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Vietnã de norte a sul

5 outubro, 2016 às 06:19  |  por Aline Presa
A primeira coisa que chama a atenção no Vietnã é a quantidade de motos nas ruas e o barulho das buzinas.

A primeira coisa que chama a atenção no Vietnã é a quantidade de motos nas ruas e o barulho das buzinas.

O Vietnã foi amor à primeira vista. Com uma população de mais de 7 milhões de habitantes, Hanói, a capital do país, de cara nos apresenta uma cena clássica: O trânsito – caótico. São centenas de motos com muitas vezes 3 ou 4 passageiros em cima disputando espaço nas ruas com carros, bicicletas e pedestres. Pedestres porque as calçadas estão ocupadas servindo ou de estacionamento para as motos ou de espaço para as mesas baixas de bares e cafés. Ah, o café vietnamita…Delicioso!

De norte a sul, um mês foi pouco tempo para explorar esse país de tantos contrastes  que é sem dúvidas um dos mais baratos para se viajar no sudeste asiático. E o que a primeira vista parecia ser a imagem perfeita do caos, aos poucos foi ganhando outra forma. Das grandes cidades aos pequenos vilarejos, o Vietnã esconde belezas de tirar o fôlego, como a estonteante Halong Bay, uma das sete novas maravilhas naturais do mundo considerada patrimônio da humanidade segundo a Unesco.

Cenário cinematográfico de uma baía formada por mais de 3.000 ilhotas.

Cenário cinematográfico de uma baía formada por mais de 3.000 ilhotas.

O país possui ainda um litoral belíssimo, paradisíaco, banhado por um mar de diferentes tonalidades de azul e destinos para todos os gostos e bolsos. Mui Ne, Nha Trang ou Phuoc Quoc são alguns exemplos. Há opções de resorts à beira-mar com preços chamativos, balneários lotados de russos ou praias mais desertas de águas bem claras e areia branca.

E para quem prefere um visual de montanha e clima mais frio, no extremo norte do Vietnã, quase na divisa com a China, em cidades como Sapa, estão os belos terraços de arroz com a presença de diferentes grupos étnicos em trajes típicos.

A cor vermelha do lenço na cabeça é caracteristica da etnia Dao Do.

A cor vermelha do lenço na cabeça é caracteristica da etnia Dao Do.

De Sapa, retornamos para Hanói e com uma passagem de ônibus com direito a várias paradas no período de um mês (o famoso Open Bus), decidimos nosso roteiro até o extremo sul do país: Hue,  Hoi An, Nha Trang e Ho Chi Min, passando pelo Delta do Mekong.

Muitas pessoas ainda vivem em barcos e comercializam alimentos nos mercados flutuantes do Delta do Mekong.

Muitas pessoas ainda vivem em barcos e comercializam alimentos nos mercados flutuantes do Delta do Mekong.

Na região central, Hue chama a atenção pela cidadela proibida construída no século XVII. Pedalando por suas ruas provamos a deliciosa panqueca panh xeo, feita com farinha de arroz e camarões, e nos encantamos com a beleza da pagoda Thien Mu e do Rio Perfume.

Seguindo no sentido sul, chegamos a um dos redutos mais charmosos do Vietnã: Hoi An, cidade litorânea que combina praia, campos de arroz e uma arquitetura com influência chinesa, japonesa e francesa. O destaque fica para a iluminação feita por centenas de lanternas coloridas fabricadas artesanalmente na região. Hoi An é considerada uma das cidades mais românticas do mundo e nos remete a um “Vietnã de boutique”, como apelidou uma amiga.

As luzes de Hoi An deixam a cidade ainda mais charmosa e irresistível durante a noite.

As luzes de Hoi An deixam a cidade ainda mais charmosa e irresistível durante a noite.

No grande centro comercial de Ho Chi Minh, nos deparamos com um retrato vivo da história do país. Museus de guerra, praças, mercados e toda a infra-estrutura moderna que uma grande cidade oferece dividem espaço com bandeiras da foice e do martelo e cartazes com imagens comunistas. O Vietnã ainda é uma das poucas nações do mundo paradoxalmente comunista mas com uma economia que vem crescendo a passos largos graças a uma recente abertura de mercado.

Ho Chi Minh ganhou esse nome em abril de 1975, quando tropas comunistas vindas do norte invadiram a cidade até então chamada de Saigon, colocando um fim oficial ao conflito. O nome da metrópole é uma homenagem ao ex-líder comunista do Vietnã responsável por derrotar os Estados Unidos e instaurar o comunismo no país. No entanto, o velhinho barbudo se reviraria na tumba se visse que a cidade que leva o seu nome se transformou em nada menos do que um símbolo fiel do capitalismo, com lojas de grife e bares badalados no alto de luxuosos edifícios.

O país exalta hoje o contraste entre o liberalismo econômico e o autoritarismo político. Como me disse um comerciante: “Aqui não se pode falar muito, mas o povo aceita já que pelo menos tem o que comer”. Isso porque o Vietnã vem superando o passado de conflitos e fome e se desenvolvendo. A guerra do Vietnã, que se estendeu de 59 até 75, matou cerca de 3 milhões de vietnamitas sendo 2 milhões de civis segundo números do país. O volume de bombas lançado sobre esse território, para se ter uma ideia, corresponde a mais do que o dobro das operações durante a segunda guerra mundial.

Cena comum do cotidiano no Vietnã: Vendedoras de frutas equilibrando cestos de bambu usando os tradicionais chapéus de cone.

Cena comum do cotidiano no Vietnã: Vendedoras de frutas equilibrando cestos de bambu usando  chapéus de cone.

Surpreendente a cada esquina, o Vietnã nos ensinou que a harmonia pode existir mesmo no meio da bagunça, da desordem. Impossível não se contagiar com a intensidade do país, com as belezas naturais, gastronomia local e cultura vibrante. Mais do que isso, impossível não admirar a luta desse povo marcado por um passado obscuro mas que continua se reinventando com bom humor todos os dias.

DICAS PARA QUEM VAI:

Livro: The Girl in the Picture, de Denise Chong.

Programas imperdíveis: Museu da Mulher (Hanói),  Museu de memórias da guerra (Ho Chi Minh), Teatro de bonecos Water Puppet (Hanói), Espetáculo de circo A O Show (Ópera de Saigon).

Para provar e repetir: Café com gemada (egg coffee); Sopa de macarrão de arroz (Pho); Rolinhos vietnamitas envoltos no papel de arroz (Gói Cuõn).

Luang Prabang: um destino surpreendente no Laos

10 maio, 2016 às 12:32  |  por Aline Presa

Ponte de bambu em Luang Prabang fica montada apenas durante a estação seca.

Muitas pessoas não sabem nem onde fica o Laos. Localizado no sudeste asiático e bem menos turístico do que vizinhos como a Tailândia, o país resguarda belezas originais e destinos surpreendentes. É o caso da pequena cidade de Luang Prabang, considerada Patrimônio Mundial segundo a Unesco.

É possível chegar até lá de avião, ônibus ou barco. Escolhemos a última opção saindo do norte da Tailândia e navegando por dois dias ao longo do rio Mekong, um dos maiores do mundo.

Já no percurso ao longo do rio avistamos vilarejos e comunidades ribeirinhas, tendo uma ideia da pobreza que assola o Laos, que tem IDH considerado médio ocupando a 141ª posição no ranking mundial de 188 países. Um cenário que revela a realidade de um país marcado por guerras e conflitos.

Com uma economia pouco desenvolvida, estradas precárias em meio há um relevo montanhoso e a maior parte da população vivendo em pequenos vilarejos nas áreas rurais, no Laos nos encantamos com a simplicidade e natureza exuberante de um lugar que parece ter parado no tempo.

As famosas cachoeiras de águas cristalinas de Kuang Si, na região de Luang Prabang, ilustram tamanha beleza.

No complexo de Kuang Si é possível ver de perto ursos apreendidos para não serem vítimas de caçadores.

Chegando em Luang Prabang, andando por suas ruas logo nos deparamos com seus casarões – herança da colonização francesa na arquitetura local. Logo vimos também as várias bandeirinhas vermelhas da foice e do martelo – símbolo do comunismo. A própria denominação oficial do país, República Democrática Popular do Laos e os alto-falantes presentes nas avenidas da cidade não escondem a influência e dominação do partido comunista sobre a vida política do país.

O conceito de comunismo no Laos, no entanto, é no mínimo instigante ou contraditório. Além da falsa democracia na esfera política, nos últimos anos o Laos passou a promover a iniciativa privada, descentralizando o controle do governo.

ALIMENTAÇÃO NO LAOS

Os mercados de Luang Prabang nos dizem muito sobre a cultura do Laos. No tradicional mercado noturno, mulheres comercializam belas tecelagens típicas e outros produtos locais como os potes feitos de bambu para armazenar arroz. Pela manhã, no mercado diurno se comercializam principalmente alimentos que são consumidos pela população: Arroz, frutas, verduras, legumes, galinhas, patos, peixes, porquinhos da índia, sapos, pássaros, cobras e até ratos. Alguns animais são comercializados ainda vivos, outros já mortos.

Pássaros e cobras são comercializados no mercado local diurno.

A culinária laociana, que inicialmente lembra a tailandesa, com muitas sopas, é menos apimentada e inclui pratos bastante peculiares como as iscas de carne seca de búfalo com semente de gergelim e um outro em que se enrolam alguns ingredientes numa folha de alface incluindo macarrão de arroz, pasta de berinjela, amendoim e um molho agridoce tradicional chamado jeow.  Outra diferença importante está no arroz, mais pegajoso, que nesse país se come com as mãos. As baguetes também são vendidas em todas as esquinas, mais um legado deixado pela França e que combina com o saboroso e famoso café do Laos.

O LAOS É ALARANJADO

Outro ponto marcante no Laos é a presença dos monges em templos e ruas da cidade. Eles estão por todos os lados com suas vestimentas alaranjadas. Talvez sejam tantos porque, conforme me relatou um monge, essa muitas vezes é uma das únicas formas de crianças pobres terem acesso a uma boa educação gratuita. Ainda numa das paradas do barco ao longo do Rio Mekong notamos a presença de um grupo de monges pegando um barco rápido e usando capacetes. Uma cena incomum para nós mas normal no dia a dia da região.

Ronda das Almas é o ritual que acontece todas as manhãs em vários lugares mas que ganhou popularidade em Luang Prabang.

A tradicional cerimônia da Ronda das Almas, que acontece todas as manhãs quando os monges saem descalços pelas ruas para receber comida oferecida pela população local, naturalmente virou atração turística. Mesmo assim, conserva a pureza e os valores do budismo.

Moradores dão arroz para os monges porque acreditam que dessa forma estão acumulando méritos.

Outros rituais podem ser presenciados com sorte. Acordamos várias vezes as 4h da manhã com os sons das batidas dos bumbos num templo próximo à nossa pousada. Outro dia, numa tarde visitando um templo qualquer, acompanhamos monges de diferentes idades entoando cânticos em uma cerimônia interna.

Após uma estadia de 10 dias em Luang Prabang, encerramos nossa breve passagem pelo Laos. Pedalando por suas ruas, visitando vilarejos em seus arredores, apreciando o sol se pôr à beira do Mekong, conhecendo templos e mercados, vivenciando a cultura local e acompanhando a rotina dos monges,  descobrimos um lugar em que a vida passa em outro ritmo – menos frenético e fluido, assim como as águas do rio Mekong.

 

Descobrindo o norte da Tailândia

12 abril, 2016 às 04:50  |  por Aline Presa

Para conhecer mais a autêntica e genuína cultura tailandesa, uma parada na cidade de Chiang Mai, ao norte, é praticamente obrigatória em uma visita ao país. Diferente da caótica capital Bangkok e das paradisíacas praias do sul, em Chiang Mai nos deparamos com um povo de sorriso fácil em uma atmosfera que inspira misticismo cercada de belezas exóticas.

Com cerca de 1 milhão e 600 mil habitantes, Chiang Mai está situada a 800 km ao norte de Bangkok e possui um centro histórico murado que lembra as antigas cidades medievais. O muro hoje delimita uma área conhecida como quadrado em que ficam localizados templos, hotéis e pousadas, além do Sunday Market: uma extensa feira de rua ao ar livre que acontece aos domingos onde se vende de tudo: desde comida até artesanatos locais. Outro ponto de comércio tradicional na cidade é o Night Bazar mas não é só pelos seus mercados que Chiang Mai encanta seus visitantes.

As atrações da região são muitas e incluem visitas à templos – a cidade tem centenas, cursos de culinária tailandesa, trekkings na floresta, rafting, visitas às diferentes  tribos das montanhas e os inusitados passeios com elefantes. E aqui vale um alerta para aqueles que prezam por um turismo consciente: É preciso pesquisar bem as opções antes de cair numa roubada. De shows com elefantes que pintam quadros à tigres dopadas que posam para fotos, são diferentes os apelos aos turistas.

Filhote de elefante cresce   livremente em santuário localizado em Chiang Mai.

Filhote de elefante cresce livremente em santuário localizado em Chiang Mai.

Muitas agências vendem por exemplo pacotes que permitem andar em cima dos elefantes em pequenos cestos enquanto outras oferecem opções para interagir com os animais de forma mais harmoniosa. Tive a oportunidade de visitar um santuário em que as pessoas apenas brincam, alimentam e dão banho nos elefantes. Apesar do tamanho eles são incrivelmente dóceis e essa foi uma experiência ímpar. Ali eles são bem cuidados e alimentados uma vez que boa parte do dinheiro que os turistas pagam para ir até o local é revertido em cuidados com os mamíferos.

Outro ponto que me questiono é a ampla exploração pelo turismo de massa das tribos Karen Long Neck, refugiadas de Myanmar e conhecidas como mulheres girafa por usarem argolas de bronze no pescoço. Com certeza muitas pessoas já se depararam com alguma imagem de uma dessas mulheres e a possibilidade de visitar uma dessas tribos e conhecer essa realidade de perto é no mínimo tentadora. No entanto, depois de ter passado dois dias lá, hoje tenho minhas dúvidas.

Menina da tribo Karen long neck me deixa fazer um retrato dela antes de me levar dar uma volta de bicicleta.

Menina da tribo Karen long neck me deixou fazer um retrato dela antes de me levar dar uma volta de bicicleta.

Conta-se que as mulheres usavam essas argolas no passado por diferentes motivos: uma das lendas diz que seria para se protegerem contra ataques de tigres, outros  dizem que seria simplesmente para se tornarem mais belas. De qualquer forma, sabe-se que as pesadas argolas que vão aumentando com o passar dos anos e que são colocadas em meninas com idade a partir dos 5 anos não alongam o pescoço mas deformam a caixa torácica das mulheres.

É díficil compreender a perpetuação dessa tradição e o efeito provocado por esse tipo de turismo do qual muitas dessas tribos hoje sobrevivem. Uma venda na tribo que comercializa cervejas, etc, com uma placa fazendo menção à famosa rede de lojas de conveniência da Tailândia conhecida como “7 eleven” deixa explícita essa realidade.

As belezas de Chiang Mai,  no entanto, vão muito além de suas atrações turísticas. Passar os dias pedalando por suas ruas sem pretensão nos permitiu conhecer seus pequenos tesouros. Suas ruelas escondem lugares com comida de rua boa e barata, restaurantes charmosos para se provar uma gastronomia riquíssima e ginásios com lutas de muay thai em meio há tantos templos e detalhes.

Detalhes de um templo de madeira dentro da cidade antiga em Chiang Mai.

Detalhes de um templo de madeira em Chiang Mai.

Chiang Mai também oferece espaços para conhecer melhor o budismo em conversas informais com monges budistas, por exemplo. Pude participar de um retiro de meditação organizado pela universidade dos monges de Chiang Mai, conhecida como MCU University e que recebe pessoas do mundo inteiro interessadas em silenciar a mente. Foram dias intensos em um ambiente calmo em meio a natureza onde aprendemos e praticamos diferentes técnicas de meditação e conhecemos um pouco mais da filosofia budista, predominante no país.

E assim, numa viagem espiritual e de descobertas pelo norte da Tailândia, encerrei minha estadia de dois meses nesse país encantador que assim como sua comida que consegue ser doce, salgada, azeda e apimentada ao mesmo tempo, nos provoca tantas sensações e nos desperta tantos sentimentos de forma simultânea.

Até breve Tailândia!

 

 

As paradisíacas praias da Tailândia

27 março, 2016 às 08:46  |  por Aline Presa
Bamboo Island é uma das praias de Koh Phi Phi Leh digna de cartão postal.

Bamboo Island é uma das praias de Koh Phi Phi Leh digna de cartão postal.

Imagine o paraíso. Praias ensolaradas de areia branca contrastando com o verde bandeira da vegetação nativa de coqueiros ou arbustos e um mar de águas cristalinas com barcos de madeira enfeitados com flores e laços coloridos. Bem-vindos à Tailândia!

Com opções para todos os gostos, bolsos e estilos, é fácil entender porque as praias paradisíacas da Tailândia são tão cobiçadas por gente do mundo inteiro.

Decidimos passar um mês explorando suas belezas escondidas entre a costa leste, no Golfo da Tailândia e a costa oeste, onde ficam as praias banhadas pelo mar de Andamão, uma parte do oceano Índico.

Em Koh Tao, na costa leste, destino muito procurado por mergulhadores, a cor da água, a vida marinha e a energia da natureza nos fazem esquecer em alguns momentos das barbaridades do mundo. Alugando uma scooter ou caminhando por suas trilhas é possível conhecer todas as praias ao redor da ilha.

Ao lado de Koh Tao, há poucos minutos de barco, também está a belíssima Koh Nang Yuan. Outro pedaço de paraíso mas tumultuado pela quantidade de turistas que querem desfrutar de suas águas calmas separadas por estreitas faixas de areia branca.

Do alto de um morro, a vista de Koh Nang Yuan é deslumbrante.

Do alto de um morro, a vista de Koh Nang Yuan é deslumbrante.

Saindo de Koh Tao fomos para Railey Beach, na costa oeste da Tailândia. Já na chegada, nos deparamos com o visual deslumbrante de  imensos paredões de rocha em meio ao mar. Com cavernas e praias exuberantes como Phra Nang, descobrimos ainda outro tesouro bem ao lado de Raiely: um lugar  chamado Ton Sai, com um astral mais rústico e menos badalado que é o paraíso dos escaladores.

Nos hospedamos em Ton Sai numa pousada que assim como a maioria da localidade só tinha energia elétrica das 18h as 6h. Os banhos também eram somente de água gelada mas percebi que quando estamos no paraíso não precisamos de muito luxo. A natureza compensa!

Barcos Long Tail são enfeitados com flores e fitas coloridas em oferendas aos espíritos. Credos culturais do país tem origem no Animismo.

Barcos Long Tail são enfeitados com flores e fitas coloridas em oferendas aos espíritos. Credos culturais do país tem origem no Animismo.

Depois disso elegemos Koh Phi Phi para  ser o paraíso que chamaríamos de nosso por duas semanas. No arquipélago de ilhas só é possível hospedar-se em Koh Phi Phi Don. Lá tem muita badalação e festa em Ao Lo Dalam enquanto Long Beach é uma tranquilidade que só.  Já para conhecer as praias de Koh Phi Phi Leh, mais preservadas como Maya Bay, que ficou famosa por causa do filme A Praia, é preciso pegar um barco que pode ser privado ou de passeio ao redor da ilha.

Se por um lado as belezas naturais das praias da Tailândia são incomparáveis, por outro a quantidade de lixo em algumas praias, muitas vezes trazido pelas correntes do oceano e outras deixado pelos turistas, somado às atitudes de alguns que querem domesticar macacos selvagens, me mostrou que infelizmente o paraíso já não é mais intocado como eu idealizava, se não que muitas vezes degradado pelo ser humano.

 

 

 

Bangkok: Minha porta de entrada no sudeste asiático

24 março, 2016 às 06:18  |  por Aline Presa

Se engana quem pensa que a Tailândia se resume à praias paradisíacas. É claro que o país possui praias de águas cristalinas e paisagens estonteantes em suas duas costas localizadas ao sul. Outras regiões, no entanto, guardam belezas exóticas, uma gastronomia reconhecida mundialmente e uma cultura riquíssima. Tudo isso sendo um dos países mais baratos do mundo para se viajar.

Bangkok foi nossa porta de entrada no sudeste asiático e possui uma série de atrações turísticas ou não. A capital cosmopolita é repleta de templos. Alguns deles são verdadeiras obras de arte da arquitetura. Seja pela riqueza de detalhes ou grandiosidade das construções, os templos impressionam qualquer um.

Nessa primeira passagem pela cidade visitamos o Wat Pho, que tem um imenso Buda reclinado de 43 metros; e o Wat Arun, conhecido como Templo do Amanhecer, que é inteiro decorado com mosaicos feitos de porcelanas quebradas. Assistir ao pôr do sol às margens do rio Chao Phraya de frente para o Wat Arun é um programa imperdível para quem visita a capital.

Wat Arun sendo iluminado ao pôr do sol.

Bangkok abriga ainda um moderno complexo na área central, com grande edifícios e shoppings luxuosos. Tudo isso contrastando com um intenso comércio de rua, trânsito caótico envolvendo os apressados tuk tuks e infinitos fios de luz pendurados entre os postes. É incrível como ainda assim a cidade de 8,305,218 habitantes consegue ser harmoniosa!

Além disso, nos arredores da fervilhante Bangkok fica o mercado flutuante Damnoem Saduak, um dos maiores e mais famosos da região, onde se pode apreciar um pouco mais  da cultura local. De comidas à artesanatos, tudo é comercializado dentro de pequenos barcos em estreitos canais de rio.

Tailandesa vende frutas em um barco no mercado flutuante.

A cidade de Ayutthaya, considerada o coração da meditação na Tailândia , também fica próxima de Bangkok. Famosa por seus templos e pelas centenas de estátuas de Budas decapitados, ela revela um pouco da história do país quando este foi invadido pelos exércitos da Birmânia. Patrimônio mundial da Unesco desde 1991, é ali que fica a estátua com a cabeça de um Buda envolto entre as raízes de uma árvore e o Wat Yai Chaya Mongkol, com peças de Budas em vestes amarelas.

Estátuas com imagens de Buda num dos templos de Ayutthaya.

Explorar a Tailândia é um convite à diversidade. Um país com tradições animistas, predominantemente budista, com uma monarquia constitucional e de um povo manso e simpático. Com belezas naturais que vão de praias à florestas, culinária que envolve pratos apimentados e frutas surpreendentemente doces, há muito para ser descoberto nesse país começando pela encantadora Bangkok.  

 

Olá, mundo!

15 março, 2016 às 19:11  |  por admin

Sabe aquele sonho de viajar o mundo? Conhecer novas culturas e pessoas. Descobrir o que mais tem lá fora… lá longe. E estar lá. Sentir. Viver.

Algumas pessoas me questionam porque largar tudo para fazer uma viagem de longo prazo pelo mundo. Mas e se invertêssemos a pergunta: Por que continuar no mesmo trabalho sempre, fazendo as mesmas coisas todos os dias, economizando para trocar de carro todo ano ou para comprar um apartamento maior? Penso que não se trata de um julgamento de valores, cada um é feliz de um jeito e nem todo mundo tem essa oportunidade, mas de uma reflexão sobre o sentido que damos às nossas vidas e aos padrões de comportamentos que repetimos simplesmente por serem mais aceitos socialmente. 

Tem uma frase de Benjamim Disraeli que diz que a vida é muito curta para ser pequena. Acho que por isso viajo, para que minha vida tenha um sentido maior do que o meu ego e para evoluir como ser humano. Penso que quando saímos da nossa zona de conforto e nos permitimos viver novas experiências aprendemos tanto que não enriquecemos materialmente mas como pessoas. E isso tem um valor imensurável para mim. É como se abríssemos uma janela para o mundo e ao mesmo tempo para dentro de nós mesmos. E acredito que quanto mais conectados estamos com quem verdadeiramente somos, mais tudo faz sentido. 

Aprendi também que sonhos existem para serem realizados. E não pode ser algum dia. Tem que ter data, mês e ano. Se não, continua sendo somente sonho. Então eu me preparei, trabalhei bastante, me planejei e economizei para poder fazer essa viagem que não tem um roteiro ao certo e nem data para terminar.

De qualquer forma, partir não foi fácil. Não só pelo meu trabalho que me realizava ou pelas pessoas que ficaram para trás, mas por todas as expectativas envolvidas nesse projeto. Vivemos uma vida inflada delas – com nós mesmos, com os outros e com todas as coisas ao nosso redor. Tentamos racionalizar tudo e prever o que vai acontecer ao invés de simplesmente vivermos e permitirmos que a vida flua e nos surpreenda. Expectativa, no entanto, não é a mesma coisa que esperança. As expetativas nos frustram, geram ansiedade e a ilusão de que temos o controle das coisas, enquanto não temos o controle de nada nem de ninguém. Já a esperança nos motiva e nos dá força e coragem para realizarmos tudo aquilo que desejamos com flexibilidade, com o coração aberto para o que o universo nos reserva e sem garantias de nada.

Agora o que era sonho a cada dia se torna realidade. E com muita esperança de que seja um caminho lindo mas sem expectativas de como será, convido vocês a viajarem comigo nessa jornada que começa pela Tailândia.

Desfrutar de um pôr do sol como esse no meio do mar de Andamão faz tudo valer a pena.