A política e seus sintomas…

23 novembro, 2016 às 15:09  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Algo em nós não deveria se calar para a política.
Mais do que ver política como o sintoma do povo, podemos vê-la como o gozo do povo.

Uma das formas de ver a política é justamente no acolhimento demandas e insatisfações. Se pensarmos a política como a forma de representatividade do desejo de uma coletividade, vemos importantes aspectos sintomáticos sociais. O voto em um discurso é legitimar a própria narrativa como desejo do eleitor, ou seja, parcela importante de uma sociedade.

Bizarro não é um personagem em si, mas sim se dar conta que este personagem torna-se representante de desejos e demandas sociais que mostram sua face.

Sempre que vemos avanços visando a integração européia ou latino-americana surgem, em contrapartida, reações nacionalistas. Parece que veremos cada vez mais fenômenos nacionalistas. Estes apontam param questões complexas de demandas sociais. Ultra-conservadores, nacionalistas, separatistas e segregacionistas ganham cada vez mais voz entre os países da UE e agora nos USA.

Do ponto de vista da perversão, o nacionalismo é a categoria política mais fértil. Onde ancoram ódio e intolerância mascarados no discurso que estabelece no outro, no estrangeiro, um inimigo a ser eliminado, um obstáculo para uma nação… O outro é tido como resto.

Não há maior fator de identificação que o ódio a uma inimigo em comum. Desde a horda é assim…

Freud chamaria de “narcisismo das pequenas diferenças”, ou seja, a obsessão por diferenciar-se daquilo que resulta mais familiar e parecido. Geralmente de forma hostil, violenta ou intolerante. A sistemática tentativa de aniquilação do desejo, do direito e da verdade do outro.
“É da proximidade e não da distância, que nasce o ódio.” (Freud)

O outro é essa fronteira do eu. A questão o que se faz com esse outro, o excluído ou segregado. O vemos como sujeito de seu desejo legítimo ou como resto a ser eliminado?

O discurso de ódio é uma das saídas possíveis de uma cultura repressiva da negação do desejo. O ódio institui um vínculo, um laço tão forte quanto o amor.
Alguns homens lidam melhor com o ódio do que com o amor. Mesmo sendo duas facetas de uma mesma moeda.

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