A profissionalização da dança é uma necessidade

27 dezembro, 2017 às 09:53  |  por Juliana Ribeiro

Studio de Dança Juliana Ribeiro

Hoje vou falar de um assunto que me aflige muito: a irresponsabilidade na hora de ensinar a dançar. Há mais de 40 anos o registro de bailarino profissional (DRT) existe, trazendo para a dança um novo contexto onde somos, sim, trabalhadores com todos os direitos assegurados pela lei nº 6.533, decreto 82.385. Para conquistar o DRT é preciso muito estudo e dedicação, assim como qualquer profissional.

De acordo com a lei, podem lecionar apenas aqueles que têm curso superior em direção de teatro, coreógrafo, professor de arte dramática ou cursos semelhantes reconhecidos; os que possuem diploma ou certificado  correspondentes às habilitações profissionais de 2º Grau de Ator, Contra-regra, Cenotécnico, Sonoplasta, ou outras semelhantes também reconhecidas na forma da Lei; ou que conquistaram atestado de capacitação profissional fornecido pelo Sindicato representativo das categorias  profissionais e, subsidiariamente, pela Federação respectiva.

Porque estou falando isso? Por que ainda, infelizmente, noto que a lei não é cumprida. São casos e mais casos de escolas que contratam “professores” sem a habilitação adequada para lecionar, o que é gravíssimo. Já imaginou alguém sem formação em medicina que se dispõe a operar ou tratar alguma doença? É a mesma coisa no mundo da dança. O risco é imenso para os alunos: lesões, torções, movimentos errados, distorção da história da dança, entre outros.

Eu tenho como premissa básica não contratar para o meu Studio professores sem a formação adequada. Acho desonesto. Meus alunos estão lá para aprender, não é justo deixá-los a mercê de alguém despreparado e com conhecimento empírico. Por isso só tenho ao meu lado profissionais com a formação adequada, seja em dança ou em educação física, pois estão preparados para lidar com um outro corpo e sabem a responsabilidade que carregam.

Sei que existem bailarinos com mais de 10, 20 anos de experiência que lecionam, mas não acho certo. A profissionalização é necessária e contribui para que a dança seja vista não só como diversão ou arte, mas como um trabalho sério, que necessita estudo e dedicação.

Portanto, meu recado para este ano que se inicia é: alunos, escolas, academias, exijam o DRT. É bom para todos, para quem aprende, para quem contrata e para quem buscou a profissionalização e vive da dança. Vamos, juntos, contribuir para que a dança tenha o respeito que ela merece!

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

 

 

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