Valeu, Professor!
“Olha o gol!”
“Aonde, Kramer?”, perguntava o narrador Lombardi Junior.
“No VGD, Zé Dias aos 23 do 1º: Londrina 1, Matsubara 0.”
Nas tardes de domingo, a Rádio Clube Paranaense espalhava sua equipes nos estádios da capital e do interior. Mas seja por questões técnicas ou econômicas era inviável estar em todos os campos. Mas Oldemar Kramer estava.
Num tempo em que futebol na televisão era artigo de luxo e que celulares e computadores eram cenas de ficção científica, Kramer telefonava, se preciso, até para delegacias de pequenas cidades para descobrir o resultado de um jogo do Campeonato Paranaense. Ao final da domingueira a tabela estava completa.
O esforço do Professor Oldemar Kramer e de seus parceiros, em especial Carlos Kleina, com quem dividiu o microfone por três décadas, e Pedro Rogério Gregoski, que o auxiliou na retaguarda por mais de vinte anos, era também o alívio de jornalistas de todo o estado: para fechar a página de resultados bastava sintonizar o Grande Placar Esportivo B-2.
Em cinquentas anos de rádio, completados no dia 1º de novembro passado, Kramer ganhou respeito de moradores dos grandes palácios e das humildes moradas. Em 1972, o presidente Emílio Médici, em visita ao Paraná, o consultou sobre as possibilidades do Grêmio no Campeonato Brasileiro. Ao longo da carreira, recebeu incontáveis mensagens de ouvintes que lhe agradeciam pelo fato de, mesmo longe de suas cidades de origem, poderem acompanhar a “marcha da contagem” de seus times. Em setembro de 2006, quando a Clube iniciou o desmonte de sua programação local, foi ao “papa dos plantões esportivos do Brasil” que o vice-governador Orlando Pessutti perguntou o que poderia ser feito para mudar a situação.
Ontem, vários alunos, ouvintes e admiradores de Oldemar Kramer estiveram no Cemitério da Água Verde. Como última homenagem palavras do apresentador e comentarista Sílvio de Tarso sintetizaram o sentimento de todos os presentes.
*****
Mesmo fora do ar e extremamente revoltado com os rumos da Clube, agora uma mera repetidora de programação paulista, Kramer prosseguia atualizando dados sobre os diversos campeonatos. “Se precisar entrar no ar hoje está tudo na mão”, Em outubro, voltou ao microfone, através da Difusora AM 590, atendendo convite de Sidnei Campos, Edgar Felippe e Capitão Hidalgo, com quem convivera na Clube dos tempos de Lombardi Junior.
Lombardi, lá no céu, estava precisando de um plantão esportivo…
*****
“Oldemar Kramer sempre foi e sempre será, para mim, o maior plantão esportivo que este país já teve”.
Domingos Machado, da Rádio Expressão FM de São Paulo, ex-plantão da equipe de Osmar Santos na Rádio Globo.
******
Iniciei minha vida de cronista esportivo como rádio-escuta da B-2 em 1986, aprendendo com Oldemar Kramer. Obrigado, Professor!
*****
Foto retirada do blog de Edemar Annuseck, com quem Kramer cobriu a Copa América de 1995, no Uruguai, pela Clube.
Ouça o depoimento de Carlos Kleina na Rádio CBN.












