A Donzela da Neve

Em tempos imemoráveis, no fabuloso reino do Tsar Berendei, nasceu Snegourotchka, A Donzela da Neve, fruto dos amores da Fada Primavera e do Pai Geada. Protegida pelos pais da inveja do deus sol Yarilo, que prometeu aquecer o coração dela quando, ao se tornar adulta, se apaixonasse, Snegourotchka é entregue ao Espírito da Floresta…


SOBRE

A Ópera de Paris nos oferece uma verdadeira oportunidade programando a raríssima Donzela da Neve de Rimski-Korsakov, criada em 1882 no Teatro Mariinski de São Petersburgo.
Essa ópera é só a sua terceira (ele vai compor quatorze, principalmente no fim da vida) mas é sua obra favorita, representando, segundo ele, toda a paleta da sua arte. Ele escreveu, mais de dez anos após sua criação: « Alguém que não gosta de A Donzela da Neve não entende nada da minha música nem de mim ». Referência divertida: a peça da qual saiu o libreto tinha sido escrita nove anos antes, com uma música de cena de… Tchaïkovski.
Obra-prima da literatura popular eslava, A Donzela da Neve leva ao palco um imaginário feérico repleto de rigores do clima. Estamos no imaginário e na tradição folclórica de um puro conto russo, para o qual o diretor Dmitri Tcherniakov transforma o palco da Bastilha em misteriosa floresta sonora e em movimento, banhada de poesia e de melancolia. Também autor do cenário, aquele que gostamos de chamar « criança terrível » do teatro russo desloca a intriga feérica para nossa época: os artistas em cena constituem uma comunidade camponesa ou neorrural que se deu o nome de Bérendeï para retomar um modo de vida ancestral.
Sob a batuta experiente de Mikhail Tatarnikov, a Orquestra da Ópera Nacional de Paris adquire a exuberância eslava, leve e alegre, mas sempre firme.
A jovem soprano, Aida Garifullina, é uma Donzela da Neve com a qual é impossível não… derreter. Sua voz de cristal, sua silhueta de adolescente e sua atuação como atriz vibrante, fazem dela o charme e a meiguice encarnadas. Como prova do seu imenso domínio vocal, ela modula até seu vibrato com suas linhas e emoções. Ela sabe levar às lágrimas, com seus soluços e arquejos sempre líricos e sonoros, sempre pronunciados com a mais ínfima delicadeza.
No papel de Lel, Yuriy Mynenko lança suas melodias com uma força tônica estridente. Com radiantes harmônicos bem agudos, sua voz de contratenor brilha com grande controle até nos pianissimi. Seu canto e sua aparência de indiferença estudada fazem aceitar sem dificuldade a passagem do contralto previsto pelo compositor a um contratenor.
Vasily Gorshkov como Bobyl Bakula, pai adotivo da Donzela da Neve, põe o jogo popular, cômico e hedonista em seu canto sonoro, rangedor. Sua mulher Bobylicka (Carole Wilson) completa o verdadeiro duo, combinando sua voz com ele ou contradizendo por contraponto.
O tenor mexicano Ramón Vargas deu seu lugar ao ucraniano Maxim Paster, menos conhecido, é certo, mas garantindo com autoridade as réplicas do Tsar Bérendeï.
Parabéns também ao Coro da Ópera de Paris, muito solicitado nessa obra e muito comprometido até seu último hino ao sol primaveril.

ATOS
Prólogo

No Red Hill, perto de Berendeyans e da capital de Tsar Berendey, Donzela da Neve, de quinze anos de idade, quer viver com as pessoas na aldeia vizinha, e seus pais, Primavera e Pai Geada, concordam em deixá-la ser adotada por Bobyl-Bakula e sua esposa.

Ato I

Donzela da Neve está encantada com as canções de Lel, mas fica triste quando ele sai com um grupo de outras meninas. Kupava entra e anuncia seu casamento com Mizgir. A cerimônia acontece, mas depois Mizgir nota Donzela da Neve, se apaixona por ela, e pede para que ela o ame. Kupava vê a situação como uma afronta e é aconselhada pelos moradores da aldeia a pedir reparação ao Tsar.

Ato II

Kupava reclama de Mizgir a Tsar Berendey, que decide banir Mizgir para a floresta. Mas essas deliberações são interrompidas pelo aparecimento da bela Donzela da Neve. O Tsar pergunta a donzela quem ela ama, e ela diz: “ninguém”. O Tsar declara que quem cortejar com sucesso a Donzela da Neve, ganhará sua mão e uma recompensa real. Embora as donzelas terem Lel como o provável vencedor, Mizgir jura que vai conquistar o coração de Donzela da Neve. O Tsar concorda com o concurso e as pessoas cantam louvores.

Ato III

As pessoas se divertem com música e dança. O Tsar convida Lel para escolher uma dama. Apesar dos pedidos de Donzela da Neve, ele beija Kupava e sai com ela. Donzela da Neve, deixada sozinha e desconsolada, se pergunta por que Lel rejeitou-a. De repente Mizgir aparece e tenta mais uma vez conquistar o seu amor. Assustados com as suas palavras, ela foge, e os truques do Espirito da Natureza, fazem Mizgir perseguir uma aparição da Donzela da Neve. Lel e Kupava declaram seu amor mútuo. Donzela da Neve encontra-os e, ao ver a sua felicidade, enfim realmente deseja ter a capacidade de amar.

Ato IV

Donzela da Neve convida sua mãe, Primavera, que aparece a partir de um lago cercado por flores. Primavera dá a sua filha uma grande festa e avisa a ela para ficar fora da luz do sol. Primavera e sua comitiva então desaparecem no lago. Antes de Donzela da Neve poder entrar na floresta protegida, aparece Mizgir. Não sendo mais capaz de resistir, ela professa seu amor por ele. Os Berendeyans, em pares, chegam para comemorar o dia de Yarilo. Mizgir apresenta Donzela da Neve como sua noiva. Quando ela declara seu amor por Mizgir, um raio brilhante de luz solar aparece, e Donzela da Neve se despede: o poder de amar é a fonte de sua morte. Para o espanto das pessoas, ela se derrete. O inconsolável Mizgir afoga-se no lago. O Tsar acalma os Berendeyans horrorizados com o fato de que este evento tenha terminado os quinze anos de longo inverno que se abateu sobre eles. Em resposta as pessoas cantam um hino em Yarilo.

 

Ficha Técnica
    Genero: Musical
    Titulo original: Snegurochka
    Ano: 2017
    Pais: França
    Duracao: 3h25 com 1 intervalo
    Diretor: Dmitri Tcherniakov
    Elenco: AIDA GARIFULLINA: A Donzela da Neve YURIY MYNENKO: Lel MARTINA SERAFIN: Kupava RAMÓN VARGAS: O Tsar Berendei THOMAS JOHANNES MAYER: Mizguir EKATERINA SEMENCHUK: A Fada Primavera VLADIMIR OGNOVENKO: O pai geada
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