Uma breve história de amor em e-mails no século passado…

27 março, 2017 às 18:13  |  por Adriane Werner

Ouço no rádio que o pessoal de Mianmar (antiga Birmânia) começa a ter acesso à internet. Até 2011, apenas 0,5% da população conseguia acessar. Agora eles estão eufóricos e mergulharam de vez nas redes sociais. Pularam o e-mail, o Orkut, o msn… foram direto pro Facebook! Isso está fazendo com que eles cometam inúmeras gafes em coisas que nós aprendemos, com o tempo, a evitar. Por exemplo: exposição ingênua e desmedida, mensagens abertas que deveriam ser privadas, entre tantas outras.

Ouvir esse comentário em uma coluna sobre novas tecnologias me levou aos primórdios da popularização da Internet e me fez rir sozinha lembrando das minhas próprias bolas-fora…

Houve um tempo em que o acesso à rede era discado e era comum as famílias terem apenas um endereço de e-mail. Contratava-se o acesso e isso dava direito a um endereço de e-mail. Lá em casa o e-mail era “werner@xxxxx (não me lembro qual era o complemento). Pois bem. Meu pai acessava durante o dia, quando precisava, e meu irmão e eu acessávamos à noite, que era mais barato. Até que me incluíram em um grupo de discussão sobre tecnologias aplicadas à música e eu comecei a paquerar o coordenador. Ele entendia tudo de internet e eu boiava… As gafes mais divertidas foram com ele, em correspondências que culminaram em um breve namoro.

Um belo dia – ou melhor, em uma bela madrugada – decidi criar coragem e mandar um e-mail pra ele! Mas acabei mandando no grupo!!! Um approach pra lá de brega, algo como “vejo que você é notívago, como eu…” Imagina a vergonha que senti quando os amigos do grupo perceberam que eu estava paquerando o rapaz.

Mas o pior ainda estava por vir. O pai do moço tinha um nome esquisito, mas eu não lembrava qual era a graça do dito cujo. Um dia, quando a conversa já estava evoluindo pra um clima de aproximação, puxei o assunto de família e lasquei:

- Manda um abraço pro sr. MAILTO!

Ele estranhou:

- Mas quem é MAILTO?

- Ué, não é o nome do seu pai?

- Não, não… Meu pai se chama Fulano de Tal. (claro que não vou dizer o nome aqui e me entregar)

mailto

Na mesma hora me dei conta da minha confusão. Ao final de cada e-mail que eu recebia dele, aparecia escrito mailto:… E eu achava que era um e-mail compartilhado pela família toda, e que aquele era o nome do pai dele. Não me expliquei e fiquei torcendo pra que ele não tivesse percebido de onde vinha minha confusão. Namoramos durante alguns meses, mas nunca tive coragem de contar de onde vinha o nome que eu havia inventado. Sei que alguns amigos – e talvez o ex-namorado – vão reconhecer os personagens do texto e rir comigo. Convido-os a rirmos juntos imaginando o que os birmaneses ainda irão enfrentar.

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