Ex-gerente da Petrobras preso na 39ª fase da Lava Jato chega a Curitiba nesta quarta-feira

28 março, 2017 às 21:07  |  por Tabata Viapiana

O ex-gerente da Petrobras, Roberto Gonçalves, preso na 39ª fase da Lava Jato, será transferido para Curitiba nesta quarta-feira. Ele foi detido na manhã de hoje em Boa Vista, em Roraima. Gonçalves é o principal alvo da nova etapa da Lava Jato, batizada de “operação Paralelo”. O mandado contra ele é de prisão preventiva, sem prazo para soltura.

O ex-gerente é acusado de movimentar cerca de cinco milhões e duzentos mil dólares em propina no exterior. Os valores teriam sido repassados por empreiteiras como a UTC e a Odebrecht. Roberto Gonçalves foi o sucessor de Pedro Barusco no cargo de gerente da diretoria Serviços da Petrobras no período de março de 2011 a maio de 2012.

O procurador Roberson Pozzobon afirmou que a nova etapa da Lava Jato mostrou que, na Petrobras, não havia apenas a sucessão de cargos, mas também uma sucessão nos recebimentos de propina – ou seja, mudavam os gerentes, mas os repasses ilícitos permaneciam. O Ministério Público Federal falou em uma “herança de propinas” existente nas diretorias da Petrobras.

“Quando Pedro Barusco deixou a Petrobras em 2011, ele procurou a UTC e a Odebrecht e disse: ‘agora quem vai responder pela gerência da diretoria é Roberto Gonçalves, então falem direto com ele’”, afirmou o procurador. E ele completou: “Na sucessão do cargo, também se passou o bastão da propina”.

Segunda prisão na Lava Jato

Gonçalves já vinha sendo investigado na Lava Jato há mais de um ano. Ele foi preso temporariamente na 20ª fase da operação, em novembro de 2015. Na época, negou ter contas no exterior e foi solto. A Suíça também investigou Roberto Gonçalves e encontrou cinco contas que ele mantinha no país para recebimentos de propina.

O MPF recebeu no início deste ano os documentos da Suíça sobre as contas em nome de Roberto Gonçalves, o que embasou o pedido de prisão preventiva. Mais de US$ 4 milhões de dólares do esquema já foram seqüestrados.

As autoridades suíças descobriram que, logo após a deflagração da Lava Jato, a partir de abril de 2014, Gonçalves passou a transferir os valores para contas nas Bahamas e na China, o que, segundo o MPF, seria uma tentativa de escapar de uma investigação.

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