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Para aprovar medida favorável à Odebrecht, Gleisi recebeu R$ 5 milhões em 2014

12 abril, 2017 às 16:50  |  por Tabata Viapiana

A senadora Gleisi Hoffmann e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo foram citados por diretores da Odebrecht em delação premiada. Gleisi tem prerrogativa de foro, e por isso, o caso fica no Supremo Tribunal Federal. Paulo Bernardo também será investigado no STF, pois os indícios contra ele estão ligados à senadora.

Segundo delatores da Odebrecht, o ex-ministro teria pedido recursos ilícitos para as três últimas campanhas de Gleisi: à Prefeitura de Curitiba em 2008, ao Senado em 2010 e ao Governo do Paraná em 2014. A senadora também foi acusada de receber R$ 5 milhões, em 2014, para aprovar uma medida econômica que beneficiaria a Odebrecht.

Por meio da assessoria, Gleisi disse que deve se pronunciar ainda nesta terça-feira. Já Paulo Bernardo informou que nunca fez qualquer pedido ilícito ou teve conversas com executivos da Odebrecht.

Fachin abre inquérito contra Zeca Dirceu por doações eleitorais de R$ 250 mil da Odebrecht

12 abril, 2017 às 16:48  |  por Tabata Viapiana

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito contra o deputado paranaense Zeca Dirceu, do PT. Ele será investigado junto com o pai, o ex-ministro José Dirceu, detido em Curitiba há quase dois anos e condenado na Lava Jato a mais de 20 anos de prisão. Os dois são suspeitos de praticarem atos de corrupção e lavagem de dinheiro.

Pai e filho foram citados na delação do ex-presidente e fundador da Odebrecht Ambiental, Fernando Luiz Ayres da Cunha. Segundo o executivo, José Dirceu teria pedido repasses de R$ 250 mil para as campanhas de Zeca Dirceu em 2010 e 2014. Os pagamentos teriam sido feitos por meio do “setor de operações estruturadas”, o departamento da Odebrecht responsável apenas por repasses ilícitos.

O executivo também relatou inúmeras reuniões com José Dirceu, quando ele já não era mais ministro-chefe da Casa Civil, para discutir eventuais negócios privados que Dirceu pudesse intermediar a favor da Odebrecht. Nos encontros, também foram tratadas de doações para campanhas de 2008, 2010 e 2012, que seguiam indicações de José Dirceu. A defesa do ex-ministro disse que só vai se manifestar quando tiver acesso à íntegra das acusações.

Já o deputado Zeca Dirceu informou, em nota, que nunca teve ligações com as diretorias da Petrobras e nem com as empresas e executivos investigados na Lava Jato. Ele disse que todas as doações recebidas nas campanhas de 2010 e de 2014 foram legais, declaradas e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral. Zeca Dirceu também reforçou a confiança no Supremo Tribunal Federal e no trabalho de investigação da Polícia Federal.

Diretor da Odebrecht revela repasse via caixa 2 de R$ 500 mil a Osmar Dias

12 abril, 2017 às 16:46  |  por Tabata Viapiana

Um inquérito contra o ex-senador Osmar Dias, do PDT, foi enviado para a Justiça Federal do Distrito Federal, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Pré-candidato ao Governo do Paraná em 2018, Osmar Dias será investigado junto com o presidente do partido, Carlos Lupi.

Um executivo da Odebrecht relatou repasses de R$ 500 mil ao ex-senador, feitos em 2010, sem registro no Tribunal Superior Eleitoral, para garantir apoio do PDT à Odebrecht (ou seja, o repasse teria sido feito via caixa 2). Osmar Dias não foi encontrado para comentar as acusações.

Abelardo Lupion

O ex-deputado Abelardo Lupion também aparece na delação da Odebrecht e será investigado pelo juiz Sérgio Moro. Ele teria recebido duas doações eleitorais da empreiteira via caixa 2, de R$ 150 mil em 2010, e de R$ 100 mil em 2012. Lupion também não foi encontrado pela reportagem.

STF envia a Moro 38 inquéritos baseados em delações da Odebrecht, incluindo contra Lula e Dilma

12 abril, 2017 às 16:44  |  por Tabata Viapiana

Entre os mais de 300 pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República com base nas delações da Odebrecht, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, decidiu enviar 201 casos para outras instâncias do poder judiciário. Desse total, 38 petições vão para a Justiça Federal do Paraná, isto é, para as mãos do juiz Sérgio Moro.

São seis pedidos de inquérito contra o ex-presidente Lula e um contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Lula já é réu em Curitiba, mas Dilma pode ser julgada por Moro pela primeira vez. Delatores da Odebrecht, como o ex-presidente Marcelo Odebrecht, detalharam as relações da empresa com o Governo Federal e os pagamentos de propina durante os mandatos de Lula e Dilma. Em nota, a ex-presidente disse ser vítima de vazamentos seletivos e direcionados há meses, sem nem saber do que está sendo acusada.

Segundo a PGR, a Odebrecht teria custeado despesas de Lula, como reformas no sítio de Atibaia, a compra de imóveis para uso pessoal, a instalação do Instituto Lula e pagamentos de palestras. A empreiteira também pagava uma espécie de “mesada” a Frei Chico, irmão mais velho de Lula. Há indícios de que o petista teria se comprometido a melhorar a relação entre o Grupo Odebrecht e a então presidente Dilma, e em contrapartida, receberia o apoio da construtora a um projeto criado por um de seus filhos, o Lulinha.

Outro inquérito pretende apurar uma suposta interferência de Lula a favor da Odebrecht em negócios em Angola. O ex-presidente negou as acusações, disse que sempre agiu dentro da lei e afirmou ser vítima de “perseguição”. Todos os casos serão conduzidos por Sérgio Moro. O juiz também vai receber inquéritos sobre investigados já conhecidos da Lava Jato em Curitiba, como Antônio Palocci, Guido Mantega, Eduardo Cunha, Paulo Roberto Costa, Gim Argello, Pedro Barusco, Delcídio do Amaral, João Vaccari Neto e João Santana.

Além disso, a força-tarefa deve apurar irregularidades em inúmeras obras da Petrobras, como refinarias, sondas do pré-sal, gasodutos e plataformas de petróleo. Há ainda uma investigação de pagamentos de propina ao ex-deputado paranaense José Janene, morto em 2010. Não há prazo para a chegada das petições e nem para o início das investigações em Curitiba.

Richa recebeu vantagens indevidas através de doações eleitorais, diz Odebrecht

12 abril, 2017 às 16:43  |  por Tabata Viapiana

O pedido de abertura de inquérito feito pela Procuradoria Geral da República contra Beto Richa foi enviado para o Superior Tribunal de Justiça, que é a instância competente para investigar e julgar governadores. A decisão é do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Richa ainda não é investigado, denunciado ou réu da Lava Jato. No momento, o que existe são indícios contra o governador, que foi citado por dois delatores da Odebrecht: Benedicto Barbosa, ex-presidente da Construtora Norberto Odebrecht, apontado como a ponte entre a empresa e os políticos beneficiados com propina, além de Valter Arruda Lana, ex-diretor da Odebrecht Sul.

O despacho de Fachin revela que os delatores citaram pagamentos de vantagens indevidas a Beto Richa através de doações eleitorais feitas pela Odebrecht. O objetivo do inquérito seria apurar a veracidade das informações. Agora, os ministros do Superior Tribunal de Justiça devem decidir pela abertura ou não de um inquérito contra o governador paranaense. Não há prazo para manifestação do STJ.

Caso um inquérito seja instaurado pelo STJ, a Procuradoria-Geral da República pode solicitar novas diligências, com apoio da Polícia Federal, como por exemplo, buscas e apreensões e interrogatórios. Ao final do prazo das investigações, a Procuradoria decide se oferece denúncia contra Richa ao Superior Tribunal de Justiça ou se o caso deve ser arquivado por falta de provas.

Em nota, Richa disse desconhecer o contexto em que teve o nome citado pelos executivos. Ele disse ainda que declarou à Justiça Eleitoral a origem de todos os recursos usados em campanhas. Em março, quando a PGR enviou ao Supremo os pedidos de investigação baseados nas delações da Odebrecht, o governador se manifestou. Na época, ele disse estar “tranquilo” com uma possível investigação.

Beto Richa também negou ter recebido doações eleitorais de qualquer empresa ligada ao Grupo Odebrecht e ainda defendeu a legalidade dos recursos que financiaram todas as suas campanhas.

Moro termina de interrogar testemunhas em processo contra Antônio Palocci

29 março, 2017 às 13:31  |  por Tabata Viapiana

O juiz Sérgio Moro encerra nesta quarta-feira os interrogatórios das testemunhas na ação penal da 35ª fase da Lava Jato, que tem entre os réus o ex-ministro Antônio Palocci. A partir da próxima sexta-feira, começam os depoimentos dos acusados, que respondem por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Todos os 15 réus serão ouvidos presencialmente na Justiça Federal do Paraná. Quem não é delator, pode permanecer em silêncio na audiência. Quem assinou acordo de colaboração premiada, precisa responder todas as perguntas.

O processo apura pagamentos de propina da Odebrecht a Palocci como uma espécie de retribuição pelo ex-ministro ter beneficiado a construtora em grandes contratos com a Petrobras. Palocci será o último réu a prestar depoimento, em 19 de abril.

Agenda de depoimentos dos réus:

31/03 – Eduardo Musa, João Ferraz e Fernando Migliaccio

07/04 – Hilberto Mascarenhas e Luiz Eduardo Soares

10/04 – Rogério Araújo e Marcelo Odebrecht (primeiro depoimento de Marcelo ao juiz Sérgio Moro na condição de delator da Lava Jato)

17/04 – Olívio Rodrigues Junior, Marcelo Rodrigues, Renato Duque e João Vaccari Neto

18/04 – João Santana e Mônica Moura

19/04 – Branislav Kontic e Antônio Palocci

Procurador ‘aconselha’ funcionários da Petrobras a ‘acertarem as contas com a Justiça’

28 março, 2017 às 21:14  |  por Tabata Viapiana

Durante a coletiva de imprensa desta terça-feira, de detalhamento da 39ª fase da operação Lava Jato, o procurador Roberson Pozzobon, integrante da força-tarefa no Ministério Público Federal do Paraná, garantiu que ainda há irregularidades a serem descobertas e investigadas na Petrobras.

Mesmo depois de três anos de Lava Jato, ele disse que as investigações ainda não se esgotaram no âmbito da Petrobras. Por isso, até ‘aconselhou’ os funcionários da estatal a procurarem as autoridades para confessar a prática de atos ilícitos, e consequentemente, acertar as contas com a Justiça.

“O raciocínio que deve ser adotado por funcionários da Petrobras que praticaram delitos é que não vale a pena fugir de uma responsabilização penal, não vale fingir que não praticou nenhum delito. Talvez, o caminho adequado seja procurar as autoridades antes de virar alvo das investigações, revelar os atos ilícitos, restituir os valores desviados, e depois, por meio de um acordo de colaboração premiada, acertar a sua situação com a Justiça”, disse Pozzobon.

Ex-gerente da Petrobras preso na 39ª fase da Lava Jato chega a Curitiba nesta quarta-feira

28 março, 2017 às 21:07  |  por Tabata Viapiana

O ex-gerente da Petrobras, Roberto Gonçalves, preso na 39ª fase da Lava Jato, será transferido para Curitiba nesta quarta-feira. Ele foi detido na manhã de hoje em Boa Vista, em Roraima. Gonçalves é o principal alvo da nova etapa da Lava Jato, batizada de “operação Paralelo”. O mandado contra ele é de prisão preventiva, sem prazo para soltura.

O ex-gerente é acusado de movimentar cerca de cinco milhões e duzentos mil dólares em propina no exterior. Os valores teriam sido repassados por empreiteiras como a UTC e a Odebrecht. Roberto Gonçalves foi o sucessor de Pedro Barusco no cargo de gerente da diretoria Serviços da Petrobras no período de março de 2011 a maio de 2012.

O procurador Roberson Pozzobon afirmou que a nova etapa da Lava Jato mostrou que, na Petrobras, não havia apenas a sucessão de cargos, mas também uma sucessão nos recebimentos de propina – ou seja, mudavam os gerentes, mas os repasses ilícitos permaneciam. O Ministério Público Federal falou em uma “herança de propinas” existente nas diretorias da Petrobras.

“Quando Pedro Barusco deixou a Petrobras em 2011, ele procurou a UTC e a Odebrecht e disse: ‘agora quem vai responder pela gerência da diretoria é Roberto Gonçalves, então falem direto com ele’”, afirmou o procurador. E ele completou: “Na sucessão do cargo, também se passou o bastão da propina”.

Segunda prisão na Lava Jato

Gonçalves já vinha sendo investigado na Lava Jato há mais de um ano. Ele foi preso temporariamente na 20ª fase da operação, em novembro de 2015. Na época, negou ter contas no exterior e foi solto. A Suíça também investigou Roberto Gonçalves e encontrou cinco contas que ele mantinha no país para recebimentos de propina.

O MPF recebeu no início deste ano os documentos da Suíça sobre as contas em nome de Roberto Gonçalves, o que embasou o pedido de prisão preventiva. Mais de US$ 4 milhões de dólares do esquema já foram seqüestrados.

As autoridades suíças descobriram que, logo após a deflagração da Lava Jato, a partir de abril de 2014, Gonçalves passou a transferir os valores para contas nas Bahamas e na China, o que, segundo o MPF, seria uma tentativa de escapar de uma investigação.

Processo contra Lula tem pausa de um mês nas audiências em Curitiba

20 março, 2017 às 15:26  |  por Tabata Viapiana

As audiências de um dos processos contra o ex-presidente Lula, que tramita na Justiça Federal do Paraná, só serão retomadas daqui um mês. Os depoimentos das testemunhas de defesa foram encerrados no último dia 15.

O próximo passo, agora, é interrogar os sete réus. A primeira audiência está marcada para o dia 20 de abril, ou seja, será um mês inteiro sem grandes movimentações no processo.

O depoimento de Lula a Moro será no dia 03 de maio. Pela primeira vez, os dois ficarão frente a frente (lembrando que o juiz tem sido fortemente criticado pelo ex-presidente e seus advogados).

O processo apura se Lula foi beneficiado com propina de R$ 3,7 milhões através de favores pagos pela OAS: a compra e a reforma de um triplex no Guarujá, além do armazenamento de bens do acervo presidencial do petista.

Confira a agenda de depoimentos dos réus da ação: 

20/04: Léo Pinheiro e Agenor Medeiros (executivos da OAS).

26/04: Fábio Yonamini, Paulo Gordilho e Roberto Moreira.

28/04: Paulo Okmaotto, presidente do Instituto Lula.

03/05: Luiz Inácio Lula da Silva.

Marcelo Odebrecht desiste de depoimento de Dilma como testemunha de defesa

20 março, 2017 às 15:02  |  por Tabata Viapiana

O ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, desistiu de interrogar a ex-presidente Dilma Rousseff como testemunha de defesa no processo relacionada à 35ª fase da operação Lava Jato (que também tem entre os réus o ex-ministro Antônio Palocci). O depoimento da petista já estava marcado para a próxima sexta-feira (24), por videoconferência com Porto Alegre, porém não será mais realizado.

O motivo da desistência não foi esclarecido pela defesa de Marcelo Odebrecht. Essa seria a primeira vez que Dilma Rousseff prestaria depoimento ao juiz Sérgio Moro. E foi a segunda vez que Marcelo convocou Dilma como testemunha de defesa, mas desistiu do interrogatório dias antes da audiência.

Apesar disso, outras testemunhas de defesa serão ouvidas ao longo da semana na Justiça Federal do Paraná. Nesta terça-feira, devem ser interrogados os deputados Miro Teixeira, da REDE, Paulo Teixeira e Carlos Zarattini, ambos do PT, além do senador Jorge Viana, do PT.

Os depoimentos de defesa seguem até o final do mês. Em abril, os 14 réus serão interrogados pelo juiz Sérgio Moro. O processo trata de pagamentos de propina da Odebrecht a Palocci. Segundo a denúncia, o ex-ministro recebeu, em nome do PT, R$ 128 milhões em recursos ilícitos para beneficiar a empreiteira em contratos com a Petrobras.