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O fascínio da descoberta da fala pelas crianças

29 março, 2017 às 12:53  |  por Adriane Werner

Funny young boy and girl students(imagem: Freepik)

Aprender a falar é mesmo algo mágico. Percebo na minha baixinha, de 2 anos e 7 meses, o quanto esse processo é fascinante pra ela. A cada dia, novas palavras e novas formas de falar são exploradas. É um fenômeno curioso.

Até semana passada, ela estava com o hábito de falar pausadamente, como se saboreasse as palavras que já sabia dizer. Por exemplo, quando eu perguntava “O que a Beatriz é da mamãe?”, ela respondia, lentamente, palavra por palavra: “Doce… doce… amor!”

De uma hora pra outra, tudo mudou. A impressão até é de que ela está falando mais errado, mas já percebi que não é: ela está testando novas formas. Começou a pronunciar frases, unir palavras, conjugar verbos. O engraçado é que parece que adquiriu uma noção de timing – percebeu que a fala tem que ter um ritmo! Por isso, às vezes engata uma série de sons ininteligíveis, principalmente quando está cantando, pra não perder a melodia e o ritmo. “A dona aranha didiulalala-ede, nananana-utu” e por aí vai.

Outra coisa engraçada é o “treinamento” pra produzir os diferentes sons do “R”. Começou a colocar o “R” até onde não tem. Na mesma música: “Ar dornaranhar surbir pelar pareder”…

Isso sem contar a parte da compreensão do conteúdo, processo igualmente apaixonante. Ela imita as frases dos adultos, principalmente pra demonstrar sociabilidade. Cada vez que encontra uma pessoa nova, já vai dizendo: “Oi, amiga. Meu nome é Beatriz!” Ou então se despede com um “apareça!”, “boa semana”…

E também deu pra corrigir ou criar constrangimentos… Outro dia passou por um senhor e disse “Oi, véio!” (até explicar que é assim que a família chama meu tio mais velho…)

A última: Passamos no supermercado antes de irmos passear na casa da minha irmã, madrinha dela. Minha irmã tinha pedido pra levarmos pão francês, mas não tinha mais no mercado. Peguei outro tipo de pão e comecei a gravar uma mensagem de áudio pra minha irmã, dizendo que não tinha mais pão francês. Aí quis fazer uma graça na gravação, colocando a fala da pequena: “Fala pra madrinha que não tinha mais pão no mercado…” E ela: “Tinha, sim!”

Uma breve história de amor em e-mails no século passado…

27 março, 2017 às 18:13  |  por Adriane Werner

Ouço no rádio que o pessoal de Mianmar (antiga Birmânia) começa a ter acesso à internet. Até 2011, apenas 0,5% da população conseguia acessar. Agora eles estão eufóricos e mergulharam de vez nas redes sociais. Pularam o e-mail, o Orkut, o msn… foram direto pro Facebook! Isso está fazendo com que eles cometam inúmeras gafes em coisas que nós aprendemos, com o tempo, a evitar. Por exemplo: exposição ingênua e desmedida, mensagens abertas que deveriam ser privadas, entre tantas outras.

Ouvir esse comentário em uma coluna sobre novas tecnologias me levou aos primórdios da popularização da Internet e me fez rir sozinha lembrando das minhas próprias bolas-fora…

Houve um tempo em que o acesso à rede era discado e era comum as famílias terem apenas um endereço de e-mail. Contratava-se o acesso e isso dava direito a um endereço de e-mail. Lá em casa o e-mail era “werner@xxxxx (não me lembro qual era o complemento). Pois bem. Meu pai acessava durante o dia, quando precisava, e meu irmão e eu acessávamos à noite, que era mais barato. Até que me incluíram em um grupo de discussão sobre tecnologias aplicadas à música e eu comecei a paquerar o coordenador. Ele entendia tudo de internet e eu boiava… As gafes mais divertidas foram com ele, em correspondências que culminaram em um breve namoro.

Um belo dia – ou melhor, em uma bela madrugada – decidi criar coragem e mandar um e-mail pra ele! Mas acabei mandando no grupo!!! Um approach pra lá de brega, algo como “vejo que você é notívago, como eu…” Imagina a vergonha que senti quando os amigos do grupo perceberam que eu estava paquerando o rapaz.

Mas o pior ainda estava por vir. O pai do moço tinha um nome esquisito, mas eu não lembrava qual era a graça do dito cujo. Um dia, quando a conversa já estava evoluindo pra um clima de aproximação, puxei o assunto de família e lasquei:

- Manda um abraço pro sr. MAILTO!

Ele estranhou:

- Mas quem é MAILTO?

- Ué, não é o nome do seu pai?

- Não, não… Meu pai se chama Fulano de Tal. (claro que não vou dizer o nome aqui e me entregar)

mailto

Na mesma hora me dei conta da minha confusão. Ao final de cada e-mail que eu recebia dele, aparecia escrito mailto:… E eu achava que era um e-mail compartilhado pela família toda, e que aquele era o nome do pai dele. Não me expliquei e fiquei torcendo pra que ele não tivesse percebido de onde vinha minha confusão. Namoramos durante alguns meses, mas nunca tive coragem de contar de onde vinha o nome que eu havia inventado. Sei que alguns amigos – e talvez o ex-namorado – vão reconhecer os personagens do texto e rir comigo. Convido-os a rirmos juntos imaginando o que os birmaneses ainda irão enfrentar.

Sobre a Operação Carne Fraca

17 março, 2017 às 16:22  |  por Adriane Werner
Meme da Internet

Meme da Internet

O Brasil todo ficou chocado nesta sexta-feira com os resultados da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que levou pra cadeia os principais produtores de carne bovina, suína e de frango do país. As denúncias são de venda de carne podre, adulteração de carne com ácidos para disfarçar cheiro e gosto de estragado e de mistura de papelão nas carnes de frango. Isso tudo vindo de marcas conhecidíssimas, que vão para nossas mesas todos os dias – e inclusive para merenda escolar.
É caso mesmo de deixar o cidadão indignado!

Compartilho aqui a reflexão feita pelo amigo advogado Gustavo Tavares Piovesan, que – não amenizando os absurdos desses que devem apodrecer na cadeia por brincarem com nossas vidas em troca de dinheiro, propina e corrupção – mostra que a corrupção e as maquiagens estão presentes em muitas outras ações do nosso dia-a-dia. Acompanhe:

Carnes maquiadas volume I
Esses dias conheci uma pessoa que tinha vergonha de perambular no shopping com uma sacola de loja de departamento popular. Então ela trazia de casa uma sacola de loja de grife para colocar a outra sacola dentro.
Conheço outra pessoa que comprou carro importado e pagou em prestações a perder de vista para poder ostentar para seus clientes e invejar seus colegas, que certamente concluirão que a carreira dele está ‘bombando’.
Também há pessoas que tem iPhone, mesmo não conseguindo pagar um curso profissionalizante. Cada um faz o que quer com o dinheiro, né?
O vendedor de carros usados dá um ‘banho de loja’ no carro, passa até produtos nocivos à pintura, apenas para dar brilho ofuscante e temporário ao automóvel que, logo, logo sairá do seu pátio. O carro já abraçou vários postes, mas ele diz que ‘nunca bateu’.
A foto do instagram da ‘webcelebridade’ parece espontânea, mas é resultado de dezenas e até centenas de tentativas de fotos em ângulos, luzes, matizes, cores, zooms e filtros diferentes. Todo mundo tem sempre um lado mais bonito.
Em vendas, pequeno vira compacto. Vendedor vira consultor. Empregado vira associado. Custo vira investimento.
Mossunguê é Ecoville, Capão Raso é Novo Mundo, Bigorrilho é Champagnat e Batel é Soho Batel!?
Lavar calçada e pintar muro é mais visível e barato do que fazer saneamento básico.
A questão não é só da Friboi (cujos boatos, maquiados, diziam ser propriedade do filho do Lula), que inclusive contratou um autoproclamado vegetariano, o cantor Roberto Carlos, para endossar a marca.
Nós somos carnes maquiadas ambulantes. E não digo só de quem vai na Sephora ou MAC.
Aí você diz: mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Talvez você esteja certo e eu estou maquiando isso também pra te trazer até aqui.

O ano só começa hoje. Será?

1 março, 2017 às 17:32  |  por Adriane Werner

Me irrito um pouco com as pessoas que esperam acabar o Carnaval pra dizer a fatídica frase de que “o ano só começa hoje”. Sempre pensei que isso só perpetua nossa Síndrome de Zé Carioca e que alimenta as críticas nada verdadeiras de que o brasileiro é vagabundo. Não somos! Há alguns anos publiquei um artigo com comentários a uma pesquisa que mostrava que o brasileiro trabalha, em média, muito mais horas do que em outros países. Comparando com nosso anti-herói Macunaíma, personagem que pregava o famoso “Ai, que preguiça” e que poderia dar a entender que aquela era a personalidade geral do brasileiro, intitulei o artigo assim: “Nosso Macunaíma é um workaholic”. Acompanhe o texto, que tem mais de dez anos – mas, certamente, nosso ritmo de trabalho continua assim intenso.

Nosso Macunaíma é um workaholic – o comportamento no trabalho

Pesquisa internacional aponta que o brasileiro é um dos mais ‘engajados’ do mundo nas atividades profissionais.

Sabe aquele velho estigma de que o trabalhador brasileiro faz corpo mole, aquele preconceito arraigado na nossa cultura de dizer que não somos chegados no trabalho, de que somos preguiçosos, meio Macunaíma (o personagem preguiçoso, o anti-herói brasileiro criado por Mario de Andrade)? Pois essas ideias já foram cientificamente enterradas. Uma pesquisa da consultoria americana Towers Perrin, divulgada na Revista VendaMais, mostra que, entre 18 países pesquisados, o Brasil figurou como um dos campeões em ‘engajamento profissional’.

A pesquisa mostra que o brasileiro se dedica “de corpo e alma” ao seu trabalho, como aponta a Revista – e como já apontavam há anos sociólogos sérios e pensadores que reconhecem a força de vontade e a garra dos tupiniquins. Em outras palavras, pode-se concluir que, se muitos por aqui não trabalham, é porque ainda faltam muitos postos de emprego formal, e não porque brasileiro não gosta de trabalhar, como alguns ainda insistem em dizer.

De todos os 18 países pesquisados, o Brasil ficou atrás apenas do México no ranking de engajamento com as obrigações profissionais. A pesquisa indicou que 37% dos funcionários de empresas brasileiras dão 100% de si ao trabalho, enquanto a média mundial ficou em 21%. Já os menos compromissados, de acordo com a pesquisa, são os trabalhadores do continente asiático.

Se olharmos apenas os números e o ‘ranking de engajamento’, é claro que ficamos com uma pontinha de orgulho, estufamos o peito e pensamos: “Tá vendo? Eu já sabia…Somos mesmo um povo honesto e trabalhador!” Mas a pesquisa permite também uma análise um pouco mais pessimista, um reconhecimento do que antigamente chamávamos de “nossa condição de subdesenvolvidos”.

O grau de envolvimento do trabalhador com as atividades profissionais foi avaliado em três frentes: a racional (o quanto ele pensa no trabalho), a emocional (o quanto se envolve emocionalmente na atividade) e a motivacional (o ‘agir’ no trabalho). Então pense comigo: se o trabalhador afirma se der 100% ao trabalho, que espaço sobra para a dedicação ao lazer, à família, aos amigos, ao estudo? Que tempo ele tem para pensar?

Empresas modernas e países avançados já perceberam que o trabalhador ideal não é o que se dedica 100% ao trabalho, mas o que sabe dosar com inteligência sua dedicação e responsabilidade em todas as áreas de sua condição humana. Nos cursos de Administração, por exemplo, já virou até lugar-comum citar empresas como a 3M, que permite ao trabalhador usar 1/5 do seu tempo (um dia inteiro por semana!) para… pensar. E não é que a empresa seja boazinha, não. É que os dirigentes perceberam que este é o caminho para a inovação. Eles vêem, na prática, que produtos como o genial post it – a cola que não cola muito – só surgem quando o trabalhador deixa a atividade mecânica e se dá ao luxo de pensar.


Obs.: Claro que entendo que muitas decisões importantes são tomadas somente depois do Carnaval e

Autor da Charge: Duke

Autor da Charge: Duke

que muitas empresas evitam contratar e comprar antes dessa data porque imaginam que o ritmo de trabalho só vai engrenar depois disso. Principalmente, compreendo que a esperança se renova mais uma vez agora, como na passagem de ano – especialmente para quem está a procura de um emprego ou quem aposta as fichas de que agora os negócios irão melhorar. Ainda bem que o Carnaval, neste ano, foi cedo!

No fundo, tudo é vaidade…

28 fevereiro, 2017 às 01:07  |  por Adriane Werner

O que nos leva a postar cenas bizarras, mentiras sobre nós mesmos e boatos descarados nas redes sociais?

 

Umberto Eco causou polêmica ao dizer que as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis. Sou fascinada com o potencial de comunicação que as redes possibilitam, pra diversão, contato, troca de informações e articulação entre as pessoas, mas, vendo alguns exemplos que pulam aos nossos olhos todos os dias, muitas vezes me pego dando razão ao pensador italiano.

Hoje mesmo me deparei com três exemplos em que a primeira coisa que me veio à mente foi um meme desses engraçadinhos que traz a mensagem “queria desver isso”. Mas as postagens nada tinham de engraçado.

Uma delas, compartilhada à exaustão, era o vídeo de um rapaz que chegou a um pronto-socorro baleado na boca. Usuário de crack, o rapaz dança e se remexe, como em surto, possivelmente por efeito da droga. Os profissionais, no entanto, em vez de socorrê-lo às pressas, começam a exorcizar supostos demônios do paciente. Incrível ter que acreditar que um grupo de profissionais da saúde tenha deixado de lado o compromisso profissional e esquecido completamente a ética. Aliás, ética também não foi o forte de quem teve a brilhante ideia de filmar e postar o vídeo do acontecido. E as centenas – talvez milhares – de pessoas que compartilharam o vídeo? Ingênuas, cegas pela crença, pessoas facilmente influenciáveis? Pra pensar…

A outra postagem é uma mensagem que volta e meia reaparece por aí. O sujeito coloca um texto dando a entender que morreu e que a mensagem foi postada por um familiar. Ao final, diz que é uma brincadeira, mas que a intenção foi fazer todo mundo pensar no quanto é importante valorizar as amizades. No fundo, a pessoa quer que todo mundo comente coisas como “que bom que você está vivo!”. Caramba! A que grau chega nossa carência, a ponto de fazermos os amigos pensarem que morremos, para então eles nos valorizarem?

Por fim, a eterna boa fé, aliada ao descompromisso com a informação repassada, que faz com que milhares e milhares de boatos e notícias falsas sejam compartilhadas aos punhados. Como é que as pessoas ainda acreditam que a criancinha cega irá receber R$ 0,10 cada vez que a mensagem for compartilhada? Quando iremos aprender a procurar no Google antes de compartilhar fotos de crianças supostamente desaparecidas, ou prêmios milionários para quem passar adiante alguma postagem?

No fundo, tudo isso é fruto da vaidade – o pecado capital que mexe com cada um de nós. Por vaidade, queremos mostrar que somos pessoas de fé, impressionadas com um espetáculo deprimente como o do rapaz baleado. Por vaidade, imploramos por declarações de amor e amizade, mesmo que para receber uma atençãozinha precisemos nos fingir de mortos… Por vaidade, queremos mostrar ao mundo que somos bons e nos sensibilizamos com a luta da criancinha cega… E por vaidade, somada à ganância, queremos a possibilidade de sermos brindados pela sorte, ganhando no sorteio virtual o automóvel ou a viagem que nunca teremos.

 

Fonte da foto: proveseuamor.com

Fonte da foto: proveseuamor.com

“Amai vossos inimigos” – mas isso é possível?

20 fevereiro, 2017 às 15:36  |  por Adriane Werner

Dois acontecimentos nos últimos dias despertaram minha atenção para um mesmo tema: é possível admirar um inimigo, ou ao menos reconhecer nele algo de positivo?

Há alguns dias, promovemos, uma colega e eu, uma dinâmica com a equipe de limpeza de um órgão público. A intenção era melhorar o clima de trabalho e o coleguismo, já que o ambiente estava afetado por fofocas e intolerâncias. Pedimos que as senhoras listassem, primeiramente, os defeitos de todas as colegas, e, logo em seguida, os pontos positivos de cada pessoa. É claro que todas ficaram curiosas para ver o que havia na lista negativa – e quem havia escrito, embora houvesse o pedido de anonimato. Mas nós decidimos não mostrar a lista de defeitos, e sim destruí-la.  Ao final, compartilhamos a lista das qualidades de cada uma, mostrando que, para o grupo, todas elas têm valor – mesmo as que não se gostam reconhecem qualidades nas colegas.

A surpresa negativa foi a constatação de que uma pessoa do grupo não listou as qualidades de duas colegas. Descobri, sem querer, quem foi a pessoa. Ela me abordou separadamente e disse que não conseguia ver nada de positivo nas pessoas que ela não gosta. Tentei explicar que não se tratava de passar a admirar a pessoa, mas sim de reconhecer nela algo de bom – afinal, acredito que todos temos algo de bom, por pouco que seja. Mas ela foi irredutível.

Poucos dias depois, em uma celebração religiosa, me deparo com o Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículo 44: “Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem”. E a provocação vai além: “Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?” (Versículo 46). No sermão, o padre ainda alertou várias e várias vezes sobre o quanto é importante reconhecer o valor daqueles a quem tendemos a desprezar. Inevitável, naquela hora, pensar coisas como: “Fulano deveria ouvir isso”, “o Evangelho de hoje é muito próprio pro Beltrano”… Mas, depois de algum tempo, pensei: “Ops, e eu, como tenho amado?”

Muito mais difícil olhar pra dentro do que apontar o dedo para os outros. Reconhecer qualidades – ou, mais do que isso, AMAR! – as pessoas que consideramos mais desprezíveis é um grande exercício. Para tentarmos começar, podemos pensar no princípio da reciprocidade: Como gostaríamos que o outro nos visse? Estou colaborando para construir esta imagem?Que qualidades eu gostaria que reconhecessem em mim, mesmo meu inimigo?

inimigosFonte da imagem: mensagensdefacebook.com.br

 

Procrastinação – um mea culpa!

20 fevereiro, 2017 às 11:25  |  por Adriane Werner

procrastinação reduzida

Preciso escrever. Levanto, escolho uma caneca, ponho o adoçante e o café. Preciso aprender a gostar do café puro, sem açúcar nem adoçante. Volto pra mesa, ligo o computador. Enquanto ele vai ligando, vou até a janela, abro a cortina. De volta à mesa, analiso a luminosidade. Fecho novamente a janela. Decido pegar uns livros, para o caso de precisar fazer alguma referência. Nem precisa, posso pesquisar tudo na internet.
Computador ligado. Antes de encarar o texto, uma rápida olhadinha nas redes sociais. Aí me distraio um pouco e começo a olhar o relógio, imaginando que dali a 12 minutos, na próxima hora redonda, eu largo tudo e vou escrever. É a tal da procrastinação, que me faz (a mim e a quase todos nós) ritualizar mil ações antes de fazer o que precisa ser feito.
Ora , bolas. Por que procrastinamos, se isso nos faz mal? Aumenta a sensação de culpa e traz a impressão de que não conseguimos fazer o que é necessário. Por fim, tento a dica dos coachs e apelo para a “meta forçada”: proponho-me a fazer o que estou adiando.
Procrastinar é o ato de postergar, adiar a execução de uma tarefa importante. Procurando pelo assunto na internet, o mais comum é ver os especialistas dando dicas como “não procrastine”, “faça uma lista de atividades e estabeleça prioridades”, “comece pelo mais difícil” ou então “comece pelo mais fácil”. Mas ninguém me explica por que isso acontece ou como me livrar dessa sensação angustiante.
O que me consola é que também li na internet que quase todo mundo procrastina, nem que seja um pouquinho. Mas tem aquelas pessoas que são tão organizadas, tão meticulosas, que simplesmente não conseguem procrastinar. Essas me causam um pouco de inveja, mas só um pouco.
Um artigo de Rodrigo Capelo, publicado no G1 (http://gq.globo.com/Corpo/Saude/noticia/2014/10/5-motivos-por-que-procrastinamos.html), aponta os cinco principais motivos que levam as pessoas a se enrolar na hora de fazer alguma coisa importante. E esses motivos são a complacência, o estresse, o desconforto, o medo e a ilusão de ação. Bingo! Descobri meu motivo e o mea culpa alivia um pouco o peso de tudo isso: ilusão de ação! Já tenho em quem por a culpa! Quando estou muito ocupada (ou me iludo, criando mil coisas pra fazer), parece que é menos pecado procrastinar… Mas, não adianta, uma hora a gente tem que encarar! E sempre vem a promessa de que na próxima vez não vai ser assim. Torçamos…