Uma nova denúncia agravou ontem a pressão contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A revelação de que José Adriano Cordeiro Sarney – neto do peemedebista, é um dos operadores do esquema de crédito consignado para funcionários do Senado levou vários senadores, entre eles Pedro Simon (PMDB-RS) a pedir seu afastamento da Presidência da Casa. Além disso, o PSOL anunciou a intenção de entrar com representação contra ele no Conselho de Ética do Senado.
O neto de Sarney negou que tenha sido favorecido em negócios com o Senado. O próprio Sarney afirmou em nota que a denúncia seria parte de uma campanha da mídia contra ele. Na nota, o senador atribui como um dos motivos dessa campanha o fato dele apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, ele não explicou as ações do neto, e limitou-se a dizer apenas que considera que os esclarecimentos prestados pelo José Adriano, em nota já divulgada eram suficientes.
“Ele deve se afastar desse processo. Para bem dele, da família dele, da sua história e deste Senado”, cobrou Pedro Simon, durante discurso no plenário do Senado, que estava esvaziado ontem por causa das festas juninas, com a presença de apenas oito parlamentares de um total de 81. “Há um mês eu disse que é melhor o presidente sair do que seja obrigado a sair. Hoje eu repito: é bom que o presidente Sarney largue a presidência do Senado antes que a situação fique totalmente insustentável”, argumentou.
Para Simon, se o presidente se afastar da Casa não significa automaticamente uma admissão de culpa ou de responsabilidade de atos que estão sendo denunciados pela imprensa. “Pelo contrário: representa um ato de grandeza”, defendeu. Na opinião do senador, Sarney fez “muitas coisas boas” e a má-fé não faz parte de seu programa. Durante o discurso, Simon disse também que os escândalos que envolvem o Senado não devem ser atribuídos a um ou outro parlamentar. “A frase bíblica nunca esteve tão certa: ninguém pode atirar a primeira pedra. Não se pode dizer que ‘’não fui eu’’ e não dizer que ‘’foi ele’’. Há responsabilidade coletiva”, observou.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) cobrou explicações convincentes a respeito das acusações que Sarney vem sofrendo da imprensa, mas disse não ver motivo para pedir seu afastamento. “Não devo pedir que Sarney se afaste ou renuncie, pois foi eleito. Mas acho que tenho o direito de pedir que seja enérgico, veemente, que responda às indagações”, afirmou. O senador tucano argumentou que diariamente são publicadas pelos jornais denúncias envolvendo o presidente da casa.