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Justiça

Penas alternativas

Governo propõe livrar da prisão pequenos traficantes

Intenção é evitar que essas pessoas sejam cooptadas, nos presídios, por facções criminosas
  22/10/09 às 09:26  |  Agência Estado
Mudanças na lei antidrogas que serão propostas pelo governo ao Congresso, até o fim do ano, vão livrar os pequenos traficantes da cadeia. Quem for flagrado pela polícia vendendo pequena quantidade, estiver desarmado e não tiver ligação comprovada com o crime organizado será condenado a penas alternativas.

Com as inovações na Lei 11.343, que instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, o governo pretende evitar que essas pessoas sejam cooptadas, nos presídios, por facções criminosas, além de permitir que a polícia concentre o trabalho de repressão nos grandes traficantes e no crime organizado, conforme adiantou o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay.

Da forma como foi aprovada a atual legislação, quem trafica pequena quantidade pode ter uma condenação abrandada, chegando ao mínimo de 1 ano e 8 meses de prisão, mas essa penalidade não pode ser convertida em pena alternativa. A análise de 9.252 ocorrências que resultaram na prisão de traficantes na capital paulista entre 2007 e o primeiro semestre deste ano mostra, por exemplo, que nove em cada dez traficantes em São Paulo são presos com menos de 1 quilo de maconha, 500 gramas de cocaína ou 50 gramas de crack, conforme o Estado revelou no dia 4.

“Precisamos trabalhar uma mudança na lei para que as pessoas que se envolvem esporadicamente com as drogas e não têm relação com o crime organizado cumpram penas alternativas”, afirmou Abramovay. “Isso não é nenhuma questão de bondade ou de leniência com o tráfico. É uma questão de estratégia”, argumentou.

Liberdade provisória

Outro ponto da lei antidrogas que deve ser alterado, a depender da vontade do governo, é o artigo que impede que pequenos traficantes aguardem em liberdade o julgamento. Uma pessoa acusada de homicídio pode se beneficiar da liberdade provisória. Mas aquele que vende cinco trouxinhas de maconha, por exemplo, está obrigado a ficar preso até o fim do processo.

Além dessa incoerência, o governo considera que essa medida pode futuramente, ter a constitucionalidade contestada no Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, pelo Código de Processo Penal, a manutenção da prisão em flagrante ou preventiva deve ser devidamente justificada pelo juiz responsável pelo caso. Apesar dessa análise, as Cortes superiores têm optado por manter a lei na íntegra. Em 80% dos casos que chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), solicitando a concessão de liberdade provisória, o benefício acabou negado pelos ministros.

O Ministério entende que condenar esses traficantes considerados pequenos à pena de prisão acaba por fortalecer o tráfico. “O que estamos fazendo com a maior parte deles, e hoje são 80 mil, é entregá-los de mão beijada para o crime organizado, depois de um ano e pouco que passam na prisão. Isso está equivocado”, disse o secretário de Assuntos Legislativos, Pedro Abramovay. “Temos de restringir a atuação da polícia e o sistema penitenciário para os grandes traficantes. Para os pequenos temos de dar outra abordagem.” 
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Comentários (total: 1)
23/10/09 17:18
desiree amaral
A notícia "Governo propõe livrar da prisão pequenos traficantes" soou como uma bomba aos meus ouvidos.Toda a violência,assassinatos,latrocínios,assaltos e inúmeros crimes provêm do uso e do tráfico de drogas,não importando se são 100 gramas ou 100 quilos, se é a maconha ou o crack. Não podemos mais aceitar esse país de conto de fadas que nos fazem engolir. Os bandidos agem pela certeza da impunidade e, mais uma vez, receberão as benesses da lei. Que esse absurdo não nos leve a uma guerra civil, em que a autotutela será a única saída.