Sábado perfeito

14 junho, 2017 às 10:01  |  por Elaine de Lemos
Barraca do seu Marfil, que ganhou um empurrãozinho para aparecer na foto. (fotos- Rodrigo Morosini)

Barraca do seu Marfil, que ganhou um empurrãozinho para aparecer na foto.

                                                                                                                                                                                                          Texto e fotos: Rodrigo Morosini.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Há, pelo menos, 15 anos faço as compras da semana na Feira de Orgânicos do Passeio Público. Além dos motivos de sempre  - cuidados com a saúde, favorecimento da agricultura familiar e minha “ecochatice”, que permite apenas alimentos e até os possíveis cosméticos de  origem orgânica em casa – há um fator emocional que leva a chamar de perfeito o sábado que começa no portal do Passeio.

Meu pai foi criado no interior de S.Paulo, em Marília, numa propriedade próxima da Fazenda Matsubara, e acho que vem daí, geneticamente, minha admiração pela cultura japonesa, artes marciais e da clássica figura do feirante que, curiosamente, não está representada ali. Mas o hábito de ir à feira não deixa de ser uma lembrança de casa, principalmente porque meus pais sempre reservaram um bom espaço para horta em casa e hoje também cultivam, sem pesticidas numa pequena propriedade, todas as verduras e muitos dos legumes e frutas que consomem. Quando sai da pequena Moreira Sales, aos 14 anos para estudar, o primeiro lugar que passei foi um internato adventista, vegetariano e que também opta pelo cultivo orgânico. Essa também é uma lembrança que me vem à cabeça todo sábado.

Mas todos esses fatores se reúnem mesmo quando tomo café – sempre um assado de espinafre, lassi e um espresso – e compro patê de tofu, torta de damasco, relish de abobrinha entre outros produtos com o casal Tiago e Amanda. Quem serve é o irmão dela, José, que presenteei com orgulho com um cartaz do “Into the Wild” (“Na Natureza Selvagem”). Num mundo de redes sociais e ídolos teens bobos, temos que apoiar jovens com bom gosto cinematográfico.

Café da manhã na barraca da Amanda, Tiago e José.

Café da manhã na barraca da Amanda, Tiago e José.

Depois eu completo as compras em outra barraca, do pai deles, que chamo de “seu Marfil”.  Lá trabalha a irmã do Pedro e da Amanda, Manu, e muitos jovens , todos simpáticos e atenciosos. Aliás, há alguma coisa inevitável em quem trabalha com a terra: um astral bacana que parece ser ressaltado ainda mais quando se sabe que está produzindo alimentos respeitando nosso planetinha.

Mas entre as duas barracas, também passo na dos produtos Amábile, todos maravilhosos produzidos e vendidos pela dona Ilide, a Cláudia, o Gabriel e seu Leonel. Compro pães integrais e de milho, feito com fermentação natural e um calzone de legumes que será um dos jantares. Antes, lembro, todos os sábados, quando abordado pela dupla de vendedores mais famosos da feira, que já comprei as colheres de madeira feitas pelo seu Lúcio – um veterano guitarrista cheio de histórias – e o livro do seu Honorio Delgado Rubio, que tem mais histórias ainda.

Os pães, calzones e brownies da Amábile.

Os pães, calzones e brownies da Amábile.

Seu Lucio e Seu Honorio.

Seu Lucio e Seu Honorio.

Passo ainda no Plá (sim, o músico) e adquiro umas “plá-ssocas” com frases filosóficas, pela barraca dos cosméticos – quando preciso de shampoo, sabonete ou condicionador – e na última, antes do posto da Polícia Militar, que vende bananada e goiabada em barra. Sigo para casa, separando moedas para o guardador de carros, feliz por ter matado um pouco a saudade da família fazendo compras com outras famílias, no ritual que faço questão de fazer todos os sábados, faça sol, chuva ou frio como no último.

Anos de feira

6 junho, 2017 às 17:44  |  por Elaine de Lemos

received_1418593084874052“Moço, ganho a salsinha de brinde com a compra? Ainda não é Natal, parente!…” Depois dessa, e sob a influência do ótimo livro ” Dias de Feira” do arqui vilão dos blogs gastronômicos Jotabê, resolvi dar o meu relato do ponto de vista do cliente/passeador de feira.

Os musos desse texto são o casal Mauro e Simone Cohene. Há pelo menos 37 anos Mauro e a esposa tocam a banca de hortifrutigranjeiros, honradamente levando adiante o negócio começado pelo pai do Mauro, Sr.Zen Cohene, da colônia Orleans. É trabalho duro, pesado mesmo, mas você nunca verá esses dois de cara feia, sempre com um chiste na ponta da língua.

Mauro Cohene.

Mauro Cohene.

Estamos num sábado, meu dia de frequentar. Rua fechada, céu aberto, às vezes. Cantores sertanejos cegos a postos. Artesanato se mistura com os hortifrutigranjeiros, que por sua vez ficam ao lado do pessoal dos ovos: de granja, um pouco mais em conta, e caipira de granja, gourmetizados.

De granja e caipira de granja /foto: Karina Kuster.

De granja e caipira de granja /foto: Karina Kuster.

Por ali tb fica a turma do dedo verde (destaque para a família Tomita), que vendem aqueles arranjos florais bonitos e despretensiosos que duram mais de uma semana em casa.

Família Tomita/foto:Karina Kuster.

Família Tomita/foto:Karina Kuster.

Caldo de cana perto das flores, assim o ecossistema urbano fica em paz e as abelhas em atividade.

Em frente, o clássico dos clássicos : a Barraca do Pastel. Primeira de 3 até o final da Alberto Bolliger.Pastel de feira. Foto:Karina Kuster.  Pra turma mais Juvevê Internacional ou Alto da XV  Tribecca, tem o mall por quase toda a extensão da feira, o qual, apesar de ser Juvevila fervorosa…também frequento. Rocka’Birra, café da manhã dos campões: um chopp  Cathedral IPA . Ainda no mall fica o novinho em folha Papola, que faz a alegria da turma do Brunch com champagne (Oscar Freire tem mágoa).

Papola(brunch)/foto:Karina Kuster

Papola(brunch)/foto:Karina Kuster

No epicentro da feira, 3 trailers de queijos e charcutaria com senhas que parecem programa de metas de empresa multinacional: impossível chegar lá. Mas vale se você for paciente.

Trailers queijos e frios.Foto:Karina Kuster.

Trailers queijos e frios.Foto:Karina Kuster.

Não podemos esquecer o Paraguayzinho, onde tem desde ralador de queijo e forma para bolo até umas roupinhas que dão uma enganada…

Na extrema esquerda do terceiro pastel, esquina com a Rua Conselheiro Carrão, o irrefutável Bar do Dante. Oscar de melhor rissolis de camarão (com moqueca dentro,minha gente!).

Bar do Dante.Foto: Karina Kuster

Bar do Dante.Foto: Karina Kuster

o simpático garçom e os rissolis de camarão do Dante. Foto:Karina Kuster.

o simpático garçom e os rissolis de camarão do Dante. Foto:Karina Kuster.

No outro extremo, começo da feira, próxima à loja de brinquedos que vende Genius (óh Glória!) ficam meus eternos amigos  Edna e Pancho, com seus chales, ponchos, colares, bolsas: tudo feito em tear e na mão.

Edna Pinsag e seus colares,bolsas e chales. Foto: Karina Kuster.

Edna Pinsag e seus colares,bolsas e chales. Foto: Karina Kuster.

E você? Tá fazendo o quê em casa? Já pra feira!

HABEMUS KEFIR!

3 maio, 2017 às 17:44  |  por Elaine de Lemos
Blog Temperando

Blog Temperando

 

Quem foi criança ou adolescente nos anos 80 lembra daquele golpe que sofremos por meio de alguma fábrica de brinquedos inescrupulosa chamado Sea Monkeys (na Argentina: Kikos Mariños).

Um pacotinho contendo um pó para ser misturado na água. A embalagem prometia que aquele pozinho se transformaria no seu melhor pet aquático. Pois é. Nunca aconteceu. Dizem que era, na realidade, krill, alimento para camarões, invisível a olho nu.sea monkeysseamonkeys

35 anos passados desta profunda decepção, ganho de uma amiga o tal Kefir, que pode ser cultivado tanto na água quanto no leite (yakult é para amadores). Mas afinal, o que é o Kefir?

São grãos ricos em bactérias ácido lático (isso quando é feito de leite, lógico), ácido acético e leveduras variadas.KEFIRLEITE-ID

Indicado para reduzir a acidez estomacal, problemas hepáticos, problemas intestinais (solta o que está preso e segura o que anda muito solto…), problemas emocionais, porque contém triptofano, que estimula a produção de serotonina e endorfina.

Combate o colesterol ruim e ajuda a emagrecer. Essa parte ainda estou esperando… Ou seja, minha gente, o negócio é praticamente a Maravilha Curativa do Dr.Humpfrey’s!

POR QUE CULTIVAR KEFIR?

Além de todos os 127 benefícios acima listados, finalmente ganhei os kikos mariños que esperei por toda minha infância. Sim, porque você tem que cuidar deles, coar, lavar e – a parte lúdica de quem não tem cachorro, nem gato e nem periquito em casa – dá para assistir ao ballet do SobeDesceFermentaCresce.

SEJA LEGAL, DOE KEFIR!

Kefir, assim como a felicidade, não se compra. Se doa. Até porque os bichinhos tomam conta da casa, se você deixar, o que irrita qualquer mãe, cônjuge etc.

Pode parecer muito bicho-grilo isso. Mas, nesta contemporaneidade ególatra que estamos vivendo, faz bem espalhar probióticos vivos por aí na esperança de um mundo melhor.

Por hoje é só, pessoal. Precisando de kefir, contatem a página www.cozinhademinhoca no facebook que a gente dá um jeitinho!

 

 

 

 

 

 

PANQUECAS: DO ÓDIO À ODE.

6 abril, 2017 às 12:09  |  por Elaine de Lemos

Meu problema com panquecas começou na infância. Na minha casa, religiosamente duas vezes por semana, o cardápio do almoço eram panquecas com carne moída e molho de tomate, possivelmente com aquele queijo Teixeira que já nasce ralado e seco por cima de tudo,”para gratinar para as crianças”. Eu tinha pavor (fedelha ingrata).

Panqueca

A intolerância à panqueca foi se agravando na adolescência – anos 80 em Curitiba não havia bar bicho grilo/alternativo, do Trem Azul e Arlequim ao Café Poesia, que não tivesse a dita – tinha panqueca com creme de milho, com massa integral, com frango e catupiry e até (Senhor livrai-me) com recheio macrobiótico. Era o truque supremo dos lugares que serviam comida mas não tinham cozinheiro profissa.

O CREPE DO VIZINHO É SEMPRE MELHOR.

Já na idade adulta, avançada mesmo, comecei a enxergar a graça que antes me escapava na rodela de massa tostada. Afinal, crepes são uma delícia, não? Com aquela dobradura origamística e recheio bárbaros!

CREPE-BRETONNE-02

E as americanas? Uma cornucópia de panquequinhas cobertas por Syrup (karo metido à besta) que garantem a permanência do ser humano na obesidade para sempre…

Até aprendi uma variação de blinis russo, com batatas, que faz sucesso.

Mas, então, porque diabos o preconceito? Porque eventualmente somos fúteis, mal agradecidos e, se a oferta é grande, desdenhamos. Feio, né?

Corta para ontem à noite: abri a geladeira e tive um momento de alegria seguido por um arrependimento que tardou 40 anos para chegar: um belo prato cheio de panquecas enroladinhas à perfeição, com recheio de carne moída ,feitas pela minha mãe (Véia Joanita para os íntimos) e pela Lourdes, fiel escudeira. A elas, peço desculpas pelas caras de nojinho que fiz para as panquecas toda a minha vida.

Ninguém melhor que as duas para contar um pouco desta história. Mandem ver, meninas!

O RESTAURANTE NO FIM DO PARANÁ

22 março, 2017 às 17:27  |  por Elaine de Lemos
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Foto: blog Londrina Baixa Gastronomia

“De Jacarezinho a Pato Branco, de Foz a Paranaguá…”, trecho do jingle da campanha do Jaime Lerner para governador. E era isso que a gente fazia, igual um bando de malucos: cruzava o Estado de cabo a rabo. Tive várias outras oportunidades de viajar pelo Paraná, em campanha, fazendo eventos pelo cerimonial em 3 gestões, ou produzindo ações promocionais não governamentais. A minha eterna pergunta era: onde vamos jantar? Pouco esganifada, mas vá lá, ainda acho que é o melhor jeito de conhecer a cultura de um local.

Nem todos nas diversas equipes de viagem – de motoristas à equipe jornalística, cerimonial, polícia militar, monitores, recepcionistas, enfim, de um tudo- tem o mesmo interesse pela comida. Seja porque não querem gastar ou não estão na vibe de socializar depois de 600 km rodados. Cansei de ir sozinha, não me arrependo. Na verdade, falta de companhia para jantar nunca foi um impedimento. De lá para cá muito deve ter mudado pelo interior, porém fiquei bem feliz,  fazendo uma mini pesquisa, vi que os lugares que eu adorava ainda estão lá! E, gente, tem muita coisa boa além das paradas de beira de estrada. Falando nelas, na volta de Cascavel:

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Açougue e  Posto 500. Antes era um pequeno açougue sempre cheio, hoje em dia um supermercado. Eles tem a melhor cracóvia do Universo, nem Prudentópolis ganha deles. Tá, talvez a Cracóvia ganhe, mas só.  A Anila no caminho para Irati é outra que triplicou de tamanho, com direito a hotel e posto de gasolina, os valores também engordaram, mas os queijos e fiambres valem a parada. Por último mas não menos importante na beira da estrada, a salada de frutas gelada do Castelinho 100 km antes de chegar em  Foz do Iguaçu. Parada obrigatória.

Quando em Francisco Beltrão, não deixe de ir no KasaNostra, com cara de castelinho medieval e aquele brodo de agnolini que só o sudoeste gaudério sabe produzir.

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Londrina?

blog Londrina Baixa Gastronomia

blog Londrina Baixa Gastronomia

Restaurante Rodeio, uma cruza de Bar Palácio com Nonna Giovanna, ali na esquina do Hotel Bourbon. Desde 1966, o filet à parmeggiana impera, mas também tem Steak Diana, ou seja, o lugar é um clássico pé vermelho imperdível.

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Se você for a Maringá e não comer uma vez na vida na Casa Portuguesa com Certeza, volte duas casas! De longe um dos melhores portugueses que ja tive a oportunidade de ir. Uma vez tentei comprar os doces do balcão para viagem, o dono não me deixou, disse” só posso lhe vender um. Se a minha senhora vê este balcão vazio, ela corre a fazer mais, e com esse problema na lombar…” Portugueses e seus raciocínios… A picanha do Casarão também costumava ser famosa. E boa.

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Campo Mourão tem o melhor restaurante estilo Santa Felicidade fora dela, um rodízio de massas com nome de bactéria: Cantina di Colli. Spaguetti aglioglio mandatório. E, lógico, durante as festividades na cidade o tal Carneiro no Buraco realmente vale o quanto pesa.

Paranavaí além do calor senegalesco, oferece a rara oportunidade de comer num restaurante alemão de alto nível, o Mein Haus, com filet suíno curado e defumado na casa e purê de maçã como acompanhamento. Deus é alemão! Nunca foi barato, porém.

De Umuarama lembro do Choppatinhas ( como esquecer ?) com chopp geladíssimo ao lado do hotel e aquelas porções de linguiça com aipim tamanho “Pedro e Bino”.

Em Cascavel a churrascaria Portal sempre teve como diferencial um farto buffet de saladas com uma preparadora que serve o que vc escolher cortadinho na hora, ideia boa, não? Chegando em Foz do Iguaçu,  já não tem mais o Antonio Maria, nesse caso minha sugestão é: ande mais um pouco, atravesse a fronteira e vá no ” El Quincho del Tio Querido”. No fim das contas o Restaurante no fim do Paraná fica na Argentina. Aproveite e me traga um saco de HARINA 0000, melhor para massas e pizzas no Brasil, não há. Por hoje é só pessoal!

P.S. Dedico este texto ao incomensurável Valter Chagas, mestre de cerimônias que é a voz do Paraná, grande companheiro de estrada!

 

 

Brot Frit: em busca do mingau perdido.

6 março, 2017 às 11:37  |  por Elaine de Lemos

POLENTINAMinha avó, Dona Barberina, e posteriormente minha mãe ( VJ-Véia Joanita para os íntimos), costumavam fazer um mingau de farinha de trigo com manteiga, água e sal. Algo entre molho bechamel e cola para cartaz de rua. Aquilo era um santo remédio para estômagos fracos, dores de barriga, gripe, mal estar, bronca de pai, praticamente a Maravilha Curativa do Dr.Humpfreys em forma de mingau. Brot Frit era o nome, meio ítalo-germânico, pelo jeito. Acontece que, para ter direito ao dito, a gente tinha que estar doente, senão, como diria o Soup Nazi do Seinfeld : no Brot Frit for you! Eu até hoje faço, como e posso atestar que cura inclusive mal de alma. Tentei levar a tradição adiante com os meus sobrinhos, não emplacou… Mas como eu estava determinada a ser  a ” tia-gente-boa-que-faz-aquela-comida-que-nunca-nos -esqueceremos”, improvisei  um mingauzão de Polentina com leite e manteiga no microondas. Bingo! Dois foram fisgados.

No fundo todos temos alguma memória da comida da infância que conforta, consola e alegra.

Para uma das minhas irmãs, por exemplo, não é o tal mingau e sim o abacate da casa da avó, recém colhido, aberto na hora e servido com açúcar e limão. Para mim ainda merece uma menção honrosa   a  aguinha do arroz borbulhante com alho que cozinhava na hora do almoço, quando chegávamos varados de fome do colégio.

Saindo do âmbito familiar, resolvi fazer uma pesquisinha básica  a respeito. Aqui está:

Foca Cruz(artista plástico)-euuu

” Desde que a família Cruz de mudou para Paranaguá, Dona Araci, com seus 5 filhos e somados todos os agregados, parentes e amigos tranformavam a casa numa espécie de clube da cidade. Dentre várias soluções práticas para alimentar essa tropa uma delas era minha favorita: grandes travessas de arroz com carne picada e molho de tomate por cima. Embaixo de tudo banana da terra frita cortada na longitudinal, ou, como dizem por lá:  de comprido, nunca de fianco. Como toda mãe amorosa que sabe do imaginário-afetivo dos filhos, sempre que ela quer me fazer um agrado, é esse o prato!”

Giselle Hishida (jornalista) – hishida” Sopa de fubá com alho e ovo inteiro no fundo; o macarrão caseiro da minha mãe;  bolinho de chuva com banana da minha avó. Entrada, prato principal e sobremesa!”

Rodrigo Barros Del Rei (músico) – rodrigão” Pão com leite condensado e nescau, preparados pela avó(mãe ou empregada não vale!). E pasta de dente escondida embaixo da cama… A fome vai por caminhos insondáveis.”

Marina Fontoura (terapeuta holística) -received_10212350013733853” Banana da terra fritinha com açúcar e canela, feita pela avó. Tanto em Curitiba, quanto em Castro, nas férias.”

Fernanda Pacheco Pereira (assessora técnica em comunicação e marketing)-IMG-20170302-WA0002 “Polenta amarela com miúdos, pé e pescoço de galinha. No dia seguinte raspávamos a panela de polenta para comer no café da manhã com açúcar  e leite quente.”

Ruy Machado Filho (chef de cozinha)-

Ruy Machado Filho

Ruy Machado Filho

” Passei parte de minha infância me deliciando com mingaus de maizena, de arroz e de farinha láctea, polvilhados com canela, feitos por minha mãe. Mais tarde, passei a sonhar com um belo bife a cavalo, daqueles de restaurante…”

Levir Culpi (técnico de futebol)-LEVIR “Maionese com batata, macarronada caseira e carne de panela feita pela minha mãe aos domingos.”

 

Este texto é dedicado à minha sobrinholândia: Alessandro, Rebeca, Otaviano, João Alberto e a binacional Maria Clara (esta ainda há de pegar gosto pelo brot frit!)

 

 

ELEGIA À SOPA FRIA

23 fevereiro, 2017 às 14:59  |  por Elaine de Lemos

Texto publicado originalmente no site Rêve de Mode.

Lembra daquele verão de 2014 em Curitiba, que fez Paranaguá parecer uma cidade fresca? Vai ser assim quando a gente lembrar desses dias de calor senegalesco. Hell’s Kitchen e Bangu já estão perdendo em graus para nós …

E comer o quê com esse calor ? Frio, tudo frio. E que venham os rosbifes, caponatas, galantines, cocktails de camarão, carpaccios, saladas de frutas e sorvetes… Tenho até vontade de comer salada. Mas o bom mesmo, pra mim, são as sopas frias e os bons drinks gelados (inclusive café, gelado na coqueteleira com nata batida). As duas sopas mais balsâmicas que conheço para esses dias de “Mad Max além da Cúpula do Trovão” são a Vichyssoise (agora também em versão vegana, pra quem é seguidor), e o bom e velho Gazpacho; desde o “Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos” ele entrou pro meu repertório culinário e de lá não sai, só não ponho os morfidales da Carmen Maura, ainda…

Apresento então as minhas versões, baseadas em sopas reais.

A Vichyssoise, mais francesa que a Brigitte Bardot;

Ingredientes:

3 batatas médias descascadas e cortadas em cubos;
3 talos de alho-poró (não é aipo!), só a parte branca, picados;
1 cebola picada;
1,5 l de caldo de galinha (se for usar cubos knorr, nunca mais fale comigo…);
3 colheres de sopa de manteiga e 1 de azeite de oliva;
1/2 xícara de chá de creme de mesa fresco;

1 fio de molho pesto (esse até pode ser do tipo Hemmer de vidrinho).

Preparo:

Derreta a manteiga com o azeite, refogue a cebola, o alho-poró, adicione a batata, depois de 10 minutos coloque o caldo quente e deixe em fogo baixo por mais 20 minutos. Atire tudo no liquidificador e deixe até formar um creme. Adicione o creme de mesa e ponha para gelar. Na hora de servir, decore com cebolinha micro picada e um fio de pesto, voilá!

Gazpacho al borde de un ataque de nervios;

Ingredientes:

2 kg de tomates italianos muito maduros;

1 dente de alho médio;

Vinagre de vinho tinto (+ ou – 4 colheres de sopa);

Azeite de oliva (+ ou – 6 colheres de sopa);

Pimenta tabasco e pimenta do reino;

Sal (se for daqueles caros, fica melhor…);

1 pimentão amarelo picado;

1 pimentão verde picado;

1 cebola branca picada;

2 pepinos, tipo japonês, picados;

3 pães franceses fritos na manteiga com alho picados (croutons);

Preparo:

No liquidificador, bata os tomates com casca junto com o alho, tempere com o azeite, o vinagre, a pimenta e o sal. Coe tudo e ponha pra gelar. Separe os outros ingredientes em tigelinhas e ponha na mesa pra tigrada se servir! Observação muito importante: eu sei que os espanhóis misturam tudo no processador, tem gente que põe até maionese, mas o meu é assim. Salut i força al canut!

 

MEU PECADO PREDILETO

26 janeiro, 2017 às 11:43  |  por Elaine de Lemos

banqueteSão 7 os pecados capitais ,certo?

Gula;

Luxúria;

Vaidade;

Soberba;

Inveja;

Ira;

Avareza.

Dia 26 de janeiro alguém definiu ser o dia da Gula. Desde sempre meu mais amado e querido de todos. Tenho certeza que assim que eu chegar no purgatório, o elevador vai me levar direto pro subsolo por conta desse aí.

Mas afinal, como definir gula? Como não sou boa em dissertações, vou na já clássica listinha :

Gula dos Reis – gota .

Gula Hipster-larica.

Gula com culpa- bulimia.

Gula sem culpa – Gordura.

O rei dos ingredientes da gula-bacon .

Os vice – reis dos ingredientes da gula – manteiga e creme de leite.

Gula com Sal – hipertensão.

Gula Vegana – “evoulída”, porém sem graça.

Gula intolerante – sem lactose .

Gula por compensação imediata – uma bela visita com cartão de crédito sem limites ao Mercado Municipal .

Gula Permissiva- um belo de um jantar no Ile de France .

Gula Pernóstica- uma harmonização de espuma de sapo com foie de Whatever acompanhada de Chateau Mouton Cadet Pêra Manca

Gula Romana – banquetes de porcos recheados com frangos recheados com codornas ,comidos com as mãos

Gula dos Médici – você janta e a pobrada só assiste .

Gula Renascentista – com garfo.

Gula Napoleônica – piéces montés de Carême .

Gula de Domingo – Pizza.

Gula de Sábado – Feijoada.

Gula de Praia – Camarão frito à milanesa.

Essa lista nunca vai terminar antes de acabar com a saúde e o bolso da gente. E viva a auto indulgência decadente da Gula !

Hoje pode tudo,turma!!

(PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG RÊVE DE MODE)

MEU TIO JOÃO ALBERTO E O PIZZICATO.

13 janeiro, 2017 às 15:52  |  por Elaine de Lemos
forno à lenha, com orgulho.

O forno à lenha, com orgulho.

Os eternos Gilson e José.

Os eternos Gilson e José.

Duas gerações dos Nicolella

Duas gerações dos Nicolella

Dr,João Alberto Leschkau. Meu tio.

Dr.João Alberto Leschkau. Meu tio.

“ Olho pro céu e vejo o Atlético jogando bola…Olho pro Inferno e vejo o Coritiba pedindo esmola, Jesus Cristo”… e foi assim que aprendi a primeira de centenas de musiquinhas da rixa mais clássica da cidade. Jaime  Lerner x Requião são fichinha perto de qualquer Atletiba que se preze.

Pois bem, este era meu tio, Dr. João Alberto Leschkau. Irmão caçula da digníssima genitora Joanita, advogado por profissão e diplomata e relações públicas por vocação. Todos s seus clientes eram de uma fidelidade daquelas que passa de uma geração para outra. Assim era o seu compromisso e parceria com todos , como diria Gardel:”el tiempo viejo que lloro e que nunca volvera…”. Tempos de fio do bigode, não de barbearia hipster.

Dentre as boas lembranças e coisas bacanas que meu tio me ensinou (e olha que Trétis é Trétis), tem o Pizzicato, passei minha infância ouvindo falar de tudo de lá. Novamente, clientes que se transformaram em amigos e parceiros.

PIZZICATO: A ORIGEM DO CALZONE.

 

Se existem estabelecimentos que merecem louros, elogios e principalmente, a frequência da clientela, são lugares como o Pizzicato.

Fundado por Aurelio Nicolella e sua esposa Carolina em 1971. Ela, responsável pelo molho de tomate mais secreto que senha do 007. A receita veio com dona Carolina desde Nápoles, nos anos 50, quando o casal imigrou para o Brasil e eventualmente, sentaram praça em Curitiba.

O Pizzicato foi a segunda pizzaria em Curitiba com forno à lenha. A primeira também foi do Seu Aurélio.

Hoje em dia , o negócio é tocado pelos filhos, primos e neto. O fato de que todos se chamam ou Gennaro, ou Rafael ou Danielle faz a gente se sentir um pouco dentro da história do “Cem anos de solidão”, onde todas as gerações carregam o mesmo nome.

Voltando ao molho : entrei na cozinha, escoltada pelos simpaticíssimos garçons Gilson(36 anos de casa, tricampeão da corrida dos garçons na Rua XV) e José(40 anos de casa, precisa mais pra imaginar a importância da criatura no lugar?).

Tentei em vão descobrir a receita centenária com as cozinheiras Solange, Janete e Helena. Mas achei que era melhor sair da cozinha ignorante porém, viva (trilha sonora sugerida: THE GODFATHER).

O Pizzicato é daquelas cantinas que tem pratos já que há tempos estão fora do cardápio”mas é só pedir que a gente faz”, como o ragu de carneiro, alegria dos sábados do Dr.Marcos Kleiner. Ou aquele calzone que só meu primo acerta pedir(com o tal molho dentro). Esta deveria entrar em definitivo para o cardápio.

Preços honestíssimos, massa caseira, o mesmo sabor há 45 anos, que mais se pode querer?

Fillet parmiggina/Pizzas/Maltagliatti com tomate, posta e ricota(dos Deuses). E tem sopa de Capeletti, minha gente!

 

Moral da história Nº1: Viva meu Tio João Alberto!

Moral da história nº2: quando você, caro amigo leitor, tiver vontade ou oportunidade de ir numa cantina italiana, comer uma pizza, massa, enfim, que tal uma volta às raízes que fizeram desta cidade o que ela é?

Seu Aurelio e Dona Carolina: a origem da série

Seu Aurelio e Dona Carolina: a origem da série

P.S.: O Pizzicato atende torcedores de todos os times, a questão do Tretis é da minha família, não do restaurante. E claro, este texto é dedicado para a minha tia Regina e primos Luiz Alberto e Luciana.

Pizzicato Pizzaria

Endereço: Av. Silva Jardim, 1121 – Rebouças, Curitiba – PR, 80230-000
Aberto hoje das 18:30 às 23:30h

 

 

BRANDADE DE BACALHAU “NA MINHA COZINHA MANDO EU”.

12 dezembro, 2016 às 12:32  |  por Elaine de Lemos
Brandade de Bacalhau

Brandade de Bacalhau

Qual cozinheiro diletante nunca se deparou, entre pré preparos e cocções, com a amigável participação dos comensais sob a forma de sugestões, palpites,etc.  O famoso: eu se fosse você… Ou então: por que você não coloca os tomates no forno, seca, tira a pele e a semente, acrescenta tomilho, orégano, deixa uma hora e depois centrifuga?

A verdade é que na cozinha (mesmo na versão lúdica) existe um momento onde a atividade tem que passar a ter um só cacique, no caso o dono da casa, ou a pessoa que passou o cartão na hora das compras, enfim: o dono da bola, da trave e do campinho.

E quando o palpite procede? O que fazer quando a sugestão é boa?  Meu “causo” mais clássico foi quando, pela segunda vez na vida, estava fazendo a tal Brandade de Bacalhau e a amiga incauta me avisou: chega de creme de leite! Depois disso , só lembro de enxergar tudo preto, a raiva tomou conta. O pior é que ela tinha razão, mas sabe como é, pessoas morreram por muito menos que isso…

De lá para cá, fiquei mais velha, mais experiente e menos sujeita a ataques de fúria. Há um bom tempo, sempre que troco serviços gastronômicos por $, o chef Ruy Machado Filho está na escalação como atacante. Esta colaboração tem sido um privilégio e, acima de tudo, um grande aprendizado. Por conta dele mudei o mantra “mando eu ” para “manda quem  sabe, obedece quem quer aprender”.

Ruy Machado Filho

Ruy Machado Filho

No episódio de hoje amiguinhos, vou ensinar a minha receita de Brandade de Bacalhau. Não a certa, não a francesa, não a do Bourdain.  A minha.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:

1,5 kg de batatas asterix (a rosa);

1,5 kg do melhor bacalhau que você puder adquirir. Sim, é para desfiar, mas do meio lombo para o ” tipo bacalhau” são léguas em qualidade;

2 cebolas grandes micropicadas;

Tomilho e sávia frescos picados, noz moscada e pimenta do reino (ao gosto do freguês);

2 dentes de alho esmagadaos (depois você pesca lá dentro);

150 gr de manteiga sem sal;

1 pote e meio grandes  de creme de mesa fresco (gosto não se discute);

COMO FAZER:

Refogue a cebola com o alho, na manteiga e um pouco de azeite, pesque o alho (já deu);

Acrescente o bacalhau desfiado, a batata em purê, o creme de mesa, corrija a pimenta, o sal e noz moscada;

Coloque em potinhos refratários, cubra com farinha de rosca e (disparo final do colesterol) pedacinhos de manteiga,leve ao forno, de preferência com gratinador por cima , doure e seja feliz!

Serve 14 amigos sem intolerância à lactose como entrada ou 6 pratos principais .

P.S.: Este texto é dedicado às amigas  Jaqueline Carvalho, que por uma brandade quase morreu assassinada, Cristiane Mocellin, quem primeiro encomendou a brandade para mim, e à Daniela Garcia, grande companheira dentro e fora da cozinha!