
Mais uma vez o desempenho (23º lugar) ficou perto do que a sensatez previa, mas infinitamente abaixo da expectativa da torcida. E assim terminou mais uma Olímpiada, esta versão d’A Porta da Esperança na qual os brasileiros são heróis por serem sempre os desafortunados, os pobrezinhos do terceiro mundo. Mesmo que isto nem sempre seja verdade.
E renascem a indignação coletiva pela falta de apoio e as promessas governamentais para que daqui a quatro anos estejamos à frente de potências, como Jamaica (13º), Quênia (15º) e Etiópia (18º). Pelo menos, ultrapassamos Cuba (28º), outrora imbatível na América Latina.
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A primeira Olímpiada a que eu assisti com atenção foi a de Moscou, em 1980 (da de 1976, em Montreal, lembro vagamente), programa que aliás não despertava nenhuma corrente patriótica. Mas a coisa já era outra em 1984: o vôlei gerava ídolos como Bernard, Isabel e Montanaro e a televisão começava a praticar outros esportes, além do futebol. Luciano do Valle, chegando à Bandeirantes, já sonhava com um Brasil Olímpico, mas ouro mesmo só quem viu foi Joaquim Cruz, do atletismo.
Em 1984, dizia-se, os jogadores de futebol eram um “bando de mercenários” que só pensavam em dólares e anunciava-se que os brasileiros estavam preferindo vôlei e basquete. A revista Placar acreditou nesta mudança de hábito e lançou um sub-título “Todos os Esportes, que durou apenas três meses.
Vinte e quatro anos depois, o espaço midiático (internet, tevê a cabo) multiplicou-se e o esporte também foi chamado para preenchê-lo. Mas novamente saímos de uma Olímpiada execrando a seleção de futebol masculino, a dos “mercenários”, aplaudindo os heróis que trouxeram as “nossas” medalhas e acreditando que gostamos de judô, atletismo e natação.
Na real, não gostamos de ver esporte. Nós gostamos é de nos vernos no pódio. Com as “nossas” medalhas.
Foto (Maureen Maggi): Alaor Filho/COB.