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Tem que praticar no dia a dia a sustentabilidade

Artista plástico reproduz grandes obras da arte mundial com celebridades de agora como protagonistas para chamar a atenção para sua causa ambiental
  08/10/09 às 18:14  |  Adriane Perin
As maçãs da Imortalidade de Iduna, obra de J. Penrose, com Laura Wie e Dalton Vigh (foto: Divulgação)
Ao passar pelo Shopping Mueller pode ser que o visitante tenha a impressão de uma certa familiaridade diante das cenas pintadas nos quadros em exposição. Não será acaso. Os rostos retratados, esses sim, em sua maioria, serão identificados pelo visitante, já que  trata-se de gente conhecida da televisão e colunas sociais. É a Mostra Mitos & Ícones, de potiguar Thiago Cóstackz, que tem intenções nobres envolvendo seu trabalho: a criação do primeiro Museu de Arte Contemporânea Sustentável do Brasil.

A proposta: reproduzir quadros importantes tendo como protagonistas os famosos de agora. Assim, Fernanda Tavares encarna a Vênus de Botticelli, a curitibana Jaqueline Dalabona é Nefertite; Carolina Diekmann é  a Vênus de Milo, obra atribuída a de Alexandros de Antióquia e Paulo Zulu se transformou no Davi, esculpido por Michelangelo.

Dalton Vigh, Carlos Casagrande, Isabela Fiorentino, Mariana Weickert, a princesa Paola d’Orleans e Bragança, Laura Wie, Larissa Costa (Miss Brasil 2009) e Nany People completam as 11 obras  feitas na técnica de “body art”, que usa o corpo como suporte, meio de expressão. Os modelos têm os corpos pintados durante a caracterização dos personagens.
Ambientalista desde os 12 anos,  Cóstacks decidiu “levar um tanto da minha consciência ecológica para o trabalho de artista plástico”. Ele lista várias razões - desde o preconceito contra mulheres, negros e gays; a matança de animais, passando por sua bandeira maior, a  preservação da natureza, até chegar à inexistência de um museu contemporâneo em sua terra -,  para sua nova empreitada.

 “E é o reflexo de tudo que acredito e tento mostrar. Mas, a motivação maior foi o fato de que norte e nordeste não têm ainda museu de arte contempoânea. E partindo disso quis unir o outro mundo, o da sustentabilidade. E surgiu a filosofia do primeiro museu  de arte contemporânea sustentável, para minha surpresa, do mundo.  Algumas celebridades adoraram de cara, outros acharam que sua imagem não ajudaria. Acho meio covarde isso de achar que só o governo tem o poder nas mãos, mas na maioria das vezes nós podemos escolher com quem e que materiais trabalhar”, pondera. “Procurei pessoas públicas com posicionamento sócio-ambiental”, observa ele,  que também procurou escolher pessoas que parecessem com as das obras originais.
 “Não poderia convidar uma Adriane Galisteu, que usa bolsa de crocodilo; ou Marília Gabriela que tem um cenário todo com madeira crua. É complicado porque as pessoas seguem os passos deles”, alfineta. Seguindo à risca sua própria lição, só usou material ecológico.  “Tinha a base de água que não poluiu mananciais de água.  Papel só reciclado e eu não aceito ser patrocinado por marcas de carro”, conta.

Ele sabe porém que usar esses produtos é muito caro e argumenta que o único jeito de mudar isso é consumir mais e obrigar os preços cairem. Garante que não é um “eco-chato”. “Sei que é impossível viver sem agredir o planeta, temos que minimizar. Dizer que não come carne é o caminho mais óbvio e fácil. E tem que consumir com cautela e saber, por exemplo,  que o pum das vacas é tão prejudicial quanto o carro. E  que tem mais vacas no mundo. É agir com bom senso, porque extremismos não levam a nada”, acredita. “Hoje as crianças brigam com o pai que joga lixo no chão e vejo nisso uma grande mudança”, diz o rapaz que tem 25 anos e lamenta sua geração não ser tão consciente.
Para ter as beldades nas obras, à rigor, ele teria de desenbolsar em torno de R$2 milhões, mas elas abriram mão do cachês. O museu, explica, terá a obra que o artista quiser doar. O único requisito é que ela não pode ter agredido o planeta para ser criada.  “Não haverá curadoria. O que teremos são 10 curadores para legitimar, certificar que as obras são ambientais”, adianta ele que,  por onde passa, vai convidando artistas a se engajarem.  Em seguida a mostra segue para o exterior.

O Museu de Arte Contemporânea e Sustentável do Brasil, na cidade de Natal tem inauguração esperada  para 2010,  e contará com a colaboração de Luiz Osaka e Eunice Sofia, curadores do acervo do MASP e estará dentro de um shopping center. “A intenção é ‘democratizar a arte’, torná-la acessível e interessante para um público que não tem relação com esse universo artístico”, comenta Thiago.
 
Serviço
Mostra Mitos & Ícones . Até 11 de outubro. das 10h às 22h,  todos os dias da semana. Shopping Mueller
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