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A doença e a instituição…

20 junho, 2017 às 17:05  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Mais do que um problema de natureza patológica, precisamos pensar o crack e outros fenômenos ditos marginais como um sintoma social. É uma questão de saúde pública, de políticas e não de polícias.

Como podemos pensar a questão da doença? Como um conjunto de sintomas que ganham nome próprio… Podemos debater, mas tendo a ver o sintoma como uma resposta problemática a um problema concreto, como já citou Vladimir Safatle. Uma resposta, uma reação a algo que nos causa.

Como seria possível também pensar a loucura como uma espécie de resposta (mais ética e espontânea) a uma questão concreta que pode ser vista da ordem de uma estrutura ou de uma patologia. Resposta essa que busca ser suprimida, castrada, moralizada pela instituição. Onde não se dá voz ao sintoma, o sintoma torna-se tirano e absoluto.

A loucura do louco é mais ética que a loucura do são …. Às vezes a loucura mesmo é ter aquela cega convicção de sua própria “normalidade”.

A naturalização e determinismo de uma doença dessubjetiviza o indivíduo, o emudece, cala a sua história.
O indivíduo busca reagir, tenta não ser tragado pelo estado, pela instituição que o vê como um objeto.

Desde Basaglia, podemos afirmar que a operação que torna o doente um objeto é a mesma que o desistoriza. E quem não mantém a sua história aceita mais facilmente a institucionalização. A institucionalização é a forma mais cômoda de lidar com aquilo que não queremos lidar.
A institucionalização representa, por fim, a própria aniquilação do sujeito.

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Desamparo e a civilização

20 junho, 2017 às 17:03  |  por Willian Mac-Cormick Maron
Desde o texto freudiano “Totem e Tabu” (1913), podemos pensar a morte (simbólica) do pai e a consequente instituição de regras e renúncias pulsionais exigindo, mesmo que minimamente, substituição do ato pela palavra. É um fator originário da civilização, como da neurose.
Enquanto o pai vive, como aquele que tudo pode e nada renúncia, creio eu legitimar que, igualmente, tudo posso. Serve tanto para a neurose como para política.
Que possamos e superemos nossos antecessores…
Constituir-se em identidades coletivas tem função de amenizar nossa posição frente ao desamparo. Cada um se consola da forma que pode.
A afirmação do desamparo (sem um grande pai, líder ou messias) como estrutural, possibilita uma maior e plural produção de sentido.
Enquanto isso não acontece, esperamos uma providência divina, uma solução que caia do céu.

Identificação e o ódio…

29 maio, 2017 às 16:54  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Pouca coisa gera tanta identificação quanto inimigos ou dores em comum. O ódio mantém laços tanto quanto o amor.
O ódio, não como um antônimo do amor, mas como uma outra polaridade, dotada de uma intenso investimento libidinal. São faces de uma mesma moeda.
Não se odeia qualquer um, como não se ama qualquer um.

Nosso objeto de ódio diz muito mais sobre nós, do que sobre o próprio objeto.
Assim como a legitimação de um tipo de liderança diz muito mais sobre a coletividade do que sobre o próprio líder.

A identificação constitui a forma original de laço emocional com um objeto. A identificação em Freud se dá em relação e em posição a um outro como um modelo, um objeto, um auxiliar ou um oponente.
Mas quem és tu? “Eu sou” … “Sou o que sou”, já diziam os escritos bíblicos reforçados pela lógica cartesiana A é A.

Mas, para ser o que sou, preciso ser o que todos os outros não o são, é o que defende Lacan em seu nono seminário, ser pura diferença. A lógica da identificação pressupõe, invariavelmente, uma relação de diferença, de exclusão que é originária da formação das identidades. Só posso me identificar com o que não é idêntico a mim. Assim o Eu torna-se resposta radical ao Tu.
É a lógica da identificação que nos permite criar vínculos sociais, legitimar lideranças e mergulhar em relações amorosas.

“A função do líder e das coletividades face ao desamparo”.

29 maio, 2017 às 16:48  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Já em mãos.

“Filosofia, Religião e Psicanálise” dos organizadores Allan Martins Mohr e Fabiano Mello com meu capítulo intitulado “A função do líder e das coletividades face ao desamparo”.

“O objetivo deste trabalho é revisitar o trajeto de Sigmund Freud sobre o líder para destacar a importância do líder para o processo de iden cações coletivas, assim como pensar a formação das coletividades como possíveis a par r de renúncias pulsionais , identificações coletivas e respostas ao desamparo259. Neste processo o líder se encontra no cerne destas questões sociais e políticas como um lugar de identificação e exclusão. Portanto podemos pensar que em Freud, as identificações coletivas e estruturas sociais se dariam em torno de um afeto principal e em relação à uma figura onipotente e de destaque: o Pai da horda em Freud denotaria nitidamente uma teoria teológica para sustentar as formações coletivas, estruturas sociais e figuras de liderança. ”

 

apresentação livro

A palavra

4 abril, 2017 às 09:40  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Nem toda palavra é digna de entendimento.
Nem sempre a palavra consegue elaborar uma experiência.
Nem sempre a palavra dá conta de um sentir. O sentir é absolutista.

A palavra é falha
é falo

Às vezes a palavra diz sem um querer dizer aquilo que quer dizer quando não o diz.

Normalidade…

29 novembro, 2016 às 06:00  |  por Willian Mac-Cormick Maron

“De todos os diagnósticos, a normalidade é o diagnóstico mais grave, porque ela é sem esperança”. (Lacan)

A normalidade como um ideal é uma adaptação patológica e sintomática à uma cultura que exige um perfil médio, medíocre.
A normalidade também necessita de tratamento… por isso se faz necessário falar.
Falar para tentar elaborar…
Falar para tentar tomar posse de algo já teu.
Mas que em ti, esse algo causa.

Só o são é capaz de enlouquecer e, por vezes, são até necessárias pequenas loucuras para viver “são”.

“Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura.” (Nise da Silveira)

Às vezes a loucura mesmo é ter aquela cega convicção de sua própria “normalidade”.

A política e seus sintomas…

23 novembro, 2016 às 15:09  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Algo em nós não deveria se calar para a política.
Mais do que ver política como o sintoma do povo, podemos vê-la como o gozo do povo.

Uma das formas de ver a política é justamente no acolhimento demandas e insatisfações. Se pensarmos a política como a forma de representatividade do desejo de uma coletividade, vemos importantes aspectos sintomáticos sociais. O voto em um discurso é legitimar a própria narrativa como desejo do eleitor, ou seja, parcela importante de uma sociedade.

Bizarro não é um personagem em si, mas sim se dar conta que este personagem torna-se representante de desejos e demandas sociais que mostram sua face.

Sempre que vemos avanços visando a integração européia ou latino-americana surgem, em contrapartida, reações nacionalistas. Parece que veremos cada vez mais fenômenos nacionalistas. Estes apontam param questões complexas de demandas sociais. Ultra-conservadores, nacionalistas, separatistas e segregacionistas ganham cada vez mais voz entre os países da UE e agora nos USA.

Do ponto de vista da perversão, o nacionalismo é a categoria política mais fértil. Onde ancoram ódio e intolerância mascarados no discurso que estabelece no outro, no estrangeiro, um inimigo a ser eliminado, um obstáculo para uma nação… O outro é tido como resto.

Não há maior fator de identificação que o ódio a uma inimigo em comum. Desde a horda é assim…

Freud chamaria de “narcisismo das pequenas diferenças”, ou seja, a obsessão por diferenciar-se daquilo que resulta mais familiar e parecido. Geralmente de forma hostil, violenta ou intolerante. A sistemática tentativa de aniquilação do desejo, do direito e da verdade do outro.
“É da proximidade e não da distância, que nasce o ódio.” (Freud)

O outro é essa fronteira do eu. A questão o que se faz com esse outro, o excluído ou segregado. O vemos como sujeito de seu desejo legítimo ou como resto a ser eliminado?

O discurso de ódio é uma das saídas possíveis de uma cultura repressiva da negação do desejo. O ódio institui um vínculo, um laço tão forte quanto o amor.
Alguns homens lidam melhor com o ódio do que com o amor. Mesmo sendo duas facetas de uma mesma moeda.

Lançamento oficial do livro “Do que é feito um líder? Uma leitura Psicanalítica das coletividades e suas identificações”.

26 julho, 2016 às 16:55  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Um dos pontos cegos e problemáticos na teoria da democracia e nas organizações é exatamente o lugar da liderança.
Como a psicanálise freudolacaniana alinhada a conceitos da filosofia política podem nos auxiliar a pensar os fenômenos de liderança e formações coletivas?
É o que debateremos neste dia 05/08, 19h na Livraria da Vila em Curitiba.
Para debater comigo estarão os amigos Daniel Omar Perez (Prof. Dr. Unicamp) Olivier Feron (Prof. Dr. PUCPR/Evora) Allan Martins Mohr (Prof. Ms. Facel)

Clique na imagem para mais informações.
Evento aberto.

CONVITE - DO QUE É FEITO UM LIDER

CBN Debate: Esgotamento e sofrimento das relações de trabalho e a possibilidade de se reinventar.

19 julho, 2016 às 11:04  |  por Willian Mac-Cormick Maron

CBN Debate: Esgotamento e sofrimento das relações de trabalho e a possibilidade de se reinventar.

Para quem não ouviu, confira no link abaixo o áudio do CBN Debate da CBN Curitiba no dia 02 de julho.
Com participação de Daniela Leluddak e Bernt Entschev, a mediação foi de Fábio Buchmann.

Clique aqui para ouvir o áudio do debate.

 

cbndebate0207