Às vésperas de uma decisão, sempre é especulada a vinda de árbitros de fora do Paraná. Bobagem. Erra-se aqui, ali e acolá.
Em 1979, o excelente Dulcídio Wanderley Boschillia foi chamado para Coritiba x Colorado. Se alguém se queixou foi o campeão. Aos 10min, o ponta-esquerda Santos, do Coxa, recebeu cartão amarelo e iniciou um diálogo com Sua Senhoria.
Santos: “O senhor me deu cartão, sem me advertir primeiro”.
Boschilia: “Comigo não tem advertência. Se merecer é cartão direto. E na próxima vai para a rua”.
Santos (apontado para a arquibancada): “Se eu for expulso, jogo esta torcida inteira contra o senhor”.
Boschillia (mostrando o cartão vermelho para Santos): “Então, jogue”.
Mesmo com um jogador a menos durante 80 minutos, o Coritiba ganhou por 2 a 0 e vestiu a faixa de bicampeão paranaense.
O ex-goleiro Jairo foi homenageado ontem pelo Coritiba. Na conversa com os torcedores, histórias engraçadíssimas, que o jornalista e músico Gilson de Paula relata no site Coxanautas.
Eis uma delas:
“O Aladim chegou para o Krüger e disse: ‘Você, feio desse jeito, tem que aproveitar para casar enquanto você está jogando. Depois que parar, vai ser complicado arrumar casamento’ ”.
“Depois daquilo, o que se viu foi um verdadeiro festival de mulheres indo aos treinamentos dizendo estar apaixonada pelo Dirceu Krüger. E era uma mulher diferente da outra. Numa semana era uma loira, na outra, uma morena. Na outra, uma ruiva”.
Aí o Aladim foi investigar e, em duas semanas, descobriu que a garota era sempre a mesma. Que ela só mudava a peruca pro Krüger impressionar a rapaziada”.
Esta é de 1980. O cartola Aziz Domingos estava sem trocados para pagar o bilhete da Loteria Esportiva e pediu socorro para Jaiminho e outros jogadores do Colorado.
Aziz alcançou os 13 pontos e não esqueceu da ajuda. Tão logo saiu da Caixa Econômica com o prêmio, o dirigente devolveu aos boleiros o suado dinheirinho da aposta.
Treino na velha Baixada, 1978. O técnico Diede Lameiro ordena que Ziquita se movimente, deixando de ser um poste na grande área. Mas a mulher do artilheiro, grudada no alambrado, quer que o marido fique perto do gol.
Entre as duas solicitações, Ziquita atende a da patroa. Irritado, Diede o coloca entre os bancários da reserva e o Atlético perde o campeonato para o Coritiba.
Madureira, ídolo do Ferroviário e do Atlético nos anos 60, emprestou o carro para amigo Zé Roberto: “Ele pediu para dar uma volta, mas a volta dele durou dois dias. Ele levou a mulherada para a praia, fez a maior festa. Daí me entregou o carro todo sujo, cheio de areia. Depois foi fogo explicar em casa”, recorda.
Esta e outras histórias, o Guerreiro da Vila que, aos 66 anos, mora em Cabo Frio-RJ, contou ao FutebolPR.
Ídolodo Colorado e do Pinheiros, o experiente meia-campista Marinho veste o uniforme do Matsubara contra o União Bandeirante. Mais um Clássico do Algodão Doce, rivalidade do Norte Pioneiro do Paraná nos anos 80.
Antes da partida, um dirigente do alviverde de Cambará pede ao craque:
— Diga ao juiz que, se tudo correr bem, ele pode passar no meu escritório amanhã.
Um tanto constrangido, Marinho, o “Interminável Marinho” (como o anunciava o narrador Durval Leal), avisa ao árbitro sobre a disposição do cartola em recebê-lo no dia seguinte.
Jogo disputado de área a área e eis que o Matsubara marca um gol, que é anulado sob alegação de impedimento.
Minutos depois, também constrangido, Sua Senhoria explica ao camisa 10 o real motivo da anulação:
— O Meneghel (presidente do União) também me pediu para passar no escritório amanhã…