Diga o que precisa ser dito.

16 maio, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
10:41

Diz a música cantada por John Mayer que fez parte da trilha sonora do filme “The bucket List” (na versão brasileira – “Antes de partir”) de 2007, protagonizado por Jack Nicholson e Morgan Freeman.

Preocupo-me mais com o não-dito do que com o mal-dito. Mesmo que mal, quando eu digo algo tomo posse desse discurso, mesmo que seja mágoa, repúdio, aversão. Quando não digo mantenho-me refém do mesmo. Nem sempre o bem-dizer é uma opção, mas muitas vezes é necessário dizer da forma que se consegue. Não percebemos, mas há sempre palavras que dizem sem o querer dizer.

Dar voz é empossar-se de algo até então velado.

És eternamente responsável pelo dito e pelo não-dito.

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A beleza e o valor.

13 maio, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
12:01

Pergunta-se: O que faz algo ser belo?

Minha relação com este “algo”, eu responderia. Em Kant por exemplo não posso dizer que uma flor é bela em si mesma, mas o belo seria constituido partir desta relação com ela.

O mesmo ocorre com a relação de valor das coisas. Lacan já dizia que “o valor de uma coisa é a sua desejabilidade – trata-se de saber se ela é digna de ser desejada, se é desejável que a desejemos”. Ou seja, quão mais popularmente desejável, mais eu desejo. O desejo é constituído no caminho da demanda que se dá em relação ao outro, o nosso desejo é construído pelo desejo de outro, o meu desejo é o desejo do outro. Vivemos em uma época de relativismo estético fruto de um imperativo do dito “popular”, do senso comum. É difícil fugir disso, mas é possível entender.

O relativismo estético é um pluralismo advindo da linguagem inserida no campo da filosofia entre os séculos XVII e XVIII, principalmente com Immanuel Kant com o chamado “giro linguístico”. Até então, desde a filosofia grega, medieval e renascentista, cada uma de sua, buscavam uma única verdade, um único belo que era dado e precisava ser alcançado. O advento da linguagem aponta então para “as verdades”, “os belos”, “os mundos” e “os valores”. O que foi chamado de irracionalismo, onde a razão se mostraria incapaz de chegar à verdade absoluta e onde diferentes meios conduziriam a diferentes verdades.

De qualquer forma não estou dando um juízo de valor, mas apenas constatando.

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Liberdade algemada.

10 maio, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
09:41

O tema sempre foi motivo de debates, discuções, congressos e até mesmo de piadas. Sartre, por exemplo, dizia que estávamos “condenados” á liberdade, sendo esta ilimitável, exceto pelo ponto de que não somos livres para deixarmos de ser livres.

Mas até que ponto somos livres? Até que ponto somos determinados? É possível sermos livres e determinados ao mesmo tempo?

O fato é que toda a liberdade trazem efeitos colaterais como a angústia, a incerteza e a responsabilidade de renunciar. Pois escolher uma coisa é sempre renunciar a outra (ou outras), escolher é fazer faltar. Enquanto não fazemos as pazes com as perdas, não abrimos espaço para o novo e suas possibilidades.

Estamos sempre presos à liberdade de escolher, à relações de identificação ou alienação: seja a grupos, crenças ou pessoas. Para a psicanálise, sem isso não é possível o surgimento de um sujeito. Por este prisma a liberdade é poder escolher onde iremos nos prender, onde estaremos (mesmo te temporariamente) algemados.

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Como nossos pais.

6 maio, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
18:02

“… Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” dizia aquela música belíssima na voz de Elis Regina..

Certa vez atendi um executivo de uma empresa que era conhecido por sua impetuosidade, era visto como profissional competente mas implacável. Era passional e suas opiniões precisavam prevalecer sempre sobre o outro. Muitos o repudiavam por necessitar sempre estar certo, outros o admiravam por suas competências.

Sua investigação apontou para uma questão com seu pai. Sem entrar muito em detalhes e questões teóricas, nosso personagem fora criado e educado por um pai rígido e repressor. Seu pai era o provedor da casa, sua afetuosa mão cuidara dos filhos e dos afazeres domésticos apenas. Ela não opiniava e mantinha uma posição submissa quanto ao marido. Este necessitava sempre mostrar saber sobre tudo, melhor que todos e ter a ultima opinião.

Seu jovem filho cresceu e até os dias atuais tentara mostrar ao seu pai (falecido nos anos 90) que também poderia ser tão bom quanto ele, ter sempre razão e para tal, por vezes, diminuir a opinião do outro.

Era a forma que ele conhecia de lidar com esta relação hierárquica, como seu pai havia lhe ensinado. Digo que só se pode ser o pai que já teve. Assim se repete, mas não dá certo, o resultado é diferente, não funciona, gera angústia e por tal se faz necessário inventar um outro pai. Criar um pai que é você, este sim já diferente do seu, não uma repetição ou uma reedição. Já és diferente para seus filhos como para seus subordinados, não é mais seu pai ali como um fantasma. É você se criando e se implicando na paternidade.

“Aquilo que herdaste de teus pais conquista-o para fazê-lo teu”, disse Freud ao citar Goethe em seu texto Totem e tabu. Freud, a quem homenageio, completaria exatamente hoje 157 anos.

A boa notícia é que nossos filhos poderão conseguir trilhar um caminho de sucesso, satisfação e boas experiências apesar de nós, como pudemos (mesmo fracassando as vezes) apesar de nossos pais.

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A inveja.

2 maio, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
10:07

É uma contrariedade, uma forma diferente da transferência persecutória ligada a um sentimento de inferioridade. É o que o outro possui e eu gostaria de ter para si. Há uma necessidade a se igualar com a pessoa, possuir o que ela possui e com isso adquirindo um lado nefasto e destruidor.

Este tipo de sentimento pode ocorrer entre dirigentes anulando assim a cooperação e nutrindo um rancor e egoísmo. Quando desenvolvido em seus subordinados, este sentimento pode gerar um líder que monopoliza todo o poder, se sente inseguro.
O contrário também pode ocorrer. Um superior sentir inveja de seus subordinados, seja por achar que trabalha demais e não é tão recompensado, ou pela idade. Este gestor pode tomar varias atitudes que desencorajam e desmotivam seus subordinados por criticas ou posições rígidas. Chamamos isso de “complexo de Laius – ou Laio” onde o mesmo, rei de Tebas, tenta matar seu filho Édipo quando pequeno e o mesmo reverte a situação. Assim o gestor acaba delegando mais tarefas do que ele realmente pode realizar. É comum também sentimentos de inveja em processos decisórios, onde cada um quer impor seus desejos e levar vantagens sobre aquela escolha, o que objetivamente atrapalha e muito todo o processo.

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Quem quer viver para sempre?

29 abril, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
06:00

Who wants to live forever?

Ja indagava a letra de Fred Mercury (que de certa forma tornou-se também imortal), vocalista do Queen e grande ícone do rock nos anos 80. A música foi parte da trilha sonora do filme  ”Highlander” (1986), um guerreiro condenado a viver para sempre e que só morreria se lhe cortassem a cabeça.

“Por que existe a morte?” Perguntou um jovem a seu mestre.

“Para tornar a vida importante, interessante!” Respondeu seu mestre.

A vida torna-se interessante a partir de sua eminente finitude. Saber que morreremos nos torna (ou deveria nos tornar) responsáveis por fazer o melhor dela e com ela, a vida. Se vivêssemos eternamente, talvez não tivéssemos esta urgência de criar, produzir, vivênciar de grandes e intensas experiências, para depois, nos últimos suspiros poder olhar para trás e dizer: “Valeu a pena!”

A imortalidade que, para alguns seria uma dádiva, para muitos outros seria uma maldição.

Quem quer viver para sempre?

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Mulheres e empreendedorismo – Via Blog “Conectado ESPM”

25 abril, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
06:00

“Elas podem muito bem serem assertivas, enérgicas, mas sem perder a ternura e admiração do grupo.”

Liderança ocupacional, motivação em equipe, objetividade e direção para resultados. Estas são algumas das vantagens que as mulheres em geral têm sobre os homens. O fato de as mulheres levarem em consideração as angústias, darem mais ênfase à escuta e à subjetividade de seus subordinados e colegas, além de ser uma consequência da natureza feminina é também porque as mulheres, ao contrário dos homens, não vêem no trabalho a principal fonte de realização pessoal.

Por mais que hoje as mulheres queiram ascensão profissional, liderar, influenciar e crescer na empresa, muitas ainda desejam constituir família, ter filhos e um grande companheiro ao lado, coisas simples que foram temas de seu brincar da infância e conseqüentemente de seus desejos. Para as mulheres, o significado de realização e sucesso são muito subjetivos, variando de pessoa para pessoa e variando mais ainda do homem para mulher. Uma característica da mulher contemporânea em nossa sociedade é o fato dela estar adiando cada vez mais a maternidade, em prol da estabilidade profissional, o que não é mal algum se este é realmente o seu desejo. Cada uma coloca na balança e avalia o que seria a prioridade naquele momento.

Se formos avaliar a mulher em relação ao empreendedorismo, o grande desafio para as empresas que hoje querem reter os talentos femininos é fazer com que este desenvolvimento profissional não seja um fardo, um empecilho para seus outros desejos e objetivos de vida, fazer com que a maternidade, casamento e estabelecimento familiar não se tornem concorrentes de uma ascensão e sim complementares. Mas o desafio também não é apenas da empresa, e sim da própria mulher em entender, dialogar com seu desejo, agir a altura dele. As mulheres têm uma grande capacidade de satisfazer as necessidades emocionais dos que com ela trabalham. O resultado disso é uma forma equilibrada e harmoniosa de alcançar o seu próprio crescimento, refletindo-se nos serviços prestados. Elas podem muito bem serem assertivas, enérgicas, mas sem perder a ternura e admiração do grupo. A necessidade de poder para as mulheres está relacionada ao grau de influência que elas exercem no ambiente onde trabalham e não no tamanho da sala, nas mordomias, tamanho da equipe, tamanho do salário, etc.

Por sua necessidade constante em cumprir vários papéis como o da dona de casa, mãe, esposa, profissional, a mulher desenvolveu a capacidade de adaptação às mais variadas situações. Enfim, a mulher empreendedora se motiva principalmente pela busca da realização e por conseqüência, a felicidade. Seu sucesso é tão evidente por uma simples questão, a felicidade é chegar ao seu limite de competência para melhorar sua vida e a dos outros. O que deve estar sempre bem claro, tanto para homens, como para mulheres é que o trabalho é um aspecto da vida e não “O” aspecto único. O ser humano é um ser de muitos prazeres e quando elegemos apenas um prazer como o único, poderemos ter problemas. Por isso, pode ser uma fonte de felicidade ou de anestesia.

Por Willian Mac-Cormick

Para ver a matéria no blog “Conectado ESPM” clique aqui.

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Sonhos…

22 abril, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
10:59

Caros;

A partir de hoje postarei também músicas ou trechos de músicas para auxiliar em nossas reflexões. Mas por que a musica ou as artes podem nos ajudar em nossos discrusos?  Pois só pelas artes conseguimos expressar sentimentos que as vezes a própria linguagem não dá conta. A música torna possível falar de amor, quando não se é possível falar de amor.

The Cranberries – Dreams
“Embora meus sonhos nunca sejam calmos quanto pareçam
Nunca são exatamente o que parecem”

Nossa questão não é só sonhar ou desejar senão agir a altura do desejo. O Brasil, em grande parte é feito de pessoas que querem ganhar na loteria, mas não jogam.

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Reivindicações

15 abril, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
10:11

Trabalho em meus estudos a diferenciação do líder burocrático (ou gestor), aquele na qual sua função no grupo é definica por seu cargo ou posicionamento hierárquico, e o líder carismático, aquele que o próprio agente define sua posição de liderança.

De qualquer forma todos membros do grupo têm demandas, anseios e reivindicações que são absorvidas na figura do líder.

Todo grupo reivindica à si o título dos “escolhidos” os melhores, os abençoados. Sejam em organizações, instituições, partidos ou religiões. Da mesma forma todo líder carismático evoca para si o título de messias, o profeta, aquele que levará seu rebanho a um caminho da luz, da “felicidade”ou do prazer. Aquele portador de um sinal, de um traço que identifica seu grupo.

 Assim como o grupo e o líder, o amor, mesmo sabendo de sua eminente finitude, precisa basear-se no discurso impossível do “para sempre”. O amor, assim como o grupo precisam desta pretensão para se manter revigorado, esperançoso, apaixonante.

 Esta impossibilidade se dá, no caso dos grupos e do líder, em relação a subjetividade dos termos e a polissemia das palavras como “escolhidos”, “líder” ou “messias”. O que significa para uns, não significa para outros.

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Curitiba em homenagem*

8 abril, 2013 por Willian Mac-Cormick Maron
10:58

Não foi nada fácil! O frio, o cinza no céu, as intermináveis chuvas, as mudanças climáticas (externas e internas), a sisudez das pessoas, mesmo muito bem vestidas e um misto de timidez e constrangimento entre elas me chamou atenção. O que se passa nessa cidade?

Esse foi meu questionamento, mas poderia ser de qualquer um que me lê e que não é “daqui”, que vem para trabalhar, estudar, visitar ou apenas amar.

Venho do Rio de Janeiro, onde parece-me que as características da “Curitibanidade” seriam impraticáveis, onde todos são (ou melhor, se comportam como) alegres, simpáticos e “felizes”, talvez até respondendo a um imperativo social.

Amo os dois locais. Para mim o Rio é a mãe que afaga e  Curitiba é o pai que educa.

No Rio, quando se esta triste, a cidade lhe responde: “Mas filho, não fique assim. Olha o sol, olha o mar, olha a alegria das pessoas, olha a maravilha de paisagem. Porque não toma uma água de coco ou caminha no calçadão ou em volta da lagoa? Ponha um sorriso em seu rosto, filho.”

Em Curitiba, quando se está triste, a cidade lhe responde: “Te vira, filho! Cuide-se, é você, com você mesmo! Não esperem que os outros cuidem de ti.”

Por isso sou externamente grato a esta cidade. Que respira cultura, modernidade, mas ao mesmo tempo tradicionalismo e provincianismo. Curitiba é um paradoxo, uma ambivalência de sentimentos desde sua primeira estada.

Curitiba, acima de tudo, me ensinou a ser uma boa companhia para mim mesmo, me bancar.  O poder desfrutar da delicia de uma solidão bem acompanhada.

O anonimato que Curitiba lhe dá é prazeroso, com é bom as vezes poder sentar em um café para ler um livro e ter a total certeza que ninguém nunca o abordará para puxar assunto e não o olhará com pena por estar só, pois sabe que talvez seja o que você realmente busca. Estar consigo mesmo.

Não foi fácil! Precisei ler “A Polaquinha”de Dalton Trevisan, as poesias de Paulo Leminski, as crônicas de Cristovão Tezza e Jaime Lerner em sua obra “Acupuntura Urbana” para esboçar entender Curitiba. Precisei ir à Rua VX, tomar um submarino no Bar do Alemão, passear pela feira do Largo da Ordem, Comer um pierogi da Barraca do Tadeu e um cachorro quente com duas “vinas” para sentir um pouco o que é a curitibanidade. Precisei subir na torre panorâmica da Telepar para para ver o quão grandiosa é esta cidade.

Amo Curitba justamente pelos mesmos motivo que muitas pessoas odeiam.

 Os versos abaixo vão em sua homenagem:

 “Pessoas vem e vão 

Transitam pelas ruas gozando de sua discrição.

São vistas mas não notadas.

A dadiva da incógnita lhes foram dadas.

E a boa companhia que me faz a solidão 

Me encontro, “trevisaneando”* salvo e são.”

 Twitter: @wmaccormick

* Como bom “Curitibano” escrevo em sua homenagem uma semana depois de seu aniversário.

* Em homenagem a genialidade reclusa de Dalton Trevisan que usa sua escrita como forma de se comunicar com o mundo.

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