Craques e caneladas

Futebol paranaense e outros cotejos
por Ayrton Baptista Junior

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'Nas ondas do rádio'

Valeu, Professor!

26 Dezembro, 2008
15:17

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“Olha o gol!”

“Aonde, Kramer?”, perguntava o narrador Lombardi Junior.

“No VGD, Zé Dias aos 23 do 1º: Londrina 1, Matsubara 0.”

Nas tardes de domingo, a Rádio Clube Paranaense espalhava sua equipes nos estádios da capital e do interior. Mas seja por questões técnicas ou econômicas era inviável estar em todos os campos. Mas Oldemar Kramer estava.

Num tempo em que futebol na televisão era artigo de luxo e que celulares e computadores eram cenas de ficção científica, Kramer telefonava, se preciso, até para delegacias de pequenas cidades para descobrir o resultado de um jogo do Campeonato Paranaense. Ao final da domingueira a tabela estava completa.

O esforço do Professor Oldemar Kramer e de seus parceiros, em especial Carlos Kleina, com quem dividiu o microfone por três décadas, e Pedro Rogério Gregoski, que o auxiliou na retaguarda por mais de vinte anos, era também o alívio de jornalistas de todo o estado: para fechar a página de resultados bastava sintonizar o Grande Placar Esportivo B-2.

Em cinquentas anos de rádio, completados no dia 1º de novembro passado, Kramer ganhou respeito de moradores dos grandes palácios e das humildes moradas. Em 1972, o presidente Emílio Médici, em visita ao Paraná, o consultou sobre as possibilidades do Grêmio no Campeonato Brasileiro. Ao longo da carreira, recebeu incontáveis mensagens de ouvintes que lhe agradeciam pelo fato de, mesmo longe de suas cidades de origem, poderem acompanhar a “marcha da contagem” de seus times. Em setembro de 2006, quando a Clube iniciou o desmonte de sua programação local, foi ao “papa dos plantões esportivos do Brasil” que o vice-governador Orlando Pessutti perguntou o que poderia ser feito para mudar a situação. 

Ontem, vários alunos, ouvintes e admiradores de Oldemar Kramer estiveram no Cemitério da Água Verde. Como última homenagem palavras do apresentador e comentarista Sílvio de Tarso sintetizaram o sentimento de todos os presentes.

*****

Mesmo fora do ar e extremamente revoltado com os rumos da Clube, agora uma mera repetidora de programação paulista, Kramer prosseguia atualizando dados sobre os diversos campeonatos. “Se precisar entrar no ar hoje está tudo na mão”, Em outubro, voltou ao microfone, através da Difusora AM 590, atendendo convite de Sidnei Campos, Edgar Felippe e Capitão Hidalgo, com quem convivera na Clube dos tempos de Lombardi Junior

Lombardi, lá no céu, estava precisando de um plantão esportivo…

*****

“Oldemar Kramer sempre foi e sempre será, para mim, o maior plantão esportivo que este país já teve”.

Domingos Machado, da Rádio Expressão FM de São Paulo, ex-plantão da equipe de Osmar Santos na Rádio Globo.

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Iniciei minha vida de cronista esportivo como rádio-escuta da B-2 em 1986, aprendendo com Oldemar Kramer. Obrigado, Professor!

*****

Foto retirada do blog de Edemar Annuseck, com quem Kramer cobriu a Copa América de 1995, no Uruguai, pela Clube.

Leia mais no Bem Paraná.

Ouça o depoimento de Carlos Kleina na Rádio CBN.

Esporte no campus

15 Dezembro, 2008
12:16

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O esporte entra no campo da universidade. Acontece nesta terça-feira, às 19h30, no campus Prado Velho da PUCPR, o 2º Seminário de Comunicação Esportiva, que reúne atletas e nomes da mídia.

Elenco: os jornalistas João Palomino (ESPN Brasil), Marcelo Di Lallo (Rádio Eldorado/ESPN-SP) e Adriano Rattmann (Paraná Esportes e Coritiba); o empresário Marcos Malaquias (agente de Keirrison, entre outros jogadores); o surfista Sérgio Laus (o do surfe na pororoca); o piloto André Bragantini Jr. (Stock Car); e o boxeador Edson Foreman. A mediação é de Márcio Rodrigues (Sindicato dos Jornalistas do Paraná).

Inscrições pelo e-mail eventosesporteclube@gmail.com. Mais detalhes no site da PUC.

Paranaenses às pampas

15 Outubro, 2008
15:02

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Primeiro foi Linhares Júnior (ex-RPC TV e rádios Globo e CBN), que trocou Curitiba por São Paulo, no semestre passado, a convite do canal Sportv. Em setembro, o narrador que fez as malas foi Jacir de Oliveira, um apaixonado pelo rádio gaúcho, que deixou a Difusora 590 e embarcou num sonho de adolescência: gritar gols pela Guaíba, de Porto Alegre.

O titular da Guaíba, um dos ídolos de Jacir, também é paranaense: Haroldo de Souza, nascido em Castro, está em Porto Alegre desde 1975, quando trocou a Itatiaia, de Belo Horizonte, pela Gaúcha.

O papa dos plantões

29 Setembro, 2008
15:13

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Oldemar Kramer, 73 anos de idade, mais de 50 de rádio, voltou ontem ao microfone, após um ano de afastamento. O “papa dos plantões esportivos do Brasil”, consagrado na velha Rádio Clube Paranaense, estreou ontem na Difusora AM 590.

Sorte a dos dirigentes que o Brasileiro, hoje, é de pontos corridos. Na época em que os campeonatos eram torneios com grupos e fases, Kramer sabia mais do que a cartolagem como encerrar dúvidas de regulamento. Era o tira-teima. E sem computador.]

Leia entrevista de Oldemar Kramer ao repórter Carlos Simon, do Paraná Online.

Foto: site Milton Neves.

Rádio no escuro

25 Setembro, 2008
15:56

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Virou praxe no rádio brasileiro transmitir futebol sem sair do estúdio. Para conter gastos de viagem, as emissoras apóiam-se na imagem da televisão e, no máximo, enviam um repórter para acompanhar os nossos times.

E se a imagem não vem? Isto raramente acontece, mas em Curitiba resolveu acontecer duplamente nos últimos dias: ABC x Paraná e Chivas Guadalajara x Atlético só chegaram aqui aos 5min de jogo.

Sábado, a agonia da espera forçou os narradores a transmitirem o que ouviam de emissoras de Natal pela internet. Ontem, apenas Jacques Santos, da Banda B, escolado em rádio-escuta, gritou o goooooool (e com detalhes da jogada) que o atleticano Pedro Oldoni marcou no primeiro minuto. 

Atualmente, só a Itatiaia, de Belo Horizonte, desloca equipe completa (narrador, comentarista e repórter) a todos os jogos. Um dos titulares da rádio mineira é o catarinense Willy Gonzer. Na década de 1960, ele atuava em Londrina, mas sua emissora perdeu a única linha telefônica disponível no campo do Mandaguari. Recurso: ouvir a concorrente. Aos 45min do segundo tempo, pênalti contra o Londrina e… pânico! A rádio que estava no estádio saiu do ar. Como não podia revelar aos ouvintes que estava em um estúdio, Willy narrou o gooool do Mandaguari. Quando chegaram em casa, os jogadores londrinenses não entenderam o porquê do abatimento da torcida, afinal o atacante do Mandaguari errou a cobrança…

Outro caso tragicômico do gênero “rádio no escuro” aconteceu em 1989. Apenas a rádio Capital acompanhou o Vasco em Medellín pela Libertadores da América. Mas as outras não deixaram “o ouvinte na mão”. Quando o goleiro colombiano Higuita perdeu um pênalti, o narrador Garcia Júnior, presente ao estádio, marotamente anunciou o carro da Volkswagen, a patrocinadora: Gol. Os locutores rivais, que ficaram no Rio de Janeiro, aceitaram a carona: Gooooooooooooooolll!

Ao contrário da aflição de Willy e dos rivais de Garcia Júnior, o drama das emissoras curitibanas durou apenas cinco minutos. Um “apenas” que foi uma eternidade. Ufa!

Marcus Aurélio e os hóspedes do DM

14 Agosto, 2008
17:32

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O ponderado Marcus Aurélio de Castro, foi um dos melhores comentaristas do rádio paranaense, entre os anos 60 e 80, quando fez dupla com o preciso narrador Airton Cordeiro. Lembro quando ambos estrearam na Independência, em 1981, num domingo de Atletiba: Atlético 1 a 0, gol do ponta-esquerda Gilson, no Couto Pereira.

Lamentavelmente, Marcus deixou o microfone, mas felizmente voltou à crônica, através do Coxanautas, onde escreve semanalmente. Eis um trecho da coluna de hoje, na qual ele estranha o excesso de visitas dos jogadores ao departamento médico:

Não me lembro de ter sabido que o excelente Fedato tivesse estagiado no Departamento Médico. Alguém lesionado só por uma ocorrência muito grave.

Uma vez o Bequinha teve a perna fraturada por um paraguaio do Mandaguari.

Ou o fabuloso Dirceu Kruger, corajoso, que encontrou o joelho do goleiro do Água Verde e sofreu rompimento das alças intestinais.

E não havia a parafernália de equipamentos hoje existentes… Nem equipe médica. Era um só, que todo mundo sabia o nome… Nem fisiologista… Nem fisioterapeuta…”.

Leia a íntegra do texto Eu Só Queria Entender no Coxanautas.

*****

Marcus Aurélio, que também foi relações-pública do Coxa nos anos 80, disfarçava bem no microfone. Como ouvinte, eu não conseguia saber qual era o time dele.

Almoço com Resenha

16 Julho, 2008
14:45

O internauta Silvestre pergunta que fim levou A Grande Resenha Esportiva, da Rádio Continental. O programa trocou de casa na semana passada: está na Colombo (AM 1020) e que começa meia hora mais tarde: 12h30.

O patriarca da Família Rádio

15 Julho, 2008
14:18

Faleceu hoje, aos 74 anos, em Curitiba, o ex-comentarista Joe Silva, pai do narrador Fernando César (Rádio Banda B) e avô do também narrador César Júnior (Difusora de Paranaguá) e dos repórteres Bruno Henrique (Difusora 590, de Curitiba) e Tiago Silva (Banda B).

No final dos anos 90, pela Rádio Independência, a família trabalhou unida em vários jogos: Fernando narrando, Joe comentando e Tiago nas reportagens.

José Alfredo Silva, o Joe, ex-presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Paraná (Acep), deixou o rádio em 2000 e morreu vitimado por uma doença degenerativa.

Almoço sem Resenha

1 Julho, 2008
13:39

A Grande Resenha Esportiva, que após 24 anos na Rádio Paraná, se transferiu em 2007 para a Rádio Continental, do grupo RPC, saiu do ar ontem. Uma igreja evangélica alugou o horário (12h às 13h).

Rede Globo apresenta

18 Junho, 2008
20:13

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É muito anterior a Galvão Bueno o misto de narrador e chefe de torcida que cerca os jogos da Seleção Brasileira. Pela Rádio Bandeirantes, Edson Leite, nos minutos finais da Copa de 58, conclamava: “Brasileiros, saíam às ruas para comemorar”. Em 1970, o gol de Carlos Alberto Torres, que selou o tri, provocou o choro de Jorge Curi, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro: “Chorem conosco”, soluçava, direto do México.    

Mesmo em épocas de amistosos, torcedores se orgulhavam de ver jogadores de seu time entre os convocados. Por isso, a Seleção era um chamariz natural que facilitava o convite para as transmissões de Jorge Curi, Edson Leite, Fiori Gigliotti, Pedro Luís e Valdir Amaral.

Mas a partir dos anos 80, quando a revoada de ídolos e pseudo-craques para a Europa tornou-se corriqueira, o narrador precisou adotar a função de mestre-de-cerimônias do “escrete canarinho”. É o papel de Galvão Bueno, que narra, dá palpite e, acima de tudo, apresenta a Seleção aos brasileiros.

Quando o Brasil joga, há um misto de partida de futebol e programa da Rede Globo. Se a atração desagrada, pode-se vaiar o técnico e xingar o narrador. Dunga, porém, é passageiro. Mas o bem informado, competente, chato e festivo Galvão Bueno como catalizador dos amores e ódios destinados à Seleção é único.

Principalmente para quem não tem tevê a cabo…

Coxa 85 na voz de Lombardi

16 Maio, 2008
15:21

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Você quer recordar o Coritiba campeão brasileiro de 1985 e também o saudoso Lombardi Junior? Então, mande um e-mail para o torcedor Edvaldo Soares, que disponibiliza trechos de transmissões da Rádio Clube Paranaense através de um arquivo eletrônico: esoares@teracom.com.br.

Foto (reprodução): Revista Placar.

Causa atleticana agora é de todos

13 Maio, 2008
17:24

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Joel Malucelli é o primeiro presidente da FUTPAR (Associação das Entidades de Prática de Futebol Profissional do Estado do Paraná), oficializada ontem. Já de saída, a entidade composta por todos os times da primeira e da segunda divisão estadual apóia o vespeiro patrocinado pelo Atlético há um mês: a cobrança de direitos de transmissão às emissoras de rádio. Os valores do pacote para o Campeonato Paranaense serão definidos no segundo semestre.

Boicote aos narradores

1 Maio, 2008
17:19

A 5ª Vara Cível de Curitiba deu razão às rádios na briga com o Atlético. Por ora, transmite quem quiser e sem pagar nada (nem a luz da cabine).

Semana passada, a torcida rubro-negra ficou irada com a Transamérica, primeira emissora a levar o caso à Justiça, e lançou uma campanha de boicote contra a equipe do divertido ET:

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A briga motivou o cancelamento do patrocínio da Arena Store, loja oficial de produtos do clube, que acompanhava as transmissões de jogos e o programa diário das 18h.

*****

Os jogadores não estão alheios à causa. Desde o anúncio da cobrança, no dia 10 passado, o time só marcou um gol em três jogos (Valencia contra o Toledo, aos 35 segundos).

É ou não é um boicote aos locutores que gritam gol?

Estremeeece o placar do Couto!

30 Abril, 2008
14:41

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“Gooool! Estremece este gigante de concreto armado”. Assim gritava Lombardi Junior e agora escreve o placar eletrônico do Couto Pereira a cada gol.

Em janeiro de 2009, o rádio vai completar 15 anos sem Lombardi, falecido num acidente de barco. Será uma boa ocasião para que amigos e torcedores que detêm gravações do locutor as reúnam num CD.

Na foto acima, Lombardi Junior e Capitão Hidalgo, tabelinha que atuou nas rádios Universo e Clube Paranaense, entre 1976 e 1985 (em 82, foram à Copa do Mundo, na Espanha, pela Clube).

O Capitão, por sinal, também é blogueiro. Veja aqui.

Foto: arquivo de Ubiratan Lustosa.

Razão ao Furacão no rádio de São Paulo

18 Abril, 2008
17:21

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O Atlético Paranaense perdeu ontem a primeira batalha contra as rádios na questão dos direitos de transmissão. Uma liminar obtida pela Transamérica, na 5ª Vara Cível de Curitiba, invalida a taxa rubro-negra.

A causa, entretanto, não é a vilã de todos que têm um microfone. Pelo menos, fora daqui. Mandando o corporativismo às favas, a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp), divulgou nota oficial dando razão a Mario Celso Petraglia. “A cobrança não é ilegal, sendo inclusive praticada em outros países e em eventos internacionais”, diz o texto assinado por Ricardo Capriotti, presidente da entidade e âncora da Rádio e TV Record.

Também em São Paulo, dois nomes famosos entendem que o pedido atleticano é legítimo: Milton Neves (Rádio Bandeirantes) e Juca Kfouri (CBN), históricos rivais midiáticos.

Leia no Futebol Interior a nota da Aceesp. 

O fim da esmola

15 Abril, 2008
20:51

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“Em 1996, a tevê pagava o valor de R$ 10,4 milhões pelo Campeonato Brasileiro, cabendo ao Atlético R$ 60,8 mil. Para 2009, o valor proposto chegou a R$ 450 milhões, quando a nossa cota somará R$ 15 milhões. É caro? Talvez, mas a emissora que transmite consegue vender todas as cotas cobrando R$ 120 milhões por cada”.

“Fizemos um estudo de mercado com os quatro segmentos: televisão, rádios, jornais e internet. Ano passado, dos R$ 40 bilhões de faturamento em mídia, a tevê ficou com 50%, ou seja, R$ 20 bilhões. As rádios faturaram de 3% a 4% do todo e em torno de 6% a 7% do que a TV faturou”.

Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, justificando a cobrança de direitos de transmissão para as rádios. Ele não chutou. Os números são estes mesmos.

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O direito de transmissão tem respaldo no direito de arena e, portanto, o espetáculo é um bem econômico e passível de cobrança”.

Fernando Pimenta, advogado contratado pelo rubro-negro, que falou sobre o assunto hoje à imprensa de Curitiba. 

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“Os radialistas irão agradecer esse ato, pois terão com certeza um rádio com estrutura profissional, que não irá se negar a pagar um salário que não despreze a dignidade humana”.

Augusto Mafuz, colunista da Tribuna do Paraná, e ex-repórter de rádio, sobre a proposta do Atlético.

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O rádio vem retomando sua posição junto aos grandes clientes. Hoje se fala muito da internet mas o rádio é o primeiro grande veículo interativo do mundo”.

Mario D’Andrea, publicitário, vice-presidente de criação da JW Thompson Brasil, sediada em São Paulo, entrevistado pela Gazeta Mercantil, em novembro de 2007.

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O que Pimenta falou hoje, eu defendi aqui quinta-feira.

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Na foto, Ary Barroso (1903-1964). O compositor de Aquarela do Brasil inventou a primeira vinheta das transmissões de futebol. Antes de gritar “goool!”, ele soprava uma gaita-de-boca.

Rádio e futebol: felizes para sempre

14 Abril, 2008
14:48

É nula a hipótese da torcida rubro-negra ficar órfã do rádio no Campeonato Brasileiro. Embora não concordem com o valor (R$ 15 mil por jogo é realmente inviável), Banda B e Transamérica, donas das audiências mais sólidas, sabem que a proposta do Atlético não é blefe e que mesmo que não seja aplicada já (ou que seja derrubada na Justiça) é o início de uma tendência. Ou seja, de 2008 pode passar. De 2009, talvez não.

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Michel Micheletto, diretor-executivo da Banda B, é contrário à cobrança, mas rechaça a hipótese de boicote. Acompanhar os três grandes de Curitiba é questão de honra para Luís Carlos Martins, o dono da rádio. Desde que o deputado a adquiriu em 1999, a emissora presenciou in loco (no mínimo, com um repórter) todos os jogos de Atlético, Coritiba e Paraná.

Neste ponto, Luís Carlos Martins não é motivado nem pela política, nem pelo comércio: é orgulho de empreendedor (ele se assemelha a J.B. Faria, comentarista esportivo e dono da Paiquerê, de Londrina, que transmite Copas do Mundo desde 1990 com equipe própria, e acompanha o Londrina em qualquer recôncavo, seja pela Série A ou Z).

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Outra que deve sentar-se à mesa com o Atlético é a Transamérica. Mais ouvida entre a galera jovem das classes A/B, a emissora tem enorme potencial para aumentar o valor de suas verbas publicitárias, afinal lidera também num segmento crescente e ainda mal explorado pelo mercado publicitário: o das mulheres de alto poder de consumo que ouvem futebol (e, nesta faixa, há ouvintes que desconhecem Keirrison, Joelson ou Alan Bahia, mas são fisgadas pela linguagem bem humorada da transmissão da Transamérica). E esta mulherada é, na maioria, atleticana.

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Das outras quatro emissoras que narram futebol com regularidade em Curitiba, há uma terceira que admite negociar: a recém-nascida Rádio Mais, de Ricardo Chab. Não, claro, pelo preço anunciado.

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Radicalmente contrários são a equipe da Difusora 590Ely Thomaz de Aquino, diretor-executivo da Globo/CBN (e de longa história no futebol: Ely foi braço-direito de Evangelino Costa Neves no Coritiba). Na 590, como o horário é terceirizado, os lucros (quando vêm) e os prejuízos são todos do diretor de esportes Sidnei Campos, que é atleticano, mas dirige uma equipe que herdou ouvintes coxas-brancas, órfãos da Rádio Clube Paranaese (estão na 590 o narrador Edgar Felippe e o comentarista Capitão Hidalgo, que fizeram história na tradicional B-2, como Sidnei, repórter em 5 Copas do Mundo). Se Sidnei não pagar a conta, é provável que, num primeiro instante, a rádio aumente o foco no Coritiba.

Apesar do temor dos radialistas, não haverá desemprego. Depois da turbulência, o casamento entre o rádio e o futebol paranaense, nascido num domingo de Atletiba (1 a 1) na velha Baixada, através da velha B-2, em 1934, voltará à lua-de-mel. E serão felizes para sempre!

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Mais sobre este assunto:

O rádio vai ganhar

Seja feita a vontade de Saldanha

O rádio vai ganhar

11 Abril, 2008
17:24

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Embora considere legalíssima a cobrança de direitos de transmissão às rádios, não creio que a conta será a anunciada: R$ 15 mil por jogo (R$ 456 mil pelas 38 partidas) do Atlético. É o tal “peço muito para ganhar, no mínimo, um pouco”.

Mario Celso Petraglia e João Augusto Fleury da Rocha conhecem a realidade do rádio de Curitiba. O primeiro foi dono e o segundo, empregado em função administrativa. Petraglia vendeu a Banda B para Luís Carlos Martins e a CBN para outro cartola: Joel Malucelli, ex-presidente do Coritiba e hoje dono do J. Malucelli.

Nesta conversa, Joel pode ser o representante das emissoras, que segundo o Atlético, têm até o próximo dia 22 para assinarem o contrato. Se Banda B, Transamérica e Globo/CBN pagarem a conta, a idéia atleticana já terá vingado e, em 2009, coxas e paranistas poderão aderir a idéia. Haverá um pacote, tal como o proposto para a televisão, e não mais a conversa com apenas um clube.

Polêmica maior vai envolver as emissoras de outros estados. Afinal, caso a proposta não seja derrubada na Justiça, quando o Atlético for ao Maracanã, as poderosas Globo e Tupi (briga de cachorro grande, diria o comentarista carioca Washington Rodrigues) também precisarão desembolsar R$ 15 mil, assim como as rádios de Ipatinga, que recebe o Atlético no dia 11 de maio. 

Passado o susto, contudo, os gastos com direitos vão obrigar as emissoras a reforçarem seus departamentos comerciais, forçando-os a atrair anunciantes mais endinheirados. Afirmar isto hoje pode soar ridículo, mas o rádio será mais profissional e, conseqüentemente, irá gerar mais empregos.

Os radialistas e os ouvintes vão ganhar.

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Um dia, a televisão recebeu a conta. Todas bronquearam. Leia mais no tópico Seja feita a vontade de Saldanha.

Seja feita a vontade de Saldanha

10 Abril, 2008
19:45

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O Atlético Paranaense anunciou hoje um desejo antigo: o de cobrar direitos de transmissão das emissoras de rádio (leia no site oficial). Quem quiser irradiar os jogos do Furacão no Campeonato Brasileiro, na Arena da Baixada ou fora, terá que pagar R$ 456 mil (ou R$ 15 mil por partida).

Não falta razão ao clube, afinal as emissoras vendem cotas de publicidade, sem pagar nada pelo evento. Outro argumento a favor do rubro-negro: se as tevês desembolsam por que o rádio tem o produto de graça? 

No início, a grita será grande. Por outro lado, haverá a eliminação dos aventureiros e os profissionais do veículo, creiam, sairão ganhando e com mais legitimidade para exigir reformas aqui e ali dos clubes.

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No final dos anos 50, a TV Tupi  transmitia ao vivo jogos do Campeonato Carioca. Na década seguinte, a TV Record fazia o mesmo com o Campeonato Paulista. Os canais se defendiam alegando que futebol era “interesse público”. Um dia, porém, os clubes ganharam a causa: “Quer transmitir? Pague!”.

À Record a proibição fez bem. Para tapar o buraco, o canl 7 paulistano aceitou a sugestão de um grupo de publicitários e deu vez a um programa que faria história nas tardes de domingo: Jovem Guarda.

O “interesse público” continuou predominando quando o jogo não era mostrado para a cidade-sede. Foi assim até os anos 80. De vez em quando, a Globo pagava algum quando precisava alterar o horário da partida.

Choque maior, entretanto, aconteceu em 1983. O poderio global acertou com 22 dos 44 clubes da primeira divisão (entre eles, os nossos Atlético e Colorado). A concorrência protestou. Num Guarani x Corinthians a Bandeirantes foi ao estádio Brinco de Ouro e, com incentivo da torcida, transmitiu (eu vi isso: narração de Alexandre Santos, comentários de Pedro Luís e reportagens de Elia Júnior). Uma medida judicial, porém, tornou aquela a última transmissão de futebol por uma tevê que não havia pago para fazê-la.

À opinião pública, aos sindicatos de jornalistas e radialistas e às emissoras o “interesse público” estava acima do “direito de imagem”. Não se aceitava que o esporte tinha leis de mercado próximas às dos grandes espetáculos.

A medida atleticana teria o apoio de um ilustre atleticano: o gaúcho João Saldanha (1917-1990), que morou em Curitiba e se apaixonou por futebol freqüentando a velha Baixada, o mais famoso comentarista do rádio brasileiro, era favorável ao pagamento dos direitos de transmissão. Seus chefes não gostavam da idéia, mas João a defendia sem medo.

A voz da bela

9 Abril, 2008
15:37

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Quarta-feira é dia de futebol. E quem não gosta de uma boa pelada?

Roberta Salles, a atleticana do concurso Musas do Brasileirão em 2007, coloca voz no Torcida 91 Rock, ao lado da coxa-branca Helena Matta e da paranista Belyza Loureiro, duas vezes por semana: segunda e sexta, às 12h20. As três jornalistas avisam que o programa foge aos padrões do que se ouve quando o assunto é futebol.

Confira o tricô na 91 Rádio Rock (FM 91,3mhz). 

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