Rossoni: oposicionista foi até a “escolinha” para pedir intervenção de Requião no episódio (foto: Franklin de Freitas)
A Operação Angustifolia – que desde a semana passada resultou na prisão de uma série de empresários e políticos acusados de envolvimento no desmatamento ilegal na região Sul do Estado – provocou ontem protestos na Assembleia Legislativa. A reação foi encabeçada pelo ex-líder da oposição e empresário do setor de reflorestamento, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), que criticou o suposto “terrorismo” e a interdição de empresas da região de União da Vitória – sua base eleitoral, por conta da ação do Ibama e da Polícia Federal.
Entre os presos estão os prefeitos de General Carneiro, Ivanor Dacheri, o presidente da Câmara Municipal da cidade, José Cláudio Maciel, e o vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri. O prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin, está foragido. Segundo a PF, 16 empresas foram interditadas sob a suspeita de corte e comercialização ilegal de madeira nativa, entre elas uma que seria de propriedade do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM).
Rossoni chegou a ir pela primeira vez à “escolinha” fazer um apelo para que o governador Roberto Requião (PMDB) interviesse no caso. Logo após o encontro, teve uma audiência com Requião no Palácio das Araucárias para tratar do mesmo assunto. À tarde, voltou ao tema durante a sessão no plenário da Assembleia. Ele alegou que a região Sul tem 57% de sua área coberta por mata nativa, e tem o maior índice de preservação de florestas no Estado. E criticou o que considerou excessos na ação da PF e dos órgãos ambientais. “Não quero dizer que lá não tenha crime ambienta. Os que cometeram crime contra o meio ambiente, coloca na cadeia. Estou defendendo a agroindústria. Se plantou eucalipto, tem o direito de colher”, afirmou.
Segundo o parlamentar, entre as empresas interditadas estaria uma que possui 1 mil empregados, que sofre fiscalização mensal e tem certificação internacional. “Pedi que continuem a fiscalização, mas não precisa de todo esse aparato e agressividade”, alegou.
O tucano insinuou ainda que questões políticas estariam por trás da operação. “A região Sul está pagando por uma montagem do ministro do Meio Ambiente. Montaram um circo”, acusou, referindo-se ao ministro Carlos Minc. “Prendam quem for culpado, mas não criminalizem toda uma região”, defendeu Rossoni.
Filho do atual ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes – que vem batendo de frente com Minc por desavenças em relação à política ambiental – o deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior (PMDB) se somou aos protestos do colega. Segundo ele, os proprietários rurais da região que tem um histórico de preservação da mata nativa estariam sendo punidos, ao invés de receberem compensações pelas reservas que mantém. “Só espero que não seja uma ação política”, afirmou.
O deputado Felipe Lucas (PPS) também questionou a ação e a própria política de preservação da araucária no País. “Porque não vão fiscalizar no Norte do Estado. Até a araucária, será que é uma coisa só de enfeite?”, afirmou.