A melhor aula de dança de toda a minha vida

21 novembro, 2017 às 07:02  |  por Juliana Ribeiro

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Recentemente me envolvi intensamente com a linguagem Gaga, desenvolvida pelo coreógrafo israelense Ohad Naharin para fazer bailarinos se reconectarem com a sua maneira de movimentar. E eu preciso contar pra vocês como foi que eu me reconectei <3

Semanas atrás embarquei para uma viagem a São Paulo, onde participei do workshop Gaga Dancers Brasil, ministrado por Shamel Pitts, bailarino e pupilo de Naharin. Mais do que isso, embarquei para uma viagem para dentro de mim.

Sim, foi um momento pessoal muito importante, tanto tecnicamente quanto emocional e energeticamente. Por isso vou contar por partes e transcrever com carinho cada detalhe que aquele momento merece. E por isso esse não é o primeiro e nem será o último post sobre o curso, ok?

Bem, o workshop foi divido em dois: o Gaga Dancers, para bailarinos profissionais acima de 18 anos; e o Gaga People, destinado a qualquer pessoa que tivesse vontade de experimentar seu corpo em movimento. Participei do primeiro.

Na primeira aula, foram 1h30 trabalhando técnica e mais 1h30 de repertório da Batsheva Dance Company, escola-berço de Gaga. Nesse primeiro momento, não existiram muitos movimentos predeterminados pelo professor. Pitts foi nos guiando pelo descobrimento de novos espaços, novas movimentações, novas formas de executar e sentir.

Como ele fez isso? Falando sobre imagens que nos ajudaram a chegar em determinados lugares. Ele foi meguiando por meio da imaginação. Fui sentindo as minhas fraquezas e as superando. Como numa viagem, Pitts me direcionou muito mais para sensações e os movimentos provocados por elas do que para uma “forma de dançar”.

Percebi que o professor não estava interessado no meu correto alinhamento, ou em quão bem eu era capaz de imitar qualquer coisa. Pelo contrario, ele explorou o máximo as minhas sensibilidades e disponibilidade para o movimento, para descobrir infinitas e novas possibilidades com o corpo (e não com corpos perfeitos para a dança).

Essa valorização do eu, de como e quanto você acessa os diferentes movimentos, sempre foi um dos pilares do meu trabalho. E por isso aquele momento me emocionou para sempre. Foi um encontro entre mim e Gaga e, ao mesmo tempo, um reencontro meu comigo mesma. Foi a melhor aula que já fiz em toda a minha vida na dança.

Isso pra mim é dançar: me sentir viva. Muito mais do que apenas uma movimentação, sentir meu corpo vivo. E, de onde veio tudo isso, tem muito mais! Acompanhem os próximos posts.

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

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