Descobrindo o norte da Tailândia

12 abril, 2016 às 04:50  |  por Aline Presa

Para conhecer mais a autêntica e genuína cultura tailandesa, uma parada na cidade de Chiang Mai, ao norte, é praticamente obrigatória em uma visita ao país. Diferente da caótica capital Bangkok e das paradisíacas praias do sul, em Chiang Mai nos deparamos com um povo de sorriso fácil em uma atmosfera que inspira misticismo cercada de belezas exóticas.

Com cerca de 1 milhão e 600 mil habitantes, Chiang Mai está situada a 800 km ao norte de Bangkok e possui um centro histórico murado que lembra as antigas cidades medievais. O muro hoje delimita uma área conhecida como quadrado em que ficam localizados templos, hotéis e pousadas, além do Sunday Market: uma extensa feira de rua ao ar livre que acontece aos domingos onde se vende de tudo: desde comida até artesanatos locais. Outro ponto de comércio tradicional na cidade é o Night Bazar mas não é só pelos seus mercados que Chiang Mai encanta seus visitantes.

As atrações da região são muitas e incluem visitas à templos – a cidade tem centenas, cursos de culinária tailandesa, trekkings na floresta, rafting, visitas às diferentes  tribos das montanhas e os inusitados passeios com elefantes. E aqui vale um alerta para aqueles que prezam por um turismo consciente: É preciso pesquisar bem as opções antes de cair numa roubada. De shows com elefantes que pintam quadros à tigres dopadas que posam para fotos, são diferentes os apelos aos turistas.

Filhote de elefante cresce   livremente em santuário localizado em Chiang Mai.

Filhote de elefante cresce livremente em santuário localizado em Chiang Mai.

Muitas agências vendem por exemplo pacotes que permitem andar em cima dos elefantes em pequenos cestos enquanto outras oferecem opções para interagir com os animais de forma mais harmoniosa. Tive a oportunidade de visitar um santuário em que as pessoas apenas brincam, alimentam e dão banho nos elefantes. Apesar do tamanho eles são incrivelmente dóceis e essa foi uma experiência ímpar. Ali eles são bem cuidados e alimentados uma vez que boa parte do dinheiro que os turistas pagam para ir até o local é revertido em cuidados com os mamíferos.

Outro ponto que me questiono é a ampla exploração pelo turismo de massa das tribos Karen Long Neck, refugiadas de Myanmar e conhecidas como mulheres girafa por usarem argolas de bronze no pescoço. Com certeza muitas pessoas já se depararam com alguma imagem de uma dessas mulheres e a possibilidade de visitar uma dessas tribos e conhecer essa realidade de perto é no mínimo tentadora. No entanto, depois de ter passado dois dias lá, hoje tenho minhas dúvidas.

Menina da tribo Karen long neck me deixa fazer um retrato dela antes de me levar dar uma volta de bicicleta.

Menina da tribo Karen long neck me deixou fazer um retrato dela antes de me levar dar uma volta de bicicleta.

Conta-se que as mulheres usavam essas argolas no passado por diferentes motivos: uma das lendas diz que seria para se protegerem contra ataques de tigres, outros  dizem que seria simplesmente para se tornarem mais belas. De qualquer forma, sabe-se que as pesadas argolas que vão aumentando com o passar dos anos e que são colocadas em meninas com idade a partir dos 5 anos não alongam o pescoço mas deformam a caixa torácica das mulheres.

É díficil compreender a perpetuação dessa tradição e o efeito provocado por esse tipo de turismo do qual muitas dessas tribos hoje sobrevivem. Uma venda na tribo que comercializa cervejas, etc, com uma placa fazendo menção à famosa rede de lojas de conveniência da Tailândia conhecida como “7 eleven” deixa explícita essa realidade.

As belezas de Chiang Mai,  no entanto, vão muito além de suas atrações turísticas. Passar os dias pedalando por suas ruas sem pretensão nos permitiu conhecer seus pequenos tesouros. Suas ruelas escondem lugares com comida de rua boa e barata, restaurantes charmosos para se provar uma gastronomia riquíssima e ginásios com lutas de muay thai em meio há tantos templos e detalhes.

Detalhes de um templo de madeira dentro da cidade antiga em Chiang Mai.

Detalhes de um templo de madeira em Chiang Mai.

Chiang Mai também oferece espaços para conhecer melhor o budismo em conversas informais com monges budistas, por exemplo. Pude participar de um retiro de meditação organizado pela universidade dos monges de Chiang Mai, conhecida como MCU University e que recebe pessoas do mundo inteiro interessadas em silenciar a mente. Foram dias intensos em um ambiente calmo em meio a natureza onde aprendemos e praticamos diferentes técnicas de meditação e conhecemos um pouco mais da filosofia budista, predominante no país.

E assim, numa viagem espiritual e de descobertas pelo norte da Tailândia, encerrei minha estadia de dois meses nesse país encantador que assim como sua comida que consegue ser doce, salgada, azeda e apimentada ao mesmo tempo, nos provoca tantas sensações e nos desperta tantos sentimentos de forma simultânea.

Até breve Tailândia!

 

 

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