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Saúde e Beleza

Álcool

Adolescentes bebem cada vez mais cedo

É uma das revelações de pesquisa inédita da Senad, divulgada hoje
  22/08/07 às 15:03  |  Redação Bem Paraná

Levantamento inédito da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) aponta que a idade média do início do consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes é menor que a de jovens adultos. A pesquisa revela ainda que 35% dos jovens de 14 a 17 anos consomem bebidas alcoólicas uma vez por ano


Adolescentes e jovens adultos apresentam diferenças na idade média para começar a ingerir bebidas alcoólicas e no início do consumo regular. Essa é uma das conclusões do I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira.

 Segundo a pesquisa, jovens de 14 a 17 anos começaram a beber, em média, com 13 anos e 9 meses, enquanto os adultos começam com 15 anos e 3 meses. Já os jovens de 14 a 17 responderam que iniciam o consumo regular de bebidas alcoólicas, em média, com 14 anos e seis meses, enquanto os maiores de 18 anos, com 17 anos e 3 meses. (Veja figura 15 – Média do início de consumo de álcool - em anos).

 Em um universo de adolescentes representativo das várias regiões do País e de áreas urbanas e rurais, quase 35% dos adolescentes menores de idade consomem bebidas alcoólicas ao menos 1 vez no ano. E 24% dos adolescentes bebem pelo menos 1 vez no mês.  
 
 O beber em grande quantidade com maior risco em um curto espaço de tempo, ou o beber em binge, é a prática que mais deixa o adolescente exposto a uma série de problemas de saúde e sociais. Os riscos vão desde acidentes de trânsito – o evento mais comum e com conseqüências mais graves – até o envolvimento em brigas, vandalismo e a prática do sexo sem camisinha.

 Entre os meninos e meninas que já beberam 4 ou mais ou 5 ou mais doses (essa quantidade é estipulada internacionalmente para o binge)  em uma única ocasião nos últimos 12 meses, metade o fez menos de 1 vez por mês. Por outro lado, 30% deles beberam em binge 2 vezes por mês ou mais. Assim, uma parte significativa dos adolescentes que bebem grandes quantidades apresenta tal comportamento com regularidade (Veja figura 20 – Freqüência do “binge”).

 Quase metade dos meninos adolescentes que beberam no último ano consumiu 3 doses ou mais por situação habitual. Há diferenças entre meninos e meninas no que diz respeito à quantidade de álcool ingerida habitualmente. Quase um terço dos meninos que bebem consumiu 5 doses ou mais no último ano, contrastando com 11% para as meninas.

 E 13% do total dos adolescentes apresentam padrão intenso de consumo de álcool. Além disso, outros 10% dos adolescentes consomem ao menos 1 vez no mês e potencialmente em quantidades arriscadas.

 Aproximadamente, metade das doses consumidas por adolescentes é de cerveja ou chope. Para chegar a essa conclusão, cruzaram-se dados sobre a quantidade de doses consumidas de cada bebida e a freqüência com que são consumidas.
 
 Os vinhos tiveram também uma participação importante, com mais de 30% das doses consumidas por adolescentes. Não houve nenhuma diferença significativa entre os gêneros no que diz respeito aos tipos de bebida (embora os meninos tivessem uma tendência a beber mais destilados do que as meninas) – (Veja figura 21 – Tipos de bebida alcoólica segundo o gênero - em %).

Pela primeira vez, um estudo brasileiro mediu a intensidade do consumo de bebidas alcoólicas no país. Segundo dados da pesquisa, 48% da população se diz abstêmia, 24% bebem frequentemente (uma vez ou mais por semana e 5 ou menos doses por ocasião) e pesado (bebem uma vez ou mais por semana e consomem 5 doses por ocasião) e 29% são bebedores pouco freqüentes e não fazem uso pesado de bebida. A pesquisa revelou também que 12% da população tem algum problema com o álcool. O levantamento foi feito entre novembro de 2005 e abril de 2006 e foram realizadas 3.007 entrevistas da pesquisa, sendo 2.346 adultos com mais de 18 anos e 661 adolescentes entre 14 e 17 anos, em 143 municípios de norte a sul do país. Os dados mostrados são representativos de 100% da população brasileira, com exceção da população indígena e das populações que vivem em locais de convívio coletivo, como quartéis, asilos, internatos, entre outros.

O consumo nocivo de álcool é responsável por cerca de 3% de todas as mortes que ocorrem no planeta, incluindo desde cirrose e câncer hepáticos até acidentes, quedas, intoxicações e homicídios. Nos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, as bebidas alcoólicas são um dos principais fatores de doença e mortalidade, com seu impacto deletério sendo considerado entre 8% e 14,9% do total de problemas de saúde dessas nações.

A pesquisa revela, por exemplo, que a cerveja ou chope é a bebida mais consumida pelos brasileiros quando se comparam bebidas pelo número de doses consumidas anualmente. De todas as doses anuais consumidas por brasileiros adultos dos dois gêneros, de qualquer idade e região do País, em torno de 61% são de cerveja ou chope, 25% de vinho, 12% destilados e 2% as bebidas “ice”.  Entre os destilados, a cachaça (ou pinga) é a bebida mais consumida, seguida pelo uísque e o rum.


 O levantamento mostra que os jovens de 18 a 24 anos são os que mais bebem e em quantidades maiores do que aqueles com 60 anos ou mais. Essa diferença chega a ser 89% maior quando são comparados aqueles com os jovens de 18-24 anos. Até os 44 anos, mais de 30% dos brasileiros que bebem consumiram geralmente 5 doses ou mais nas ocasiões em que beberam.

 De acordo com o levantamento, 52% dos brasileiros acima de 18 anos bebem (pelo menos 1 vez ao ano). Entre os homens são 65% e entre as mulheres 41%. Na outra ponta estão os 48% de brasileiros abstinentes, que nunca bebem ou que bebem menos de 1 vez por ano. No grupo dos adultos que bebem, 60% dos homens e 33% das mulheres consumiram 5 doses ou mais na vez em que mais beberam no último ano. Do conjunto dos homens adultos, 11% bebem todos os dias e 28% consomem bebida alcoólica de 1 a 4 vezes por semana – são os que bebem “muito freqüentemente” e “freqüentemente”. A maioria dos brasileiros adultos ou não consome bebidas alcoólicas ou bebe de maneira potencialmente arriscada. (Veja figura 10 – Intensidade do beber entre adultos).

Os homens e as mulheres bebem com freqüências marcadamente diferentes. Os homens apresentam índice de abstinência  menor do que as mulheres (35% para eles e 59% para elas). As diferenças do beber entre homens e mulheres são também claras nas freqüências mais altas (muito freqüente e freqüente), em que os homens apresentam porcentagem mais alta do que as mulheres.

 As mulheres são maioria no consumo baixo: até 2 doses. Por outro lado, 38% dos homens que beberam no último ano geralmente consumiram 5 ou mais doses de bebida alcoólica em cada ocasião (versus 17% das mulheres). Ou seja, daqueles homens que bebem álcool, um número expressivo bebe usualmente quantidades potencialmente prejudiciais.

 As diferenças entre os tipos de bebida consumidos por homens e mulheres dizem respeito ao vinho (bebido mais freqüentemente pelas mulheres) e aos destilados (consumidos mais pelos homens). Cervejas (quase dois terços do total consumido) e bebidas “ice” (responsáveis ainda por pequeno consumo) não apresentaram diferenças no consumo entre os gêneros.


Se a Região Sul apresenta índices maiores de consumo freqüente, é nas outras regiões (especialmente Nordeste, Centro-Oeste e Norte) que os brasileiros bebem geralmente em maiores quantidades nas ocasiões em que consomem bebidas alcoólicas. Na Região Nordeste, por exemplo, 13% dos bebedores reportaram consumo usual de 12 ou mais doses por dia de consumo e um quarto dos bebedores relatou consumir 5-11 doses nessas ocasiões.

 O consumo de destilados é mais alto nas Regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Consome-se mais vinho na Região Sul, quando comparada com o Nordeste. Tanto cerveja quanto as bebidas “ice” são consumidas de maneira semelhante nas várias regiões do País.


Há variação no consumo de bebidas de acordo com a classe socioeconômica - Quase 2/3 dos indivíduos de classe A geralmente bebem até 2 doses, enquanto perto da metade dos brasileiros da classe E consome 5 ou mais doses por situação habitual. Apesar das diferenças parecerem grandes, elas ocorrem sobretudo nas classes A e E, em que as bases (número de indivíduos analisados em cada categoria de quantidade de consumo) para análise são muito pequenas. Além das medidas distintas de freqüência e quantidade de consumo, é interessante verificar qual o quadro que aparece no Brasil quando são integradas essas duas variáveis.

 Embora a maior porcentagem de pessoas que bebem esteja nas classes A e B e na Região Sul, é nos Estados do Norte, do Centro-Oeste e do Nordeste e na classe E que se consome o maior número de doses a cada vez que se bebe.

 Grande parte dos que bebem já se excederam uma ou várias vezes, criando situações de alto risco. Segundo o estudo 28% dos brasileiros já beberam em “binge”, o que significa beber de forma abusiva em um curto espaço de tempo até ficar embriagado. O termo “binge drinking”, é estipulado internacionalmente em 5 doses para homens e 4 para mulheres.

Chamou a atenção o fato de que os que beberam na forma de “binge” foram mais freqüentes do que aqueles que não consumiram álcool nessa forma. 28% dos pesquisados beberam na forma de “binge” no último ano, contra 24% que não. A freqüência pela qual esse fenômeno ocorre é comum: mais de 50% os que bebem em “binge” o fazem pelo menos 1 vez por semana. A cerveja é responsável por 70% do beber em “binge”. Do ponto de vista da saúde pública, é importante notar que esse tipo de beber ocorre com mais freqüência entre os jovens. Cerca de 40% da faixa etária de 18 a 34 anos bebeu na forma de “binge” e somente 22% não consumiu dessa forma.

 

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Comentários (total: 1)
19/07/09 15:40
Allekcia Soares
Com essa pesquisa tive base para começar a minha. Nela posso ver os pontos pricipais que devo pesquisar.