PANQUECAS: DO ÓDIO À ODE.

6 abril, 2017 às 12:09  |  por Elaine de Lemos

Meu problema com panquecas começou na infância. Na minha casa, religiosamente duas vezes por semana, o cardápio do almoço eram panquecas com carne moída e molho de tomate, possivelmente com aquele queijo Teixeira que já nasce ralado e seco por cima de tudo,”para gratinar para as crianças”. Eu tinha pavor (fedelha ingrata).

Panqueca

A intolerância à panqueca foi se agravando na adolescência – anos 80 em Curitiba não havia bar bicho grilo/alternativo, do Trem Azul e Arlequim ao Café Poesia, que não tivesse a dita – tinha panqueca com creme de milho, com massa integral, com frango e catupiry e até (Senhor livrai-me) com recheio macrobiótico. Era o truque supremo dos lugares que serviam comida mas não tinham cozinheiro profissa.

O CREPE DO VIZINHO É SEMPRE MELHOR.

Já na idade adulta, avançada mesmo, comecei a enxergar a graça que antes me escapava na rodela de massa tostada. Afinal, crepes são uma delícia, não? Com aquela dobradura origamística e recheio bárbaros!

CREPE-BRETONNE-02

E as americanas? Uma cornucópia de panquequinhas cobertas por Syrup (karo metido à besta) que garantem a permanência do ser humano na obesidade para sempre…

Até aprendi uma variação de blinis russo, com batatas, que faz sucesso.

Mas, então, porque diabos o preconceito? Porque eventualmente somos fúteis, mal agradecidos e, se a oferta é grande, desdenhamos. Feio, né?

Corta para ontem à noite: abri a geladeira e tive um momento de alegria seguido por um arrependimento que tardou 40 anos para chegar: um belo prato cheio de panquecas enroladinhas à perfeição, com recheio de carne moída ,feitas pela minha mãe (Véia Joanita para os íntimos) e pela Lourdes, fiel escudeira. A elas, peço desculpas pelas caras de nojinho que fiz para as panquecas toda a minha vida.

Ninguém melhor que as duas para contar um pouco desta história. Mandem ver, meninas!

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