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Comportamento

Duas rodas

Motociclistas devem ganhar mais corredores exclusivos em SP

Na capital paulista, são quase um milhão de motocicletas
  21/02/07 às 11:54  |  Mário Curcio - Agência Estado
São Paulo, 21 (AE) - A capital paulista tem uma frota de 5 milhões de veículos, sendo 9% desse total formada por motocicletas. Como a quantidade de motos na cidade cresce bastante a cada ano, isso traz como efeito negativo o aumento do número de acidentes. "Morre em média um motociclista por dia na cidade. E o número de motos cresceu acima do esperado", diz Roberto Scaringella, presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Para reduzir esse dado, a capital vem testando os corredores exclusivos e as faixas preferenciais para veículos sobre duas rodas.

A Avenida Sumaré, na zona oeste da capital, ganhou um corredor exclusivo para ciclistas, enquanto as Avenidas Rebouças e Eusébio Matoso, e a Rua da Consolação, nas regiões sul e central da cidade, ganharam faixas preferenciais (ou cidadãs). "Pela adesão imediata dos motociclistas ao corredor da Sumaré, há estudos para que outras avenidas ganhem faixas exclusivas", diz Scaringella. Nesses "estudos" se incluem a Av. 23 de Maio, que se estende do Centro à zona sul, e as Marginais Pinheiros e Tietê - zona oeste-sul e zona norte-leste, respectivamente.

Moacyr Paes, diretor da entidade que reúne fabricantes de motos (Abraciclo), invoca um ponto importante do Código de Trânsito Brasileiro (CTB): "O artigo 29 diz que os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores e todos pelos pedestres. Mas, na prática, ninguém respeita ninguém".

Ângelo Perossi, de 22 anos, viveu esse problema. Ele dirige carro desde os 18 e roda pelo menos 60 quilômetros por dia a trabalho. A experiência não o livrou do inesperado: "Meu carro estava quase encostado no meio-fio, mas um motoqueiro veio do nada e chutou meu espelho. Fiquei sem entender por quê".

GESTOS

É comum ver motociclistas entres os carros fazendo gestos antipáticos quando alguém invade o corredor. Se trocassem esse "Sai da frente!" por algo mais parecido com "Com licença", ajudariam a diminuir a intolerância de muitos motoristas.

O convívio no trânsito é mesmo complexo: "O grande desafio é conseguir que todos (ciclistas e pedestres inclusive) desenvolvam um comportamento que ajude a identificar e avaliar riscos", diz Roberto Scaringella.

Isso implica educação de trânsito, uma das reivindicações do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas da Cidade de São Paulo (Sindimotos), Aldemir Martins, o Alemão. "É preciso haver mais cursos gratuitos para essa garotada que está chegando às ruas. Motofrete já foi aventura, hoje é profissão."
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