Onde está Wally?
— Roberto, ontem descobri onde está o Wally que todos procuram. Aquele que virou até livro.
— Sério, Inácio? Aonde?
— Na Arena.
— Mas a Arena (Aliança Renovadora Nacional*) nem existe mais, Inácio. Virou pó ainda na ditadura. Esqueceu?
— Na Arena da Baixada, Roberto!
— Ah! Entendi… O que ele faz lá?
— Joga uma bola federal. Quero ele no Corinthians já!
— Peraí! Vou falar com o Joel Malucelli.
— Quero ele no meu Corinthians, Roberto! No Corinthians Paulista! Peça pro Doático fuçar a origem deste rapaz.
Minutos depois, Doático traz a ficha.
— Este Wally… Wallyson veio do ABC.
— Do ABC? Então é dos meus! Lembra quando eu jogava na ponta-esquerda e armava as greves no ABC?
— Claro, Inácio! Adorava quando você xingava o Sarney da Arena*. Bons tempos!
— Mas, Roberto, agora falando sério, como é que faço para este garoto não incomodar o meu Corinthians semana que vem no Pacaembu?
— Dê uma diretoria da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) pra ele. Se nomear hoje, sai no Diário Oficial de segunda e ele não pode jogar quarta.
— Ótima sugestão! Você é um grande amigo. Como gratidão, vou baixar um decreto que obrigue a redução de preços das camisas azuis.
— Eu preferia que você me ajudasse na questão do pedágio.
— Está na minha agenda, Roberto. O Marcelinho Paraíba já me tirou uma Copa do Brasil quando era do Grêmio (em 2001). Então, talvez eu precise, mais adiante, de um novo favor seu. Um grande abraço.
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* A Arena, partido do regime militar, existiu entre 1965 e 1980.
Foto: Ricardo Stuckert/Governo do Paraná.

