Desamparo e a civilização

20 junho, 2017 às 17:03  |  por Willian Mac-Cormick Maron
Desde o texto freudiano “Totem e Tabu” (1913), podemos pensar a morte (simbólica) do pai e a consequente instituição de regras e renúncias pulsionais exigindo, mesmo que minimamente, substituição do ato pela palavra. É um fator originário da civilização, como da neurose.
Enquanto o pai vive, como aquele que tudo pode e nada renúncia, creio eu legitimar que, igualmente, tudo posso. Serve tanto para a neurose como para política.
Que possamos e superemos nossos antecessores…
Constituir-se em identidades coletivas tem função de amenizar nossa posição frente ao desamparo. Cada um se consola da forma que pode.
A afirmação do desamparo (sem um grande pai, líder ou messias) como estrutural, possibilita uma maior e plural produção de sentido.
Enquanto isso não acontece, esperamos uma providência divina, uma solução que caia do céu.
0 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>