Crítica de Caçador de Recompensas

19 April, 2010
22:57

É impressionante como alguns atores e atrizes acabam se prendendo a tipos de personagens e, com as características deles, conseguem construir uma vasta filmografia, não necessariamente boa, mas eficiente e funcional em termos de bilheteria. Jennifer Aniston é um caso clássico que se encaixa neste perfil.

Pense nos últimos papéis que ela fez: O Amor Acontece, O Amor Pede Passagem, Separados Pelo Casamento e mesmo a série Friends. Em todos os casos a diferença entre os papéis é tão sutil e linha de condução dos filmes é tão similar que não é nem preciso assistir as produções para imaginar a atriz na história. Caçador de Recompensas não foge à regra e, de quebra traz outro estereótipo recente: o papel de galã de Gerard Butler.

O ator que ganhou notoriedade pela sua atuação em 300, já estrelou após essa produção outros dois filmes românticos – P.S. Eu Te Amo e A Verdade Nua e Crua, sempre abusando de olhares, do porte físico e de uma outra característica peculiar. O estilo ingênuo e romântico definitivamente não combina com o ator escocês então, como contraponto, em seus papéis Butler age como um “macho” desprezível, mas que no final das contas demonstra sensibilidade.

Caçador de Recompensas coloca ambos lado a lado e, além de utilizar esses artifícios já explorados em outras produções, reúne elementos de ação à la Sr. & Sra. Smith, num roteiro que contempla muitas locações, mas acaba recaindo num final óbvio e extremamente forçado.

Na trama Milo Boyd (Gerard Butler) é um ex-policial caçador de recompensas, atolado em dívidas. Seu trabalho é capturar foragidos e entregá-los à justiça para receber uma espécie de indenização. Até que, cai em suas mãos, a oportunidade de levar sua ex-mulher para a prisão. Nicole Hurley (Jennifer Aniston) está foragida depois de não comparecer a uma audiência para julgar um delito que cometeu.

Obviamente, para Milo localizá-la é apenas uma questão de tempo. Porém, Nicole está investigando um crime para o jornal que trabalha e os mafiosos envolvidos no caso, por coincidência, são os mesmos para quem Milo deve. É nesse ponto que as histórias se cruzam. Para aumentar o drama, ambos decidem relembrar o passado e as razões pelas quais o casamento não deu certo.

Embora haja alguns bons momentos, graças a situações divertidas em que os personagens são colocados, infelizmente na maior parte do tempo a produção soa clichê e se vale de uma fórmula repetida centenas de vezes no cinema norte-americano. Sim, funciona. Mas sim, em muitos momentos você terá a impressão de já ter visto um ou outro elemento em algum lugar.

Outro ponto que incomoda é a duração do filme, de quase duas horas. Muitas cenas, como a fuga de ambos para um chalé onde passaram a lua de mel ou mesmo a busca de Nicole por pistas de um de seus informantes, são desnecessariamente arrastadas e cansativas. Seria possível cortar ao menos uns vinte minutos de filme sem que ele perdesse suas características básicas. Ainda assim, muita coisa deixa de ser explicada e a opção final escolhida por Milo soa tão ridícula – ainda que uma outra surja evidente no mesmo momento – que chega a ser decepcionante.

Partindo para o básico ao invés de colocar algumas pitadas das características do seu olhar, o diretor Andy Tennant (do ótimo Hitch – Conselheiro Amoroso) opta por um trabalho meramente burocrático e comercial, que funciona até certo ponto graças ao carisma dos atores principais. No entanto, no final das contas, acrescenta muita pouco à cinematografia de todos os envolvidos e, menos ainda, para o espectador.

Nota 5

Confira o trailer e a ficha técnica de Caçador de Recompensas

 

Deixe seu comentário