Normalidade…

29 novembro, 2016 às 06:00  |  por Willian Mac-Cormick Maron

“De todos os diagnósticos, a normalidade é o diagnóstico mais grave, porque ela é sem esperança”. (Lacan)

A normalidade como um ideal é uma adaptação patológica e sintomática à uma cultura que exige um perfil médio, medíocre.
A normalidade também necessita de tratamento… por isso se faz necessário falar.
Falar para tentar elaborar…
Falar para tentar tomar posse de algo já teu.
Mas que em ti, esse algo causa.

Só o são é capaz de enlouquecer e, por vezes, são até necessárias pequenas loucuras para viver “são”.

“Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura.” (Nise da Silveira)

Às vezes a loucura mesmo é ter aquela cega convicção de sua própria “normalidade”.

A política e seus sintomas…

23 novembro, 2016 às 15:09  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Algo em nós não deveria se calar para a política.
Mais do que ver política como o sintoma do povo, podemos vê-la como o gozo do povo.

Uma das formas de ver a política é justamente no acolhimento demandas e insatisfações. Se pensarmos a política como a forma de representatividade do desejo de uma coletividade, vemos importantes aspectos sintomáticos sociais. O voto em um discurso é legitimar a própria narrativa como desejo do eleitor, ou seja, parcela importante de uma sociedade.

Bizarro não é um personagem em si, mas sim se dar conta que este personagem torna-se representante de desejos e demandas sociais que mostram sua face.

Sempre que vemos avanços visando a integração européia ou latino-americana surgem, em contrapartida, reações nacionalistas. Parece que veremos cada vez mais fenômenos nacionalistas. Estes apontam param questões complexas de demandas sociais. Ultra-conservadores, nacionalistas, separatistas e segregacionistas ganham cada vez mais voz entre os países da UE e agora nos USA.

Do ponto de vista da perversão, o nacionalismo é a categoria política mais fértil. Onde ancoram ódio e intolerância mascarados no discurso que estabelece no outro, no estrangeiro, um inimigo a ser eliminado, um obstáculo para uma nação… O outro é tido como resto.

Não há maior fator de identificação que o ódio a uma inimigo em comum. Desde a horda é assim…

Freud chamaria de “narcisismo das pequenas diferenças”, ou seja, a obsessão por diferenciar-se daquilo que resulta mais familiar e parecido. Geralmente de forma hostil, violenta ou intolerante. A sistemática tentativa de aniquilação do desejo, do direito e da verdade do outro.
“É da proximidade e não da distância, que nasce o ódio.” (Freud)

O outro é essa fronteira do eu. A questão o que se faz com esse outro, o excluído ou segregado. O vemos como sujeito de seu desejo legítimo ou como resto a ser eliminado?

O discurso de ódio é uma das saídas possíveis de uma cultura repressiva da negação do desejo. O ódio institui um vínculo, um laço tão forte quanto o amor.
Alguns homens lidam melhor com o ódio do que com o amor. Mesmo sendo duas facetas de uma mesma moeda.

Papo de gestão – PUCPR

20 setembro, 2016 às 16:53  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Na última terça-feira, 12 de setembro, gerentes das Escolas que compõem a PUCPR participaram de um bate-papo sobre gestão. O encontro aconteceu na sala lúdica do Laboratório de Comunicação e Artes. O convidado do grupo foi o psicólogo e psicanalista Willian Mac-Cormick Maron, que é também doutorando do programa de Filosofia da Escola de Humanidades. Mac-Cormick lançou recentemente o livro “Do que é feito um líder?” (Editora Juruá).

Na ocasião, o autor discutiu com os gestores das Escolas quais são os novos desafios da liderança frente à ambientes de trabalho complexos e exigentes. Willian é autor do blog Executivos no Divã .

Para o gerente da Escola de Ciências da Vida, Darly Fatuch, a conversa foi muito produtiva: “Revisitar conceitos, reavaliar posturas, rediscutir modelos de gestão e liderança. Ótima iniciativa”, avaliou o gestor. Luiz Andrioli, gerente da Escola de Comunicação e Artes, também aprovou o encontro: “refletir sobre nossos desafios e atitudes enquanto líderes é uma tarefa de grande importância. Lidamos diariamente com pessoas e suas complexidades, por isso é fundamental a troca de experiências neste sentido”, disse.

Clique aqui para ver a matéria.

Tomada de decisões, escolha e invenções de caminhos – CBN Debate

20 setembro, 2016 às 16:33  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Escolher é marcar uma falta, decidir é pontuar uma perda, aceitar uma renúncia.
Algum pagamento é inevitável.
A vida não é um negócio que envolva garantias…

Enquanto não se faz as pazes com a perda, não abre-se espaço para o novo acontecer.

A decisão correta envolve desejo e é aquela a qual se banca uma renúncia. Viver não é um negócio que envolve garantias.

Para quem não ouviu, segue o link com o áudio do debate na CBN Curitiba sobre tomada de decisões, escolha e invenções de caminhos. Por que precisamos tomar decisões e qual o preço a se pagar por elas. A tomada de decisão é uma questão econômica. Sempre há de se pagar pode ela.

Escolher é marcar uma falta, pontuar um perda. Quem decide explicita seu desejo.

Clique aqui!

Lançamento oficial do livro “Do que é feito um líder? Uma leitura Psicanalítica das coletividades e suas identificações”.

26 julho, 2016 às 16:55  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Um dos pontos cegos e problemáticos na teoria da democracia e nas organizações é exatamente o lugar da liderança.
Como a psicanálise freudolacaniana alinhada a conceitos da filosofia política podem nos auxiliar a pensar os fenômenos de liderança e formações coletivas?
É o que debateremos neste dia 05/08, 19h na Livraria da Vila em Curitiba.
Para debater comigo estarão os amigos Daniel Omar Perez (Prof. Dr. Unicamp) Olivier Feron (Prof. Dr. PUCPR/Evora) Allan Martins Mohr (Prof. Ms. Facel)

Clique na imagem para mais informações.
Evento aberto.

CONVITE - DO QUE É FEITO UM LIDER

CBN Debate: Esgotamento e sofrimento das relações de trabalho e a possibilidade de se reinventar.

19 julho, 2016 às 11:04  |  por Willian Mac-Cormick Maron

CBN Debate: Esgotamento e sofrimento das relações de trabalho e a possibilidade de se reinventar.

Para quem não ouviu, confira no link abaixo o áudio do CBN Debate da CBN Curitiba no dia 02 de julho.
Com participação de Daniela Leluddak e Bernt Entschev, a mediação foi de Fábio Buchmann.

Clique aqui para ouvir o áudio do debate.

 

cbndebate0207

Do que é feito um líder? Uma leitura psicanalítica das coletividades e suas identificações.

18 julho, 2016 às 18:28  |  por Willian Mac-Cormick Maron

É com imensa alegria que informo que meu livro “Do que é feito um líder? Uma leitura Psicanalítica das Coletividades e duas Identificações” já encontra-se disponível para vendas no site da Juruá Editora pelo link https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=24834

Obra que começa em 2012 com um embrionário problema de pesquisa que foi desenvolvido em meu mestrado e se mantém em avanço e vivaz em doutorado.

Um dos pontos cegos e problemáticos na teoria da democracia e nas organizações é exatamente o lugar da liderança. A Psicanálise, alinhada a conceitos da Filosofia e Ciências Políticas, nos oferecem uma diferente pos­sibilidade de pensar fenômenos sociais e as identificações coletivas (que ocor­rem em uma massa ou grupos) e sua relação com a posição do líder.

Em breve informarei sobre datas e locais de lançamento/debate sobre a obra assim como outros locais de venda.

Divulgação Do que é feito um líder

Psicanálise e Neurociências

20 junho, 2016 às 15:48  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Esta semana, foi publicada na Folha de São Paulo uma entrevista do renomado neurocientista Ivan Izquierdo onde afirma que “os estudos de neurociência superaram a psicanálise” (vide matéria no link) e que funcionaria como um “exercício meramente estético”. Bem, discordo que seja e questiono o que se entende por estética. A estética é propriamente uma categoria filosófica que nos fornece uma das formas possíveis para lidar justamente com o vazio, a angústia e o sintoma.  É um antigo debate, mas vale pontuar algumas questões.

Mesmo respeitando, tenho dificuldade a qualquer tipo de determinismo. Isso inclui genes, destino e essência.
Se já partimos de uma concepção sujeito diferente através de campos distintos, talvez não haja muito o que discutir ferrenhamente, pois voltamos a uma questão originalmente antropológica: O que é um homem?
Um sujeito biologicamente determinado é aquele que se articula entre necessidades fisiológicas e representações mentais correlatas.

O determinismo genético ou biológico “desculpabiliza” o indivíduo. Elimina o sujeito como minimamente responsável e implicado em sua vida. O determinismo genético/biológico nos exime de se implicar nos nossos atos e decisões.

“Se tudo o que somos resulta de um determinismo cerebral, estamos salvos da angústia de ter que ser sem saber o que se é.”(Jorge Sesarino)

É o conhecido discurso do: “Não é você, é seu cérebro”. Assim uma narrativa histórica justamente perde o sentido de cura, pois seria apenas uma questão sináptica e, como tal, se extinguirmos a causa, viveríamos mais felizes. Seria bem mais fácil assim.

Cada da um se aliena à narrativa que lhe faz mais sentido seja da religião, astrologia, neurociência da própria psicanálise. A produção de sentido, seja que qual fonte for, nos consola de um desamparo que é estrutural. O ser humano é um ser que precisa produzir sentido onde não há. Para Lacan, a verdade só pode ser dita nas malhas da ficção.

” O neurótico é um doente que se trata com a palavra, e acima de tudo, com a dele.”
(Jacques Lacan)

Por isso a importância da palavra. A palavra possibilita, através de narrativas e do discurso, a produção de sentido e novas subjetividades. O desejo precisa da linguagem para se diluir em uma fantasia e poder se propagar ao mundo em forma de uma narrativa que produza algum sentido.

É muita sinapse para pouca sinopse …

Escolher é marcar a falta.

20 junho, 2016 às 10:51  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Viver demanda escolhas. Sempre estamos em posição de escolhas. Até quando não escolhemos, optamos por não escolher. O não escolher já é uma escolha.

Sempre há opções, mas por vezes o preço e a renúncia por elas é tamanha que preferimos negá-las. Há, portanto, quem escolha não escolher e assim renuncia viver intensamente a dor e o prazer.

Somos um emaranhado de escolhas de suas consequências.

Toda escolha exige uma renúncia e enquanto não se faz as pazes com a perda, não se abre a possibilidade do novo. Escolher é bancar a perda.

O vácuo depois do escolher é uma incógnita. Nunca há um sucesso garantido para cada escolha, também por isso há resistência.

 Nunca se sabe se ganha para perder, ou se perde para ganhar. Se escolhe ao renunciar, mas também se renuncia para poder escolher

Saber escolher para poder acolher.