Nossas doces farsas…

15 janeiro, 2016 às 11:58  |  por Willian Mac-Cormick Maron

“A vida é uma farsa que toda a gente se vê obrigada a representar.” (Arthur Rimbaud)

     Somos atores que interpretamos a nossa farsa, nossos personagens que inventamos para nós mesmos. Facetas do ego. Somos nós mesmos, mas de formas diferentes, atitudes diferentes. Somos sempre nós mesmos e muitos outros. Como deve ser chato ser 100% qualquer coisa… Inclusive você mesmo.
Todo mundo tem um lado “B”, ou deveria ter. É, no mínimo, interessante ou divertido. O que já faz valer a pena. O lado “B” não é algo necessariamente macabro ou horrível aos outros olhos, mas algo que não queremos que ninguém saiba. Intimas atribuições, manias ou características.

Vamos vivendo de nosso faz de conta.
de um tanto faz,
de um tanto for
de um tanto dor
de um tanto farsa…

     Algumas vezes precisamos do cômico para disfarçar o trágico, outras vezes é o trágico que destitui o cômico. Como aquele riso angustiado que disfarça um choro. Um riso que diz-farsa.

     Ainda esquecemos que nem todo riso é de alegria, e nem todo choro é de dor. Portanto e paradoxalmente, a fantasia é porto seguro, refúgio último face ao sofrimento, ao desejo, ao desamparo.

Temos todos a “farsa” e o queijo nas mãos.

O tempo é questão… O tempo questiona.

8 janeiro, 2016 às 15:21  |  por Willian Mac-Cormick Maron

O tempo é questão. O tempo questiona.

Ouço: “Que tempo é esse que é o nosso tempo? Você passa pelo tempo, ou o tempo passa por você? Há um início para a eternidade ou ela não está dentro das medidas de tempo?”

“O tempo não é algo que exista em si”, diria Kant … Não há uma substância tempo. O que se sabe sobre o tempo é propriamente sua unidade de medida, o seu passar em uma sucessão de acontecimentos. A gente só sente seus efeitos, e nossos feitos sobre ele… Mas seja qual tempo for, passado e futuro são sempre presentes.

Nosso tempo é assim: meio que louco, meio que lógico. Algumas eternidades duram mais tempo que outras, alguns “pra sempre” são mais intermináveis que outros. No tempo cronológico, estou sempre em atraso…

“É o tempo da travessia … E se não ousarmos fazê-la … Teremos ficado … para sempre … À margem de nós mesmos…” (F. Pessoa).

Odeio esta mania que o tempo tem de apenas
passar…

O tempo não cura, costura.

Já o amor não segue um tempo cronológico …
É outra unidade de medida.
É uma unidade desmedida.

Supostas verdades

8 janeiro, 2016 às 15:12  |  por Willian Mac-Cormick Maron

O termo “verdades supostas” daria um exemplo interessante de pleonasmo …
Pouca coisa é tão suposta quanto uma verdade.
De absoluto mesmo só a dúvida.

A maioria das verdades podem ser respeitadas.
Exceto aquelas que desrespeitam ou aniquilam a verdade do outro.

O mundo ainda é muito mal resolvido com a verdade do outro.

Talvez por justamente sermos, cada um, ainda mal resolvido com a sua própria verdade.

Até porque a verdade não é a resolução em si mesma. São tipos de respostas que visam responder às problemáticas do sentido através de uma narrativa, de uma estrutura linguística.
A produção de sentido é um problema originário, individual e intransferível que lidamos diariamente e que muitas vezes não nos damos conta, nem compreendemos.

A verdade é constituída através da linguagem, portanto, sempre quase-compreendida.

“Vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?” (Freud)

Transgredir é uma forma de existir…

7 dezembro, 2015 às 09:18  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Despertar o pavor ou o estranhamento no outro é uma das formas de ser visto, percebido.
Como se esse dissesse “olhem para mim… eu provoco medo, eu existo…”

O pavor causado por uma pessoa, a tira, de certa forma, da posição de coadjuvante. Como temo, agora eu vejo, volto minha atenção para ele.
O estranhamento nos destaca.

Preciso do olhar do outro para existir.
Transgredir é uma forma de existir…

A palavra, a verdade e o sentido…

23 novembro, 2015 às 10:17  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Até a idade moderna pensava-se em uma verdade única, independente de boa e já posta no mundo. Precisávamos buscá-la e encontrá-la. Com o advento do que muitos chamam de “giro linguístico”, passa-se a pensar em inúmeras verdades constituídas por nós através da linguagem. A ideia multiplicidade das verdades trouxe uma grande problemática (O que não deveria ser necessariamente ruim) filosófica e social.
Se a verdade é plural e não mais única, o que se faz com a verdade do outro que é diferente da minha? Vejo como legítima ou busco a eliminar?
A eliminação sistemática e violenta da verdade do outro (seja ele de outra nação, crença, etnia, Etc.) é dos atos mais primitivos e perversos vistos nas relações humanas. A verdade como única e inflexível por se mostrar como incapacidade de produção de novos sentidos. Sempre imagino que só a minha verdade é a certa. O monopólio de sentido elimina o potencial de autonomia do sujeito. Sou a partir daquela verdade já posta e cristalizada. E se algo coloca em questão a minha verdade?
Tento eliminar por palavras ou por atos.
Eliminar a verdade do outro é sempre mais cômodo que questionar a minha. A história humana também é uma história de tentativas de dominação e eliminação sistemática do outro por motivos diversos… Ou perversos.
Só a palavra nos possibilita democratizar a produção de sentido. Onde a palavra cai, a hostilidade se faz imperativa.

Só há esperança onde ainda há palavra.

O Plano “B”

3 novembro, 2015 às 08:24  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Para quem não ouviu, segue o link para o áudio do CBN debate da CBN Curitiba com minha participação no dia 17/10 sobre o “Plano B”.

Mudar de vida não é fácil. Mas, muitas vezes, é a escolha feita por profissionais das mais diversas áreas, cansados com o estresse do dia-a-dia ou na busca por alternativas para melhorar a renda mensal.

Qual é o papel do desejo em se reinventar?

Para ter acesso ao áudio clique aqui

Prazer e sofrimento no trabalho – Nuevo Debate

23 outubro, 2015 às 10:59  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Desde Freud trabalhar e amar são dois dos grandes indicativos de saúde, mas igualmente, exigem para si grande dose de fantasia e imaginação.

Lembro-me que já escrevi sobre a relação do homem e do trabalho com todos seus desafios e possíveis relações violentas.

Uma das formas possíveis de olhar para a violência é vendo-a como uma tentativa consciente ou inconsciente de aniquilação do sujeito, seja ele o outro ou eu mesmo. Visto o sujeito como o indivíduo desejante, minimamente autônomo e que se banca, se responsabiliza.
O ato contra o corpo do outro é só uma das formas possíveis de violência.

Vamos entender que a violência, nesses casos, não se dá apenas pela relação empregador-empregado e que a repressão do indivíduo, dos sentimentos e das emoções pode causar mal estar, estresse e tensões no ambiente de trabalho.

A aniquilação pode ser via ato contra o corpo, contra a liberdade e os direitos, ou seja por palavras contra a integridade visando eliminar o desejo do outro, a sua verdade.

A tentativa de eliminação do desejo do outro é ato cruel e visceral de violência.

Via Nuevo Brasil
Nesta edição do “Nuevo Debate”, série que aborda a violência e suas múltiplas formas e consequências na sociedade, convidamos o psicólogo e professor Willian Mac-Cormick para falar sobre “Prazer e Sofrimento no Trabalho”.

Para conhecer mais o trabalho do Nuevo Brasil clique aqui.

Perder para ganhar…

19 outubro, 2015 às 09:36  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Escolher é marcar a falta, é fazer faltar.
Enquanto não se faz as pazes com a perda, não se abre a possibilidade do novo. Perder para ganhar … Ganhar para perder.
Somos um emaranhado de escolhas de suas consequências, estamos sempre escolhendo, optando. Há também quem escolha não escolher e assim renuncia viver intensamente a dor e o prazer.
O não escolher já é uma escolha. Sempre há opções. Mas por vezes o preço e a renúncia por elas é tamanha que preferimos negá-las.
Dentre todas as espécies já catalogadas, o ser humano é, de longe, o pior perdedor. O ser humano é, em sua maioria, aquele que quer um sofá novo em uma sala pequena sem se desfazer do antigo.

O neurótico é um acumulador por excelência…

Twitter: @wmaccormick

CBN Debate – Se reinventar

17 outubro, 2015 às 07:06  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Estarei hoje ao vivo no CBN Debate da CBN Curitiba em 90,1 FM, 10 horas, em um papo sobre “se reinventar”.

 

Mudar de vida não é fácil. Mas, muitas vezes, é a escolha feita por profissionais das mais diversas áreas, cansados com o estresse do dia dia ou na busca por alternativas para melhor a renda mensal.

Como planejar melhor o momento da virada na vida pessoal e profissional?

 

Acompanhe ao vivo em www.cbncuritiba.com.br 

Prazer e sofrimento no trabalho

17 outubro, 2015 às 07:00  |  por Willian Mac-Cormick Maron

O programa Nuevo Debate tem como objetivo discutir conteúdos sobre a violência nos diversos formatos e ambientes em que ela se manifesta. Todas as terças às 21:30h na UFPR TV (canais 15 da NET e 187 da Vivo Tv), e pelo site http://www.tv.ufpr.

 

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