Crise na UFPR
Uma semana de ocupação e reunião sobre Reuni é suspensa
Sem entendimento, manifestações contra o Plano de Reestruturação das Universidades Federais prosseguem na UFPR
 24/10/07 às 20:32 | Carlos Simon, do Jornal do Estado
Em clima tenso, a reunião do Conselho Universitário (Coun) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acabou suspensa, ontem, sem que se deliberasse uma saída para a ocupação do prédio da Reitoria e sem que se avançasse a discussão sobre o ingresso da instituição ao Plano de Apoio a Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).
Enquanto o prédio da reitoria era mantido ocupado — a ocupação completa sete dias hoje — outro grupo de cerca de 400 estudantes participou ativamente da reunião no auditório do Hospital de Clínicas da UFPR. Os alunos entoaram gritos de guerra contra o Reuni e vaiaram a exposição da pré-proposta da UFPR para inclusão no programa.
O pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças e presidente comissão designada pelo Coun para discutir o Reuni, Paulo Yamamoto, revelou que a meta para inscrição no programa seria criar, até 2012, 1.462 novas vagas para ingresso no vestibular, além de ofertar 21 novos cursos de graduação e 25 de pós-graduação. A liberação de verbas do programa é condicionada à proporção de 18 alunos por professor (hoje é de 14 para 1) e à taxa de aprovação de 90% (a atual é 74%).
Os estudantes, em seguida, aplaudiram com veemência o discurso do professor Francisco de Assis Marques, adversário político do reitor Carlos Augusto Moreira Júnior. Marques acusou o reitor de ter interesses eleitoreiros em aderir ao Reuni, uma vez que lançou-se pré-candidato à Prefeitura com apoio do governador Roberto Requião e, supostamente, do PT. O Reuni é um programa proposto pelo governo federal. Para Marques, a exigüidade dos prazos estipulados para adesão ao programa mina os debates internos nas universidades.
Como o debate não avançava, a reunião foi suspensa. Até o final da tarde de ontem ainda não havia uma decisão sobre uma nova data para que o Conselho se reúna e retome as conversas. Os estudantes estão irredutíveis, e só aceitam interromper os protestos se a UFPR aceitar o plebiscito.
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