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Evento mostra que software livre tornou-se uma ideologia

Um batalhão de nerds formou longas filas no primeiro dia
  25/04/07 às 12:44  |  Rodrigo Martins
São Paulo, 25 (AE) - Eram pingüins, gnus, raposas e javalis Símbolos de programas colaborativos de computador, esses mascotes foram onipresentes nas palestras, bate-papos regados a cerveja e reuniões de negócios dos engravatados na oitava edição do Fórum Internacional de Software Livre (Fisl), que ocorreu entre o 12 e 14 de abril. E não faltaram ativistas da causa. Um batalhão de "nerds", que formou longas filas no primeiro dia do evento, trazia estampado nas roupas o seu comprometimento com a causa. Parecia até um desfile. Camisetas de todos os tipos chamavam a atenção para softwares livres como o sistema operacional GNU/Linux e o navegador Firefox, além de repudiar o "monopólio da Microsoft".

Visitantes também usavam bonés com os símbolos bem conhecidos por essa galera. Mas o maior sucesso mesmo era uma camiseta que trazia um pingüim - símbolo do Linux - vestido de gaúcho. "A camiseta se esgotou no primeiro dia", disse um vendedor.

IDEOLOGIA

Mais do que um programa gratuito, o software livre é uma ideologia. Nesse universo, o desenvolvimento dos aplicativos não fica nas mãos de empresas, mas, sim, a cargo de uma comunidade mundial, que trabalha de forma voluntária. Podem fazer parte dela desde usuários comuns até grandes companhias. E o Fisl teve várias palestras destinadas a esclarecer esse conceito.

"Esse tipo de software é um trabalho de autoria coletiva, onde a comunidade tem acesso a tudo: desde os códigos usados na programação até a liberdade de utilizar como quiser", explicou o cientista social Rafael Evangelista.

De acordo com um dos líderes do movimento Java no Brasil, Bruno Souza, ter acesso ao código significa ter conhecimento. "Fica muito mais fácil aprender como os programas são feitos e passar a participar da comunidade."

Além disso, o software livre também é uma alternativa aos aplicativos proprietários como o Windows, afirmou o gerente de comunidades do projeto OpenOffice.org, Louis Suarez-Pottz. "Muita gente usa pirataria porque desconhece que há programas livres e gratuitos que funcionam bem."

INCLUSÃO DIGITAL

O espaço da ONG Um Laptop por Criança (OLPC, na sigla em inglês) foi o que mais chamou atenção no evento. Lá foi possível ver o famoso notebook de US$ 100 - que, na verdade, custa US$ 130. O estande ficava lotado. Todos queriam tocar nas teclinhas verdes e mexer nas anteninhas para conexão sem fios à web.

O projeto prevê distribuir um laptop para cada estudante da rede pública em países em desenvolvimento. Para isso, as nações interessadas, como o Brasil, vão precisar comprar lotes com no mínimo 1 milhão de aparelhos. Os responsáveis pela iniciativa não souberam dizer se - ou quando - o micrinho vai começar a ser distribuído no País. "Mas já estamos testando em escolas de vários países, incluindo uma em Porto Alegre e outra em São Paulo", disse o vice-presidente de software da OLPC, Jim Gettys. "Devemos começar a produção em setembro." É esperar para ver.
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