Perfil?

22 abril, 2014 às 10:01  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Perguntam-me qual o perfil de um empreendedor.
O empreendedor não tem um perfil, como alguma característica que o determine para tal, tem sim uma paixão, e é isso que o move.

Não me agrada qualquer teoria que reduz o humano em um fator biológico ou comportamental, qualquer perfil dizendo que um empreendedor ou um líder deve ser assim ou assado.  As características e competências são importantes sim para mantê-lo no caminho, o municiar de ferramentas e aparatos para que possa chegar de forma melhor onde desejas. Ele só o é, em relação ao seu desejo, ou seja, a questão do empreender não é com um perfil, pois ele não tem um perfil definido ou estanque, ele encara. A questão dele é com o desejo, com o caminho que inventa até seu desejo. É um inventor de caminhos, é um desbravador que transforma paixão em resiliência, desencorajamentos em impulso, medo em força.

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Empreendedorismo por empreendedores – Uma nova proposta que dará o que falar

17 abril, 2014 às 20:00  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Estarei lecionando neste novo curso de pós-graduação oferecido pelas faculdades Santa Cruz.

O curso de Empreendedorismo por empreendedores surge como opção para ajudar na disseminação dos conceitos ligados ao empreendedorismo, apresentando as diversas formas possíveis de ação.
O Mercado disponibiliza uma série de cursos de empreendedorismo, destinados à procura do desenvolvimento das habilidades empreendedoras com ótica unicamente técnica. Pouco se analisa o empreendedorismo a partir da visão de quem é empreendedor.

Pós-Graduação em Empreendedorismo

 

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A invenção do caminho

8 abril, 2014 às 13:50  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Sou rotineiramente questionado por pessoas de todas as idades sobre a questão de um caminho a seguir. Como se houvesse um caminho pronto, já trilhado esperando que você o descubra, o desvende para então poder seguir. O mesmo acontece com o desejo. Falam como se existisse um desejo para ser descoberto, escondido desde sempre nos becos de nosso inconsciente. Assim se mantém a idéia de que quando descobrir o que deseja, poderá então seguir um caminho para a felicidade, alegria ou satisfação. Não estou convencido disso.

A questão do desejo, ao meu ver, não é necessariamente encontrá-lo, achá-lo, para então ir em sua direção. A questão toda está no caminhar, em alguma direção, mirar algum alvo, arriscar para então poder inventar algo que poderá chamar de desejo. “O desejo é aquilo, que para o sujeito, se constitui no caminho da demanda”, já dizia Lacan.

O desejo é esse algo não-substancial, de transparente. Não se mira no desejo, podes não acertar em nada, se mira na demanda para acertar o desejo. O desejo não é acessível aos olhos. Quando se olha para o desejo se vê uma demanda, o que se deve fazer.

A questão está no caminhar, achar uma direção, inventar um destino. O movimento tem um poder quase que mágico de mudança de perspectivas, quando se inventa e traça um caminho, falas de um lugar diferente do último. O poeta espanhol Antônio Machado em um de seus belíssimos  escritos dizia: “Caminhante, não há caminho. Se faz o caminho ao andar.”

“Run forrest, rum!!” Dizia a bela moça ao ver que seu amigo Forrest Gump corria risco de ser agredido pelos brutamontes da região. Um certo dia, Gump já adulto, sentado em sua varanda, se levanta e começa a correr. Ele só queria correr e nada mais, chegando de um litoral ao outro dos Estados Unidos da América e ao correr ele passou a produzir um sentido onde não havia, seu destino fora traçado por ti mesmo a posteriori. O que lhe importava era o caminho e assim passou a ser visto de um outro lugar, passou a ser visto como um símbolo até de esperança. Mas ele só queria correr.


Obviamente os filmes hollywoodianos (como qualquer outro) não são exemplos de “caminhos” a serem seguidos, mas cabe, no mínimo, alguma reflexão.

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Empregabilidade, virtudes e pecados dos RH’s

27 março, 2014 às 06:15  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Novas tecnologias são geradas, novos métodos são implantados, grandes inovações são feitas, novas tendências seguidas, mas ainda há um único fator como diferencial nos rumos de uma empresa. O capital humano. Sim, o que usará as novas tecnologias, o que se adequará aos novos métodos implantados, o que tirará melhor proveito das grandes inovações e o que seguirá da melhor forma as novas tendências. É sobre este capital humano que depositamos todas as nossas esperanças e expectativas em um mundo corporativo totalmente globalizado, rígido e em crise.

A EMPREGABILIDADE é uma palavra relativamente nova, surgida em meados dos anos 80 aos 90, quando os executivos atuantes notaram uma mudança no perfil do mercado e das empresas. Viram que a rotatividade e a concorrência aumentaram consideravelmente. Viram que se tornavam cada vez mais raras as carreiras iniciadas e encerradas em uma única empresa e que assim não poderiam garantir seus empregos até suas aposentadorias. Empregabilidade, palavra equivalente a “employability”, ou seja, a condição de dar emprego/função ao que se sabe, é a habilidade de ter emprego ou se manter com o perfil solicitado e requisitado pelas empresas.
A concorrência e as exigências de um mercado contemporâneo o empurram para um conhecimento mais amplo, vasto, múltiplas habilidades, multidisciplinaridade e um estímulo e crescimento da busca a MBA’s, cursos de pós-graduação e especialização. Ontem uma faculdade e um curso de inglês eram pontos primordiais para a obtenção de empregabilidade. Hoje um curso superior não lhe dá muito diferencial, uma língua estrangeira não é tanta vantagem. Hoje exigimos (digo exigimos por trabalhar com seleção de executivos) uma especialização, outra faculdade ou MBA e duas ou mais línguas como um real diferencial no fator empregabilidade.
Um grande paradoxo é a eterna disputa entre teoria e prática, na qual sabemos que o saudável é haver um empate. Não podemos nos esconder nunca atrás de um MBA, de cursos e cursos sem nunca ter vivenciado aquela experiência, aquela prática que lhe dará uma visão mais maleável e diferenciada da sua vivencia teórica.

O RH

Defendo o RH como área estratégica e se extrema importância para os rumos da empresa. O RH tem que se sentar à mesa onde são tomadas todas as decisões, ficar em sintonia com o futuro da empresa e ter voz ativa e poder de decisão. O RH estratégico que pregamos deve estar atento a virtudes e a pecados cometidos hoje. Muitos RH’s das empresas não estão conseguindo segurar seus profissionais mais talentosos ou desenvolvê-los. Não que esta empresa não vá crescer, mas com certeza o crescimento da mesma acabará sendo menor que o esperado. Acho que o principal pecado de um RH de empresa ou consultoria é não entender melhor o negócio ou o mercado e quão importante é o papel estratégico que poderá ter esta área.
Muitas consultorias também são totalmente focadas ao atendimento, avaliações, buscas, e mal conhecem realmente o perfil da empresa e do ambiente em que o executivo estará inserido. Diversas empresas exemplos com RH’s estratégicos, iniciaram sua caminhada com um passo muito importante. Terceirizaram serviços operacionais, dispondo de mais tempo para formular estratégias de gestão de pessoas. Em compensação, aos antigos, faltava objetividade ao lidar com o dia-a-dia, hoje se preocupando muito mais com um novo benefício do que acompanhar o clima organizacional.
Faltava clareza e assertividade em relação ao funcionário. Imperava o paternalismo, o passar a mão na cabeça. Ao dar retorno era mais fácil dar razões para uma promoção do que mostrar o motivo de se estar estagnado no mercado de trabalho. Faltava visão de longo prazo. Apenas apagavam-se incêndios em vez de pensar como a empresa estaria daqui a 10 anos. Em contrapartida vemos muitas empresas que avançaram em gestão estratégica de pessoas. São empresas que já trabalham com serviços de recolocação interno e externo em busca de crescimento, Coaching, investem e capital humano, entendem de seu negocio e tem ambição para chegar ao topo da hierarquia (vejam quantos CEO’s de grandes empresas vieram do RH… poucos). São empresas que possuem metodologia capaz de mensurar os benefícios que um bom gerenciamento de pessoas traz para as empresas.

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Essa tal normalidade…

24 março, 2014 às 06:00  |  por Willian Mac-Cormick Maron

“De todos os diagnósticos, a normalidade é o diagnóstico mais grave, porque ela é sem esperança”. (Lacan)

A busca pela normalidade é, no fundo, uma busca pela aceitação, pelo não julgamento do outro, por ser mais um em um bando de iguais. A busca desenfreada por ser ou parecer normal elimina, esconde quase que por completo suas principais características que são únicas, que o fazem único, singular. A busca por ser igual dentro de um padrão inventado por cada coletividade destrói o sujeito como protagonista, como agente de seus desejos e mudanças. O grande desafio não é ser assim ou ser assado, é bancar ser quem realmente se é.

A normalopatia* é doença de difícil cura, com sintomas quase que perpétuos, que torna seu portador chato e desinteressante. E há de reconhecer que é a pessoa que se agarra a seu sintoma feito uma doença e não o contrário. Loucura para mim é ter aquela cega convicção de sua própria normalidade.

 “Nunca me esquecerei que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.” (Oscar Wilde – Loucos e Santos)

 

* Normalopatia é um neologismo, não havendo registro no DSM.

 

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O jovem empreendedor.

20 março, 2014 às 09:19  |  por Willian Mac-Cormick Maron

A ousadia é uma das características experimentada na juventude que pode ser utilizada a favor do empreendedorismo e do criar. Empreender não significa apenas abrir um negócio, o jovem pode ser empreendedor dentro de uma empresa tomando uma postura diferente, uma atitude, usando a criatividade para a resolução de problemas, com pró-atividade e dedicação.
O jovem possui uma inquietação peculiar, uma vontade de fazer, de arriscar, de ousar, de romper com o velho para criar o novo e, assim, também desenvolver sua identidade profissional. Isso não é de hoje, os jovens de antigamente também empreendiam, mas de formas diferentes, pois existiam menos opções. Os mercados eram mais restritos e céticos, não havia tanta abertura para gerar novas idéias, o que obrigava o jovem a criar menos.

Os jovens são e sempre foram sedentos por crescer. Sempre querem mostrar serviço a todo custo e às vezes podem pular etapas. Para o crescimento é necessário maturação. Tudo tem seu tempo e não é uma questão de ficarmos parados esperando uma promoção cair do céu, mas precisamos planejar nossa carreira em degraus. Precisamos planejar a carreira a longo prazo: um, cinco ou dez anos. Assim poderemos respeitar o nosso tempo de preparação e a maturação para crescer dentro de uma empresa ou com nossa própria empresa.
Para quem deseja montar seu próprio negócio é preciso se preparar, estudar, analisar o mercado, antecipar tendências, conversar com outros empresários e trocar experiências. Ouvir os mais experientes é importante, mas saiba que a experiência pode se tornar a antítese da criatividade. Afinal, acima de tudo ouse, seja criativo e entenda seu desejo de empreendedor.
Uma boa formação é fundamental, pois estabelece o equilíbrio entre aquisição de conhecimentos e o aprender com experiências. Aprimorar em cursos de graduação e capacitação é importante, e se tivermos experiências de gestão em outras empresas e aprendermos com outras experiências já é um bom caminho.

Já os programas de trainee, de uma maneira realista, servem para moldar um profissional jovem e talentoso de acordo com a cultura organizacional da empresa. Hoje, se fala muito em desenvolvimento e reter talentos e esta é uma das ferramentas que mais funcionam em corporação de culturas mais competitivas. O profissional passa a ter uma visão global (holística) da organização, conhece vários setores e suas nuances. Conhecer várias equipes e aprender muito mais sobre o negócio como um todo é um grande passo para o crescimento do profissional.

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É o tempo da travessia – Fernando Pessoa

17 março, 2014 às 16:26  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas …
Que já têm a forma do nosso corpo …
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares …

É o tempo da travessia …
E se não ousarmos fazê-la …
Teremos ficado … para sempre …
À margem de nós mesmos…

Fernando Pessoa

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Falácias

13 março, 2014 às 11:05  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Segundo alguns dicionários e enciclopédias, O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro.

Nas organizações, falácias são frases repetidas, de efeito ou de algum impacto que fazem parte e permeiam toda uma construção de cultura e pressupostos organizacionais em torno de uma idealização. Assim coloca-as organizações ou seus gestores em um patamar do idealizado, do ideal.

Uma das grandes falácias organizacionais é aquele imperativo: “pensar fora da caixa”. Dentro de uma coletividade se está ao meio ou se está à margem de um grupo. Ou se é medíocre ou marginal a ele.

Pensar fora da caixa é tornar-se marginal em relação aquela cultura. Nenhuma empresa quer que você pense fora da caixa, no máximo lhe darão uma caixa maior para pensar.

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A crise segundo Albert Einstein

6 março, 2014 às 06:00  |  por Willian Mac-Cormick Maron

“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”.

“Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Ah! E não assistam televisão.

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Identidade…

3 março, 2014 às 06:00  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Pesquisas mundiais mostram que um dos maiores medos do ser humano é perder o emprego, pois o emprego faz parte de sua identidade e responde a uma pergunta social muito importante: Quem é você?

Hoje, quando perguntados quem somos nós, quantos respondemos: “Sou fulano, filho de sicrano da família tal”? Acho que ninguém. A resposta socialmente esperada é o que você faz ou onde trabalha ou se desenvolve acadêmica ou profissionalmente. Quando não temos essa resposta nos sentimos culpados ou inferiores. Precisamos responder com algo, mesmo que seja como consultor desenvolvendo alguns projetos. Com a crise esta identidade corre um risco eminente.

Conheci certa vez um profissional experiente, em cargo de direção em uma grande empresa. Passou 12 anos de sua vida dentro da organização, todos o procuravam, o queriam como cliente. Ele sempre respondia quando questionado: “Sou o João da empresa X”. Parecia que de tanto repetir esta identificação ela se tornou real e cristalizada em sua personalidade.
Um dia, a empresa em que o João trabalhava partiu para uma estratégia chamada downsizing, ou seja, enxugando estrutura e capital humano. De uma hora para outra, João não tinha mais emprego. E pior, com o emprego foi sua identidade. Ele era o João da empresa X, e agora? Quem era o João? João não sabia mais, não tinha mais cartões e não poderia se identificar para outrem da maneira que sempre o fez. Este é um típico exemplo de como momentos de crise trazem a tona o medo da falta de renda e o medo da falta de resposta ao social sobre sua identidade. A crise pode vir a ser um momento também de reflexão sobre sua identidade e trazer reflexos positivos nas pessoas.

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