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Política

Manifestação

Entidades iniciam movimento pela criação de CPI contra Beto Richa

Por enquanto, a oposição tem seis dos 13 votos necessários
  29/06/09 às 19:04  |  Agência Estado
A Frente Popular contra a Corrupção, formada por sindicatos e movimentos populares de Curitiba, iniciou hoje (29), com um ato no centro da cidade, uma série de manifestos com o objetivo de mobilizar a população para pressionar os vereadores a assinarem o pedido de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suposto caixa dois nas eleições do ano passado, além da falsificação de assinaturas em pagamentos de campanha. "Queremos que os vereadores entendam que essa é uma responsabilidade da Câmara", disse a diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba, Alessandra Cláudia de Oliveira. Por enquanto, a oposição tem seis dos 13 votos necessários.

Durante o ato, a frente colocou vários televisores no calçadão, onde foram reproduzidos vídeos em que aparece o coordenador do comitê formado por dissidentes do PRTB, que tinham se revoltado com a coligação feita com o PTB durante as eleições, e passaram a apoiar o prefeito Beto Richa (PSDB), que tentava a reeleição. No vídeo, aparecem pessoas recebendo dinheiro e assinando falsos recibos. A denúncia é de que o dinheiro seria para comprar o apoio dos dissidentes. Em razão das denúncias, a prefeitura demitiu seis funcionários comissionados, que aparecem no vídeo, e retirou os cargos de confiança de outros dois, que são concursados.

Um outro vídeo, colocado na semana passada na internet, trouxe à tona uma denúncia que já tinha sido feita durante a campanha eleitoral do ano passado. Em uma conversa entre o coordenador do comitê dos dissidentes do PRTB, Alexandre Gardolinski, e a servidora da Prefeitura de Curitiba Cristiane Fonseca Ribeiro, ela fala sobre o ex-funcionário público Benedito Ferreira da Costa, que receberia R$ 4,5 mil sem prestar serviços à prefeitura, e ainda dava a maior parte do dinheiro à vereadora Julieta Reis (DEM). Segundo a denúncia apresentada no vídeo, o prefeito Beto Richa sabia do esquema.

A assessoria da vereadora disse que ele foi funcionário do gabinete, atuando em um escritório de bairro, mas acabou pedindo demissão em 1º de setembro de 2005. A prefeitura destacou que, em 1º de outubro de 2005, foi nomeado em cargo comissionado como gestor público. No entanto, como haveria informações de que não comparecia ao trabalho, acabou demitido em 1º de junho de 2006. Costa, então, procurou o Ministério Público e fez uma denúncia afirmando que era obrigado a dar parte do salário para a vereadora. O caso ainda está sob investigação.

O assessor da vereadora, Rodrigo Cortes, disse que, em acareação na polícia, Costa retirou as acusações que teria feito sobre a repartição de seu salário. Cortes destacou que esse depoimento serviu como base para que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) suspendesse alguns programas do PMDB, no ano passado, em que a questão era explorada.

Em uma entrevista nesta manhã à Rádio BandNews, o prefeito voltou a dizer que as denúncias fazem parte de uma armação política. "Sou vítima de meu sucesso", salientou. Ele repetiu o discurso da semana passada, quando foi à Procuradoria Geral da República pedir rapidez e rigor nas investigações. "As velhas raposas não querem apear do poder, por isso usam armações, vídeos clandestinos, denúncias forjadas", afirmou, sem citar nomes. "Tudo naquele velho estilo que já conhecemos desse grupo de políticos do passado. Não fazem nada pela população paranaense, por isso lhes sobra tempo para preparar armações. Enquanto isso, a população do Estado reclama do abandono, da falta de segurança", acusou. 
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