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Política

Acidente

MP diz já ter provas contra parlamentar

Promotor vê indícios de embriaguez e alta velocidade em documentos e depoimentos
  15/05/09 às 15:39  |  Antonio França
Chemim: “Velocidade excessiva me parece meio evidente” (foto: Divulgação)
O promotor de Justiça, Rodrigo Chemim, que acompanha as investigações do acidente envolvendo o deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB), afirmou  ontem já ter indícios suficientes de que o parlamentar estava embriagado e dirigia em alta velocidade na madrugada da última quinta-feira, quando o veículo Passat em que ele trafegava colidiu com um Honda Fit, provocando a morte dos dois ocupantes desse último. Em entrevista coletiva, Chemim informou que pedirá exame toxicológico na amostra de sangue do parlamentar, em poder do Hospital Evangélico de Curitiba, onde Carli Filho ficou internado inicialmente após o acidente.
De acordo com o promotor, os indícios contra o deputado incluem documento de uma médica do hospital, que teria atestado a condição de embriagues do parlamentar. E o depoimento de testemunhas que estiveram no restaurante onde Carli Filho jantou momentos antes da colisão. “No primeiro momento já há forte indicativo de embriaguez”, afirmou Chemim. Outros indícios são as imagens de radar disponibilizados pela Urbs. “As imagens registram momento de impacto. A velocidade excessiva me parece meio evidente”, disse.
O promotor contou que nove pessoas - entre policiais militares que teriam atendido o acidente, testemunhas, o frentista e o vigia do posto de gasolina que fica próximo ao local da colisão – já depuseram no inquérito. “O próximo passo é ouvir médicos e enfermeiros que atenderam o deputado no hospital”, explicou. Os indícios de que Carli Filho estaria alcoolizado seriam reforçados pelas testemunhas presentes ao restaurante onde ele jantou. “(Ele) participou de uma mesa junto com seu tio, e depois que o tio foi embora, foi outra mesa com amigos, que teriam ingerido quatro garrafas de vinho”, alegou.
Chemim garantiu que o caso será investigado com “imparcialidade” e que novos desdobramentos devem ocorrer quando for analisado o sangue do paciente. O Ministério Público (MP) também quer resposta para três perguntas principais: se há imagens (fotografia de radar ou câmera) do momento do acidente, qual a velocidade desenvolvida pelo carro do deputado e se há tóxico ou álcool no sangue do parlamentar.
O diretor do Hemobanco do Hospital Evangélico, Paulo Tadeu, informou que há amostra de sangue na instituição, porém, nenhum pedido oficial de entrega teria chegado ao órgão até ontem à tarde. Ele disse que o procedimento padrão é a guarda do sangue por 10 dias corridos, mas, mesmo assim, afirmou que guardará o material, que foi coletado logo após Carli Filho ter dado entrada no Hospital Evangélico. “Entregaremos a amostra de sangue apenas para a família ou mediante autorização judicial”, informou o diretor do Hemocentro.
O promotor deve pedir ainda hoje a amostra, já que a investigação é presidida pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Miguel Pessoa, que tem poderes para requisitar o material e determinar a realização de exames, que deve ser feito pelo Instituto Médico-Legal (IML).
O acidente aconteceu na quinta-feira da semana passada, quando Carli Filho passava com seu veículo, um Passat, por uma rampa na Avenida Monsenhor Ivo Zanlorenzi, no Bairro Mossuguê. O carro do parlamentar atingiu um Honda Fit, causando a morte dois ocupantes do Honda, Gilmar Rafael Souza Yared, 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20.

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