Curitiba PR, 29 de Julho de 2010
Máx 23°C
Min 12°C

Paraná

Síndrome de Down

Novo material vai ajudar a mostrar o potencial “desconhecido”

Associação Reviver Down concretiza um antigo projeto, que vai mostrar a capacidade de quem vive com a síndrome
  27/10/09 às 16:21  |  Flávia Gradowski Sampaio
O calendário vem para valorizar a imagem de crianças com necessidades especiais (foto: Franklin de Freitas)
Depois de muito tempo esperando uma oportunidade para se concretizar, no início de novembro chega ao mercado o Calendário Reviver Down. Elaborado pela Associação Reviver Down, que trata de pessoas com a síndrome, o material traz os conceitos do potencial positivo das pessoas com a condição e fala da inclusão e responsabilidade social à comunidade em geral. O calendário vem para valorizar a imagem de crianças com necessidades especiais em todos os sentidos através de utilização da mídia fotográfica.

A Associação Reviver Down idealizou o calendário com o objetivo de arrecadar fundos para a manutenção dos serviços oferecidos pela instituição. Há mais de 16 anos a instituição trabalha para melhorar a qualidade de vida tanto de pessoas com a síndrome quanto de seus familiares lhes proporcionando maiores oportunidades.
“Essa associação surgiu em Curitiba porque sentimos a necessidade de que pais que tinham filhos com a Síndrome de Down conhecessem e entendessem melhor as possibilidades que seus filhos têm. Porque por mais que a pessoa conheça o assunto, quando a família recebe a notícia de que seu filho tem a síndorme é sempre um momento de bastante complexidade. E a associação vem para tentar amenizar esta situação”, contou a diretora de comunicações da instituição.
 
A Associação Reviver Down trata de dois patamares que julga extremamente importantes para a aceitação de pessoas com a Síndrome. O primeiro é a divulgação da condição e do seu potencial positivo e o segundo é a inclusão de pessoas com Síndrome de Down na sociedade. De acordo com Josiane, quando estes dois pilares são levados a sério, os resultados são satisfatórios.

“Em relação ao primeiro patamar, que trata de divulgar a síndrome e o seu potencial positivo, acredito que fazendo isso conseguimos uma série de outras coisas que vêm acopladas. Exemplos disso são a diminuição do preconceito e as possibilidades que se abrem. Sentimos que a medida que trabalhamos na sociedade esse conceito, o preconceito diminui muito. Se falamos sobre o assunto, alcançamos visibilidade. A pessoa com a síndrome é mais entendida e as possibilidades vem de carona com essa visibilidade”, explica.

Em relação à inclusão, Josiane conta que o resultado também é positivo. “Acreditamos que as pessoas com Down podem fazer tudo, dentro do seu ritmo e de suas capacidades. A inclusão é algo fundamental. Seja no trabalho, na sociedade ou dentro de casa. Hoje em dia, as famílias estão muito mais preparadas para receber crianças nesta condição. As escolas também estão mais abertas a isso”, conta.

De acordo com a diretora de comunicações da instituição, atualmente, muitas escolas — de 100 a 150 — atendem a crianças com a Síndrome de Down em turmas regulares. “O que é preciso salientar é que todas as escolas recebem estas crianças, mas nem todas sabem lidar com a criança que tem a síndrome. Estamos passando por um processo de transição, onde as escolas também estão se abrindo para isso”, disse.
Social — A questão social também é bastante trabalhada e algumas estratégias de mercado têm surtido bastante efeito. “As pessoas com a síndrome estão nas ruas, se virando, levando uma vida normal.

E a ponta disso tudo é o mercado de trabalho. Porque como é tudo muito novo, a preparação do jovem ainda é pequena, assim como as empresas que vão recebê-los. Então, a solução que sugerimos e que tem dado certo é que as empresas mesmo preparem o jovem para o trabalho que necessitam”, apontou Josiane.

Atenção começa antes do nascimento
A Associação Reviver Down desenvolve projetos que vão desde o nascimento de bebês com a síndrome até a sua inclusão na sociedade quando mais velhos. Josiane conta como funcionam alguns destes projetos. “O Nascer Down ocorre quando um bebê nasce com a síndrome. Temos uma equipe preparada para conversar com os pais. Normalmente, são pais de crianças maiores que tem a síndrome e que já passaram por aquilo”, conta.

Existe ainda uma equipe que conversa com os médicos e realiza palestras em maternidades. “Isso é para mostrar aos médicos que precisa de toda uma preparação para dar o diagnóstico para a família. Acredito que se essas pessoas não estão preparadas para dar a notícia, o resultado é catastrófico. Então, investimos bastante em palestras nas maternidades”, disse Josiane.

Outro projeto que a instituição oferece é uma parceria com o ambulatório da Síndrome de Down do Hospital de Clínicas, onde mais de duas mil crianças carentes do Paraná e de Santa Catarina recebem atendimento de pediatras, nutricionistas, fonoaudiólogos, entre outros. “Este é um serviço pioneiro no Brasil. O laboratório funciona duas vezes por semana com uma equipe que está sempre pronta para atender”, apontou Josiane.

A associação oferece ainda o serviço Crescer Down, que são grupos de jovens que trabalham a autonomia. “Eles se reúnem para aprender a andar de ônibus, cuidar da casa. Enfim, tem um auto cuidado. Temos um grupo que reúne pessoas com idade entre 14 e 18 anos e outro grupo com pessoas dos 18 anos em diante”, finalizou. (FGS)
Comente
Preencha corretamente todos os campos
 
Compartilhe


Comentários (total: 3)
18/03/10 16:41
Rosangela Gonçalves Fioravanti
Sou profesora de alfabetização e hoje tenho dois jovens , de 17 e 18 anos, portadores da síndrome de down. Solicito material para sala de aula, o menino é pré-silábico e muito inteligente...
31/10/09 07:42
Socorro Amariz
Gostaria de parabéns a Associação
Reviver Down pela iniciatina e ao mesmo tempo solicitar um calendário deste. Sou professora da disciplina Educação Inclusiva, por isso me interessa todo e qualquer material que possa contribuir com o meu trabalho.
28/10/09 11:12
Roberto Mariano
Parabens pela ideia do calendario ,achei a ideia otima.Alias pelo que eu vi na reportagem vcs fazem um trabalho bem bonito aí na associação.Eu tambem faço parte de uma associação chamada Grupo 21,formada por pais de pessoas com sindrome de down.Gostaria de saber mais sobre os calendarios .É uma exclusividade de vcs,ou podemos usar a mesma ideia.Gostaria de entrar em contato com vcs para trocar ideias;

atencisamente ,

Roberto Mariano