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'Sopros do Furacão'
Valeu, Alan!
Na história recente do Atlético Paranaense, sobraram ídolos: Kelly, Alex Mineiro, Cocito, Kléber Pereira, Washington. Alan Bahia foi além desta categoria: foi um Sócio-Furacão no gramado. E se não bastassem o espírito guerreiro o volante, que agora embarca para o Vissel Kobe, do Japão, ainda marcou um punhado de gols. Valeu!
Foto: Jonas Oliveira.
As previsões de Mãe Acácia
Cada virada de ano é tempo de esperanças, resoluções e promessas. E é também o momento das previsões de Mãe Acácia. No ano recém-enterrado, muitos riram quando ela afirmou que Ronaldo não assinaria com o Combate Barreirinha, mas como reza a sabedoria “o tempo é o senhor da razão”…
Então, eis o que Mãe Acácia vê em 2009:
Janeiro
Às vésperas do Campeonato Paranaense, Henrique Dias (ex-Coritiba) é assediado por 14 clubes e faz cinco exigências: 1º) dez meses de férias; 2º) uma limusine para levá-lo à pequena área; 3º) atuar somente no segundo tempo; 4º) um vale-cafézinho permanente do Café Paris; 5º) um pai-de-santo com PhD na arte de benzer a trave adversária.
Cumprindo uma tradição anual, o Iraty dá um suor no Coxa.
Fevereiro
Hóspede da zona de rebaixamento na Inglaterra, o Manchester City é convidado a encarar dois nomes de peso no futebol mundial: o Milan, de São José dos Pinhais, e o Internacional, de Campo Largo. O torneio é marcado para um terreno próximo à zona de Curitiba.
Cumprindo uma tradição anual, o Engenheiro Beltrão engrossa pra cima do Paraná Clube.
Março
A Fifa anuncia as sedes da Copa de 2014: Bocaiúva do Sul fica fora.
Cumprindo uma tradição anual, Pedro Oldoni faz gol contra o Cianorte.
Abril
Contrariando uma tradição anual, o Iguaçu de União da Vitória sai do campeonato sem ter perdido uma vez sequer de oito: 8 a 1, 8 a 2…
Enquanto Dunga ouve vaias, Zagallo manifesta sua vontade de completar 100 anos de “amarelinha”.
Maio
O Nacional de Rolândia não consegue vaga para a decisão do Campeonato Paranaense.
Edmundo prepara a hora do adeus, mas é interrompido por um convite do Bad Boys, equipe amadora de Almirante Tamandaré.
Junho
Crise no Planalto: Ronaldo faz as malas e Mano Menezes se recusa a convocar Lula para o ataque do Corinthians.
Crise no Comando de Caça aos Cachaceiros: a ala radical do CCC encontra um zagueiro bebendo quentão na festa junina do Paraná Clube, mas a diretoria se recusa a enquadrar o criminoso.
Julho
Ônibus de finalista quebra na estrada e decisão da segundona paranaense vai para o tapetão.
Emerson Leão reclama do juiz, Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo se queixam da imprensa, Dorival Júnior pede mais tempo para acertar o time e Cuca aparece com semblante cabisbaixo no vestiário.
Agosto
Jogador do Atlético Paranaense ganha causa na Justiça e, em seguida, assina com o São Paulo.
Reza em Londrina: o Tubarão recebe um adversário já eliminado e depende apenas de si para avançar na Série D. A torcida teme o pior.
Setembro
Na Vila Capanema, cumprindo uma tradição quinzenal, a turma do amendoim vaia o técnico do Paraná Clube.
Escalado para um jogo em Belém, Wagner Tardelli é acusado de ter se vendido por conta de uns ingressos para o show da Joelma do Calypso.
Outubro
Antes do duelo contra o Brasil, Maradona polemiza: “Maradona es muy mejor que Biro-Biro”.
Nenhum jogador comparece à festa do centenário do Coritiba: vão todos para o Palmeiras.
Novembro
Cristiano Ronaldo diz “não” para o Flamengo e, fiel às suas raízes, flerta com um time da colônia portuguesa: a Tuna Luso.
Mais uma revelação do interior paranaense brilha na capital. Na capital do Rio Grande do Sul.
Dezembro
Barack Obama esnoba convite para conhecer a Arena da Baixada. Resignado, Mário Celso Petraglia aceita a realidade: a ONU é contra o Atlético.
Ainda devendo para a dona da pensão da Saldanha Marinho, o Real Brasil apresenta a maquete da Arena Almeida (estádio, centro comercial e hotel seis estrelas) e se inscreve no Campeonato Mexicano.
Abismo entre capital e interior
Para que time você torce?
Corinthians…12,5%
Atlético Paranaense…9,6%
Palmeiras…7,6%
Coritiba..7,5%
São Paulo…6,5%
Flamengo…6,2%
Santos…4,3%
Paraná…3,2%
Grêmio…2,6%
Internacional…1,4%
Fonte: Paraná Pesquisas, que entrevistou 101.981 pessosas, entre fevereiro e novembro deste ano em 68 cidades paranaenses. Os resultados foram publicados ontem e hoje pela Gazeta do Povo.
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Não espanta a liderança do Corinthians, mas este excelente levantamento aponta outros índices da mísera importância que os times de Curitiba têm no interior:
1) fora da região metropolitana, o trio da capital divide uma fatia de apenas 3,65% deste bolo: Atletico, 2%; Coritiba, 1,3%; Paraná, 0,35%.
2) mesmo sem um título relevante, além do Campeonato Paulista, há quase dez anos (campeão da Libertadores da América em 1999), o Palmeiras tem tantos torcedores quanto o Coxa;
3) O Flamengo é o preferido em quatro cidades ouvidas na pesquida (Paranaguá, Rio Negro, São Mateus do Sul e União da Vitória) e o Coxa “manda” apenas em Contenda
4) em Adrianópolis, a apenas 133km de Curitiba, as cinco maiores torcidas são de fora: pela ordem, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Flamengo.
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É inútil brigar com a história do estado (paulistas colonizaram o Norte e gaúchos, o Oeste), com o despejo semanal de jogos de cariocas e paulistas pela televisão e com a escolhas já feitas por pessoas que vieram de outros estados. Tampouco funcionam apelos como “paranaense deve torcer para paranaense”.
No interior mineiro os clubes de Belo Horizonte eram rejeitados. O Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Natal e Raul Plassmann ganhou a Taça Brasil de 1996, derrotando o Santos de Pelé, no Pacaembu, e quebrou a barreira. Nos anos 70, a ascensão do Atlético Mineiro também ajudou.
No interior gaúcho até a década de 60, Grêmio e Internacional eram vistos como forasteiros “lá de Porto de Alegre”. Quando a dupla Gre-Nal se firmou entre os grandes do país a rejeição acabou de vez.
Para diminuir o buraco entre o trio de Curitiba e o torcedor do interior paranaense só há um jeito: disputar títulos nacionais. E, se possível, ganhá-los…
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“Doutor, eu não me engano! O Paraná é corintiano!”
O preço da pérola
“Uma pérola no futebol brasileiro”.
La Voz de Galicia, jornal espanhol sobre Dinei, atacante do Celta de Vigo, que pertence ao Atlético Paranaense. O Furacão pede R$ 8,9 milhões para vender de vez o jogador que, na Baixada, era artigo de terceira.
É como ensina aquela placa na praça Tiradentes:
“Ganhe dinheiro vendendo bijuteria”.
Balanço da arquibancada
Pelo quarto ano consecutivo, o Coritiba foi o time paranaense com a melhor média de público no Campeonato Brasileiro, incluindo as Séries A e B. Em 2008, a torcida coxa fez barba, cabelo e bigode, ganhando dos rivais também no Paranaense e na Copa do Brasil. Eis os números desta temporada:
Coritiba…15.988 (CPar…11.977; CoBr…11.038; Bra…19.254)
Atletico…13.286 (CPar…10.219; CoBr…8.636; Bra…17.027)
Paraná…4.710 (CPar…4.842; CoBr…6.135; Bra…4.401)
Abreviaturas: CPar (Campeonato Paranaense); CoBr (Copa do Brasil) e Bra (Campeonato Brasileiro).
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Engana-se, porém, quem pensa que só o Coxa tem o que comemorar neste duelo de torcidas. Na taxa de ocupação do estádio (divisão do número de lugares pelo de público pagante), o risco de rebaixamento fez a Arena da Baixada vencer o Couto Pereira em 2008, por 65% a 52%.
E o detalhe mais importante é saudável para os dois lados do Atletiba: com os planos de sócio-torcedor atleticanos e coxas-brancas conheceram suas melhores médias de público na era de pontos corridos do Brasileirão.
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De volta à segundona, a torcida paranista caiu pela metade: no ano passado, na Série A, o tricolor acusou média de 8.766 pagantes; este ano o tormento da Série B teve o acompanhamento de 4.401 fiéis por rodada.
Leia a estatística completa na matéria de Sílvio Rauth Filho, do Jornal do Estado/Bem Paraná.
Campanha do agasalho
Atleticano, neste Natal, doe um agasalho para Moraci Santana, o cara que fez o Furacão correr contra a degola.
Em janeiro, a temperatura média no Uzbequistão, novo pouso do preparador físico, desce a 6 graus negativos. Moraci vai acompanhar Zico e Rivaldo no Bunyodkor, sediado na capital desta ex-república soviética.
O trio pretende alterar o nome da cidade: Tashkent não bate com o termômetro…
Foto: Fundo Social de São Paulo.
Digo ao povo que fico
Para a felicidade geral da nação atleticana Geninho renovou contrato esta manhã. O acordo é de um ano.
Até domingo passado, o Atlético temia o risco de rebaixamento, Petraglia corria o risco de ser apedrejado e a permanência do técnico era incerta. Agora tudo voltou ao normal.
Quer dizer, quase tudo: faz um mês que não ouço falar que o Barcelona quer Pedro Oldoni.
Foto: Franklin de Freitas.
Troca-se afundação por fundação
Depois da vitória da situação (Marcos Malucelli e Gláucio Geara), a nova palavra de ordem no Atlético Paranaense é a criação de uma fundação, que abrigaria todo o patrimônio do clube e seria administrada por (adivinhe!) Mário Celso Petraglia.
O chefão sai em alta: até domingo, ele correu o risco de pagar pela “afundação”.
Foto: Franklin de Freitas.
Menos “do Petraglia”
Passada a agonia, o Atlético Paranaense decide hoje o que pretende ser nos próximos três anos. O discurso da situação e da oposição é o mesmo: títulos, mais títulos e, de preferência, muitos títulos. E títulos de futebol, não de sócios.
Além da vontade de ser campeão, reina na Baixada o desejo de que o clube não seja mais tão dependente da benção de Mário Celso Petraglia, cujo desgaste atual remete em parte à biografia de Evangelino da Costa Neves no Coritiba. Após comemorar dez troféus de campeonatos estaduais (em doze disputados), nos anos 70, Neves perdeu aliados e ganhou a alcunha de ditador.
Evangelino tinha o cargo de presidente, mas era um notável diretor de futebol que não se encantava com termos como “marketing” ou “estrutura” (aqui, nada de parentesco com Petraglia). Seu reinado ruiu, nos anos 90, quando a renda de um clássico já não pagava mais a folha do mês, quando ter fontes de receita além da bilheteria passou a ser fundamental para montar um bom time.
Dizem que Petraglia prefere uma escavadeira a um artilheiro. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Petraglia sabe que sem gols e com uma Série B no mapa seria muito mais difícil pagar a escavadeira. Viva Rafael Moura!
Da mesma forma que atribuem-se vitórias a Era Petraglia se a catástrofe do rebaixamento seria um “Já era, Petraglia”. Evangelino, saibam, já era o megacampeão quando foi agredido fisicamente por torcedores coxas-brancas em 1992 (havia a ameaça de permanência na Série B).
Hoje, a chapa da situação vai ganhar a eleição. Parece que nada muda, mas muda. A eleição trouxe à cena atleticanos que estavam afastados desde que o clube, por ação de alguns e omissão de muitos, tornou-se “do Petraglia”. O chefão vai continuar lá. Mas o Atlético já não será tão “do Petraglia”.
Foto: Franklin de Freitas.
A voz do povo
Não só do povo. Ao final do jogo, Netinho elogiou Geninho e, embora sem nominar, alfinetou Roberto Fernandes: “A outra comissão técnica só via defeita no nosso time”.
Geninho aceitou um salário “mais em conta” para voltar à Baixada, com uma condição: seria compensado caso o time permanecesse na Série A. Quarta-feira, seja qual for o resultado da eleição, ele conversa sobre renovação com o novo presidente (seja Marcos Malucelli ou Gláucio Geara).
Foto: Franklin de Freitas.
E o sufoco virou festa
Campeonato Brasileiro, Série A, 38ª e última rodada
Atlético-PR 5 x 3 Flamengo
(domingo, 17h, Arena da Baixada)
Gols: Toró (contra) 12, Rafael Moura 27, Marcelinho Paraíba (pênalti) 35, Júlio César 39, Marcelinho Paraíba 43 do 1º; Zé Antônio 26, Alan Bahia (pênalti) 42 e Marcelinho Paraíba (pênalti) 46 do 2º.
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Sofrimento? Ameaça mesmo o Flamengo só causou no final do primeiro tempo.
Como que para selar sua importância entre os rubro-negros da Baixada Alan Bahia fez o gol que decretou a tranquilidade. Para evidenciar ainda mais seus feitos heróicos Galatto defendeu com um cabeceio de Fernandão.
A permanência na Série A e uma vaga na Sul-Americana. Para quem estava à beira da degola foi um domingo festivo e até lucrativo.
É… Geninho sabe o jeito do Furacão.
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Atlético: Galatto; Rhodolfo, Antônio Carlos e Chico; Alberto (Zé Antônio, 26 do 2º), Alan Bahia, Valencia, Júlio dos Santos (Kelly, 33 do 2º) e Netinho; Rafael Moura e Júlio César (Geílson, 13 do 2º); técnico: Geninho.
Flamengo: Bruno; Jaílton, Fábio Luciano e Ronaldo Angelim; Leonardo Moura, Aírton, Toró (Everton, 14 do 2º), Marcelinho Paraíba e Juan; Diego Tardelli (Maxi, 31 do 2º) e Vandinho (Fernandão, 32 do 2º); técnico: Caio Júnior.
Árbitro: Leonardo Gaciba (RS)
Fotos: Franklin de Freitas.
O mínimo será o máximo
Atlético-PR x Flamengo
(domingo, 17h, Arena da Baixada)
Atlético: Galatto; Rhodolfo, Antônio Carlos e Chico; Zé Antônio (Alberto), Alan Bahia, Valencia, Júlio dos Santos (Kelly) e Netinho; Rafael Moura e Júlio César; técnico: Geninho.
1) Ferreira não joga, mas desfalque por desfalque os do Flamengo são triplamente preocupante: Kleberson, Íbson e Obina.
2) Sou mais Zé Antônio e Júlio dos Santos do que Alberto e Kelly.
A torcida do Atlético pede apenas o mínimo: 1 a 0. Será o máximo.
Foto: Jonas Oliveira.
Sem bate-chapa
Foi confirmada nesta sexta-feira a impugnação da chapa de oposição, liderada por Nelson Fanaya (Conselho Gestor) e José Henrique de Faria (Conselho Deliberativo), à presidência do Atlético Paranaense. O grupo por ora derrotado tenta uma liminar na Justiça Comum para garantir o bate-chapa de segunda-feira.
O papel do padrinho
“(Mario Celso Petraglia) será utilíssimo para todos nós, principalmente nessa questão de relacionamento com Clube dos 13 e com a CBF, que é uma tarefa difícil, exige muita experiência.”
Marcos Malucelli, candidato à presidência do Atlético Paranaense, em entrevista ao repórter Sílvio Rauth Filho, do Jornal do Estado/Bem Paraná.
Petraglia é mal visto por muitos (com razão!). O ponderado Malucelli, porém, não se esquiva e fala até com orgulho do poderoso chefão. E o papel que ele desenha é mesmo o ideal, hoje, para o padrinho no clube.
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Marcos novamente: “A proposta é de redução do plantel e vamos em busca de mais qualidade. E lutar por títulos. Acabou o tempo de investir em tijolo. Vamos investir em chuteira.”
Será que vão abrir outra loja de artigos esportivos na Arena?
Fotos: Jonas Oliveira (Petraglia) e Franklin de Freitas (Malucelli).
Maldita coincidência?
A Junta Eleitoral do Atlético Paranaense não aceitou o registro da chapa de oposição Jofre Cabral e Silva — Mais Futebol. Impedimento: apenas três integrantes são sócios há mais de cinco anos sem pular um mês sequer. Exige-se dez pessoas com esta condição.
O grupo de José Henrique de Faria e Nelson Fanaya tem até amanhã para justificar a falha.
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A eleição atleticana lembra a ocorrida no Coritiba em 2005. O bate-chapa aconteceu um dia após o rebaixamento para a Série B (xô, satanás!) e também passou pela Justiça. Depois de muita discussão, o candidato Tico Fontoura desistiu da briga (”para o bem do clube”) e Giovani Gionédis, que a torcida considerava o diabo em pessoa, iniciou seu terceiro mandato.
Sim! Entre os alviverdes, a oposição também acusava a situação de bloquear o acesso ao cadastro de sócios.


