Brot Frit: em busca do mingau perdido.

6 março, 2017 às 11:37  |  por Elaine de Lemos

POLENTINAMinha avó, Dona Barberina, e posteriormente minha mãe ( VJ-Véia Joanita para os íntimos), costumavam fazer um mingau de farinha de trigo com manteiga, água e sal. Algo entre molho bechamel e cola para cartaz de rua. Aquilo era um santo remédio para estômagos fracos, dores de barriga, gripe, mal estar, bronca de pai, praticamente a Maravilha Curativa do Dr.Humpfreys em forma de mingau. Brot Frit era o nome, meio ítalo-germânico, pelo jeito. Acontece que, para ter direito ao dito, a gente tinha que estar doente, senão, como diria o Soup Nazi do Seinfeld : no Brot Frit for you! Eu até hoje faço, como e posso atestar que cura inclusive mal de alma. Tentei levar a tradição adiante com os meus sobrinhos, não emplacou… Mas como eu estava determinada a ser  a ” tia-gente-boa-que-faz-aquela-comida-que-nunca-nos -esqueceremos”, improvisei  um mingauzão de Polentina com leite e manteiga no microondas. Bingo! Dois foram fisgados.

No fundo todos temos alguma memória da comida da infância que conforta, consola e alegra.

Para uma das minhas irmãs, por exemplo, não é o tal mingau e sim o abacate da casa da avó, recém colhido, aberto na hora e servido com açúcar e limão. Para mim ainda merece uma menção honrosa   a  aguinha do arroz borbulhante com alho que cozinhava na hora do almoço, quando chegávamos varados de fome do colégio.

Saindo do âmbito familiar, resolvi fazer uma pesquisinha básica  a respeito. Aqui está:

Foca Cruz(artista plástico)-euuu

” Desde que a família Cruz de mudou para Paranaguá, Dona Araci, com seus 5 filhos e somados todos os agregados, parentes e amigos tranformavam a casa numa espécie de clube da cidade. Dentre várias soluções práticas para alimentar essa tropa uma delas era minha favorita: grandes travessas de arroz com carne picada e molho de tomate por cima. Embaixo de tudo banana da terra frita cortada na longitudinal, ou, como dizem por lá:  de comprido, nunca de fianco. Como toda mãe amorosa que sabe do imaginário-afetivo dos filhos, sempre que ela quer me fazer um agrado, é esse o prato!”

Giselle Hishida (jornalista) – hishida” Sopa de fubá com alho e ovo inteiro no fundo; o macarrão caseiro da minha mãe;  bolinho de chuva com banana da minha avó. Entrada, prato principal e sobremesa!”

Rodrigo Barros Del Rei (músico) – rodrigão” Pão com leite condensado e nescau, preparados pela avó(mãe ou empregada não vale!). E pasta de dente escondida embaixo da cama… A fome vai por caminhos insondáveis.”

Marina Fontoura (terapeuta holística) -received_10212350013733853” Banana da terra fritinha com açúcar e canela, feita pela avó. Tanto em Curitiba, quanto em Castro, nas férias.”

Fernanda Pacheco Pereira (assessora técnica em comunicação e marketing)-IMG-20170302-WA0002 “Polenta amarela com miúdos, pé e pescoço de galinha. No dia seguinte raspávamos a panela de polenta para comer no café da manhã com açúcar  e leite quente.”

Ruy Machado Filho (chef de cozinha)-

Ruy Machado Filho

Ruy Machado Filho

” Passei parte de minha infância me deliciando com mingaus de maizena, de arroz e de farinha láctea, polvilhados com canela, feitos por minha mãe. Mais tarde, passei a sonhar com um belo bife a cavalo, daqueles de restaurante…”

Levir Culpi (técnico de futebol)-LEVIR “Maionese com batata, macarronada caseira e carne de panela feita pela minha mãe aos domingos.”

 

Este texto é dedicado à minha sobrinholândia: Alessandro, Rebeca, Otaviano, João Alberto e a binacional Maria Clara (esta ainda há de pegar gosto pelo brot frit!)

 

 

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