idealismo, ainda que cínico.

Se por um lado o diretor repete sua fórmula de sucesso nesse quesito, por outro não abre espaço algum para inovação. Aliás, a maior novidade em termos visuais fica por conta da utilização de uma câmera na mão noturna, criando um estilo quase documental nas imagens e proporcionando um maior ritmo à ação. Eficiente em alguns momentos, ela se torna cansativa e desnecessária em muitos outros – em especial no clímax final. O resultado são imagens granuladas, naturais do processo de filmagem, mas incômodas e passíveis de serem evitadas em certas ocasiões sem que a linguagem proposta fosse afetada.

Baseado no livro A Vida Imperial na Cidade Esmeralda, de Rajiv Chandrasekaran, o roteiro da produção prefere deixar os contrastes encontrados na chamada Zona Verde – área ocupada pelo exército norte-americano em que os seus membros vivem com todas as regalias possíveis – para poucos momentos como plano de fundo. Os aspectos mais relevantes são deixados para os diálogos dos personagens, todos eles representando estereótipos já consagrados em filmes do gênero. Assim temos o soldado idealista – Miller (Matt Damon); o vilão sem escrúpulos – Clark Poundstone (Greg Kinnear); o mentor que aponta os caminhos ao herói – Martin Brown (Brendan Gleeson); o “inimigo” que se torna o amigo – Freddy (Khalid Abdalla).

Os papéis de Matt Damon e Khalid Abdalla ilustram bem a maneira simplória como os personagens são abordados. Miller, mesmo sendo um líder questionador, capaz de discutir com seus superiores por não entender o porque do recebimento de pistas falsas, em outros momentos se porta de maneira inocente, parecendo não entender o “mau caráter” de alguns dos seus chefes. Matt Damon não compromete em sua atuação, porém seu papel exige muito pouco do ator.

Já Freddy é a versão iraquiana de Miller. Ele surge na trama de maneira inesperada e pouco verossímil. Seus diálogos, quase sempre, são verdadeiros discursos pró-liberdade ao povo iraquiano. Sua história, no entanto, é pouco explorada e acabamos por conhecer muito pouco do personagem, embora ele tenha papel fundamental na produção.

O desenvolvimento burocrático da trama, no entanto, é amenizado graças à relevância e a importância do tema. Ainda que abordado de um ponto de vista óbvio, em um caso como esse é preferível mil vezes uma produção de qualidade razoável que relembre ao mundo o circo armado em torno das supostas armas clandestinas no Iraque, do que o silêncio ou a ausência do assunto nas telas.

Em termos de conteúdo, Zona Verde acrescenta muito pouco àquilo que já foi noticiado e pode ser considerado senso comum sobre o assunto. No entanto, apesar dos seus pontos fracos, o filme funciona e não compromete, algo que filmes como Rede de Mentiras, por exemplo, lançado no ano passado e ambientado na mesma região não deu conta de fazer.

Tão certo como as armas no Iraque procuradas pelo governo norte-americano provavelmente nunca existiram, Zona Verde se apresenta como um retrato relevante de um momento político importante da história mundial e, apenas por este aspecto, já vale a pena ser visto. E se além de mero entretenimento conseguir atingir alguns espectadores de modo que reflitam sobre o tema ou mesmo passem a questionar um pouco mais as verdades absolutas propagadas pelos governos anteriores, sem dúvida já terá feito um bom trabalho.

Nota 7

Confira o trailer e a ficha técnica de Zona Verde

Pré-venda de ingressos para Alice no País das Maravilhas em 3D

15 abril, 2010 às 02:59  |  por wikerson

Já estão disponíveis em pré-venda os ingressos para as sessões em 3D do filme Alice no País das Maravilhas, no Cineplus do Shopping Jardim das Américas. As entradas podem ser adquiridas na bilheteria do cinema ou através do site www.cinemacineplus.com.br. A pré-venda, apenas para as salas 3D, é uma iniciativa do Shopping Jardim das Américas para permitir que o público possa garantir com antecedência seu ingresso.

Estreia mais esperada do ano, Alice no País das Maravilhas é uma adaptação do clássico de Lewis Carrol, dirigida e produzida pelo aclamado Tim Burton. O filme marca também mais uma parceria do diretor com o ator Johnny Depp, que interpreta o Chapeleiro Maluco. Além dele, o elenco conta com Helena Carter, esposa de Burton, que fará o papel da Rainha de Copas, e Anne Hathaway, na pele da Rainha Branca. Em pouco tempo de estreia, a produção já arrecadou quase meio bilhão de dólares em todo o mundo e promete ser um dos maiores sucessos do cinema neste ano.

Serviço:
Venda antecipada de ingressos para Alice no País das Maravilhas em 3D
Disponível na bilheteria do cinema ou pelo site www.cinemacineplus.com.br

Horários das sessões

Dublado:
23 e 24/04: 13h45 – 16h – 20h30
25/04 a 29/04: 13h – 15h15 – 19h45

Legendado:
23 e 24/04: 18h15 – 22h45
25/04 a 29/04: 17h30 – 22h

Cineplus do Shopping Jardim das Américas – 2º Piso
Av. Nossa Senhora de Lourdes, 62
Bairro Jardim das Américas
(41) 3366-5885
www.shoppingjardimdasamericas.com.br

Trailer oficial de Toy Story 3

10 abril, 2010 às 23:07  |  por wikerson

Woody e Buzz Lightyear estão de volta. Depois dos bem-sucedidos Toy Story e Toy Story 2, a Pixar aposta mais uma vez nos brinquedos em sua nova animação. Toy Story 3 estreia dia 18 de junho nos Estados Unidos e 25 de junho no Brasil. Confira o trailer oficial:

Ingressos para Alice no País das Maravilhas

7 abril, 2010 às 01:17  |  por wikerson

A expectativa é grande entre os cinéfilos de plantão para a estreia do aguardado filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton. Com estreia nacional marcada para dia 21 de abril, os espectadores já podem garantir a partir do dia 9 (sexta-feira), o seu ingresso para as sessões do filme na rede UCI.

Com a compra antecipada, além de escolher o dia e horário da sessão, o cliente ainda escolhe o seu assento na sala de projeção UCI, para assistir da melhor maneira possível o grande lançamento do cinema mundial do primeiro semestre de 2010. Para comprar antecipadamente o ingresso basta ir às bilheterias do UCI Palladium e/ou UCI Estação ou acessar o site www.ucicinemas.com.br.

Embalado pela expectativa do público, Alice no País das Maravilhas é sucesso de bilheteria: já arrecadou mais de US$ 425 milhões no mundo inteiro. Adaptação do livro clássico de Lewis Carrol, o filme também será exibido em 3D e conta com a participação do ator Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco; Helena Bonham Carter como a Rainha de Copas; Anne Hathaway como a Rainha Branca; e, de Mia Wasikowska como Alice.

Serviço:
UCI Cinemas Palladium – Exibição em 3D e 2D
Endereço: Rua Presidente Kennedy, 4121, piso L3 – Palladium Shopping Center

UCI Cinemas Estação – Exibição em 2D
Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2775 – Shopping Estação

Walt Disney e Salvador Dali juntos

6 abril, 2010 às 06:25  |  por wikerson

Há muito tempo estou para postar esse vídeo aqui no Controle Remoto. Trata-se do curta “Destino” baseado em história de Salvador Dali e produzido pela Disney. O visual marcante dos desenhos do artista aliado ao estilo único criado pela empresa que se tornou sinônimo de fantasia resultam em uma obra de arte atemporal belíssima.