Arquivos da categoria: Liderança

“A função do líder e das coletividades face ao desamparo”.

29 maio, 2017 às 16:48  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Já em mãos.

“Filosofia, Religião e Psicanálise” dos organizadores Allan Martins Mohr e Fabiano Mello com meu capítulo intitulado “A função do líder e das coletividades face ao desamparo”.

“O objetivo deste trabalho é revisitar o trajeto de Sigmund Freud sobre o líder para destacar a importância do líder para o processo de iden cações coletivas, assim como pensar a formação das coletividades como possíveis a par r de renúncias pulsionais , identificações coletivas e respostas ao desamparo259. Neste processo o líder se encontra no cerne destas questões sociais e políticas como um lugar de identificação e exclusão. Portanto podemos pensar que em Freud, as identificações coletivas e estruturas sociais se dariam em torno de um afeto principal e em relação à uma figura onipotente e de destaque: o Pai da horda em Freud denotaria nitidamente uma teoria teológica para sustentar as formações coletivas, estruturas sociais e figuras de liderança. ”

 

apresentação livro

Sobre a relação homem e trabalho…

20 março, 2017 às 13:08  |  por Willian Mac-Cormick Maron

“Não é possível, dentro dos limites de um levantamento sucinto, examinar adequadamente a significação do trabalho para a economia da libido. Nenhuma outra técnica para a conduta da vida prende o individuo tão firmemente à realidade quanto à ênfase concedida ao trabalho, pois este, pelo menos, fornece-lhe um lugar seguro numa parte da realidade, na comunidade humana. A possibilidade que essa técnica oferece de deslocar uma grande quantidade de componentes libidinais, sejam eles narcísicos, agressivos ou mesmo eróticos, para o trabalho profissional e para os relacionamentos humanos a ele vinculados, empresta-lhe um valor que de maneira algum está em segundo plano quanto ao de que goza como algo indispensável à preservação e justificação da existência em sociedade. A atividade profissional constitui fonte de satisfação especial se for livremente escolhida, isto é, se por meio de sublimação, tornar possível o uso de inclinações existentes, de impulsos instintivos persistentes ou constitucionalmente reforçados. No entanto, como caminho para a felicidade, o trabalho não é altamente prezado pelos homens. Não se esforçam em relação a ele como o fazem em relação a outras possibilidades de satisfação. A grande maioria das pessoas só trabalha sob a pressão da necessidade, e essa natural aversão humana ao trabalho suscita problemas sociais extremamente difíceis.”

Este é um trecho de Sigmund Freud escrito em seu texto “Mal-estar na Cultura” sobre esta relação homem e trabalho. Ele refere-se ao trabalho como um “lugar seguro”.

“Mas na sociedade que vivemos hoje o homem se apropria de outros lugares que possibilitam o deslocamento dos componentes libidinais descritos. O que me faz pensar que houve um esvaziamento deste lugar”, um amigo sabiamente me questiona.

Não é o mesmo, concordo, mas será que houve um esvaziamento completo? Não estou convencido disso. Se eu te pergunto “quem é você?” Sua tendência é sempre recorrer a este tal local “seguro” para tentar me responder, ou seja, ainda é parte importante de nosso imaginário ainda. Esta relação vem para responder uma questão social (que também é individual ) do “quem é você”? A maioria das pessoas começarão a responder com o trabalho, ofício ou formação … Mesmo não se não atue ou se aproprie do lugar. É mais uma questão identitária ao meu ver. Eu sou a partir do que eu faço, ou seja, eu sou a partir desta relação imaginaria com este “lugar seguro”. Mas este lugar seguro deixou de ser seguro e passou a ser uma questão de angustia.

A política e seus sintomas…

23 novembro, 2016 às 15:09  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Algo em nós não deveria se calar para a política.
Mais do que ver política como o sintoma do povo, podemos vê-la como o gozo do povo.

Uma das formas de ver a política é justamente no acolhimento demandas e insatisfações. Se pensarmos a política como a forma de representatividade do desejo de uma coletividade, vemos importantes aspectos sintomáticos sociais. O voto em um discurso é legitimar a própria narrativa como desejo do eleitor, ou seja, parcela importante de uma sociedade.

Bizarro não é um personagem em si, mas sim se dar conta que este personagem torna-se representante de desejos e demandas sociais que mostram sua face.

Sempre que vemos avanços visando a integração européia ou latino-americana surgem, em contrapartida, reações nacionalistas. Parece que veremos cada vez mais fenômenos nacionalistas. Estes apontam param questões complexas de demandas sociais. Ultra-conservadores, nacionalistas, separatistas e segregacionistas ganham cada vez mais voz entre os países da UE e agora nos USA.

Do ponto de vista da perversão, o nacionalismo é a categoria política mais fértil. Onde ancoram ódio e intolerância mascarados no discurso que estabelece no outro, no estrangeiro, um inimigo a ser eliminado, um obstáculo para uma nação… O outro é tido como resto.

Não há maior fator de identificação que o ódio a uma inimigo em comum. Desde a horda é assim…

Freud chamaria de “narcisismo das pequenas diferenças”, ou seja, a obsessão por diferenciar-se daquilo que resulta mais familiar e parecido. Geralmente de forma hostil, violenta ou intolerante. A sistemática tentativa de aniquilação do desejo, do direito e da verdade do outro.
“É da proximidade e não da distância, que nasce o ódio.” (Freud)

O outro é essa fronteira do eu. A questão o que se faz com esse outro, o excluído ou segregado. O vemos como sujeito de seu desejo legítimo ou como resto a ser eliminado?

O discurso de ódio é uma das saídas possíveis de uma cultura repressiva da negação do desejo. O ódio institui um vínculo, um laço tão forte quanto o amor.
Alguns homens lidam melhor com o ódio do que com o amor. Mesmo sendo duas facetas de uma mesma moeda.

Papo de gestão – PUCPR

20 setembro, 2016 às 16:53  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Na última terça-feira, 12 de setembro, gerentes das Escolas que compõem a PUCPR participaram de um bate-papo sobre gestão. O encontro aconteceu na sala lúdica do Laboratório de Comunicação e Artes. O convidado do grupo foi o psicólogo e psicanalista Willian Mac-Cormick Maron, que é também doutorando do programa de Filosofia da Escola de Humanidades. Mac-Cormick lançou recentemente o livro “Do que é feito um líder?” (Editora Juruá).

Na ocasião, o autor discutiu com os gestores das Escolas quais são os novos desafios da liderança frente à ambientes de trabalho complexos e exigentes. Willian é autor do blog Executivos no Divã .

Para o gerente da Escola de Ciências da Vida, Darly Fatuch, a conversa foi muito produtiva: “Revisitar conceitos, reavaliar posturas, rediscutir modelos de gestão e liderança. Ótima iniciativa”, avaliou o gestor. Luiz Andrioli, gerente da Escola de Comunicação e Artes, também aprovou o encontro: “refletir sobre nossos desafios e atitudes enquanto líderes é uma tarefa de grande importância. Lidamos diariamente com pessoas e suas complexidades, por isso é fundamental a troca de experiências neste sentido”, disse.

Clique aqui para ver a matéria.

Tomada de decisões, escolha e invenções de caminhos – CBN Debate

20 setembro, 2016 às 16:33  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Escolher é marcar uma falta, decidir é pontuar uma perda, aceitar uma renúncia.
Algum pagamento é inevitável.
A vida não é um negócio que envolva garantias…

Enquanto não se faz as pazes com a perda, não abre-se espaço para o novo acontecer.

A decisão correta envolve desejo e é aquela a qual se banca uma renúncia. Viver não é um negócio que envolve garantias.

Para quem não ouviu, segue o link com o áudio do debate na CBN Curitiba sobre tomada de decisões, escolha e invenções de caminhos. Por que precisamos tomar decisões e qual o preço a se pagar por elas. A tomada de decisão é uma questão econômica. Sempre há de se pagar pode ela.

Escolher é marcar uma falta, pontuar um perda. Quem decide explicita seu desejo.

Clique aqui!

Lançamento oficial do livro “Do que é feito um líder? Uma leitura Psicanalítica das coletividades e suas identificações”.

26 julho, 2016 às 16:55  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Um dos pontos cegos e problemáticos na teoria da democracia e nas organizações é exatamente o lugar da liderança.
Como a psicanálise freudolacaniana alinhada a conceitos da filosofia política podem nos auxiliar a pensar os fenômenos de liderança e formações coletivas?
É o que debateremos neste dia 05/08, 19h na Livraria da Vila em Curitiba.
Para debater comigo estarão os amigos Daniel Omar Perez (Prof. Dr. Unicamp) Olivier Feron (Prof. Dr. PUCPR/Evora) Allan Martins Mohr (Prof. Ms. Facel)

Clique na imagem para mais informações.
Evento aberto.

CONVITE - DO QUE É FEITO UM LIDER

CBN Debate: Esgotamento e sofrimento das relações de trabalho e a possibilidade de se reinventar.

19 julho, 2016 às 11:04  |  por Willian Mac-Cormick Maron

CBN Debate: Esgotamento e sofrimento das relações de trabalho e a possibilidade de se reinventar.

Para quem não ouviu, confira no link abaixo o áudio do CBN Debate da CBN Curitiba no dia 02 de julho.
Com participação de Daniela Leluddak e Bernt Entschev, a mediação foi de Fábio Buchmann.

Clique aqui para ouvir o áudio do debate.

 

cbndebate0207

Do que é feito um líder? Uma leitura psicanalítica das coletividades e suas identificações.

18 julho, 2016 às 18:28  |  por Willian Mac-Cormick Maron

É com imensa alegria que informo que meu livro “Do que é feito um líder? Uma leitura Psicanalítica das Coletividades e duas Identificações” já encontra-se disponível para vendas no site da Juruá Editora pelo link https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=24834

Obra que começa em 2012 com um embrionário problema de pesquisa que foi desenvolvido em meu mestrado e se mantém em avanço e vivaz em doutorado.

Um dos pontos cegos e problemáticos na teoria da democracia e nas organizações é exatamente o lugar da liderança. A Psicanálise, alinhada a conceitos da Filosofia e Ciências Políticas, nos oferecem uma diferente pos­sibilidade de pensar fenômenos sociais e as identificações coletivas (que ocor­rem em uma massa ou grupos) e sua relação com a posição do líder.

Em breve informarei sobre datas e locais de lançamento/debate sobre a obra assim como outros locais de venda.

Divulgação Do que é feito um líder

Psicanálise e Neurociências

20 junho, 2016 às 15:48  |  por Willian Mac-Cormick Maron

Esta semana, foi publicada na Folha de São Paulo uma entrevista do renomado neurocientista Ivan Izquierdo onde afirma que “os estudos de neurociência superaram a psicanálise” (vide matéria no link) e que funcionaria como um “exercício meramente estético”. Bem, discordo que seja e questiono o que se entende por estética. A estética é propriamente uma categoria filosófica que nos fornece uma das formas possíveis para lidar justamente com o vazio, a angústia e o sintoma.  É um antigo debate, mas vale pontuar algumas questões.

Mesmo respeitando, tenho dificuldade a qualquer tipo de determinismo. Isso inclui genes, destino e essência.
Se já partimos de uma concepção sujeito diferente através de campos distintos, talvez não haja muito o que discutir ferrenhamente, pois voltamos a uma questão originalmente antropológica: O que é um homem?
Um sujeito biologicamente determinado é aquele que se articula entre necessidades fisiológicas e representações mentais correlatas.

O determinismo genético ou biológico “desculpabiliza” o indivíduo. Elimina o sujeito como minimamente responsável e implicado em sua vida. O determinismo genético/biológico nos exime de se implicar nos nossos atos e decisões.

“Se tudo o que somos resulta de um determinismo cerebral, estamos salvos da angústia de ter que ser sem saber o que se é.”(Jorge Sesarino)

É o conhecido discurso do: “Não é você, é seu cérebro”. Assim uma narrativa histórica justamente perde o sentido de cura, pois seria apenas uma questão sináptica e, como tal, se extinguirmos a causa, viveríamos mais felizes. Seria bem mais fácil assim.

Cada da um se aliena à narrativa que lhe faz mais sentido seja da religião, astrologia, neurociência da própria psicanálise. A produção de sentido, seja que qual fonte for, nos consola de um desamparo que é estrutural. O ser humano é um ser que precisa produzir sentido onde não há. Para Lacan, a verdade só pode ser dita nas malhas da ficção.

” O neurótico é um doente que se trata com a palavra, e acima de tudo, com a dele.”
(Jacques Lacan)

Por isso a importância da palavra. A palavra possibilita, através de narrativas e do discurso, a produção de sentido e novas subjetividades. O desejo precisa da linguagem para se diluir em uma fantasia e poder se propagar ao mundo em forma de uma narrativa que produza algum sentido.

É muita sinapse para pouca sinopse …