Sábado perfeito

14 junho, 2017 às 10:01  |  por Elaine de Lemos
Barraca do seu Marfil, que ganhou um empurrãozinho para aparecer na foto. (fotos- Rodrigo Morosini)

Barraca do seu Marfil, que ganhou um empurrãozinho para aparecer na foto.

                                                                                                                                                                                                          Texto e fotos: Rodrigo Morosini.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Há, pelo menos, 15 anos faço as compras da semana na Feira de Orgânicos do Passeio Público. Além dos motivos de sempre  - cuidados com a saúde, favorecimento da agricultura familiar e minha “ecochatice”, que permite apenas alimentos e até os possíveis cosméticos de  origem orgânica em casa – há um fator emocional que leva a chamar de perfeito o sábado que começa no portal do Passeio.

Meu pai foi criado no interior de S.Paulo, em Marília, numa propriedade próxima da Fazenda Matsubara, e acho que vem daí, geneticamente, minha admiração pela cultura japonesa, artes marciais e da clássica figura do feirante que, curiosamente, não está representada ali. Mas o hábito de ir à feira não deixa de ser uma lembrança de casa, principalmente porque meus pais sempre reservaram um bom espaço para horta em casa e hoje também cultivam, sem pesticidas numa pequena propriedade, todas as verduras e muitos dos legumes e frutas que consomem. Quando sai da pequena Moreira Sales, aos 14 anos para estudar, o primeiro lugar que passei foi um internato adventista, vegetariano e que também opta pelo cultivo orgânico. Essa também é uma lembrança que me vem à cabeça todo sábado.

Mas todos esses fatores se reúnem mesmo quando tomo café – sempre um assado de espinafre, lassi e um espresso – e compro patê de tofu, torta de damasco, relish de abobrinha entre outros produtos com o casal Tiago e Amanda. Quem serve é o irmão dela, José, que presenteei com orgulho com um cartaz do “Into the Wild” (“Na Natureza Selvagem”). Num mundo de redes sociais e ídolos teens bobos, temos que apoiar jovens com bom gosto cinematográfico.

Café da manhã na barraca da Amanda, Tiago e José.

Café da manhã na barraca da Amanda, Tiago e José.

Depois eu completo as compras em outra barraca, do pai deles, que chamo de “seu Marfil”.  Lá trabalha a irmã do Pedro e da Amanda, Manu, e muitos jovens , todos simpáticos e atenciosos. Aliás, há alguma coisa inevitável em quem trabalha com a terra: um astral bacana que parece ser ressaltado ainda mais quando se sabe que está produzindo alimentos respeitando nosso planetinha.

Mas entre as duas barracas, também passo na dos produtos Amábile, todos maravilhosos produzidos e vendidos pela dona Ilide, a Cláudia, o Gabriel e seu Leonel. Compro pães integrais e de milho, feito com fermentação natural e um calzone de legumes que será um dos jantares. Antes, lembro, todos os sábados, quando abordado pela dupla de vendedores mais famosos da feira, que já comprei as colheres de madeira feitas pelo seu Lúcio – um veterano guitarrista cheio de histórias – e o livro do seu Honorio Delgado Rubio, que tem mais histórias ainda.

Os pães, calzones e brownies da Amábile.

Os pães, calzones e brownies da Amábile.

Seu Lucio e Seu Honorio.

Seu Lucio e Seu Honorio.

Passo ainda no Plá (sim, o músico) e adquiro umas “plá-ssocas” com frases filosóficas, pela barraca dos cosméticos – quando preciso de shampoo, sabonete ou condicionador – e na última, antes do posto da Polícia Militar, que vende bananada e goiabada em barra. Sigo para casa, separando moedas para o guardador de carros, feliz por ter matado um pouco a saudade da família fazendo compras com outras famílias, no ritual que faço questão de fazer todos os sábados, faça sol, chuva ou frio como no último.

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