O trabalho entre o prazer e o gozo.

6 setembro, 2017 às 08:34  |  por Willian Mac-Cormick Maron
A relação do homem com o trabalho aparece como uma importante resposta possível à uma pergunta social “quem é você?”
O trabalho se mostra como fonte e influência principal do que poderíamos chamar de “identidade do adulto”. O adulto se reconhece a partir de sua relação com o trabalho, o que pressupõe que um dos pensamentos históricos e socialmente constituídos na subjetividade humana atual é a premissa do “sou o que eu faço”. Mas consequentemente tal premissa nos apresenta uma nova problemática de difícil resposta que é: se eu sou o que eu faço, quando eu não faço, quem sou eu?
Tal problemática aparece em forma de mal-estar, sofrimento ou adoecimento assim como situações de crise, desemprego e até naquela melancolia que alguns sentem nas férias. Sim, há muitos que padecem nas férias pois sofrem de uma certa “liberdade” da desvinculação com a identidade organizacional (mesmo que temporária). Alguns pensam “o que eu vou fazer, quando posso fazer qualquer coisa?”
O homem contemporâneo desaprende a inventar desejos e, por pior, se desimplica dos desejos, de bancá-lo quando os constitui.
O trabalho, em sua realização, exige dose de investimento libidinal. O que justifica colocar o trabalho em um campo de ambivalência, de constante mal-estar que possibilita ao homem experienciar sentimentos de realização ou de sofrimento, de sentido ou de adoecimento. O humano pode tanto se realizar como adoecer a partir de suas relações de trabalho.
Assim se faz importante levarmos em consideração possibilidade de pensar o trabalho, a partir de um paradigma Pós industrial que privilegia o capital como norteador de novos conceitos sobre felicidade, sucesso e gozo. As relações de trabalho balizadas pelo capital podem privilegiar o gozo em detrimento ao desejo.
Nos alienamos ao gozo do consumo a partir da perda do prazer e do sentido que as relações de trabalho poderiam nos proporcionar. Assim utilizamos o consumo como moeda de troca em relação ao tempo e produto do meu trabalho que agora pertencem a uma organização.
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