STF envia a Moro 38 inquéritos baseados em delações da Odebrecht, incluindo contra Lula e Dilma

12 abril, 2017 às 16:44  |  por Tabata Viapiana

Entre os mais de 300 pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República com base nas delações da Odebrecht, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, decidiu enviar 201 casos para outras instâncias do poder judiciário. Desse total, 38 petições vão para a Justiça Federal do Paraná, isto é, para as mãos do juiz Sérgio Moro.

São seis pedidos de inquérito contra o ex-presidente Lula e um contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Lula já é réu em Curitiba, mas Dilma pode ser julgada por Moro pela primeira vez. Delatores da Odebrecht, como o ex-presidente Marcelo Odebrecht, detalharam as relações da empresa com o Governo Federal e os pagamentos de propina durante os mandatos de Lula e Dilma. Em nota, a ex-presidente disse ser vítima de vazamentos seletivos e direcionados há meses, sem nem saber do que está sendo acusada.

Segundo a PGR, a Odebrecht teria custeado despesas de Lula, como reformas no sítio de Atibaia, a compra de imóveis para uso pessoal, a instalação do Instituto Lula e pagamentos de palestras. A empreiteira também pagava uma espécie de “mesada” a Frei Chico, irmão mais velho de Lula. Há indícios de que o petista teria se comprometido a melhorar a relação entre o Grupo Odebrecht e a então presidente Dilma, e em contrapartida, receberia o apoio da construtora a um projeto criado por um de seus filhos, o Lulinha.

Outro inquérito pretende apurar uma suposta interferência de Lula a favor da Odebrecht em negócios em Angola. O ex-presidente negou as acusações, disse que sempre agiu dentro da lei e afirmou ser vítima de “perseguição”. Todos os casos serão conduzidos por Sérgio Moro. O juiz também vai receber inquéritos sobre investigados já conhecidos da Lava Jato em Curitiba, como Antônio Palocci, Guido Mantega, Eduardo Cunha, Paulo Roberto Costa, Gim Argello, Pedro Barusco, Delcídio do Amaral, João Vaccari Neto e João Santana.

Além disso, a força-tarefa deve apurar irregularidades em inúmeras obras da Petrobras, como refinarias, sondas do pré-sal, gasodutos e plataformas de petróleo. Há ainda uma investigação de pagamentos de propina ao ex-deputado paranaense José Janene, morto em 2010. Não há prazo para a chegada das petições e nem para o início das investigações em Curitiba.

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